segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Palanque dividido nos estados

Patrícia Aranha
DEU NO ESTADO DE MINAS

Presidente Lula tem tentado de todas as maneiras construir aliança nacional entre PT e PMDB para as eleições 2010, mas as realidades regionais afastam essa possibilidade

Apesar do empenho pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em tentar garantir a presença do PMDB no palanque da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, no ano que vem, as realidades regionais afastam cada vez mais a possibilidade de que seja construída uma aliança nacional. Além do Rio Grande do Sul – onde os petistas são adversários históricos dos peemedebistas –, há problemas nos principais colégios eleitorais: São Paulo, Minas e Rio de Janeiro. Até em estados governados pelo PT, como é o caso da Bahia de Jaques Wagner, o PMDB resiste, com lançamento de candidatura própria ao governo: a do ministro do Desenvolvimento Regional, Geddel Vieira Lima.

Levantamento feito pelo Estado de Minas junto a membros das executivas nacionais do PT, PSDB e PMDB mostra que as articulações nos 27 estados não passam de cartas de intenções. Em alguns casos, as conversas são tão incipientes que a entrada de um novo nome na disputa conseguiu modificar completamente o quadro. É o caso do Rio de Janeiro, onde a possibilidade da candidatura da ex-ministra Marina Silva à Presidência da República, pelo PV, obrigou o pré-candidato ao governo pelo partido, o deputado federal Fernando Gabeira, a repensar a aliança que vinha sendo costurada com o PSDB – que não teria candidato no Rio em troca do apoio dos verdes à candidatura do tucano ao Planalto. O mesmo ocorreu em Goiás, onde o aval do presidente Lula à eventual candidatura do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles (ainda sem partido), fez com que o PT recuasse no apoio à candidatura do prefeito de Goiânia, Íris Rezende (PMDB).

Estratégias No Planalto, a orientação é para que nos estados governados por partidos da base aliada não haja disputa, mas nem mesmo o PT tem obedecido. No Mato Grosso do Sul, por exemplo, governado pelo PMDB, os filiados estão em plena campanha pela candidatura do ex-governador Zeca do PT. O secretário nacional de Assuntos Institucionais do PT, Romênio Pereira, que acompanha de perto as articulações nos estados, reconhece que a tarefa não é fácil.
“O PT e o presidente Lula sabem que política não é matemática. Não é simples falar com o ministro Geddel que ele deveria apoiar Jaques Wagner na Bahia, ou com o PT do Rio que a prioridade é reeleger o governador Sérgio Cabral (PMDB). Mas articulação política é assim mesmo, a estrada é longa, o presidente Lula é habilidoso. Poderemos ter êxito nas conversas”, acredita.

O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), avalia como remota a possibilidade de o PMDB fazer uma aliança nacional, por isso concentra as conversas em torno dos maiores colégios. “O presidente Lula, como sempre, foi muito ambicioso nas articulações. Ele terá gente do PMDB no palanque presidencial, como nós também vamos ter. Ninguém vai ter o partido como um todo”, avalia.

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