quinta-feira, 16 de junho de 2011

Marina Silva recebe convite do PPS

Vandson Lima e Raphael Di Cunto

 São Paulo - De olho na briga entre a ex-senadora Marina Silva (PV) e o presidente nacional do PV, o deputado federal José Luiz Penna (SP), o PPS de São Paulo convidou oficialmente ontem o grupo da ex-presidenciável para que ingresse no partido e ajude a refundá-lo depois das eleições de 2012. "A intenção não é que eles troquem de partido e se filiem ao PPS apenas. A proposta é de, juntos, construirmos uma via alternativa e promissora para 2014, com uma nova formação político-partidária e social", afirmou o secretário de Comunicação do PPS paulista, Maurício Huertas.

A oferta se dá no momento em que o PPS reavalia escolhas passadas. Segundo Huertas, nas reuniões da direção nacional em Brasília, dias 9 e 10, ficou latente a insatisfação de membros da sigla com o papel do PPS nas últimas eleições: "Não podemos mais ficar a reboque do PSDB e do DEM, em um caminho de centro-direita que não condiz com nossa história". A ideia, diz Huertas, é chamar "bons políticos" sem espaço em seus partidos, como a deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP) e o senador Cristovam Buarque (PDT-DF).

O realinhamento do PPS repetiria a fundação da legenda, criada em 1992 a partir do Partido Comunista Brasileiro (PCB) por um grupo de dissidentes, entre eles o deputado federal Roberto Freire (SP), que decidiram abandonar o socialismo revolucionário e adotar a social-democracia.

Dentro do PV, aliados de Marina discutem a criação de outra legenda, com a alegação de que a atual é controlada com autoritarismo por Penna através de comissões provisórias, quando o dirigente é nomeado. O deputado não retornou as ligações do Valor para rebater as críticas.

Entretanto, partidários de Marina questionam a viabilidade de fundar uma nova sigla. Ela não teria tempo de televisão, calculado com base no número de deputados federais eleitos, e precisaria de registro na Justiça Eleitoral até outubro, ou não ficaria de fora das eleições municipais de 2012. O processo de registro exige quase 500 mil assinaturas em pelo menos cinco Estados. Mesmo um partido grande e com o controle de muitas máquinas públicas, como o PSD do prefeito Gilberto Kassab (ex-DEM), ainda não conseguiu obter o registro, apesar da articulação ocorrer desde a eleição de 2010.

A possibilidade de ficar de fora da eleição municipal afasta da discussão militantes importantes que, apesar de apoiarem as discussões por mais democracia no partido, tem intenções eleitorais no ano que vem, como o ex-deputado federal Fernando Gabeira, pré-candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro. "Sou favorável a mudanças no partido e acho que todos são. A divergência é apenas quanto ao prazo. Não tenho intenção de sair do PV", afirmou.

Outras lideranças do PV, como o deputado estadual Alfredo Sirkis (RJ) e o pré-candidato à Prefeitura de São Paulo Ricardo Young, derrotado na eleição para o Senado em 2010, também descartam a ideia e preferem aguardar novas negociações com o grupo de Penna, que possui maioria nos diretórios.

A última ferida aberta é a extinção do comando do PV de São Paulo, que teve o registro vencido na terça-feira e não foi renovado por Penna. A direção teve o mandato, que seria de dois anos segundo o estatuto, reduzido por determinação da Executiva Nacional em abril. O antigo presidente, Maurício Brusadin, é um dos líderes da Transição Democrática, grupo que pede a realização de eleições diretas para os cargos de direção.

Segundo Sirkis, que retomou o diálogo com Penna anteontem, após ficarem quase dois meses sem conversarem, os dirigentes da Executiva de SP devem ser mantidos, com exceção de Brusadin, que divulgou carta com duras críticas ao presidente nacional. O principal cotado para substituí-lo é o presidente da Fundação Herbert Daniel, Marco Mroz, próximo tanto de Marina quanto de Penna.

FONTE: VALOR ECONÔMICO

Um comentário:

VAGNER GOMES 2331 disse...

Há muitos entusiastas dessa filiação da Marina Silva ao PPS. Entretanto, a trajetória política da Ex-senadora deve ser preservada dos "cálculos eleitorais" que sempre condenamos em alguns dirigentes "pepesistas". No momento, devemos consolidar nossa política de oposição. Porém, a ex-senadora defende um discurso de "independência política". Há muitos pontos que convergimos com o "grupo marineiro", mas esse seria o momento de colocar o debate político atual antes do debate de 2012 e/ou 2014.
Vagner Gomes/PPS-RJ