segunda-feira, 29 de maio de 2017

Opinião do dia – Fernando Gabeira

É preciso evitar e combater a barbárie, aceita ainda por uma esquerda que flerta com a violência e não superou o viés autoritário das teorias do século passado. Uma esquerda que não sustenta dois minutos de discussão se for chamada a defender com ideias a destruição de prédios públicos e propriedades particulares, sobretudo os primeiros, que pertencem ao povo que ela supõe representar.

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Fernando Gabeira é jornalista. “Caos nosso de cada dia”, O Globo, 28/5/2017

Novo ministro questiona inquérito contra Temer

Torquato questiona abertura de inquérito contra o presidente

Novo titular da Justiça diz que investigação no STF instaurada por Fachin foi ‘fundada em um documento não periciado

Isadora Peron | O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - O novo ministro da Justiça e ex-titular da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União, Torquato Jardim, minimizou o fato de o presidente Michel Temer ter recebido na noite de 7 de março, no Palácio do Jaburu, sem registrar na agenda oficial, o empresário Joesley Batista, dono da JBS. Para ele, faz parte da “cultura parlamentar” do presidente ser “afável e acessível a qualquer hora e qualquer lugar”.

Em entrevista ao Estado na sexta-feira passada, 26, antes da nomeação para a Justiça, Torquato defendeu o “reexame”, no Supremo Tribunal Federal, da competência do ministro Edson Fachin como relator do inquérito que investiga Temer. Ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral, ele disse também que é “recomendável” que haja um pedido de vista na retomada do julgamento da ação contra a chapa Dilma-Temer. Procurado no domingo, o ministro não se manifestou.

Temer troca ministros e põe Torquato na Justiça

Em meio a crise, Temer troca o comando do Ministério da Justiça

Gustavo Uribe, Bela Megale, Letícia Casado | Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - O presidente Michel Temer trocou, neste domingo (28), o comando do Ministério da Justiça. Torquato Jardim assumirá a pasta, substituindo Osmar Serraglio, que será novo ministro da Transparência.

A troca ocorre a menos de dez dias do julgamento da Justiça Eleitoral que poderá cassar o mandato do presidente, marcado para o dia 6 de junho.

O movimento é visto como uma medida para melhorar a interlocução de Temer com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e com o STF (Supremo Tribunal Federal), responsável por conduzir o inquérito contra o peemedebista.

Diferentemente de Osmar Serraglio, que ocupava o cargo até então, Torquato já foi ministro do TSE e tem boa relação com os tribunais superiores. Ele é conhecido pelo perfil conciliador, motivo que também o levou a ocupar a Transparência (ex-CGU).

Temer troca ministros de olho na decisão do TSE

Michel Temer nomeia Torquato Jardim para o Ministério da Justiça

Ao anunciar a decisão, presidente agradeceu o emprenho e o trabalho realizado pelo deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR).

Rosana Hessel | Correio Braziliense

O presidente Michel Temer promoveu, neste domingo (28/5), uma troca de cargos no primeiro escalão. Osmar Serraglio, que até então era ministro da Justiça, cede o lugar para o jurista Torquato Jardim e passa a ocupar o cargo deste, ficando à frente do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União (CGU)*.

Na nota, divulgada pouco depois das 14h, Temer agradeceu o empenho e o trabalho realizado por Serraglio (PMDB-PR) à frente do Ministério da Justiça e disse que espera continuar com sua colaboração "em outras atividades em favor do Brasil".

'Nunca vi tantos especialistas em TSE', diz ministro Torquato Jardim

Ana Dubeux , Leonardo Cavalcanti / , Rosana Hessel | Correio Braziliense

Para quem pensa que a decisão sobre o julgamento da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) será no próprio dia 6 de junho, o novo ministro da Justiça, Torquato Jardim, avisa que será inevitável um pedido de vista. Para ele, no entanto, o resultado sairá ainda em junho.

Jardim, com 40 anos de experiência na Justiça Eleitoral, diz que 90% dos que falam sobre o julgamento da chapa é chute.

“Nunca vi tantos especialistas em TSE, e sem entender nada”, afirma. Ele evita falar sobre a possibilidade de afastamento do presidente Michel Temer e garante que ficará ao lado dele até o fim. Contudo, ele explica que, "do ponto de vista acadêmico", sem uma lei complementar, nenhum ministro do Executivo ou magistrado poderia participar de uma eleição indireta, pela legislação atual. “Se não houver uma lei complementar, só parlamentar pode ser candidato ou alguém de fora”, afirma.

Veja a seguir, os principais trechos da entrevista, concedida ao Correio na noite de sexta-feira (26/5), quando ele ainda ocupava o cargo de ministro da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União, que agora será ocupado por Osmar Serraglio.

Temer troca ministros em busca de ajuda no TSE

Por Fernando Exman, Bruno Peres, Vandson Lima e Maria Cristina Fernandes | Valor Econômico

BRASÍLIA E SÃO PAULO - O presidente Michel Temer nomeou Torquato Jardim para o Ministério da Justiça e remanejou Osmar Serraglio para o Ministério da Transparência.

A troca de cadeiras entre os dois é a principal cartada de Temer desde a divulgação, há dez dias, dos grampos do empresário Joesley Batista, do grupo JBS. O novo titular da Justiça era a reserva técnica de Temer para o momento em que fosse preciso colocar em campo um advogado para articular, no governo, sua defesa. O novo titular da Justiça, professor da UnB, fez carreira na advocacia eleitoral e foi durante oito anos ministro do Tribunal Superior Eleitoral, que está para julgar o mandato do presidente.

Em entrevista ao "Correio Brasiliense", na sexta-feira, Torquato comentou como deverá ser o julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE. Ele prevê por volta de três semanas de julgamento, com boa probabilidade de um pedido de vista, para o qual inclusive já enxerga um pré-candidato - o terceiro julgador, ministro Admar Gonzaga.

Este calendário, prevê, coincidirá com o período mais complicado que o governo terá de atravessar. Se sobreviver, avaliou Torquato, o governo, ao final de julho, estará a salvo.

Investigado, Temer troca ministro da Justiça e nomeia crítico da Lava-Jato

Pressionado por aliados e alvo de investigação, o presidente Michel Temer trocou o ministro da Justiça, substituindo Osmar Serraglio por Torquato Jardim, que ocupava a pasta da Transparência. A mudança, criticada por uma associação de delegados, foi vista como uma tentativa de controlar a PF e de influenciar no julgamento no TSE da chapa que integrou com a ex-presidente Dilma. Ex-ministro do tribunal, Torquato tem bom trânsito no Judiciário e já criticou a Lava-Jato. Questionado sobre possível troca na PF, Jardim disse que tudo será estudado.

Mudança estratégica

Temer põe Torquato Jardim no Ministério da Justiça, em busca de influência na PF e no TSE

Cristiane Jungblut, Eduardo Bresciani e Geralda Doca | O Globo

-BRASÍLIA- A pouco dias do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) do caso envolvendo o seu mandato, o presidente Michel Temer nomeou ontem o jurista Torquato Jardim, ex-ministro do TSE, como novo titular do Ministério da Justiça. Torquato, que deixará o Ministério da Transparência, substituirá Osmar Serraglio que, por sua vez, assumirá a pasta da Transparência. Nos bastidores, Temer teve dois objetivos: reconquistar o comando sobre a Polícia Federal (PF), subordinada ao Ministério da Justiça, e aumentar a influência do governo sobre o TSE . O presidente responde a inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), com base na delação premiada do dono da JBS, Joesley Batista, e é investigado pela PF na Operação Lava-Jato.

Ofensiva jurídica e política foi traçada no fim de semana

Presidente decidiu em reunião com caciques do PMDB estratégia para ficar no cargo

Cristiane Jungblut | O Globo

-BRASÍLIA- O presidente Michel Temer se reuniu com caciques do PMDB na noite de sábado e traçou os próximos passos do que chamou de ofensivas jurídica e política para tentar conter a crise envolvendo sua permanência na Presidência da República. Temer disse a aliados que “não sai” do cargo e que vai “resistir”. Com um comportamento mais firme e exaltado do que o habitual, segundo aliados, Temer avisou que tomará todas as medidas jurídicas e políticas a seu alcance, inclusive com recursos ao próprio Judiciário, em caso de decisão desfavorável no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

— Não saio da Presidência. Vou resistir e endurecer (no discurso) mais do que já endureci. E vou entrar com recurso até o fim (ao falar sobre um desfecho desfavorável no TSE) — disse Temer, de acordo com aliados que estiveram com ele no Jaburu.

Reformas passarão e parceria entre Executivo e Congresso está intocada, diz Jardim

Preocupação com tempo de prisões temporárias é do STF, diz Jardim

Daniela Lima - Folha de S. Paulo

Alçado ao Ministério da Justiça no auge da tensão entre o presidente Michel Temer e os operadores da Lava Jato em Brasília, Torquato Jardim não esconde a que veio. Horas após sua indicação, em entrevista à Folha, disse que "vai avaliar" mudanças no comando da Polícia Federal.

O novo ministro também defendeu que outras associações do Ministério Público Federal, além da ANPR (Associação Nacional de Procuradores da República), façam listas para disputar o comando da PGR (Procuradoria-Geral da República), hoje nas mãos de Rodrigo Janot.

Torquato falou à reportagem neste domingo (28), por telefone, de dentro da van com a comitiva presidencial após viagem para vistoriar áreas de enchentes em Alagoas. Prometeu ouvir Michel Temer em tudo.

Ele é ex-ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), corte que julga daqui oito dias ação que pode levar à cassação do presidente. Em resposta enviada por sua assessoria, disse que o julgamento "será técnico".

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O sr. assume o Ministério da Justiça no momento de maior tensão na relação entre Michel Temer e a PGR. Como pretende atuar?

PT revive dilema com possibilidade de eleição

Por Ricardo Mendonça | Valor Econômico

SÃO PAULO - A possibilidade de uma eleição indireta para a Presidência após eventual renúncia ou afastamento de Michel Temer pode levar o PT ao mesmo dilema vivido no segundo turno do pleito para o comando da Câmara após a queda de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em julho de 2016.

Na época, as opções eram Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Rogério Rosso (PSD-DF). O primeiro havia sido um dos articuladores da deposição de Dilma Rousseff. O segundo era ligado a Cunha. A questão que dividiu os petistas podia ser resumida assim: apoiar um arquirrival DEM que fora um dos principais defensores do impeachment, sabotando o próprio discurso do golpe, ou não votar em ninguém, aumentando o risco de ver um aliado de Cunha vencer? Dos 58 nomes da sigla, cerca de 30 foram de Maia, que acabou vencendo. O resto não apoiou ninguém.

Definição de regra será essencial para medir força de Maia em indireta

Por Raphael Di Cunto, Marcelo Ribeiro e Luísa Martins | Valor Econômico

BRASÍLIA - A força eleitoral do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), na eventual eleição indireta para substituir o presidente Michel Temer em caso de cassação ou renúncia do pemedebista pode ser reduzida a depender do colégio eleitoral que será estabelecido, avaliam técnicos legislativos e políticos. Esse impasse é um exemplo da queda de braço que deverá ocorrer na regulamentação do processo, que hoje traz mais dúvidas do que certezas.

Além de contar com a possibilidade de distribuir cargos e recursos como presidente interino, cargo que ocuparia por até 30 dias, Maia parte na frente dos adversários, na avaliação de congressistas, por contar com trânsito maior entre os deputados, que, pela lógica, seriam a maioria dos votantes - são 513 deputados para apenas 81 senadores.

Artistas pedem no Rio 'Diretas Já' e 'Fora Temer'

Por Rafael Rosas | Valor Econômico

RIO - O evento de ontem na Praia de Copacabana que pediu a antecipação de eleições diretas para a presidência da República contou com forte presença de artistas e políticos de oposição ao governo do presidente Michel Temer. Caetano Veloso, Wagner Moura, Sophie Charlote, Daniel de Oliveira, Marcelo Freixo (Psol-RJ) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP) foram alguns dos nomes mais populares entre o "showbizz" e o mundo político presentes.

Mas esse sucesso entre artistas ainda não foi capaz de mobilizar uma multidão. Estimativa dos organizadores - a Polícia Militar do Rio não fez projeção sobre o número de presentes - apontou para 100 mil participantes. O fato é que o grupo que pedia "Diretas Já" e "Fora Temer" ocupava menos de um quarteirão entre as ruas Figueiredo de Magalhães e Siqueira Campos.

Como restaurar a pinguela | Ricardo Noblat

- O Globo

“Para alguém que exerce um cargo público, a idoneidade é tudo” Dom Leonardo Ulrich Steiner, Secretário-Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

Embora estrebuche na maca e negue que renunciará ao mandato, Michel Temer ainda não teve a má ideia de dizer que só sairá do Palácio do Planalto amarrado à cadeira presidencial. Era assim que Delfim Netto, ministro da Fazenda da ditadura militar de 64, prometia fazer se um dia o derrubassem. Depois de sete anos como o todo-poderoso xerife da economia, Delfim acabou demitido, mas a cadeira ficou.

A CADEIRA PRESIDENCIAL continuará sendo ocupada por Temer até que se entendam em torno de um nome para substituí-lo os protagonistas de sempre da cena política nacional — partidos, ministros de tribunais superiores, empresários e banqueiros. Fracassou quem havia se oferecido para unificar o país. A pinguela caiu. Mas quem irá restaurá-la para que o país consiga chegar em paz às eleições diretas de 2018?

Temer apara a queda | Jose Roberto de Toledo

- O Estado de S. Paulo

Michel Temer não caiu de vez porque o empresariado está temeroso com a consequência de sua queda, e porque Rodrigo Maia não tem metade da astúcia e despudor de Eduardo Cunha no comando da Câmara dos Deputados. Consequentemente, quem pode não quer substituir o presidente – e quem quer não pode. Uns relutam a virar vidraça, os outros já são. Não se deve misturar o tempo verbal com o significado do verbo, porém. Temer está caindo.

Flexionado no gerúndio, cair pode se confundir com voar. A diferença é insuperável: voa-se em qualquer sentido; a caída, todavia, é só pra baixo. Como quem veste paraquedas, Temer tenta controlar direção e velocidade do descenso. Busca um pouso bem longe de Curitiba. Pode demorar, mas, no fim, a gravidade sempre vence o paraquedista e puxa-o para o chão. Gravidade não falta.

Uma dose de ceticismo – Vinicius Mota

- Folha de S. Paulo

Poucas aberturas de romance são tão trovejantes como a de "Um Conto de Duas Cidades", de Charles Dickens. "Era o melhor dos tempos, era o pior dos tempos; (...) era a estação das Luzes, era a estação das Trevas; era a primavera da esperança, era o inverno do desespero."

A Paris revolucionária do final do século 18, onde os personagens londrinos Darnay e Carton vivem a sua agonia, torna verossímil a imagética apocalíptica contida naquelas sentenças iniciais. O Brasil em transe desde 2013 não é para tanto.

Duas medidas | Daniela Lima

- Folha de S. Paulo

Um grampo incendiou o país e teve papel determinante na deposição de seu mandatário. A frase poderá valer para a gravação feita por Joesley Batista, caso o presidente Michel Temer, já debilitado, seja cassado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) ou forçado a renunciar com a perda de apoio político no Congresso.

A mesma sentença, porém, já faz parte de capítulo da história recente. Em março de 2016, o país conheceu o conteúdo de conversas entre a então presidente Dilma Rousseff e seu padrinho político, Luiz Inácio Lula da Silva. Elas foram divulgadas pelo juiz Sergio Moro às vésperas da nomeação de Lula para a Casa Civil.

Indiretas, logo | Dora Kramer

- Veja

Eleição direta já é ficção; o momento requer atenção aos fatos

Há ocasiões em que não cabe resistir nem insistir; a única solução é não desistir e prosseguir. Nesse ponto está o Brasil. Recém-saído de um impeachment presidencial, o segundo no espaço de 24 anos, e já ás voltas com impedimento funcional do sucessor de Dilma Rousseff. De uma decisão dele, unilateral e intransferível, o país depende para conseguir (ou não) atravessar tempos tão infernais.

De constitucional solução quando vice-presidente, Michel Temer na Presidência tornou-se agora um obstáculo à única opção razoável para a administração da crise instalada desde a revelação daquela conversa flagrantemente delituosa com um corruptor confesso: o afastamento do presidente e a realização de eleição indireta pelo Congresso no prazo de trinta dias, nos termos da Constituição. Não tem jeito. Qualquer outro caminho é enganoso ou doloroso.

A marcha da insensatez | Marcus Pestana

- O Tempo (MG)

Será que as cenas a que assistimos na Esplanada dos Ministérios, na última quarta-feira, são o caminho para a estabilidade política e a retomada do desenvolvimento? Será que a violência, a intolerância e o vandalismo pavimentarão o futuro do País?

Prédios em chamas, ministérios com suas vidraças estilhaçadas, coquetéis molotov cruzando os céus de Brasília, confronto entre policiais e manifestantes, enfim, uma tarde triste para a democracia brasileira.

É uma pena. A recessão começava a dar sinais de reversão. A confiança na política econômica era crescente. As reformas estruturais necessárias estavam em discussão. A esperança começava a renascer. E veio o tsunami político produzido pela delação premiada da JBS. Os estilhaços alvejaram o já combalido sistema político brasileiro, como um todo, e envolveram, inclusive, o Presidente Michel Temer diretamente na crise.

Ecos do passado | José Murilo de Carvalho

Ilustríssima / Folha de S. Paulo

RESUMO Historiador argumenta que, a partir de 1930, a vulnerabilidade de presidentes eleitos tornou-se o feijão com arroz da política nacional. A instabilidade decorre da incapacidade dos governantes de lidar com a ascensão do povo como ator relevante e portador de demandas novas num país marcado pela desigualdade.

Brasil não soube assimilar entrada do povo na vida política

Mirar o passado para entender o presente é complicado, pois a história não se repete nem como tragédia, nem como farsa; assemelha-se mais ao rio de Heráclito, em que não se pode entrar duas vezes. No entanto, há sem dúvida continuidades que justificam o exercício.

A crise atual, em sua dimensão política, foi deslanchada pela substituição do chefe de Estado sem a intervenção de eleições. Não que se trate de novidade entre nós. Desde 1930, por dentro da Constituição ou à revelia dela, tem sido frequente esse tipo de substituição.

Antes, houve a estabilidade imperial e a da Primeira República. Uma foi garantida pelo sistema monárquico-constitucional do Segundo Reinado (1840-1889), em que o chefe de Estado não era eleito; a outra, de 1889 a 1930, pelo arranjo oligárquico montado a partir de Campos Sales (1898-1902).

Autoridade e vandalismo | Denis Lerrer Rosenfield

- O Globo

Quando o presidente Temer assinou o decreto de Garantia da Lei e da Ordem, ele nada mais fez do que seguir a Constituição

Para melhor compreendermos as violentas manifestações de rua desta última semana, tendo como roupagem todo um falso vocabulário democrata, torna-se necessário melhor avaliarmos a questão do Estado e da democracia.

Quando o presidente Temer se viu confrontado com a violência instaurada em Brasília, foi levado a fazer uma escolha, tendo como foco o restabelecimento da autoridade estatal, que estava sendo minada. Tomou para si, enquanto presidente da República, a difícil decisão de chamar o Exército para a defesa da ordem pública, abalada. Deixou claro para a sociedade brasileira que seu objetivo consistiu em defender o Estado e o regime democrático.

O Rio de Janeiro em tempos de Violência | Rosemberg Pinheiro

A Violência no Rio vem recrudescendo de forma acelerada, derrubando os animadores números obtidos quando do funcionamento pleno das UPPs, hoje um projeto em desconstrução. A violência hoje se apresenta de forma sistêmica. Não se trata mais de “privilégio” de regiões e bairros pobres da cidade; agora é fenômeno cotidiano em todas as regiões da Cidade.

Ocorrências de diversos e variados crimes podem acontecer tanto em bairros como no Leblon quanto na Pavuna; as características são semelhantes, embora sejam ainda relativamente mais intensas junto aos subúrbios da Zona Norte e Oeste.

O morador da Zona Sul do Rio já vem convivendo com o crescente aumento da violência nas ruas e espaços públicos, locais antes considerados seguros e bem protegidos. O tráfico de drogas estende hoje seus domínios para além dos tradicionais espaços já ocupados das favelas; atualmente dominam bairros inteiros.

A bomba | Fernando Limongi

- Valor Econômico

Elite política colhe resultados da sua irresponsabilidade

O cenário político continua conturbado. O preparo da massa para a pizza teve que ser adiado. A coalizão que comandou o processo de impeachment se esfacelou, perdeu o rumo e trabalha para catar os cacos. Difícil que se recomponha ou ache seu rumo. A pinguela ruiu, levando consigo muitos dos que dela se serviram para atravessar o rubicão. Tanto quanto Dilma no início de 2016, Temer é um paciente terminal. Sobrevive, contudo, por falta de alternativa. Falta o que ele próprio foi para a presidente Dilma: a alternativa que deu a todos a esperança da salvação.

Encontrar um substituto não é simples. O ungido tem que sobreviver, não pode estar contaminado pelo material tóxico que se abateu sobre Temer. Eis aí o problema: restam poucas alternativas. Para onde quer que se olhe, qualquer que seja o nome aventado como a saída, em pouco tempo, problemas aparecem e a candidatura se torna radioativa. Nenhum político cabe no figurino e apelar para juízes, aposentados ou não, representa um salto no escuro.

Cumpram seu dever | Paulo Guedes

- O Globo

O governo Temer prometeu reformas econômicas para sairmos do caos deixado por Dilma. Mas perdeu tempo demais tentando blindar a Velha Ordem

A quebradeira nas manifestações de rua em Brasília e a belicosidade em sua atuação no Congresso sugerem uma incapacidade das oposições em conviver com derrotas parlamentares, que são da própria essência da vida democrática. Podem ser contra uma reforma previdenciária, fundamental à recuperação das finanças públicas. Podem também estar contra uma reforma trabalhista que permita atenuar o flagelo fazer do desemprego prevalecer suas em massa. opiniões Mas à base não podem de arruaças, violência e depredações.

TSE não é saída honrosa | Leandro Colon

- Folha de S. Paulo

Aliados de Michel Temer têm disseminado nos bastidores o discurso de que a cassação pelo TSE seria a "saída honrosa" para o presidente encurralado pela JBS.

Se vingar, a condenação da chapa Dilma-Temer se dará por abuso político e econômico em razão do uso de verba ilícita na eleição de 2014.

O tribunal, no caso, terá julgado que o atual presidente se elegeu vice de Dilma Rousseff por meio de um esquema de caixa dois e desvio de recursos públicos pela Odebrecht.

O marqueteiro João Santana afirmou ao TSE que Temer "gerou prova" contra si mesmo ao participar de gravações daquela campanha.

Calma com as reformas | Cida Damasco

- O Estado de S. Paulo

É inevitável uma parada estratégica até se identificar a direção dos ventos

Está perto de meia dúzia o número de candidatos à sucessão de Temer, quase todos negando taxativamente em público interesse no cargo. Daria um bom BBB, com paredões diários, e pelo menos duas diferenças fundamentais em relação ao reality show: com negociações e/ou conspirações o mais longe possível das câmeras, e sem votação direta.

Apesar dessas disputas, até agora sem prazo claro para terminar, repete-se que, seja qual for o desfecho, as reformas não podem parar. Num Congresso em chamas, com a crise política flertando com a crise institucional, parte da base parlamentar tenta passar a imagem de normalidade e garantir que vai tocar as reformas trabalhista e da Previdência. E, pelo desempenho dos últimos dias, tudo indica que os mercados compraram essa tese, independentemente dos resultados da tal transição negociada.

Viés político da economia com BNDES e Moody's | Angela Bittencourt

- Valor Econômico

Curva de juro mais exposta a riscos pode mudar de novo

O crescimento da economia brasileira no primeiro trimestre deste ano e a definição da próxima taxa Selic são os eventos mais importantes da agenda econômica da virada de maio para junho, mas é improvável que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) catalisem todas as atenções porque aumenta o ruído provocado pela política. A intensa crise tornou-se o principal concorrente e o principal adversário da economia. Até há pouco, as prioridades econômicas estavam praticamente blindadas, contudo, esta semana pode ser diferente.

O saldo da sexta-feira justifica maior inquietação e cautela. E não só para os mercados, mas também para o governo.

Poder e responsabilidade – Editorial | O Estado de S. Paulo

A Constituição de 1988 deu a cara que o Ministério Público (MP) tem hoje. Alçou a instituição à condição semelhante de poder independente e a inseriu no dia a dia da vida dos brasileiros. Até então, o órgão padecia de uma espécie de conflito existencial, ora atuando como patrono dos interesses do Estado, ora como fiscal dos atos de agentes deste mesmo Estado, de quem, em última análise, dependia para funcionar. A nova Carta Magna reconfigurou o papel do MP e deu origem a uma instituição totalmente autônoma - funcional e administrativamente - e independente de quaisquer controles dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

O Ministério Público foi uma instituição que saiu muito fortalecida da Assembleia Nacional Constituinte. À independência administrativa, funcional e financeira, somou-se a significativa ampliação da esfera de atuação do órgão - especialmente com o instituto da Ação Civil Pública -, dando-lhe projeção, protagonismo e, sobretudo, poder. Tanto é assim que é justamente o Ministério Público que abre o Capítulo IV da chamada “Constituição Cidadã”, o que trata das funções essenciais à Justiça. Sem dúvida, fortalecer o Ministério Público representou um enorme ganho para a sociedade brasileira, que saíra havia pouco de uma ditadura que a privou do exercício dos mais elementares direitos.

Um erro renovado – Editorial | O Globo

Em 40 anos, o Brasil cometeu duas vezes o mesmo equívoco de se fechar ainda mais

Há uma compreensível aliança entre profissionais e empresários que dependem de encomendas de estatais, de bens e serviços, em favor de reservas de mercado, de medidas protecionistas que os protejam da concorrência externa. Barreiras desse tipo são quase uma constante na história da industrialização brasileira. Mesmo quando são barreiras naturais, pela falta de divisas.

O uso do enorme poder de compra da Petrobras, a maior das empresas públicas, grande mesmo em escala mundial, exerce irresistível sedução sobre governos. Se ele for nacionalista, de “direita” ou “esquerda”, é quase certo que aderirá a políticas deste tipo.

Juros na crise – Editorial | Folha de S. Paulo

Com longo atraso, a queda dos juros do Banco Central começou a se refletir nas taxas de fato cobradas de empresas e consumidores, ainda exorbitantes. Não obstante as incertezas trazidas pela crise política, há sinais de que essa trajetória favorável à recuperação do crédito e da economia vá continuar nos próximos meses.

Para pessoas físicas, o juro médio anual caiu de 42%, ao final do ano passado, a 39% em abril; para pessoas jurídicas, houve redução de 20% a 19%. Embora modesta, a melhora indica que começa a ser afrouxado o torniquete das dívidas de famílias e companhias, obstáculo à retomada do consumo e do investimento.

A perspectiva de adiamento das reformas, cada vez mais palpável, decerto fez retroceder o otimismo que tomava forma no mercado antes das delações que abalaram o governo Michel Temer (PMDB).

Nova regra para rotativo do cartão reduz juros bancários – Editorial | Valor Econômico

Os juros das operações de crédito tiveram em abril a maior queda mensal da história. Em parte, a redução do custo dos empréstimos reflete apenas o repasse tardio, pelas instituições financeiras, do afrouxamento das condições monetárias feito pelo Banco Central desde fins do ano passado. Mas também houve um impacto relevante da nova regulamentação do financiamento rotativo dos cartões de crédito, o que comprova a importância de o governo e o Congresso insistirem na agenda de medidas microeconômicas para reduzir os juros e os spreads bancários.

Entre março e abril, os juros médios cobrados pelo sistema bancário caíram de 32,1% ao ano para 30,2% ao ano. Quando são excluídas as operações de crédito direcionado, que têm os juros regulados pelo governo, a queda é ainda mais expressiva. A taxa média do chamado crédito livre, com condições livremente pactuadas pelo mercado, caiu de 52,5% ao ano para 49,1% ao ano no período, chegando ao menor percentual desde dezembro de 2015.

O autor da crise – Editorial | O Estado de S. Paulo

A escassez de lideranças políticas no Brasil é tão grave que permite que alguém como o chefão petista Lula da Silva ainda apareça como um candidato viável à Presidência da República, mesmo sendo ele o responsável direto, em todos os aspectos, pela devastadora crise que o País atravessa.

A esta altura, já deveria estar claro para todos que a passagem de Lula pelo poder, seja pessoalmente, seja por meio de sua criatura desengonçada, Dilma Rousseff, ao longo de penosos 13 anos, deixou um rastro de destruição econômica, política e moral sem paralelo em nossa história. Mesmo assim, para pasmo dos que não estão hipnotizados pelo escancarado populismo lulopetista, o demiurgo de Garanhuns não só se apresenta novamente como postulante ao Palácio do Planalto, como saiu a dizer que “o PT mostrou como se faz para tirar o País da crise” e que, “se a elite não tem condição de consertar esse País, nós temos”. Para coroar o cinismo, Lula também disse que “hoje o PT pode inclusive ensinar a combater a corrupção”. Só se for fazendo engenharia reversa.

Não é possível que a sociedade civil continue inerte diante de tamanho descaramento. Lula não pode continuar, sem ser contestado, a se oferecer como remédio para o mal que ele mesmo causou.

Canção | Cecilia Meireles

No desequilíbrio dos mares,
as proas giram sozinhas…
Numa das naves que afundaram
é que certamente tu vinhas.

Eu te esperei todos os séculos
sem desespero e sem desgosto,
e morri de infinitas mortes
guardando sempre o mesmo rosto

Quando as ondas te carregaram
meu olhos, entre águas e areias,
cegaram como os das estátuas,
a tudo quanto existe alheias.

Minhas mãos pararam sobre o ar
e endureceram junto ao vento,
e perderam a cor que tinham
e a lembrança do movimento.

E o sorriso que eu te levava
desprendeu-se e caiu de mim:
e só talvez ele ainda viva
dentro destas águas sem fim.

Violin Concerto - Mendelssohn

domingo, 28 de maio de 2017

Opinião do dia – Marco Aurélio Nogueira*

Como, então, nesse cenário, ter “paz” política ou governos estáveis?

Falta um pacto político ao País, algo com que se possa partir para um projeto de sociedade compartilhado, a partir do qual se apresentem aos cidadãos ideias novas, distantes do malabarismo marqueteiro, da demagogia populista e do radicalismo estéril.

Trata-se do destino da democratização. E é com ele que nos deveríamos ocupar.
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*Professor titular de teoria política e coordenador do núcleo de estudos e análises internacionais da Unesp. “Crises que se cruzam”, O Estado de S. Paulo, 27/5/2017.

Maiores partidos rejeitam votar a favor de Diretas-Já

Maiores bancadas rejeitam proposta de eleições diretas

Ranier Bragon, Talita Fernandes | Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - A maioria do Congresso é contra mudar a Constituição para convocar eleições diretas caso o presidente Michel Temer deixe o poder. Nessa eventualidade, deputados e senadores querem manter a exclusividade de escolher quem comandará o país até dezembro de 2018.

A Folha ouviu líderes dos dez maiores partidos da Câmara e do Senado, que reúnem 72 senadores (89% do total) e 397 deputados (77%).

Com exceção da esquerda, que é minoritária, todos se declararam abertamente contra as Diretas-Já.

Os oposicionistas PT, PSB e PDT não representam nem 30% das dez maiores bancadas. Para alterar a Constituição, é necessário o apoio de pelo menos 60% dos parlamentares em cada Casa.

"Neste momento acho casuísmo. [...] Não podemos ficar brincando de mudar a Constituição a cada crise, em função de um determinado caso, de um determinado momento", disse o senador Tasso Jereissati (CE), presidente interino do PSDB, partido que já definiu posição unificada contra às Diretas neste ano.

O que acontece se Temer sair da Presidência?

Renúncia, impeachment, cassação pelo TSE e afastamento por crime comum – o que aconteceria com o presidente e o cargo que ocupa em cada situação

Por Guilherme Venaglia | Veja

As revelações da delação premiada do empresário Joesley Batista abalaram o governo do presidente Michel Temer (PMDB) e abriram a possibilidade de que ele não termine o mandato herdado da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) após o impeachment. Com base no depoimento de Joesley, a Procuradoria-Geral da República (PGR) acusou o presidente de corrupção passiva, obstrução de Justiça e pertencimento a organização criminosa.

Defendido por ministros e travando uma batalha jurídica, Temer ainda não está fora de jogo. O presidente diz que fica e tenta articular a base aliada para reagir às pressões e retomar a agenda de votações – conta com a adesão de aliados que apoiam as reformas econômicas independentemente dele, para passar a impressão de normalidade e, com isso, afastar o fantasma da crise.

Temer nunca gozou de altos índices de popularidade. Desde que assumiu, pouco superou os índices pífios de apoio popular da antecessora, Dilma. No entanto, a peça-chave de seu governo é, desde o primeiro dia, o apoio de uma ampla base aliada, que esmagava a oposição e aprovava medidas difíceis, da PEC do Teto de Gastos até a reforma do ensino médio.

A solidão de Michel Temer na crise

O presidente perde assessores de confiança, desgasta-se por um protesto nas ruas e vê o Congresso parado, a discutir sua sucessão

Aguirre Talento e Mateus Coutinho | Época

Trecho da reportagem de capa de ÉPOCA desta semana: Com relatórios de tráfego na internet à mão e algoritmos capazes de propagar narrativas nas redes sociais, o publicitário Daniel Braga coordena a menos visível linha de defesa do presidente Michel Temer. Egresso da equipe do prefeito de São Paulo, João Doria, do PSDB, Braga divide seu tempo entre a sede da Isobar, agência que presta serviços para o governo e foi instada a contratá-lo, e o gabinete do ministro Moreira Franco, da Secretaria-Geral, onde é traçada a estratégia de comunicação digital do governo nestes dias de crise aguda.

Acuado pela renúncia ou pelo impeachment desde a divulgação da delação premiada do empresário Joesley Batista, do grupo JBS, Temer – e sua equipe – preocupa-se sobremaneira com a guerra digital. Foi com base em relatórios diários da empresa e na orientação dos poucos conselheiros que lhe restam que Temer atacou em entrevistas os benefícios aos delatores da JBS, foi agressivo com Joesley – até outro dia recebido com amabilidade –, questionou a validade da gravação que o deixou em maus lençóis e exaltou fatos positivos da economia nos últimos dias.

Os caminhos do acordo

Os políticos ainda buscam um nome capaz de conduzir o País até 2018. Com Temer ou sem, as reformas não podem parar. Sem elas, chegaremos ao próximo ano sem o direito de ter esperança

Débora Bergamasco, Eduardo Militão e Ary Filgueira | IstoÉ

Até a quarta-feira 17, o Brasil ensaiava seus primeiros passos rumo à saída do atoleiro. A inflação estava controlada, a economia recuperava o fôlego e os índices de desemprego pareciam desidratar. Ao menos do ponto de vista administrativo, o presidente da República, Michel Temer, conduzia o País, até então à deriva, sem maiores sobressaltos.

Os fiadores de seu mandato, nas esferas política e econômica, exalavam confiança, sobretudo porque as reformas previdenciária e trabalhista estavam em marcha e perto de serem apreciadas pelo Congresso Nacional – mesmo que com alguns remendos.

A divulgação de trechos da delação dos donos da JBS empurrou não apenas o presidente da República, Michel Temer, como o País para o epicentro de uma nova crise. Desta vez, mais grave que aquela experimentada pelo Brasil em 2016, quando Dilma Rousseff se inviabilizou política e administrativamente. Agora, embora a situação do presidente da República se deteriore a cada átimo de tempo, ainda não há uma convergência sobre quem irá comandar o Brasil até as eleições de 2018.

Investigado no STF por corrupção, organização criminosa e obstrução de Justiça, Temer pode até não ter mais condições políticas de permanecer na cadeira de presidente, e é provável que não as tenha, mas é certo que todos os caminhos que apontam para o desenlace da crise atual ainda passam por ele.

Para minimizar crise política, Temer cobra agenda positiva de ministérios

Daniel Carvalho | Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - O presidente Michel Temer quer preparar uma agenda positiva para anunciar nos próximos dias na tentativa de minimizar os efeitos da mais severa crise política desde que assumiu o governo, há pouco mais de um ano.

Ministros foram orientados a fazer um pente-fino nas ações de seus ministérios para apresentar ao presidente ações e obras que podem ser anunciadas brevemente.

Além disso, o Planalto cobrou a divulgação do que cada sigla fez de positivo ao longo da administração Temer.

"Os resultados [da semana passada] sugerem que o governo deu rumo ao país. É preciso ter muito cuidado nessa hora para não ter nenhum tipo de obstáculo que prejudique esses ganhos e traga atrasos nesta trajetória", disse à Folha o ministro Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo).

Temer almoça com ministros tucanos e recebe Sarney

Presidente busca apoio do PSDB para tentar vencer a crise política

Cristiane Jungblut | O Globo

BRASÍLIA - O presidente Michel Temer almoçou ontem com três ministros do PSDB. O encontro, no Palácio do Jaburu, durou cerca de três horas e reuniu os ministros Aloysio Nunes Ferreira (Relações Exteriores), Antônio Imbassahy (Secretaria de Governo) e Bruno Araújo (Cidades), além do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Sérgio Etchegoyen. O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, não estava. O PSDB é fundamental para Temer, na tentativa de vencer a crise política.

A cúpula do partido têm evitado um rompimento com o governo, defendida por setores da base. A bancada paulista, por exemplo, pediu para que os líderes abandonassem o governo Temer logo após a divulgação do conteúdo das delações dos executivos da JBS.

Alckmin sobre a crise: ‘Não temos compromisso com o governo’

Governador diz que apoio do PSDB é às reformas e ao crescimento do país

Ana Paula Ribeiro | O Globo

SÃO PAULO - Em meio às discussões no PSDB sobre qual será o posicionamento do partido em relação ao presidente Michel Temer, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, afirmou ontem, ao comentar a situação do país, que os tucanos não têm compromisso com o governo, mas com as reformas necessárias para o crescimento do país. Alckmin já havia lançado publicamente o nome do senador Tasso Jereissati e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso como nomes para uma eventual sucessão indireta de Temer.

— Não temos compromisso com o governo. Temos compromisso com o Brasil, com as reformas e com o crescimento do país — disse ele.

Nos últimos dias, a cúpula do PSDB vem estudando se vai continuar ou não a apoiar o governo de Michel Temer, decisão que só será tomada a partir do resultado do julgamento sobre o pedido de cassação da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a partir de 6 de junho. O governo vem perdendo apoio de sua base aliada desde que o presidente foi flagrado numa conversa com o empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, que assumiu já ter pago propina a cerca de 1.800 políticos.

'Acordo entre partidos para eleições indiretas não está na agenda hoje', diz Alckmin

Governador reafirmou compromisso com as reformas e evitou definir uma posição partidária antes do julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE

Daniel Weterman e Pedro Venceslau | O Estado de S. Paulo

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), negou neste sábado que haja um acordo entre diferentes partidos para eleger um nome contrário à Operação Lava Jato em uma eventual eleição indireta para a Presidência da República - no caso de afastamento do presidente Michel Temer.

Uma das principais lideranças nacionais tucanas, Alckmin almeja disputar o Palácio do Planalto nas eleições gerais em outubro do ano que vem. O governador afirmou que nenhum acordo desse tipo está na agenda e que é preciso garantir o encaminhamento das reformas antes de conversar sobre eleição indireta. "Hoje a pauta é trabalhar, tentar acelerar as reformas, acredito que possamos rapidamente no Senado aprovar a reforma trabalhista", disse o tucano quando perguntado sobre o suposto "acordão".

Nos bastidores, Alckmin articula o nome do presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), para uma eleição indireta, garantindo em troca o apoio à sua candidatura em outubro de 2018. Ontem, o tucano chegou a defender publicamente o nome do senador e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para um eventual colégio eleitoral. O ex-presidente, no entanto, já afastou a possibilidade de concorrer.

Deputados resistem à proposta de eleição indireta bicameral caso Temer deixe a presidência

A rejeição à proposta se deve ao velho conflito entre Senado e Câmara, em que deputados reclamam que os projetos aprovados na Casa são ignorados ou sensivelmente alterados no Senado quando há pressão da opinião pública

Daiene Cardoso | O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - A hipótese de uma eleição indireta para a Presidência da República em modelo bicameral, com votação separada na Câmara sendo referendada pelos senadores, sofre resistência entre os deputados. A Constituição prevê que, em caso de vacância do cargo nos últimos dois anos do período presidencial, o Congresso fará eleição indireta no prazo de 30 dias.

Como não existe lei regulamentando o processo de eleição indireta, deputados e senadores teriam de aprovar uma legislação estabelecendo as regras do pleito. Os deputados, no entanto, não abrem mão da força de seus 513 votos contra os 81 do Senado e dizem que não há nenhuma chance de a proposta, se for formalmente apresentada, prosperar. “A Constituição é clara: a eleição é no Congresso e todos nós somos congressistas”, definiu o líder do DEM da Câmara, Efraim Filho (PB).

Na base de Temer, a fidelidade está restrita à agenda de reformas

Para base aliada do governo, reformas independem de Temer

Partidos mantêm apoio à pauta do presidente, mas duvidam sobre permanência do peemedebista

Catarina Alencastro, Cristiane Jungblut, Fernanda Krakovics e Júnia Gama | O Globo

BRASÍLIA - Ainda engolfado pela crise política que o atingiu em cheio desde que veio à tona a delação da JBS, o presidente Michel Temer viu na última semana sua base aliada no Congresso dar andamento à pauta legislativa, apesar de muita confusão e pedidos de renúncia. O GLOBO procurou os líderes dos partidos da base e o tom geral é claro: em sua maioria, há apoio às pautas do governo, especialmente às reformas trabalhista e da Previdência, mas os mesmos pontuam que isto independe da permanência de Temer no cargo. De forma geral, há cautela em relação à continuidade do governo e ao julgamento da chapa presidencial marcado para o próximo dia 6 de junho, que pode selar o destino de Temer no poder.

Partido de Temer, o PMDB busca uma forma de sobreviver e de ter poder na definição do futuro. Por isso, a bancada da Câmara está decidida a se unir para não ficar sem espaço, seja qual for o cenário. O líder do PMDB na Câmara, Baleia Rossi (SP), fez uma reunião com ministros e alguns deputados para fechar a estratégia. Baleia tem sido cuidadoso ao falar sobre Temer e tem deixado o papel de tropa de choque aos deputados Carlos Marun (PMDB-MS) e Darcísio Perondi (PMDB-RS). O líder diz que a bancada “confia na palavra do presidente Temer”. Mas todos preferem o discurso de “apoio à agenda do país”, e não à pessoa do presidente.

Na crise política, empresários defendem reformas

Para presidentes de grandes empresas, mais importante do que Temer ficar ou não no cargo é a continuidade da agenda econômica

Fernando Scheller. Luciana Dyniewicz, Mônica Scaramuzzo, Marcia de Chiara e Naiana Oscar | O Estado de S.Paulo

A delação dos irmãos Batista, da JBS, caiu feito uma bomba em Brasília e gerou uma crise política que deixou sob ameaça o mandato do presidente Michel Temer, poucos dias depois de ele completar um ano no cargo e justamente quando a economia começava a dar os primeiros sinais de recuperação. Para oito presidentes e fundadores de grandes empresas ouvidos pelo ‘Estado’, a prioridade número um agora deve ser a agenda econômica, com a aprovação das reformas trabalhista e previdenciária.

A maior parte dos empresários parece estar menos preocupada com a manutenção ou não de Temer no cargo e espera que, na medida do possível, os objetivos econômicos caminhem separados dos projetos políticos de deputados e senadores. Fundador e presidente do conselho de administração da construtora MRV, Rubens Menin diz que “ficou triste” com as denúncias, mas considera que o presidente Temer “não cometeu um pecado mortal”.

A maior parte dos empresários defende o direcionamento que a economia teve ao longo do último ano. Tanto o presidente da Telefônica, Eduardo Navarro, quanto o do Grupo Pão de Açúcar, Ronaldo Iabrudi, dizem que é necessário ter pressa para recolocar a economia nos trilhos. O primeiro vê risco de “paralisia” na atividade, enquanto o segundo teme que os poucos avanços já conseguidos possam ser perdidos.

O caminho é o desenvolvimento | Michel Temer

- Folha de S. Paulo

Inicio nesta terça (30), em São Paulo, o Fórum de Investimentos Brasil 2017, uma jornada de debates que vem sendo preparada há meses pelo governo federal e seus parceiros.

Esse importante encontro reunirá empresários, executivos e jornalistas estrangeiros, além de ministros, gestores públicos e das estatais.

Trata-se de mais uma prova incontestável de que, após um ano de compromisso com a responsabilidade fiscal, nossa economia saiu do fundo do poço e voltou a ser vista aqui e lá fora como oportunidade de investimentos e negócios, incluindo concessões e privatizações -algo fundamental para que possamos recriar os milhões de empregos perdidos desde 2015.

A realização desse fórum tem patrocínio do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). Receberemos, nos próximos dois dias, investidores de mais de 42 países e de 22 setores da economia. O interesse mostra que nossas reformas econômicas criam ambiente confiável para o investimento e o crescimento.

Nossos malvados preferidos | Merval Pereira

- O Globo

Corruptores se valem da lassidão moral. A Operação Lava-Jato está nos revelando um país que suspeitávamos existir, mas nos recusávamos a enfrentar de maneira rigorosa. Explicitações desmoralizantes de um modo de ser nada republicano revelam uma ética pública que reflete a moral privada, não apenas de corruptos e corruptores, mas de todos nós, cidadãos, que afinal de contas somos os responsáveis por colocar no Congresso e no Executivo figuras que necessariamente nos representam como sociedade.

Tão chocante quanto ver e ouvir delações de executivos da Odebrecht, especialmente de seu patriarca Emilio, explicando as relações promíscuas com parlamentares e governantes com um ar de superioridade de quem está nessa vida subterrânea há muitos anos, foi ver e ouvir o dono da JBS descrever um leilão de deputados contra e a favor do impeachment da ex-presidente Dilma, como se fossem os bois que compra para seu abatedouro.

A falta que um líder faz | Eliane Cantanhêde,

- O Estado de S.Paulo

Se Congresso armar indulto para ex-presidentes, sucessor de Temer vira picadinho

O principal embate na definição de um eventual substituto de Michel Temer é da “senioridade”, o PSDB, o PMDB e o Senado contra a “junioridade”, a massa e os partidos médios da Câmara. O ponto em comum é que todos, do PSDB ao PT, aderiram ao “voto de desconfiança construtivo”, do Direito alemão, que consagra o que vem sendo dito aqui desde o início da crise JBS: Temer só cai quando houver um sucessor virtualmente ungido.

Alckmin e Doria lançam Fernando Henrique, o top da senioridade. FHC e Serra preferem Nelson Jobim, que se finge de morto, mas está bem vivo. Tasso Jereissati faz o meio de campo, mas, se o ângulo ajudar, chuta em gol. As conversas entre eles decantam para a base governista e se ampliam em ondas pelos cafezinhos do Congresso.

Caos nosso de cada dia | Fernando Gabeira

- O Globo

Numa carta endereçada a Robert Louis Stevenson, o escritor Henry James diz que gostaria que ela fosse um mingau de boas notícias. Infelizmente, não é possível preparar esse prato no Brasil, com notícias tão tristes que nem podemos homenagear e conhecer melhor as vítimas do atentado em Manchester, algo que aconteceu nos principais países do mundo.

Apesar das más notícias, é possível demonstrar que o Brasil está preparado para uma situação melhor se olhar para algumas decisões recentes. Por exemplo: as desordens que aconteceram em Brasília não aconteceram em Curitiba, quando Lula foi depor. E, se acontecessem, seriam rapidamente debeladas, tal o aparato policial e sua articulação com outros setores do governo.

Direta já? | Hélio Schwartsman

- Folha de S. Paulo

Direta já? Em tese, eu concordo. Todo poder, afinal, emana do povo. Além disso, a campanha seria uma oportunidade para a população definir para que lado o país deve caminhar, deixando para trás as intermináveis discussões sobre a legitimidade do presidente.

Só que nada na vida é tão simples. Além do reconhecimento do fato de que é improvável que o Congresso aprove uma emenda que lhe retiraria o poder de escolher sozinho o mandatário, o que me faz pensar duas vezes antes de sair gritando "direta já" são o custo e a oportunidade.

Truco na Lava-Jato | Luiz Carlos Azedo

- Correio Braziliense

De origem espanhola, o jogo de truco foi popularizado na América Latina por imigrantes espanhóis e italianos, sendo muito popular em São Paulo, Minas, Goiás e no Rio Grande do Sul. O apelo popular do jogo vem do sistema emocionante de apostas, nas quais cada tipo de pontuação pode ser escolhido para marcar mais pontos para a equipe. As propostas são aceitas, rejeitadas ou aumentadas. O blefe e o engano também são fundamentais para o jogo, inclusive na distribuição das “mãos” de cartas, cujo número precisa ser conferido a cada rodada. Com todo respeito, a crise chegou aos tribunais superiores como uma espécie de jogo de truco.

Atalhos institucionais | Vera Magalhães,

- O Estado de S.Paulo

O mais 'popular' desses puxadinhos legais atende pelo slogan de 'diretas-já'

Diante da crise generalizada e da falta de saídas fáceis, vários atores aos quais caberia a responsabilidade de conduzir o País para uma transição minimamente racional flertam perigosamente com saídas fáceis ou atalhos institucionais. É o ingrediente que falta para o Brasil descambar de vez para situações que assistimos num passado recente – ou mesmo hoje – nos nossos vizinhos de continente.

O mais “popular” desses puxadinhos legais atende pelo aparentemente libertário slogan de “diretas já!”, como se vivêssemos um período de hiato democrático e não tivéssemos um ciclo ininterrupto de eleições diretas a cada dois anos desde a década de 80. Como se a malfadada dupla Dilma Rousseff & Michel Temer não tivesse sido eleita e reeleita por voto popular.

A inércia do Brasil na podridão | Vinicius Torres Freire

- Folha de S. Paulo

Não há liderança partidária relevante que se arrisque a abandonar um sistema político que se chama de podre. Por outro lado, não há movimento ou organização social que se apresente como partido alternativo.

Quem está dentro não quer sair ou não tem força ou imaginação para se reagrupar em um partido reconectado a um interesse social qualquer de renovação. Quem está fora não quer entrar, não sabe como ou não tem força para fazê-lo.

É uma descrição estilizada do colapso da representatividade dos partidos gangrenados, exagerada por definição.

Sendo menos abstrato e extremista, há exemplos de saídas desse beco? Não se trata de apontar modelos, mas o descrédito dos partidos maiores, entre outras crises, propiciou tentativas de mudança na Espanha e na França.

A aposta econômica | Míriam Leitão

- O Globo

Temer tenta surfar na economia. O presidente Michel Temer está apostando nos efeitos da semana econômica. Duas notícias favoráveis devem ser divulgadas. Os juros vão cair mais uma vez na quarta-feira. E na quinta será divulgado o PIB do primeiro trimestre e ele será positivo, podendo chegar até a 1%. Com isso, o ambiente será propício para o discurso de deixar tudo como está para manter a recuperação.

A deterioração aumenta e não é só a da política | Celso Ming,

- O Estado de S.Paulo

Nesta sexta-feira, uma das três mais importantes agências de análise de risco, a Moody’s, colocou em perspectiva negativa a avaliação dos títulos de dívida do Brasil.

Trata-se de um aviso prévio. Se não houver solução imediata para a crise política, aumentam as incertezas sobre a capacidade do governo de perseguir o equilíbrio das contas públicas e, com isso, cresce o risco de calote. Não significa que o Brasil vá dar calote. Significa, apenas, que a qualidade dos títulos está azedando. A consequência imediata é o aumento dos juros.

O instrumento financeiro que mede melhor esse risco é o Credit Default Swap (CDS), contrato que funciona como seguro contra problemas de pagamento de um título de dívida. O CDS do Brasil saltou de 2,0 pontos porcentuais ao ano acima dos juros registrados imediatamente antes da crise para a casa dos 2,4.

O mundo gira enquanto o Brasil se enrola | Rolf Kuntz

- O Estado de S. Paulo

Ninguém vai deixar seus negócios à espera do fim da crise, nem os problemas darão trégua

Bateu em R$ 4,55 trilhões, valor muito maior que o da produção anual de qualquer outro país sul-americano, a dívida bruta do governo geral brasileiro. Essa era a posição de abril, segundo o último relatório das contas consolidadas do setor público. Esse monte de papagaios corresponde, pelo critério usado no Brasil, a 71,7% do produto interno bruto (PIB), valor adicionado da produção de bens e serviços – carros, aviões, tecidos, vestuário, bicicletas, cervejas, macarrões, óculos, sapatos, celulares, televisores, assistência médica, espetáculos, cortes de cabelo, jogos de futebol, telefonemas e tantos outros itens consumidos e usados no dia a dia dos brasileiros ou exportados. Pelo padrão brasileiro, a conta exclui os títulos do Tesouro na carteira do Banco Central (BC). Pelo método usado no Fundo Monetário Internacional (FMI), sem essa exclusão a dívida pública brasileira já chegou a 78,3% do PIB no ano passado, deve atingir 81,2% neste ano e alcançar 87,8% em 2022. Como esse padrão é aplicado aos 189 países-membros da instituição, os dados do Fundo são úteis para comparações internacionais.

Desemprego e pensamento mágico | Samuel Pessôa

- Folha de S. Paulo

O pensamento heterodoxo brasileiro acredita que o crescimento tudo resolve.

A partir de leitura muito extremada de Keynes, a heterodoxia supõe um mundo em que, na prática, não há restrição de recursos. A suposição de desemprego permanente de recursos produtivos permite, se as políticas de estímulo à demanda forem adotadas, que a economia cresça sem limites.

Para essa tradição de pensamento, o sucesso do leste asiático não é fruto das elevadíssimas taxas de poupança, sempre acima de 35% do PIB, das prolongadíssimas jornadas de trabalho e dos melhores sistemas educacionais do mundo.

Um exemplo para o mundo | Cacá Diegues

- O Globo

Não estamos desistindo. Pelo contrário, estamos enfrentando aquilo que não gostamos de ser e não queremos ser

País enfrenta o que não quer mais ser. Nessa crise política, estamos assistindo ao fim dos heróis. Corretas ou não, a velocidade e a quantidade de informações que recebemos diariamente através dos jornais, da televisão e, sobretudo da internet, nos fazem senhores do conhecimento e, portanto, senhores de nós mesmos, desnecessitados de representação.

Nos livramos dos heróis, não precisamos mais deles. Mas tampouco percebemos como nos tornamos comandados, orientados pelo que nos dizem aquelas mídias, a transformar em pensamento próprio aquilo que elas nos revelam, como se nós mesmos tivéssemos criado todas aquelas noticias, ideias e conclusões, tudo aquilo. Nos tornamos um oráculo de nós mesmos a repetir, sem perceber, o que as redes sociais nos enfiam na cabeça.

Uma questão de liderança – Editorial |O Estado de S. Paulo

Quando se veiculou, no dia 17 de maio, a versão de que havia um áudio no qual o presidente Michel Temer teria dado anuência à compra do silêncio de Eduardo Cunha e de Lúcio Funaro, foi pelos ares a relativa estabilidade que o País vivia nos últimos meses e que começava a mostrar seus resultados. A crise política voltou forte e arrastou os primeiros indícios de recuperação econômica. Ainda que a divulgação da gravação, no dia seguinte, tenha mostrado que não havia a propalada anuência presidencial, o estrago estava feito e o País, uma vez mais, se via enredado em discussões sobre a governabilidade.

Sucessão especulada – Editorial | Folha de S. Paulo

Difundiu-se, no mundo político e empresarial, a ideia de que é possível —e desejável— dar solução à crise que corrói o governo por meio do que poderia ser chamado de mudança com continuidade.

Propõe-se, segundo essa estratégia, que uma eventual substituição do presidente Michel Temer (PMDB) —caso este venha a ser, por exemplo, cassado pela Justiça Eleitoral— ocorra nos termos estritos do que dispõe o texto constitucional, sem emendas. Isto é, por meio de eleições indiretas.

Quanto à economia, defende-se a preservação do programa que lograva dar fim à recessão, além de encorajar projeções de crescimento maior no futuro. Leia-se, nesse caso, controle rígido de gastos e agenda de reformas liberalizantes.

Aposentadoria de servidor federal concentra renda – Editorial | O Globo

Debate sobre a Previdência tem permitido a revelação de vários mecanismos de injustiça social, como são os sistemas de benefícios do funcionalismo

Este período conturbado em que se somam crises econômica e política tem servido para expor várias das mazelas brasileiras, enquanto partidos, corporações de diversos tipos e organizações variadas se mobilizam na defesa de respectivos interesses. Já a maioria desorganizada, de renda baixa, apenas lembrada em discursos políticos em favor do “povo”, observa. Ela é que costuma pagar o preço dos acertos feitos entre poder político e categorias influentes no Congresso — servidores públicos, sindicatos fortes do setor privado —, para a criação e aumento de vantagens pecuniárias.