quarta-feira, 28 de abril de 2010

Serra e Dilma divergem sobre criação de pasta da segurança

DEU NA FOLHA DE S. PAULO

Petista afirma não ver "importância" em proposta do tucano de novo ministério

Ex-ministra critica criação de pastas "para tudo" e diz que Justiça cuida bem do tema; tucano nega inchaço e quer extinguir secretaria

MATHEUS MAGENTA
DA AGÊNCIA FOLHA, EM ALAGOINHAS E FEIRA DE SANTANA (BA)
MÁRCIO FALCÃO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Os pré-candidatos à Presidência José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) explicitaram ontem a primeira divergência programática: a criação do Ministério da Segurança Pública, promessa do tucano anteontem num programa de TV, foi considerada desimportante pela petista, que avalia que o Ministério da Justiça é capaz de cuidar dos problemas da área.

"Acho que o Ministério da Justiça tem um caráter forte de segurança pública. Dentro daquela ideia de não ficar criando ministério para tudo, então eu não vejo muita importância nisso", disse Dilma ontem.

Para ela, o "foco na segurança pública" é importante. "Nós [governo] temos o que apresentar porque a segurança pública foi uma questão estrutural e acho que o Ministério da Justiça tem desempenhado com empenho isso", afirmou.

Em viagem à Bahia, Serra negou que a ideia vá provocar inchaço na administração. "Não é questão de inchar a máquina pública, mas de direcionar a máquina para o que é fundamental para a população."

Na semana passada, em Natal, Serra afirmou que o Estado tem que ser "musculoso, mas enxuto". "Nós não somos lutadores de sumô", disse.

Para se contrapor à ideia do inchaço, o ex-governador paulista disse que, se for eleito, irá acabar com o Ministério de Assuntos Estratégicos, pasta criada por Lula e comandada hoje por Samuel Pinheiro Guimarães. "Não precisa dessa Secretaria de Assuntos Estratégicos, que ninguém sabe o que é. Estudos de longo prazo são importantes, mas não precisa de um ministério para isso."

O tucano não deu detalhes sobre como vai viabilizar a proposta de criação do ministério, mas citou como exemplo a separação comum entre as secretarias da Justiça e da Segurança em gestões estaduais. "Que tem uma coisa a ver com a outra, tem. O problema é a concentração de esforços. Concentrar, especializar, preparar e atuar com muita firmeza num problema que é, junto com a saúde, o mais grave do Brasil."

Dilma rebateu o argumento, dizendo que o governo Lula deu melhores condições para o Ministério da Justiça atuar, destinando 78% da verba da pasta para segurança.

A petista voltou a dizer que o governo Lula foi mais atuante do que o de Fernando Henrique Cardoso no combate à violência. Segundo Dilma, a gestão petista promoveu 1.012 operações especiais da Polícia Federal contra 29 na anterior.

Para Jorge Zaverucha, cientista político da Universidade Federal de Pernambuco, a proposta de criação de um Ministério da Segurança Pública é a "correção de uma desfuncionalidade do Estado nessa área que só existe na esfera federal".

Para ele, não faz sentido a PF ser subordinada ao Ministério da Justiça. Além disso, Zaverucha afirma que uma pasta específica para a segurança permite uma maior coordenação das ações de combate ao crime e a execução de projetos mais amplos de prevenção e repressão.

Ontem, Serra também prometeu tornar permanente a Zona Franca de Manaus se for eleito presidente. Em entrevista à TV Rede Amazônica, ele disse que sua proposta é transformar a região em um polo industrial fixo, sem a necessidade de renovação periódica dos seus benefícios fiscais.

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