quinta-feira, 5 de março de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Vorcaro deve ficar preso até ser julgado

Por O Globo

Ele mantinha central de espionagem e suborno que chegou a planejar ato violento contra jornalista do GLOBO

São estarrecedoras as revelações que levaram de volta à cadeia o banqueiro Daniel Vorcaro, pivô do escândalo do Banco Master. Vorcaro havia sido preso em novembro, mas depois foi solto sob a alegação de não oferecer risco. As evidências que embasaram o novo pedido de prisão da Polícia Federal (PF), em 27 de fevereiro, demonstram que sua libertação foi prematura. A PF extraiu dos celulares apreendidos provas de diversos crimes. O ministro André Mendonça, novo relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), viu — com razão — necessidade urgente de mandar prender Vorcaro e seus cúmplices. Em despacho, ele criticou a Procuradoria-Geral da República (PGR), que não viu “perigo iminente” e pediu mais tempo para analisar o caso.

O estouro da guerra e a escalada das incertezas, por Assis Moreira

Valor Econômico

Os riscos de um novo choque forte na economia internacional são elevados

Organizações internacionais previam uma desaceleração do comércio global em 2026, ainda por causa da elevação de tarifas, efeito de mudanças de políticas comerciais e do acúmulo de riscos geopolíticos. Mas havia um ligeiro otimismo - até que estourou, no sábado, uma nova guerra.

Em 2025, o comércio mundial cresceu 4,4% em volume, segundo cálculos do Escritório de Análise de Política Econômica (CPB). Em valor, os fluxos comerciais internacionais superaram US$ 35 trilhões, ou US$ 2,2 trilhões a mais do que no ano anterior, conforme a Agência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad).

Para 2026, o consenso era de que essas cifras deveriam ser mais moderadas. Em outubro, a Organização Mundial do Comércio (OMC) projetou crescimento de apenas 0,4% no comércio para este ano.

Vorcaro, entre a prisão e a delação, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Lei da delação beneficia quem está em baixo para pegar os de cima, mas Vorcaro atuava em todas as posições, sempre em sociedade

O temor de uma delação de Daniel Vorcaro é proporcional à convicção, na política, no Judiciário e no mercado, de que nem sempre o ex-banqueiro esteve no pico da pirâmide. Estivesse, teria dificuldade de se encaixar na lei da delação, que oferece o benefício aos de baixo para pegar os de cima. Os sócios que fez ao longo da empreitada querem que subordinados o delatem, mas Vorcaro também prestou serviços, no varejo e no atacado, em todas as posições. É este organograma o alvo.

Mafiosos em ação, por Merval Pereira

O Globo

A CPI do Banco Master não será aberta porque há interesse suprapartidário para que ela não exista

Entramos no campo da atividade mafiosa a partir dos diálogos e confirmações de que Daniel Vorcaro não era apenas um audacioso investidor financeiro que levou seu Banco Master a um esquema de pirâmide que lesou milhares de investidores e fundos públicos. Vorcaro era mais que um trambiqueiro de colarinho branco; era um bandido que montou uma quadrilha de delinquentes para ameaçar e desestruturar qualquer um que viesse a denunciar suas atividades criminosas. Podia ser uma empregada doméstica que ouviu mais do que devia ou o cozinheiro que ele imaginava ter gravado uma conversa indevida. Uma clara ação mafiosa, cujo braço armado tinha o sugestivo codinome de “Sicário”.

A ‘omertà’ do Master, por Malu Gaspar

O Globo

Se ainda havia qualquer dúvida sobre o risco que Daniel Vorcaro e seu celular-bomba representam para o establishment político brasileiro, foi sepultada ontem, com as revelações contidas na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STFAndré Mendonça que ordenou nova prisão do banqueiro e de três cúmplices, entre eles um ex-policial federal e um estelionatário com larga experiência em crimes de todo tipo.

Os parcos diálogos que já vieram à tona revelam que Vorcaro pensava e operava na lógica da Máfia. Quem não seguisse sua cartilha, fosse uma funcionária, um jornalista ou um concorrente, estava fadado a sofrer represálias.

Don Vorcaro e o primeiro escalão, por Julia Duailibi

O Globo

Dono do Master tinha o poder no bolso. A decisão do STF que veio a público ontem não revela ainda quem é o ‘alto escalão da República’

O que Dias Toffoli parecia se esforçar para manter longe da luz do dia foi escancarado por André Mendonça em poucas semanas. Daniel Vorcaro formou uma milícia, segundo as palavras do próprio ministro, composta por “profissionais do crime” que atuaram de forma coordenada para captar “servidores públicos dos mais altos escalões da República”. Leia-se: Vorcaro tinha o poder no bolso. A decisão do STF que veio a público ontem, no entanto, não revela ainda quem é esse “alto escalão da República”. Concentra-se no segundo escalão, como os servidores do BC.

Vorcaro e a turma de moer gente, por Míriam Leitão

O Globo

O crime de Vorcaro atingiu outro patamar. Agora as provas são de planejar agressões físicas e outros atos violentos, além das fraudes financeiras

Nunca houve um banco como o Master. Outros quebraram, nenhum deles arrastou o Brasil para um enredo com desdobramentos tão tenebrosos. No capítulo de ontem da série, soube-se de “Sicário”, um capanga enviado para “moer” funcionários do banqueiro ou “quebrar todos os dentes” de um jornalista. No fim do dia, ele tentou suicídio. O crime de Daniel Vorcaro atingiu outro patamar. Agora, além de cometer fraude financeira, há provas de uma associação criminosa para executar atos violentos. Vorcaro, o homem que fez um banco de papel e achou que ficaria impune por ter uma rede poderosa de influências, é pior do que se sabia. Uma autoridade que acompanha o caso em Brasília definiu a maneira de agir de Vorcaro e sua turma: “É máfia.”

O cinema revela Jeffrey Epstein, por Eugênio Bucci

O Estado de S. Paulo

A sétima arte tem algo a dizer sobre como os endinheirados e poderosos misturam lascívia, fortuna, vício e desmandos para selar as alianças dos de cima contra os de baixo

Os tufos de fumaça no céu de Teerã escondem as assombrações que atormentam o mandato de Donald Trump. As bombas roubam as manchetes enquanto a queda de popularidade do presidente dos Estados Unidos perde destaque. A iminente subida da inflação sai de fininho do noticiário. De modo providencial, vai se desmanchando no ar o caso Epstein, este megaescândalo de exploração sexual de adolescentes, tráfico de influência internacional e corrupção de muitos matizes.

Há dois dias, o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, concordou em prestar depoimento para a comissão do Congresso encarregada de averiguar as relações entre figuras públicas e o financista Jeffrey Epstein (criminoso sexual condenado, que morreu na cadeia em 2019, cumprindo pena). A notícia sobre Lutnick não teve repercussão, mas deveria. A investigação tem potencial para revelar algumas das tramas íntimas que procuram enlaçar a Casa Branca. Hillary Clinton já deu seu depoimento. Bill Clinton também. Trump vai ter de depor? Não se sabe.

A briga é pública, por William Waack

O Estado de S. Paulo

É sério o desentendimento entre PF, Supremo e Procuradoria-Geral da República

 O ministro André Mendonça decretou a prisão de Daniel Vorcaro e um imprevisível aprofundamento da crise do Supremo Tribunal Federal (STF), que ameaça envolver também a Procuradoria-Geral da República. A Polícia Federal está à solta sob outro tipo de incentivo por parte do Supremo.

Delegados teriam dito a Mendonça que a corporação estava desanimada com a relatoria de Dias Toffoli no caso do Banco Master, e temiam o engavetamento da investigação. Animaram-se depois que, por determinação do ministro, foi bloqueado o compartilhamento de informações dos investigadores com o diretor-geral da Polícia Federal, por conta de sua excessiva proximidade com Lula, comenta-se.

Autoridades com foro e chance de delação, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Novo capítulo do caso Master promete chacoalhar a política em ano eleitoral

Anova fase das investigações sobre as fraudes do Banco Master promete chacoalhar a política em ano eleitoral. Pessoas com acesso ao caso, que está sob sigilo, atestam que a apuração chegou a mais de uma autoridade com direito a foro especial no Supremo Tribunal Federal (STF). Diante da amplitude das descobertas, investigadores não descartam que suspeitos tentem fechar acordos de delação premiada.

A legislação sobre a colaboração premiada impede o líder de uma organização criminosa de fechar acordo. No entanto, investigadores colocam em dúvida que Daniel Vorcaro tenha essa posição no esquema do Master. Portanto, deixam em aberto a possibilidade de serem procurados pela defesa do banqueiro.

Prisão de Vorcaro e novas revelações do caso Master assombram Brasília, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A decisão do ministro do STF André Mendonça cita a formação de organização criminosa, danos bilionários e crimes de ameaça, corrupção e lavagem de dinheiro

A nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada, ontem, pela Polícia Federal, assombra os caciques do Centrão com os quais mantinha forte relações, porque ampliou muito o alcance político e institucional das investigações sobre a fraude envolvendo o Banco Master. Foram presos o banqueiro Daniel Vorcaro; seu cunhado, o empresário Fabiano Zettel; Luiz Phillipi Mourão, o "Sicário", que estaria conduzindo monitoramento de adversários de Vorcaro, e o policial federal Marilson Roseno da Silva.

Segundo a Polícia Federal, o banqueiro teria encomendado ao Sicário a simulação de um assalto para intimidar o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo, que teria os dentes quebrados, mas o atentado não se consumou. O presidente da Associação Brasileira de Imprensa, Octávio Costa, repudiou as ameaças e reiterou o papel da imprensa na cobertura do caso.

Trump iniciou guerra com Irã por capricho e perdeu monopólio do conflito, por Edward Luce

Financial Times / Folha de S. Paulo

Presidente americano disse em posse que queria fim de guerras de escolha; agora está envolvido na maior delas

Objetivos dos EUA são caleidoscópicos, e mudança de regime após morte de Khamenei não vai acontecer com facilidade

O problema com os homens fortes é que eles podem facilmente mudar de ideia. Em seu discurso de posse no ano passado, o presidente americano, Donald Trump, prometeu ser um "pacificador" que acabaria com "guerras de escolha". Agora ele está envolvido contra o Irã na tentativa da maior mudança de regime de todas.

Talvez a realidade no terreno o force a abandonar esse objetivo. No entanto, mesmo seu gabinete —para não falar do Congresso e dos aliados dos Estados Unidos— está no escuro sobre qual é seu plano de saída.

Como Trump disse ao The New York Times em janeiro, sua única restrição é "minha própria moralidade... É a única coisa que pode me deter". O sistema constitucional americano até agora não deu motivos para duvidar dele. O que acontece no teatro de guerra em expansão é outra história.

A democracia corre risco nesta eleição? Por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

A extrema direita irá se adaptar às regras democráticas se vencer?

O que ocorrer nos EUA pode definir o destino da democracia mundo afora.

É da maior importância a discussão das consequências de uma vitória nas eleições presidenciais das forças de direita lideradas pelo delfim dos Bolsonaros. O debate divide respeitáveis analistas da política nacional.

Uns acham que, no Planalto, Flávio representaria clara ameaça à ordem democrática, por reavivar o golpismo que culminou com o pai na Papudinha. Outros acreditam não haver indícios fortes de que o filho, mais moderado, siga os passos do genitor.

Em outros termos, o que se debate é a possibilidade de a extrema direita se adaptar ao sistema representativo e que, no governo, não trate de enterrá-lo. O que se conhece do assunto não ampara conclusões cabais. No passado, fascismo e nazismo chegaram ao poder por meio de eleições livres e, rapidamente, aplastaram as instituições representativas e as liberdades individuais. No presente, há exemplos para todos os gostos.

A máfia que tinha um banco, o Master, sumiu com o dinheiro e comprava a República, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Após alerta do Banco Central, PF acusa altos burocratas do BC de levar propina de Vorcaro

Funcionários do BC assessoravam Master e pareciam ricos demais para o salário

Banco Master era a fachada de uma máfia comandada por Daniel Vorcaro. Qualquer autoridade da República que crie empecilhos para a investigação do Master é conivente com a máfia. No pior dos casos, é também beneficiário da organização criminosa, empregado dos mafiosos ou cúmplice.

Segundo acaba de se saber pela Polícia Federal, Vorcaro tinha capangas para espionar e ameaçar concorrentes e jornalistas. Mandou pagar propina aos dois chefes da supervisão bancária do Banco Central, que davam assessoria para escamotear irregularidades e deram ajuda para tirar Vorcaro da prisão.

Turma de Vorcaro agia como a Máfia, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Era tudo coisa de gângster: Vorcaro e sua turma construíram um cenário de brutalidade de longo alcance

Com nova operação da PF, as suspeitas de que o antigo relator do caso, o ministro Dias Toffoli, atrapalhou as investigações aumentam

As revelações que vieram à tona no rastro da nova fase da operação Compliance Zero, deflagrada na manhã desta quarta-feira (4) pela Polícia Federal, mostraram que a quadrilha montada pelo banqueiro Daniel Vorcaro agia como uma máfia.

Era tudo coisa de gângster. Vorcaro e sua turma construíram um cenário de brutalidade de longo alcance.

A sua organização criminosa atuava em quatro núcleos detalhadamente descritos na decisão do ministro do STF André Mendonça que levou à ação da PF: 1) financeiro, responsável pela estruturação das fraudes contra o sistema financeiro; 2) corrupção institucional, voltado à cooptação de servidores públicos do Banco Central; 3) ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro, com utilização de empresas laranjas; 4) intimidação e obstrução de justiça, responsável pelo monitoramento ilegal de adversários, jornalistas e autoridades.

Descobrindo Virginia, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Como tolerar a ideia de que até hoje não faço parte dos 55 milhões de seguidores da influenciadora?

Todo dia surgem fulanos manipulando bilhões e, como todo bandido, com muito dinheiro em casa

Na semana passada ("De Gardel a Montiel", 26/2), ao dizer que nunca ouvira falar de Bad Bunny, temi que uma massa de leitores me caísse em cima –como era possível não saber do maior fenômeno musical de nosso tempo? E só soube por ele ter desafiado Donald Trump, o que logo o tornou merecedor de minha admiração. Confesso que, por enquanto, ainda não ouvi Bad Bunny emitir uma só nota como cantor, e talvez seja melhor assim. Pois não é que vários leitores admitiram a mesma deficiência –que também tinham acabado de ser apresentados a Bad Bunny?

Poesia | O Teu Riso, de Pablo Neruda, por Luma Carvalho

 

Música | Wilson das Neves - Fundamento (Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro)

 

quarta-feira, 4 de março de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Regras para uso de IA nas eleições são bem-vindas

Por O Globo

Embora elas não garantam, sozinhas, um ambiente saudável de campanha, TSE faz bem em conter desinformação

São sensatas as normas aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para uso de inteligência artificial (IA) na propaganda eleitoral deste ano. O objetivo é combater a desinformação que costuma contaminar as redes sociais, onde nem tudo é o que parece. Com a facilidade de acesso às ferramentas de IA, capazes de conferir verossimilhança incrível a vídeos e áudios sem nenhuma conexão com a realidade (chamados deepfakes), o eleitor se torna presa fácil de manipuladores.

Rombo na esperança, por Cristovam Buarque

Correio Braziliense

O maior de todos os rombos do caso do Banco Master é o rombo na democracia que mostra uma cara de ineficiência, irresponsabilidade, corrupção, desprezo à população e conivência dos eleitos e seus eleitores

Existe um conto na literatura fantástica, do tipo Jorge Luis Borges, em que "um certo homem assalta um banco e corre para um cassino, onde joga todo o dinheiro roubado. Ao perder tudo que conseguiu com o assalto, decide vender o patrimônio do próprio dono do banco assaltado, com o argumento de que usará o dinheiro para salvar a instituição". Parece confuso, mas é como ocorre na literatura fantástica. E no Distrito Federal essa literatura fantástica parece estar virando realidade. 

O governo desviou bilhões de reais do Banco de Brasília, o BRB, um banco público e sólido, na tentativa de salvar o Banco Master, uma instituição privada, que oferecia juros de agiota, como se fosse um cassino. Como acontece com todo banco ou cassino sem credibilidade, ao perceberem os riscos, os apostadores se afastaram, e o banco-cassino, começava a dar sinais de que quebraria.

De olho nas pesquisas, Alcolumbre confirma quebra de sigilo de Lulinha, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Filho do presidente Lula passou a ser alvo da CPMI após investigados por supostos desvios citarem um possível vínculo dele com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS

O presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu, ontem, manter a deliberação da CPMI do INSS que determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Aliado “ma non troppo” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, emdossou a um pedido da oposição, que havia aprovado a medida na semana passada, em sessão marcada por divergências e questionamentos da base governista. Alcolumbre rejeitou recurso apresentado por 14 deputados e senadores aliados do presidente, no qual o grupo solicitava a suspensão imediata dos efeitos da votação, sob a alegação de falhas na condução do processo.

O novo núcleo duro do Palácio do Planalto, por Fernando Exman

Valor Econômico

Expectativa é que a Esplanada dos Ministérios ganhe um perfil mais técnico

Acerca de um mês do prazo para que os ministros que pretendem disputar as eleições deixem seus atuais cargos, cumprindo assim as regras de desincompatibilização estabelecidas pela Lei Eleitoral, é possível prever que o governo passará por uma mudança na correlação de suas forças internas. Os ministros da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), Sidônio Palmeira, e o titular da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos, passam a ser os veteranos do Palácio do Planalto. Na verdade, antes mesmo da saída de colegas de peso das alas política e econômica, os dois já demonstram crescente influência no processo decisório do chefe.

Não serão poucas as mudanças no governo. O Valor mostrou que pelo menos 20 dos 38 ministros deixarão o Executivo para concorrer a algum cargo eletivo ou, pelo menos, ter essa carta na manga mais à frente. Estão nessa lista, por exemplo, os ministros da Casa Civil, Rui Costa, o titular da Fazenda, Fernando Haddad, e a chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. Outros ministros com relevante influência política, da esquerda à direita e sejam eles da área de infraestrutura ou da ambiental, também voltarão para a planície.

Capitalização na Previdência, o debate, por Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Em algum momento será necessário decidir se o salário mínimo crescerá menos ou se as despesas previdenciárias deixarão de ser vinculadas a ele

O conflito que se espalha pelo Oriente Médio deverá provocar aumento dos juros no mundo inteiro. Aqui no Brasil, esse movimento se reflete em taxas igualmente mais elevadas para financiar a dívida pública, o que torna ainda mais necessário obter saldos positivos nas contas públicas.

A aceleração do ajuste fiscal foi defendida pelo secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, no evento “Rumos 2026” promovido pelo Valor na última segunda-feira. A ideia é limitar mais fortemente o crescimento das despesas permitido pelo arcabouço fiscal. Hoje, o aumento possível é de até 2,5% acima da inflação. Esse número terá de ser menor. Quanto, o secretário não disse.

O silêncio de Lula, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Presidente foi a Teerã mediar um acordo nuclear; agora tenta manter distância da guerra

Com problemas de sobra no Brasil, Lula adotou uma cautela incomum diante da nova guerra no Oriente Médio. Até aqui, o presidente evitou falar diretamente sobre o conflito. Terceirizou a tarefa para o Ministério das Relações Exteriores.

Na manhã de sábado, o Itamaraty divulgou uma nota de dez linhas sobre os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã. “O governo brasileiro condena e expressa grave preocupação”, afirmou, antes de repetir os apelos protocolares pelo multilateralismo e pela paz.

Incêndios se avolumam, e Lula só assiste, Por Vera Magalhães

O Globo

Mesmo quando age, como na montagem do palanque em São Paulo, petista demora a tomar decisões

A maré definitivamente não é boa para a largada da campanha de Lula à reeleição, e o entorno do petista demora além da conta para reconhecer a conjunção de fatores negativos e agir de forma coesa, no governo e na política. Na verdade, esse time carece de coordenador e de quem tenha ascendência sobre Lula. O que mais se ouve entre auxiliares e aliados do petista é: ele tomará todas as decisões relevantes, e no seu tempo.

Enquanto isso, a CPMI do INSS vai se transformando na CPMI do Lulinha, a interlocução com o Congresso, já ruim, se deteriora, e a definição sobre quem fica e quem sai do governo e quais serão os candidatos apoiados pelo presidente em cada estado acontece em ritmo intermitente, sem direção clara.

O peso do fator Lulinha, por Elio Gaspari

O Globo

Os repórteres Luiz Vassallo e Aguirre Talento revelaram que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, de 51 anos, reconheceu em conversas particulares que viajou em 2024 para Portugal com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Juntos visitaram uma fábrica de Cannabis para fins medicinais.

Lulinha decidiu revelar que fez essa viagem, cacifada pelo Careca, depois que a Polícia Federal pediu e o ministro André Mendonça, do STF, levantou o sigilo bancário de suas contas. O Careca do INSS está preso por causa de suas conexões com a quadrilha que roubava descontos nos contracheques de milhares de aposentados.

Haddad quer um ‘novo Alckmin’ para vice, por Vera Rosa

O Estado de S. Paulo

Ministro busca perfil de centro para fazer dobradinha com ele na disputa pelo Bandeirantes

Falta apenas um mês para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), deixar a equipe do presidente Lula. Embora ainda não admita a candidatura ao governo de São Paulo, o que Haddad procura, agora, é uma espécie de “novo Alckmin”: alguém com perfil de centro, e bom relacionamento com o empresariado, para fazer dobradinha com ele e ocupar a vaga de vice na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.

A ideia é montar uma chapa que não seja puro-sangue nem “pão com pão”, como costuma dizer o próprio Lula. Mas um arranjo que ultrapasse as fronteiras da esquerda não é tão fácil assim: depende de encontrar novos aliados em um cenário no qual a candidatura do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) aparece como favorita.

Um piso para o PIB, por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

O temor de analistas é de um maior impulso fiscal por meio da execução do Orçamento e de medidas populistas

Aumentou a probabilidade de o presidente Lula colocar um piso na desaceleração da economia neste ano depois que as recentes pesquisas de intenção de voto mostraram uma corrida para a eleição presidencial bem mais apertada do que se observou logo após o lançamento da candidatura do senador Flávio Bolsonaro. Com o recuo do índice de aprovação do governo, a expectativa de analistas é de que o petista poderá lançar mão de novas medidas, com impacto fiscal relevante, para turbinar o consumo das famílias, que tem peso de 64% no cálculo do PIB.

Estratégia do caos do Irã desafia 'doutrina do louco' de Trump, por Patrícia Campos Mello

Folha de S. Paulo

Para o regime, 'martírio' de seus líderes é custo baixo para sobrevivência da revolução islâmica

Com planejamento antecipado, Teerã descentralizou decisões militares e criou camadas de substitutos para lideranças

O presidente americano, Donald Trump, acumulou vitórias através de uma política externa calcada na imprevisibilidade e na impulsividade, que força aliados e adversários a se curvar às demandas americanas para evitar o pior.

Mas a estratégia de sobrevivência do Irã frente aos ataques dos Estados Unidos e de Israel impõe a primeira grande ameaça à versão trumpista da "doutrina do louco". Para o regime, a morte de seus líderes é um custo baixo para manter viva a revolução islâmica de 1979.

Agro, petróleo e minérios evitaram PIB menor em 2025, mas essa história vem de longe, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

País não cresceu na metade final do ano passado, mas resultado foi bom, dadas as condições

Juros altos apenas não explicam padrão e dificuldades do crescimento neste século

economia parou de crescer no segundo semestre do ano passado. Ainda assim, o PIB (Produto Interno Bruto) aumentou 2,3% em 2025. Razoável. Entre a Grande Recessão (2014-2016) e antes da epidemia (2020), a taxa média foi de 1,4% ao ano.

A queda de ritmo em relação aos 3,4% de 2024 era esperada, dadas as taxas de juros e limites da capacidade de produzir. O consumo privado parou de crescer na metade final do ano, o que não anima o humor da população.

Faz falta o centro democrático, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

O Brasil já teve um núcleo político de ação e pensamento que dissolvia crises antes que virassem impasses

Submerso pela onda radical, esse pessoal tem a tarefa de emergir da nova geração que aguarda o toque de reunir

Outro dia, no trajeto para uma visita ao Museu de Identidades que Ronaldo Cézar Coelho fez em Vassouras (RJ) no restauro da Santa Casa de Misericórdia da região do Vale do Café, andei conversando sobre como faz falta o núcleo de ação política que dava conta da dissolução de crises antes que virassem impasses.

Éramos 20 no grupo primordialmente interessado no que será do amanhã de um Brasil fadado a escolher se renova o mandato de um presidente sem saber exatamente para quê ou se põe na Presidência um emergente da ala que obrigou o país a se defender do retrocesso democrático/civilizatório.

Eleições não são concursos de virtude, são disputas por maioria, por Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

Supor que superioridade moral garante vitória pode impedir a leitura correta do país

A crença no próprio merecimento não substitui a necessidade de convencer maiorias reais

Pesquisas eleitorais recentes que projetam um crescimento das intenções de voto em Flávio Bolsonaro no segundo turno, em hipotético confronto direto com Lula, incomodaram bastante a esquerda. Ora, estamos falando de projeção de segundo turno, que está entre as coisas mais hipotéticas e incertas do universo das sondagens eleitorais, ainda mais a esta distância do pleito. Por que, então, uma recepção tão alarmada da notícia?

Provavelmente porque muitos desse lado já andam, há tempo, de mãos dadas com a certeza de que Lula ganhará a eleição. Uma previsão eleitoral que não é vista como estimativa probabilística, mas como marcador moral e identitário: quem é do grupo tem que acreditar. Por isso, a informação que sugere que a derrota é possível produz tensão simbólica e afetiva notável, pois representa ameaça à identidade coletiva.

Guerra no Irã é o momento mais imprevisível no Oriente Médio em 50 anos, por Thomas L. Friedman

The New York Times / Folha de S. Paulo

Ofensiva contra Teerã é chance de derrubar teocracia, mas carrega risco de colapso e fragmentação do país

Impacto econômico pode ditar ritmo, mas guerra não deve obscurecer pressões sobre democracia nos EUA e em Israel

Para pensar com clareza sobre as guerras no Oriente Médio é preciso manter múltiplos pensamentos na cabeça ao mesmo tempo. É uma região complicada e caleidoscópica, onde religião, petróleo e política das grandes potências se entrelaçam em cada grande história. Se você está procurando uma narrativa preto no branco, talvez seja melhor jogar damas. Então, aqui estão meus quatro pensamentos sobre o Irã —pelo menos por hoje.

Primeiro: espero que esse esforço para derrubar o regime clerical em Teerã tenha sucesso. É um regime que assassina seu povo, desestabiliza seus vizinhos e destruiu uma grande civilização. Não há evento único que faria mais para colocar todo o Oriente Médio em uma trajetória mais decente e inclusiva do que a substituição do regime islâmico de Teerã por uma liderança focada exclusivamente em permitir que o povo iraniano realize seu pleno potencial com uma voz real em seu próprio futuro.

Poesia | Vou-me embora pra Pasárgada, de Manuel Bandeira

 

Música | Chico Buarque & Wilson das Neves - Grande Hotel

 

terça-feira, 3 de março de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Guerra duradoura trará maior pressão sobre a inflação

Por O Globo

Ao fechar Estreito de Ormuz, Irã impede transporte de um quinto dos barris de petróleo exportados

Quatro em dez barris de petróleo exportados no mundo saem do Oriente Médio. Desses, pelo menos dois atravessam o Estreito de Ormuz, que separa o Golfo Pérsico do Oceano Índico. É daí que vem a ameaça de contágio da economia global pela guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã. Fechar Ormuz, como fizeram ontem os iranianos, é uma estratégia eficaz para infligir perdas aos inimigos. No plano de sobrevivência do regime dos aiatolás, a prioridade é mirar em refinarias e navios enquanto houver forças.

Marcelo Cerqueira, advogado de presos políticos e deputado, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O ex-parlamentar foi um dos principais advogados de perseguidos da ditadura militar do Rio de Janeiro e protagonizou no Congresso a campanha da anistia, ao lado do senador Teotônio Vilela

A história da redemocratização brasileira não pode ser contada sem referência a Marcelo Cerqueira, um dos mais combativos advogados e parlamentares do período autoritário. Militante da causa democrática, notabilizou-se por sua atuação jurídica em defesa de perseguidos políticos e pela presença destacada na campanha da anistia, ao lado do senador Teotônio Vilela, o “Menestrel das Alagoas”, que percorreu o país conclamando a sociedade à reconciliação nacional.

Conheci Cerqueira na campanha eleitoral de 1978, quando foi candidato a deputado federal pelo MDB, a convite do falecido dirigente do Partido Comunista Brasileiro (PCB) Antônio Ribeiro Granja, com apoio no Rio de Janeiro, em Niterói e na Baixada Fluminense. Fez dobradinha com o deputado estadual Alves de Brito (MDB), que concorria à reeleição. Lembro-me de seu principal panfleto de campanha, intitulado “Dá-lhe, povo”, inspirado no lendário jóquei Luiz Rigoni.

Formado em direito, Cerqueira construiu sua trajetória na interseção entre a advocacia e a política. Não era apenas de um advogado militante, mas um jurista atento às garantias constitucionais e aos limites do poder punitivo. Ex-vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), ingressou no antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB) pelas mãos do falecido cineasta Leon Hirszman (Cinco Vezes Favela, Eles Não Usam Black-Tie, entre outros).

A única meta do STF é parar de piorar, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Lula resiste à pressão da Corte sobre a PF e ministros se inquietam com a mudança interna no pêndulo do poder

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva nunca rompeu com Emílio Odebrecht. Os desdobramentos do envolvimento de seu filho Fábio Luís Lula da Silva com Antonio Carlos Camilo Antunes, o “careca do INSS”, sugerem que, além daquelas da Lava-Jato, Lula também colheu lições da relação entre Emílio e seu filho, Marcelo Odebrecht.

Corria o segundo semestre de 2016 quando a Odebrecht começou a negociar o acordo de delação premiada. Marcelo queria ser o primeiro dos 77 delatores pela simples razão de que a primazia, num acordo cujo ativo mais valioso é a informação, lhe daria vantagem. Emílio não permitiu. O filho ameaçou implodir tudo, Emílio pagou pra ver, manteve-o no fim da fila e a delação seguiu seu curso.

Contra os ataques americanos, Irã ameaça as bombas de gasolina nos EUA, por Humberto Saccomandi

Valor Econômico

Reação de Teerã sinaliza que o país já começou a usar o petróleo como arma, ameaçando Trump onde mais poderá lhe doer: nas urnas

Donald Trump se vangloriou dos preços baixos dos combustíveis nos EUA, no seu recente discurso sobre o Estado da União. Isso mostra como a gasolina barata é um ativo precioso para o presidente, especialmente num período de campanha eleitoral. A reação do Irã ao ataque americano sinaliza que o país já começou a usar o petróleo como arma, ameaçando Trump onde mais lhe poderá doer, nas urnas. A guerra pode logo se tornar uma disputa entre o que causa mais dano: as bombas americanas que estão caindo no Irã ou o preço subindo nas bombas de gasolina dos EUA.

Quando a guerra ignora limites: a urgência de reafirmar o direito internacional, por Nasser Zakr*

Correio Braziliense

A estabilidade duradoura depende da observância coerente de normas compartilhadas que preservem a dignidade humana mesmo em contextos de violência intensa

O direito internacional humanitário (DIH) representa o esforço mais consistente da comunidade internacional para preservar a dignidade humana em meio à guerra. Não impede conflitos, mas estabelece limites jurídicos claros e universais à condução das hostilidades. Seu propósito é essencial: proteger civis, restringir métodos e meios de combate e assegurar que, mesmo em cenários extremos, a humanidade permaneça como parâmetro mínimo de conduta entre Estados e demais atores armados.