terça-feira, 9 de julho de 2019

Afonso Schmidt: Anhangabaú

No Piques, vagando à-toa,
é raro quem não pressinta
uma toada indistinta
que, sob as pedras, ressoa.

Conta moedas, tilinta,
como refrão de uma loa,
a fonte exilada e boa,
há muitos anos extinta.

Sua alma que ali revoa,
de céus e de ares faminta,
repete a cada pessoa

uma novela sucinta:
noturnos, capas, garoa,
1830...


Publicado no livro Mocidade (1921).

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