terça-feira, 25 de dezembro de 2012

OPINIÃO DO DIA - Vinicius de Moraes: Poema de Natal

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

Manchetes dos principais jornais do Brasil

O GLOBO
O SUS em xeque: Irregularidades reduzem equipes do Saúde da Família
Vendas aquecem o Natal do Pibinho
Inflação em 2013: Serviços e alimentos, os vilões
Operação Porto Seguro: Casa Civil prorroga investigação

FOLHA DE S. PAULO
Salário mínimo será de R$ 678 a partir de janeiro
Ex-assessor de ministro poderá ser exonerado
Stevie Wonder e Gilberto Gil tocam no Rio
Em SP, verba para deputado subiu 118% em ano eleitoral
Política impediu repasse a São Paulo, afirma secretário
Ser sócio de clube de elite chega a custar R$ 520 mil
'Rei dos jabutis' vende até para a China

O ESTADO DE S. PAULO
Indústria banca R$ 7,5 bi anuais em serviços públicos
Com reajuste de 9%, salário mínimo subirá para R$ 678
Nova Lei Seca tem um flagrante por hora
Missão no Haiti já custou R$ 1,9 bilhão ao Exército
Sindicância da Porto Seguro é adiada

CORREIO BRAZILIENSE
Planalto: Dilma sobe o mínimo para R$ 678 e muda IR
O novo Brasil: Classe C está cada vez mais conectada
Em transplante inédito, médicos recuperam fêmur

ESTADO DE MINAS
Estádios são a bola da vez na política
Classe C agora também está conectada

JORNAL DO COMMERCIO (PE)
Novo salário mínimo é fixado em R$ 678

Operação Porto Seguro: Casa Civil prorroga sindicância

Comissão apura irregularidades na conduta de servidores indiciados

Júnia Gama

Servidores. Gleisi Hoffmann decidiu prorrogar por 10 dias o prazo para concluir investigação interna

BRASÍLIA - A Casa Civil da Presidência decidiu aprofundar as investigações internas sobre os desdobramentos da Operação Porto Seguro. A chefe da Casa Civil, ministra Gleisi Hoffmann, determinou a prorrogação, por mais dez dias, do prazo para a conclusão dos trabalhos da Comissão de Sindicância Investigativa da Casa Civil.

A presidente Dilma Rousseff interrompeu o feriado do Natal e despachou ontem com Gleisi, no Palácio do Planalto, mas a agenda não foi divulgada.

A comissão de sindicância foi constituído no dia 26 de novembro, com prazo de 30 dias, para apurar irregularidades relacionadas à atuação de servidores indiciados na Operação Porto Seguro, da Polícia Federal.

A decisão foi publicada ontem no Diário Oficial da União, mas foi tomada na sexta-feira. A comissão apura irregularidades cometidas por servidores envolvidos no esquema de venda de pareceres técnicos fraudulentos para beneficiar interesses privados, comandado pelos irmãos Rubens e Paulo Vieira, diretores da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e ANA (Agência Nacional de Águas), com participação da ex-chefe de gabinete do escritório da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha.

Investigações em três ministérios

Os trabalhos da comissão deveriam ser encerrados amanhã, mas, com a medida, a nova previsão é que terminem dia 7 de janeiro. De acordo com a assessoria da Casa Civil, a prorrogação foi necessária porque alguns dos questionamentos feitos pela comissão ainda não haviam sido respondidos. Com o prazo maior, a Casa Civil pretende incluir essas respostas no relatório final.

Em novembro, além de ter sido criado o grupo de sindicância na Casa Civil, o governo determinou a formação de outras quatro comissões com o mesmo propósito: foram instauradas investigações nos ministérios da Educação, Planejamento e do Meio Ambiente, além de uma sindicância conjunta entre Advocacia Geral da União (AGU) e Secretaria de Aviação Civil. Só foi prorrogado o prazo da comissão da Casa Civil, e o andamento das demais sindicâncias não foi informado.

Após ter sido deflagrada a Operação Porto Seguro, as agências envolvidas também abriram auditorias internas de seus processos. Em 29 de novembro, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) designou Comissão de Sindicância para investigar "eventuais irregularidades" de servidores do órgão apontadas pela operação da Polícia Federal.

Anac também instaurou comissão

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) também instaurou uma comissão, com objetivo de apurar "eventuais reflexos relacionados à conduta supostamente irregular do diretor Rubens Carlos Vieira, afastado desde a última segunda-feira em razão das investigações da Operação Porto Seguro", conforme divulgou a agência ao anunciar a criação do grupo.

Como resultado da Operação Porto Seguro, foram exonerados a chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha; o advogado-geral adjunto da União, José Weber de Holanda Alves; a assessora da Secretaria de Patrimônio da União, Evangelina de Almeida Pinho; e o assessor da consultoria jurídica do Ministério da Educação, Esmeraldo Malheiros dos Santos.

Os irmãos Vieira foram afastados do cargo pela presidente Dilma Rousseff. Dias depois, Paulo Vieira, apontado pela Operação Porto Seguro como chefe da quadrilha, pediu exoneração do cargo. Em carta enviada ao Palácio do Planalto, ele alegou "motivos pessoais" para deixar o posto.

Além disso, a Antaq afastou de seus quadros o chefe de gabinete, Ênio Soares Dias, o procurador-geral, Glauco Alves Cardoso Moreira, que foram exonerados, e ouvidor Jailson Santos Soares, que foi afastado do cargo pela Presidência da República.

Fonte: O Globo

Ex-assessor do chefe da AGU pode ser exonerado

Denunciado por corrupção à Justiça terá que responder a processo disciplinar

Servidor é acusado de participar de esquema de tráfico de influência e venda de pareceres desarticulado pela PF

Andreza Matais, Breno Costa

BRASÍLIA - Ex-braço direito do ministro Luís Inácio Adams na Advocacia-Geral da União, José Weber Holanda irá responder a processo disciplinar e pode ser exonerado do serviço público por causa de seu envolvimento com o esquema de tráfico de influência desarticulado pela Operação Porto Seguro, da Polícia Federal.

Uma comissão de sindicância da AGU que nos últimos 30 dias analisou a conduta de Weber e outros quatro servidores do órgão concluiu que todos eles terão que responder a processos disciplinares.

A comissão examinou documentos apreendidos pela Polícia Federal e deve concluir seu trabalho hoje, sob pressão da presidente Dilma Rousseff, que cobrou celeridade para evitar o desgaste que uma investigação prolongada criaria para o governo.

A operação Porto Seguro expôs a atuação de um grupo liderado pelo ex-diretor da Agência Nacional de Águas Paulo Vieira, que trabalhava para obter pareceres técnicos favoráveis a empresas cujos projetos dependiam do aval de várias agências federais.

Vieira, Weber, a ex-chefe do gabinete regional da Presidência da República em São Paulo Rosemary Noronha e outras 21 pessoas foram denunciadas à Justiça pelo Ministério Público Federal, sob a acusação de praticar vários crimes apontados pela PF.

De acordo com as investigações, Weber ajudou Vieira a viabilizar um projeto bilionário de interesse do ex-senador Gilberto Miranda, que deseja construir com outros investidores um complexo portuário na Ilha de Bagres, ao lado do Porto de Santos.

A AGU informou que na sexta-feira divulgará um relatório completo sobre a sindicância e novos detalhes sobre a atuação do ex-braço direito de Adams, que está afastado de suas funções desde o fim de novembro, quando a PF deflagrou a Porto Seguro.

A polícia chegou a vasculhar o gabinete que Weber ocupava, uma sala contígua à de Adams, para apreender documentos e analisar o conteúdo do seu computador.

Além de Weber, a comissão de sindicância analisou os casos de servidores da AGU que atuavam em outros órgão: Jefferson Carlos Carús Guedes (Correios), Glauco Alves Cardoso Moreira (Antaq), Evandro Costa Gama (procurador da Fazenda) e Mauro Hauschild (ex-presidente do INSS).

Weber, Guedes e Moreira foram denunciados pelo Ministério Público Federal pelo crime de corrupção passiva.

A lei prevê prazo de 60 dias para conclusão de processos disciplinares como o que Weber enfrentará. O prazo pode ser prorrogado uma vez, por mais 60 dias. Se a comissão que conduzir o processo concluir que Weber deve ser exonerado, a decisão terá que ser tomada pelo ministro Adams.

A Folha apurou que os servidores cuja conduta foi examinada pela sindicância não devem ser afastados durante so processos disciplinares.

A lei que estabeleceu o regime jurídico dos servidores federais diz que em casos assim os funcionários sob suspeita podem ser afastados do exercício do cargo e continuar recebendo seus salários.

A tendência da comissão da AGU é sugerir que Weber e seus colegas continuem em seus cargos, porque não ocupam mais posições de chefia e por isso não teriam como prejudicar as investigações.

Se forem punidos após a conclusão dos processos disciplinares, eles poderão recorrer à Justiça contra a AGU.

O órgão ainda não concluiu a análise de 40 atos assinados por Weber no período em que trabalhou ao lado de Adams, e que foram separados para exame após a descoberta de sua ligação com o grupo liderado por Vieira.

Junto com o relatório da sindicância, a AGU deve divulgar a relação completa das audiências que Weber concedeu desde maio deste ano e apresentar sugestões de mudanças no funcionamento das agências reguladoras.

Fonte: Folha de S. Paulo

Frei Betto: ‘PT precisa esclarecer o que houve no mensalão’

Amigo de Luiz Inácio Lula da Silva e assessor especial da Presidência da República no primeiro mandato do petista no Palácio do Planalto, o escritor Frei Betto não esconde o desejo de votar de novo no ex-presidente, mas cobra uma posição mais clara do PT em relação às denúncias que envolvem o partido.

Além do mensalão, cujo julgamento foi concluído pelo Supremo Tribunal Federal na semana passada, a Operação Porto Seguro, deflagrada pela Polícia Federal no mês passado, teve entre os alvos a ex-chefe do gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha, amiga íntima de Lula.

O frade dominicano se diz "penalizado" pelas cenas do julgamento do mensalão no Supremo, mas afirma que a direção petista deve esclarecer se erros foram cometidos e o que foi feito para corrigi-los. Coordenador de Mobilização Social do Programa Fome Zero entre 2003 e 2004, o dominicano deixou o cargo por não concordar com a política econômica adotada pelo governo Lula e para voltar a se dedicar à literatura. Oito anos depois, Frei Betto critica o PT por "não ter um projeto Brasil", mas, sim, "um projeto de poder".

No último mês, Lula sofreu desgastes não só pela proximidade com Rose, denunciada pelo en¬volvimento com um esquema de venda de pareceres técnicos, como pelas acusações do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, condenado pelo Supremo a mais de 40 anos de prisão por atuar como operador do mensalão.

Em 24 de setembro, em depoimento à Procuradoria-Geral da República cujo teor foi revelado no início do mês pelo Estado, Valério disse que parte do dinheiro do esquema pagou despesas pessoais do ex-presidente e ele deu o "ok" para empréstimos do mensalão. Dois dias depois, em uma palestra em Paris, Lula sugeriu que pode voltar a ser candidato.

Como o sr. acompanhou o julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal?

Acompanhei muito penalizado porque, embora eu nunca tenha sido militante de nenhum partido político, nem do PT, através da minha atividade pastoral eu ajudei a construir esse partido. Gostaria que o partido viesse a público esclarecer se houve ou não houve culpa, se houve ou não houve ações que faltaram à ética. Acho que está precisando de uma palavra do partido a respeito de todos esses fatos que têm sido manchetes na nossa imprensa.

As sucessivas críticas de dirigentes do PT às condenações e ao julgamento não são suficientes para ter uma ideia do que pensa o partido?

Não vou avaliar o partido, digo minha opinião. As denúncias são graves e é preciso que o partido se manifeste, ou na defesa (dos acusados) ou dizendo se realmente houve falhas e que medidas serão tomadas.

O julgamento do mensalão é um marco no combate à corrupção no País?

Só o tempo dirá. O resto é apenas achismo.

Como vê a investigação da ex-chefe do escritório da Presidência em São Paulo Rosemary Noronha, ligada ao ex-presidente Lula e suspeita de corrupção e tráfico de influência?

Sou amigo pessoal do presidente Lula e prefiro não comentar.

Qual é sua avaliação sobre o governo da presidente Dilma Rousseff?

Nota dez. Só espero que ela seja mais sensível aos movimentos sociais e, principalmente, responda a uma demanda de décadas da realidade brasileira de realizar a reforma agrária. Alianças são necessárias, mas lamentavelmente têm sido feitas em cima de cargos, e não de programas. Em 2014, darei meu voto a Dilma ou a Lula. Espero que Lula volte.

O sr. acredita numa nova candidatura de Lula?

Ainda que a Dilma seja a próxima presidente, em 2018 tranquilamente Lula pode voltar, tem idade para isso. Em qualquer um dos dois eu votarei, farei campanha, terão todo o meu apoio.

O que acha do projeto de renovação do PSDB, pregado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso?

O problema é que não tem quadros. Aécio (Neves, senador tucano) é conhecido no meu Estado, Minas Gerais. É muito conhecido, prestigiado, mas não é um nome nacional. Não pode competir com Dilma, com Lula. Os dois são imbatíveis.

O que acha que falta ao PT?

O PT tem muitos militantes aguerridos, comprometidos com os movimentos populares, mas como direção partidária não vejo um projeto de Brasil no PT, vejo um projeto de poder. O PT precisa retomar sua inspiração originária, de "qual é o Brasil que nós queremos?". Um Brasil de reforma agrária, com reforma tributária, com menos desigualdades. Essa dimensão do PT infelizmente está sumida, a ponto de fazer alianças tão amplas que acaba descaracterizando o partido. Todos os partidos têm suas contradições. Por isso hoje eu voto mais em candidatos do que em partidos.

Chegar ao poder fez mal ao PT?

Ao contrário. Chegar ao poder fez muito bem, sobretudo ao povo brasileiro. Os governos Lula e Dilma são os melhores da nossa história republicana. Os aeroportos estão cheios de gente classe G e D, as pessoas estão comprando. No Nordeste não tem mais jegue, agora tudo é moto. Mas ainda há outras medidas que precisam ser tomadas, a questão da saúde é grave, a educação. Alimentação, saúde e educação são os três direitos fundamentais do ser humano, pela ordem, e ainda exigem medidas muito enérgicas.

O sr. voltaria ao governo, se fosse convidado? "

Sou um feliz "ING": indivíduo não governamental.

Fonte: O Estado de S. Paulo

O inimigo mora no mesmo partido

Desencontros entre o governador Eduardo Campos e os irmãos Cid e Ciro Gomes expõem divergências no PSB

Paulo de Tarso Lyra

Brasília – A menos de dois anos das eleições presidenciais, os principais nomes do PSB começam a disputar espaço em posições antagônicas, antecipando o tom de rivalidade que deve permear o partido no próximo biênio. De um lado, o governador do Ceará, Cid Gomes, e o irmão Ciro; do outro, o presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Embora anuncie o apoio a Dilma Rousseff, Eduardo não perde a oportunidade de falar como pré-candidato à Presidência. Já os irmãos Gomes tentam se mostrar mais confiáveis ao PT e ao Palácio do Planalto e, dessa forma, dificultar os movimentos do presidente da legenda.

O episódio mais recente foi a organização, por parte de Cid, de um encontro de desagravo ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva após a divulgação das denúncias feitas pelo empresário Marcos Valério. Cid e outros governadores foram ao Instituto Lula, em São Paulo, demonstrar solidariedade ao ex-presidente, apontado por Valério como beneficiário do mensalão com recursos desviados utilizados para pagamento de contas pessoais do petista. Eduardo Campos não estava presente no encontro.

De acordo com o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, Eduardo Campos foi avisado, mas não pôde ir porque o ato aconteceu no mesmo dia da diplomação de Geraldo Júlio (PSB), prefeito eleito de Recife e afilhado político do governador pernambucano. "Não tem nada de divisão. No domingo, o Eduardo estava em Fortaleza, ao lado de Cid, na reinauguração do Castelão", declarou o pessebista, tentando minimizar o desconforto do partido com a situação.

Há quase dois meses, a divisão de opiniões foi explicitada pela primeira vez, nesta fase de troca de farpas. A presidente Dilma Rousseff jantou, no Palácio da Alvorada, com Campos, Amaral e o secretário-geral do partido, Carlos Siqueira. A presidente disse que respeitava os desejos de crescimento do PSB e demonstrou querer manter a parceria com o PSB, desmontando os palanques conflituosos do partido com o PT, erguidos durante a campanha municipal.

No dia seguinte, Dilma almoçou com Cid Gomes, após uma cerimônia de entrega de prêmio na área educacional. O governador cearense aproveitou para lançar Eduardo Campos como vice de Dilma em 2014 e o atual ocupante do cargo, Michel Temer, como senador por São Paulo. "Eduardo não será vice em hipótese nenhuma", garantiu ao Estado de Minas um integrante da cúpula partidária.

Aproximação Candidato à Presidência da Câmara em fevereiro, o deputado Júlio Delgado (PSB-MG) acha que os movimentos dos irmãos Gomes são claros. "Eles querem demonstrar que são mais simpáticos e confiáveis para o Planalto e o PT, delimitando o espaço na legenda e garantindo que o partido esteja alinhado à presidente em 2014", disse ele. O momento é ainda mais propício porque, cada vez mais, o governador pernambucano tenta marcar diferenças em relação à administração federal. Há duas semanas, promoveu um seminário com os novos prefeitos do PSB, mostrando as diferenças administrativas entre o partido e o PT, de Dilma Rousseff.

Na segunda-feira, véspera do encontro de Lula com os governadores, Eduardo Campos deu uma longa entrevista ao Estado de S. Paulo, afirmando que os três primeiros meses de Dilma em 2013 serão essenciais para que o governo diga a que veio. "Vocês estão procurando chifre em cabeça de cavalo. Não tem divisão nenhuma. O Cid tem autonomia como governador em suas ações e gestos políticos", esquivou-se Roberto Amaral.

Os irmãos Gomes, embora não admitam, seguem engasgados com 2010. Ciro queria ser candidato a presidente, mas Eduardo Campos decidiu que o partido apoiaria Dilma. "Ele não foi boicotado. Ciro não se viabilizou e 90% dos filiados ao partido consideraram um risco manter a candidatura", rebateu o secretário-geral do PSB, Carlos Siqueira. "Eles sabem que, no partido, não têm maioria. Querem se cacifar externamente. Provavelmente, em 2015, deixarão o PSB", disse ao Estado de Minas um aliado de Ciro e Cid Gomes.

Fonte: Estado de Minas

Desafetos de Dilma cotados no Congresso

A partir de fevereiro, o Congresso Nacional deve ficar sob o controle dos peemedebistas Renan Calheiros (Senado) e Henrique Eduardo Alves (Câmara dos Deputados)

BRASÍLIA - Se prevalecer a escrita, a partir de fevereiro a presidente Dilma Rousseff terá que se submeter a um Congresso que estará sob o comando de dois peemedebistas com os quais ela não teve as melhores relações até há pouco tempo: o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que pretende fazer um acerto de contas com o passado e retornar à presidência do Senado depois de renunciar em 2007, no auge do chamado "renangate", e o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que faz uma corrida de obstáculos para amarrar o apoio da maioria dos partidos e evitar um segundo turno buscado pelo azarão Júlio Delgado (PSB-MG).

A escolha dos sucessores de José Sarney (PMDB-AP) e Marco Maia (PT-RS) acontece no início de fevereiro, na volta do recesso parlamentar. Mas, enquanto Henrique e Júlio Delgado batem ponto em jantares e festas de fim de ano, Renan está discreto e só deverá oficializar a candidatura no último momento. Ele quer evitar que todas as denúncias de corrupção que motivaram sua renúncia e quase cassação do mandato em duas votações, em 2007, sejam retiradas da gaveta e voltem a esquentar o noticiário.

Depois desse escândalo, Renan ficou um tempo no ostracismo, mas foi voltando aos poucos ao comando da cena política. Ele foi acusado de receber ajuda financeira de lobistas ligados a construtoras, que teriam pago despesas pessoais, como o aluguel de um apartamento e a pensão alimentícia de uma filha com a jornalista Mônica Veloso.

No entanto, com a eleição de Sarney para a presidência da Casa, Renan se rearticulou com seu apoio e o do líder do PTB, Gim Argello (DF), e saiu das sombras. Voltou a ter o comando do PMDB e protagonizou algumas trombadas com a presidente Dilma, que tentou isolá-lo, tirando Romero Jucá (PMDB-RR) da liderança do governo e botando em seu lugar Eduardo Braga (PMDB-AM).

Mas como é quem comanda, de fato, a bancada do PMDB e de partidos da base no Senado, Renan continuou fortalecido, principalmente depois da criação da CPI de Cachoeira, quando o governo precisou do seu partido. Ele se considera, portanto, pronto para voltar ao comando do Senado, e com apoio dos governistas.

A oposição articula o lançamento de um nome da base para bater chapa com Renan. O nome mais cotado é o senador Luiz Henrique (PMDB-SC), que viajou para a Rússia com Dilma, no início de dezembro, o que gerou especulações na seara governista. "Renan já conversou com Sarney e com alguns amigos sobre a candidatura. Mas só vai oficializar na véspera da eleição. Ele tem o sentimento de que foi arrancado injustamente da presidência do Senado em 2007. Por isso quer o cargo de volta", conta um dos senadores peemedebistas próximos a Renan.

Fonte: Jornal do Commercio (PE)

Oposição questiona Fux e Carvalho por conversa

A oposição quer explicações do secretário-geral da Presidência da República, ministro-Gilberto Carvalho, sobre uma conversa dele com o ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux. Antes de ser indicado à Corte, Fux teria procurado Carvalho e afirmado que o processo do mensalão "não tinha prova nenhuma" e que "tomaria uma posição muito clara" durante o julgamento.

"É um fato gravíssimo. Primeiro porque é um ministro antecipando seu voto em um julgamento. Segundo, porque dá a entender que o Fux só foi indicado (ao STF) porque havia se posicionado daquela maneira", afirmou o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO). A declaração de Carvalho foi dada em entrevista ao programa E Notícia, exibido na noite de anteontem pela Rede TV.

Para Caiado, a afirmação permite supor não apenas que Carvalho trabalhou para a indicação de Fux ao Supremo, mas que o Executivo usou a prerrogativa de poder indicar os membros do STF para colocar lá uma pessoa com voto já declarado a favor do PT. "Cabe ao governo, principalmente à presidente Dilma, explicar por que nomeou o Fux."

Presidente e líder do DEM no Senado, José Agripino (RN) também acredita na necessidade de esclarecimentos. "É uma bisbilhotice imprópria para um ministro de Estado. Fica claro que o Fux procurou o Gilberto para pedir ajuda na indicação", afirmou o senador.

Gilberto Carvalho foi chefe de gabinete do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos dois mandatos do petista. Embora Fux só tenha sido indicado ao Supremo em 2011, já no governo Dilma Rousseíf, o próprio ministro do STF disse, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, que "bateu na trave três vezes" antes de chegar à Corte e que fez um périplo entre políticos e pessoas próximas do governo - entre elas, o ex-ministro José Dirceu, na época réu no processo que viria a ser julgado em agosto deste ano.

Na mesma entrevista, Fux afirmou que "pensava realmente que não tivesse" provas no processo do mensalão, mas que, ao ler os papéis em julho passado, ficou "estarrecido" ao verificar que havia comprovações do esquema de compra de apoio ao governo Lula. Segundo Carvalho, no entanto, Fux teria lhe dito que "já tinha estudado o processo" antes de ser indicado ao STF.

Procurados ontem, os líderes do governo, Eduardo Braga (PMDB-AM), e do PT no Senado, Walter Pinheiro (BA), não quiseram comentar o caso. O ministro Luiz Fux também foi procurado, mas informou, por meio da assessoria de imprensa do Supremo, que não comentaria as declarações de Carvalho.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Mercado derruba PIB de 2013 pela sexta vez consecutiva

O crescimento do Brasil em 2013 foi reduzido de 3,40% para 3,30%, segundo o Boletim Focus, do Banco Central

Eduardo Rodrigues

BRASÍLIA - Embora a presidente Dilma Rousseff tenha garantido na semana passada que o Brasil terá um "PIBão grandão" em 2013, o mercado financeiro voltou a revisar para baixo as estimativas para o crescimento da economia no próximo ano. Os analistas entrevistados pelo Banco Central para o relatório Focus derrubaram a projeção de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) do ano que vem pela sexta semana consecutiva, passando de 3,40% para 3,30%. Há quatro semanas, o indicador esperado pelos economistas era de 3,94%.

Faltando apenas uma semana para o fim de 2012, as estimativas para o PIB deste ano pararam de cair e se estabilizaram em uma expansão de apenas 1%. Um mês atrás, os analistas ainda projetavam um crescimento de 1,50%.

O fraco desempenho da economia levou o próprio Ministério da Fazenda a desistir de continuar apresentando projeções para a expansão da atividade neste e no próximo ano. O último boletim Economia Brasileira em Perspectiva, publicado na semana passada pela pasta, pela primeira vez simplesmente não trouxe nenhuma previsão. O PIB de 2012 será o menor desde o auge da crise em 2009, quando o País registrou uma contração de 0,3% na economia. Nos anos seguintes (2010 e 2011), a evolução da economia foi de 7,5% e 2,7%, respectivamente.

Um dos principais termômetros da economia que ajudam a entender o baixo crescimento do País é a produção industrial, que deve cair este ano e recuperar pouco em 2013. Para o mercado, o tombo da indústria em 2012 será de 2,31%. Para 2013, a estimativa, que era de uma expansão de 4,20% há quatro semanas, já desacelerou para 3,50%.

Outro indicador que piorou nos cálculos dos analistas foi a previsão para o superávit comerciai Para 2012, houve um recuo de US$ 19,50 bilhões para US$ 19,25 bilhões. Há quatro semanas, a previsão de saldo da balança comercial era de US$ 19,60 bilhões. Para 2013, a previsão também caiu, de US$ 15,60 bilhões para US$ 15,52 bilhões, voltando a mesma estimativa de quatro semanas atrás.

Inflação. Enquanto as previsões do mercado para o desempenho da economia não param cair, as estimativas para a inflação seguem no sentido contrário. Pela terceira semana consecutiva, a projeção para o índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2012 foi elevada, passando de 5,60% para 5, 69%.

Um mês atrás, os analistas previam um alta de preços de 5,43% para este ano.

Os resultados da pesquisa também indicam que os consumidores terão que lidar com uma inflação semelhante em 2013. Para o mercado financeiro, o IPCA do próximo ano deverá chegar a 5,47%, pouco acima do que era previsto há quatro semanas (5,40%). Apesar de ambas as previsões superarem o centro da meta do governo, de 4,5% para cada um desses dois anos, os analistas continuaram apostando na manutenção da taxa Selic no patamar atual 7,25% ao ano até o fim de 2013. A meta de inflação tem um intervalo de tolerância de 2 pontos porcentuais, para mais ou para menos.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Desejos de Natal - Valdo Cruz

Não quero dar uma de estraga prazeres, longe disso, até prefiro estar errado, mas a presidente Dilma corre o risco de ficar frustrada quando abrir um dos presentes que deseja ganhar neste Natal, mas cujo conteúdo conhecerá apenas no fim de 2013.

Ela revelou que um de seus desejos é ganhar "um PIBão grandão" no próximo ano. Não adiantou de quanto seria, mas, pelo que falou recentemente, ficaria na casa dos 4,5%, bem maior do que o "PIBinho" previsto para 2012, de 1%.

Em sua equipe, porém, a avaliação de alguns assessores é que um crescimento de 3,5% no ano que vem já será uma "senhora aceleração" -previsão dos analistas de mercado, com a qual parte do governo Dilma concorda.

A chave das avaliações está na inflação ainda elevada. Mesmo com o país andando quase de lado neste ano, com um PIB pífio de 1%, a inflação oficial ficará em 5,8%. Deveria ter ficado muito menor.

O fato é que, por fatores externos e internos, nossa inflação tem mostrado certa resistência em cair diante de um receituário expansionista no campo fiscal do governo Dilma. Fica difícil garantir um "PIBão" no ano que vem e evitar que a inflação suba mais, em vez de cair.

Principalmente levando em conta que o Banco Central não deseja subir os juros em 2013 e quer mantê-los estáveis por um "período suficientemente prolongado".

Não por outro motivo, as palavras de ordem no governo são "sangue frio" e "paciência". Nada de exagerar na mão nos próximos meses e colocar em risco o controle da inflação, pois o crescimento do próximo ano já estaria contratado.

Não deve ser os 4,5% sonhados pelo governo, mas os 3,5% mais realistas do mercado e de parte da equipe. Se o desemprego seguir baixo, e a renda, alta, ainda assim será um bom crescimento. Além de ser mais prudente para pavimentar o caminho da reeleição, em 2014.

Fonte: Folha de S. Paulo

O Estado do medo - Marco Antonio Villa

Em meio ao processo do mensalão, as diversas operações da Polícia Federal ou a turbulenta relação entre os poderes da República, o Brasil esqueceu do Maranhão. Na fase final da guerra contra Canudos, em 1897, os oficiais militares costumavam dizer que não viam a hora de voltar para o Brasil. Quem hoje visita o Maranhão fica com a mesma impressão. É um estado onde o medo está em cada esquina, onde as leis da República são desprezadas. Lá tudo depende de um sobrenome: Sarney. Os três poderes são controlados pela família do, como diria Euclides da Cunha, senhor do baraço e do cutelo. A relação incestuosa dos poderes é considerada como algo absolutamente natural. Tanto que, em 2009, o Tribunal Regional Eleitoral anulou a eleição para o governo estadual. O vencedor foi Jackson Lago, adversário figadal da oligarquia mais nefasta da história do Brasil. O donatário da capitania - lá ainda se mantém informalmente o regime adotado em 1534 por D. João III - ficou indignado com o resultado das urnas. A eleição acabou anulada pelo TRE, que tinha como vice-presidente (depois assumiu a presidência) a tia da beneficiária, Roseana Sarney.

No estado onde o coronel tudo pode, a Constituição Federal é só um enfeite. Lá, diversos artigos que vigoram em todo o Brasil, são considerados nulos, pela jurisprudência da famiglia . O artigo 37 da nossa Constituição, tanto no caput como no §1º, é muito claro. Reza que a administração pública "obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência" e "a publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos". Contudo, a Constituição maranhense, no artigo 19, XXI, § 9º determina que "é proibida a denominação de obras e logradouros públicos com o nome de pessoas vivas, excetuando-se da aplicação deste dispositivo as pessoas vivas consagradas notória e internacionalmente como ilustres ou que tenham prestado relevantes serviços à comunidade na qual está localizada a obra ou logradouro".

Note, leitor, especialmente a seguinte passagem: "excetuando-se da aplicação deste dispositivo as pessoas vivas e consagradas notória e internacionalmente como ilustres". Nem preciso dizer quem é o "mais ilustre" daquele estado - e que o provincianismo e o mandonismo imaginam que tenha "consagração internacional." Contudo, a redação original do artigo era bem outra: "É vedada a alteração dos nomes dos próprios públicos estaduais e municipais que contenham nome de pessoas, fatos históricos ou geográficos, salvo para correção ou adequação nos termos da lei; é vedada também a inscrição de símbolos ou nomes de autoridades ou administradores em placas indicadores de obras ou em veículos de propriedade ou a serviço da administração pública direta, indireta ou fundacional do Estado e dos Municípios, inclusive a atribuição de nome de pessoa viva a bem público de qualquer natureza pertencente ao Estado e ao Município". Quando foi feita a mudança? A 24 de janeiro de 2003, com o apoio decisivo de Roseana Sarney. Desta forma foi permitido que centenas - centenas, sem exagero - de logradouros e edifícios públicos recebessem, em todo o estado, denominações de familiares, especialmente do chefe. Para mostrar o desprezo pela ordem legal, em 1997 foi criado o município de Presidente Sarney, isto quando a Constituição Federal proíbe e a estadual ainda proibia. Quem criou o município? Foi a filha, no exercício do governo. Mas a homenagem ficou somente na denominação do município. Pena. Os pobres sarneyenses - é o gentílico - vivem em condições miseráveis: é um dos municípios que detêm os piores índices de desenvolvimento humano no Brasil.

Como o Brasil esqueceu o Maranhão, a família faz o que bem entende. E isto desde 1965! Sabe que adquiriu impunidade pelo silêncio (cúmplice) dos brasileiros. Mas, no estado onde a política se confunde com o realismo fantástico, o maior equívoco é imaginar que todas as mazelas já foram feitas. Não, absolutamente não. A governadora resolveu fazer uma lei própria sobre licitação. Como é sabido, a lei federal 8.666 regulamenta e tenta moralizar as licitações. Mas não no Maranhão. Por medida provisória, Roseana Sarney adotou uma legislação peculiar, que dispensa a "emergência", substituída pela "urgência". Quem determina se é ou não urgente? Bingo, claro, é ela própria. Não satisfeita resolveu eliminar qualquer restrição ao número de aditivos. Ou seja, uma obra pode custar o dobro do que foi contratada. E é tudo legal. Não é um chiste. É algo gravíssimo. E se o Brasil fosse um país sério, certamente teria ocorrido, como dispõe a Constituição, uma intervenção federal. O que lá ocorre horroriza todos aqueles que tem apreço por uma conquista histórica do povo brasileiro: o Estado Democrático de Direito.

O silêncio do Brasil custa caro, muito caro, ao povo do Maranhão. Hoje é o estado mais pobre da Federação. Seus municípios lideram a lista dos que detém os piores índices de desenvolvimento humano. Muitos dos que lá vivem lutam contra os promotores do Estado do medo. Não é tarefa fácil. Os tentáculos da oligarquia estão presentes em toda a sociedade. É como se apresassem para sempre a sociedade civil. Sabemos que o país tem inúmeros problemas, mas temos uma tarefa cívica, a de reincorporar o Maranhão ao Brasil.

Marco Antonio Villa é historiador e professor da Universidade Federal de São Carlos (SP)

Fonte: O Globo

Alguns pedidos - Tereza Cruvinel

Chegamos ao Natal, com suas luzes e cores, a correria das compras, a profusão de mensagens calorosas, a contagem regressiva para o novo ano. Mesmo apropriada pelo capitalismo como uma grande oportunidade para a circulação de mercadorias, a data maior do cristianismo transbordou sobre todo o ocidente como hora de confraternização e generosidade. A avareza cede espaço à generosidade, os rancores se abrandam, os olhos estão mais abertos ao Outro. O Correio da última quinta-feira contou a história de uma mãe cujo maior desejo é uma manta para agasalhar a filha que muitas vezes leva ao hospital de madrugada. Cada um tem seu pedido de Natal, modesto ou superlativo.

O Brasil, como ser coletivo, teria muitos. Impossível traduzir os desejos de 200 milhões de pessoas, mas, no plano das instituições políticas, que a todos devem representar, algumas demandas são óbvias, estão na agenda. O Brasil precisa, primeiramente, conservar e fortalecer conquistas importantes: a democracia, a estabilidade da moeda, a gestão pública responsável, os avanços sociais que reduziram a pobreza extrema e a vergonhosa desigualdade e o novo papel que conquistou no mundo. Para preservar e consolidar a democracia, o momento pede uma reconciliação entre os poderes, que são independentes, mas não podem ser concorrentes. Já o que falta, não pode ser pedido a Papai Noel. Terá que ser feito por todos, mas a data é propícia ao inventário de intenções. É preciso controlar a corrupção, palavra tão falada em 2012. O mal resiste como erva daninha no gramado, mas houve avanços importantes. Foram criadas ou fortalecidas instituições como a CGU, o Ministério Público, o TCU, a Polícia Federal, a Comissão de Ética Pública. Elas absorveram muito do papel fiscalizador do Congresso, que precisa se reposicionar quanto ao tema. É hora também de recosturar o tecido federativo, que resistiu a tantos solavancos nestes 190 anos de independência. Mas nesse momento há conflitos entre os estados e entre estes e a União. Há uma guerra fiscal em torno do ICMS e segue a disputa por royalties de um petróleo que ainda está no fundo do mar. A União fez desonerações significativas que certamente ajudaram no enfrentamento da crise mas, com isso, achatou as receitas dos estados, que agora pedem compensação. Um primeiro aceno federal foi feito com a mudança no indexador das dívidas estaduais, uma velha demanda. A reforma política seria um grande presente, mas não cairá do céu. Tem que ser feita. E vem aí o terceiro ano do mandato presidencial, o da primeira mulher presidente, uma conquista democrática. É no terceiro ano que os governos mais podem realizar. O primeiro foi de arrumar a casa, o segundo do pleito municipal e o quarto será de sucessão. Para isso, nossos partidos, todos eles, poderiam conter a visível ansiedade eleitoral para que os poderes trabalhassem com mais foco. O Executivo na gestão, buscando o crescimento que não houve nos dois últimos anos. O Legislativo em suas tarefas, reduzindo seus deficits. E o Judiciário, aproveitando seu momento de prestígio para democratizar o acesso à Justiça em todas as instâncias, para além da condenação de gente poderosa pelo Supremo.

Campos não é candidato. Um fato importante para a conjuntura de 2013: em entrevista à revista Época, o governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, afirmou taxativamente que apoiará a reeleição da presidente Dilma Rousseff em 2014. Ou seja, não será candidato. Resumidamente, ele diz que o mais importante agora é garantir as conquistas do s últimos 20 anos (legados de FHC e Lula), enfrentar as ameaças que vêm de fora e ajudar a presidente em 2013, na busca por novos avanços econômicos e sociais. Perguntado se estará com Dilma, foi claro: "Não há dúvida. Estamos na base de sustentação. Não tenho duas posições. Quem defende a presidenta Dilma neste momento deseja cuidar em 2013 do Brasil. Quem pode cuidar do Brasil é Dilma. Nós temos de ajudá-la a ganhar 2013. Ganhando 2013, Dilma ganhará em 2014. Então a forma de ajudar Dilma é dizer: em 2014 todos nós vamos estar com Dilma". Perguntei ontem ao governador, por telefone, se estava retirando sua candidatura. "E eu algum dia a coloquei". Ele acrescenta que lá adiante, no pós-Dilma, se as circunstâncias pedirem, poderá examinar uma candidatura. Naturalmente este anúncio fortalece a coalizão dilmista e a especulação sobre um acordo pelo qual o PT apoiaria Eduardo em 2018. Mas, na política, acordos de tão longo prazo são temerários.

Brasil e Brics. Jim O"Neil, presidente do banco Goldman Sachs, criou em 2002 o termo Bric, que mais tarde foi instituído como grupo, reunindo os emergentes Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Surgiram os Brics. Eles estiveram na crista da onda entre 2008 e 2010, quando suas economias cresceram espetacularmente enquanto outras enfrentavam crises. A partir de 2011, eles também perderam gás e falou-se no fim dos Brics. Em seu último artigo, O"Neill foi muito otimista em relação ao grupo e especialmente ao Brasil: "Acho que o Brasil reagirá mais do que muitos hoje projetam, principalmente porque o grau de decepção do terceiro trimestre foi exagerado por uma provável desaceleração temporária no setor financeiro. Acredito que o Brasil crescerá perto de 4% em 2013, e eu não descartaria um crescimento maior". Tomara que acerte de novo.

Dissidente. O PMDB assegurou o apoio do PSDB a seu candidato a presidente do Senado, Renan Calheiros, quando se juntaram para derrotar o relator petista da CPI do Cachoeira, deputado Odair Cunha. Em compensação, o candidato a presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, não deve ter o voto do petista, que continua magoado com gregos e troianos que o derrotaram.

Fonte: Correio Braziliense

O atraso do trenó - Míriam Leitão

Já é o dia 25, mas quem sabe o trenó se atrasou. Com a dificuldade de mobilidade urbana - e até aérea - que anda por aí, pode ser que Papai Noel ainda tenha tempo de receber uma cartinha da coluna. Pedidos mil. Lucidez para os políticos em momentos importantes da transição institucional do país encabeça a lista. O combate à corrupção precisa ter novos avanços.

O pedido acima é o chamado dois em um: mais lucidez para políticos pode levar à menos corrupção. Se forem lúcidos, descobrirão que o nível a que o problema chegou no país ameaça as instituições. A corrupção teve um duro golpe em 2012, que novos desabem sobre a cabeça desse mal no ano que vem, e no outro, e no outro. Assim, quem sabe um dia... não custa sonhar.

Que as boas intenções do governo deem certo e o índice de erros caia. Um desses objetivos louváveis é a eliminação da extrema pobreza brasileira. Tomara que o país se apresse na busca desse objetivo porque já estamos chegando ao meio da segunda década do milênio.

A educação de qualidade é um presentão, desses que se desdobram em vários outros presentes como se fosse uma matrioska russa. Torna mais garantido o pedido anterior, de redução da miséria, aumenta a força da economia, porque estamos em plena era do conhecimento, fortalece a democracia. Se o velhinho de vermelho garantisse que daria esse regalo ao país, a gente poderia esquecer o resto da lista porque muitos dos pedidos seriam automaticamente atendidos.

Como não há, nem de longe, essa certeza, continuemos aqui sonhando, porque se não for hoje, dia de Natal, quando será o tempo do devaneio?

O pedido inclui também eficientes administradores públicos, principalmente das cidades. Quem vem de trenó tem visão panorâmica e sabe, portanto, que aqui embaixo está uma bagunça horrorosa. O trânsito deu um nó cego no país. Não se vai para a frente nem para trás. Chega-se ao trabalho exausto e com baixa produtividade; chega-se em casa incapaz de aproveitar os momentos em família. Melhor mobilidade urbana elevaria a eficiência profissional, a qualidade de vida, o humor, o amor.

Se fizessem só isso, os administradores públicos já poderiam ser aplaudidos. Ficaria faltando apenas que eles vissem tudo o mais, como a falta de área verde, de planejamento urbano, segurança, tratamento do lixo, saneamento... enfim, essa lista acaba de entrar num atalho ou criar uma sublista que pode ficar interminável. Voltemos para o eixo central da missiva.

Caro Papai Noel, que esta e todas as cartas sejam escritas em papel reciclável ou de florestas plantadas. E que o país tenho o juízo de reduzir o número de árvores abatidas em 2013. Este ano foram 232,8 milhões, segundo o cálculo do especialista Paulo Barreto, do Imazon. E isso foi no ano de menor taxa de desmatamento. É bom lembrar que esse número de arboricídio é apenas o da nossa maior floresta, mas elas tombam em todos os biomas brasileiros pelos mais desatinados motivos.

Na economia, uma bondade pode levar a outras. Menos impostos e menos gastos públicos podem levar a mais poupança, que permitirá mais investimentos, que, se forem bem feitos, podem aumentar a eficiência, e tudo com mais emprego e renda. E, claro, mais crescimento do PIB. Nem todo gasto público pode ser cortado, por isso, que a tesoura fique nos desperdícios. Já terá muito trabalho. Que as agências agenciem menos os interesses particulares e regulem melhor os serviços públicos, para que as concessionárias nos irritem menos em 2013.

Um pedido em causa própria, se me derem licença: que os leitores leiam mais jornais em qualquer formato. E livros. O Brasil lê pouco, mas isso tem mudado. Quem sabe a gente vira essa página?

Fonte: O Globo

A derrota da política - Carlos Alexandre

O mundo não acabou em 2012, mas definitivamente será lembrado pela derrocada da política. A arte de conciliar interesses fracassou ante divergências frontais entre grupos, partidos, instituições, classes, indivíduos.

Na semana passada, a crise federativa em razão da partilha dos royalties extrapolou o plenário do Congresso Nacional e seguramente será definida pelo Supremo. A batalha entre os estados produtores de petróleo contra as demais unidades da Federação que reivindicam fatias maiores do bolo provocou situações absurdas, como a tentativa de apreciar mais de 3 mil vetos presidenciais pendentes de uma só tacada.

Como o Executivo já se manifestou em relação ao tema e o Legislativo se encontra no impasse, a questão será resolvida na esfera do Judiciário, onde a oratória e o convencimento cedem lugar ao formalismo da lei. A tensão que se instalou no Congresso atingiu tal proporção que jogou para escanteio a votação do Orçamento, com potencial prejuízo ao funcionamento da máquina pública no próximo ano.

Não houve maior dissensão em 2012, porém, do que a guerra decorrente do julgamento do mensalão. A necessária manifestação do Supremo Tribunal Federal quanto aos crimes ocorridos no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva levou à formação de trincheiras no debate político, na mesa do bar da esquina, nas reuniões em família, nas redações de jornais. Além de promover insistente gritaria em torno das penas definidas pelos ministros, a resistência contra a acusação da Ação Penal 470 estimulou nova contenda entre a Câmara e o Supremo.

A iminente cassação dos deputados envolvidos no escândalo abriu brecha para defesas estapafúrdias, como oferecer asilo aos parlamentares punidos pelo supremo veredicto. Aparentemente, a extravagante iniciativa atrofiou-se após o ministro Joaquim Barbosa, em gesto surpreendente para muitos, dispensar a prisão imediata dos parlamentares condenados. Afrontar decisões judiciais em um estado democrático de direito constitui grave equívoco a ser reparado na política nacional.

Muitos brasileiros, como revelou ontem o Correio, consideram o fim da corrupção o melhor presente a ser recebido neste Natal. A erradicação de malfeitos depende da efetiva ação dos órgãos de controle e do Judiciário, mas só ocorrerá plenamente com o renascimento da política. Esse é meu voto para 2013.

Fonte: O Correio Braziliense

RISCOS DE 2013 - Inflação sob pressão

Alimentos e serviços devem pesar no orçamento dos brasileiros, com aumentos de até 9%

Fabiana Ribeiro

Mais uma vez, os brasileiros vão ter um ano com alimentos e serviços pesando - e muito - no orçamento, alertam especialistas. Os seus preços devem subir até 9%. E outras pressões vão vir por aí. Em 2013, está praticamente certo o reajuste na gasolina, após sete anos sem repasse direto da Petrobras para o consumidor. Os contratos, como os de aluguel, regidos pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) - que deve fechar acima de 7% este ano - devem tirar o sono de muitas famílias. Mesmo assim, projeções apontam para inflação pouco menor do que a de 2012, com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechando 2013 com variação em torno de 5,4%. Abaixo do que se deve ver em 2012, é fato. Distante, porém, do alvo de 4,5%, centro da meta estabelecida pelo governo.

- Esperamos 5,4% de IPCA ano que vem, sem contar com o reajuste na gasolina. Com um reajuste de 10% no combustível, esse número chega muito fácil em 6% pelos impactos adicionais em álcool especialmente. Esse número, 5,4%, está dentro da meta usual do Banco Central (BC) hoje e deve ser visto como razão para manutenção da taxa básica de juros Selic em 7,25% ao ano - afirmou Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados.

Nas contas da consultoria LCA, os alimentos devem encerrar 2013 subindo 6% em média - alta expressiva, sem dúvida, mas ainda assim uma desaceleração frente aos 10% esperados neste ano. Em 2012, de acordo com a prévia do IPCA, o grupo ficou na dianteira dos avanços nos preços: 9,84%. Vários alimentos mostraram altas expressivas, como a farinha de mandioca (84,90%), o arroz (37%) e o feijão carioca (37,74%). Com alta de 9,40%, as despesas pessoais foram o segundo grupo de maior variação em 2012. Destaque para o custo com salários dos empregados domésticos, que aumentaram 12,75%.

Para o economista da LCA Fábio Romão, o cenário no próximo ano para a alimentação é melhor porque há expectativa de que as cotações das commodities devolvam parte das altas registradas em 2012.

- Não podemos descartar, contudo, novos choques de oferta. Aliás, esses episódios devem ficar mais comuns. Se não fossem problemas de quebra de safra, os preços dos alimentos teriam subido em torno de 5% e 6% em 2012 - disse Romão, ponderando que o preço da energia elétrica deve dar certo alívio nas contas dos brasileiros.

- Não fosse o trigo ter disparado por causa da seca americana e o tomate por aqui ter estragado o meio de ano do brasileiro, o IPCA estaria fechando o ano em 5%. Os preços livres estragaram a convergência do BC, mas esta virá - aposta André Guilherme Perfeito, economista da Gradual Investimentos.

Novos choques podem vir em 2013

Analistas não descartam, portanto, que ocorram novos choques de oferta no próximo ano devido aos problemas climáticos. Um risco que, certamente, pode corroer com mais força do que o esperado pelos analistas o poder de compra dos brasileiros.

- Alimentação é sempre risco e tem que ser acompanhado de perto. Basta lembrar que o susto de julho deste ano mudou totalmente o cenário de inflação e joga as expectativas para cima no ano que vem por um caráter inercial da inflação ainda - acrescentou Vale.

Luis Otávio Leal, economista do banco ABC Brasil, acrescenta que, a despeito de o país crescer apenas cerca de 1% este ano, a inflação de serviços deve fechar 2012 próximo de 9%. Para ele, como o governo não parece ter como estratégia reduzir a demanda doméstica, os preços dos serviços devem se manter neste elevado patamar de 9%. E, continua, mesmo considerando que o aumento real do salário mínimo em 2013 bem menor do que foi em 2012 (7,5% contra 2,7%).

- O ganho de renda em real em 2012 deve ficar em 3,9%. Em 2013, essa alta recua para 2,7%, uma expansão considerável, mas, em todo caso, menor. Com um ganho de renda menor, parte em decorrência de um reajuste menor do salário mínimo, a pressão na inflação tende a ser menor também - acrescentou Romão, para quem os serviços ainda vão continuar a ser um dos vilões do IPCA no ano que vem. - Projetamos variação similar ao que se deve observar neste ano, de 8,5%, no setor em 2013.

Gasolina, telefone e saúde terão alta

Apesar do ganho de renda mais modesto, a inflação pouco mais comportada em 2013 permite, segundo muitos analistas, segurar a taxa de juros no atual patamar, em 7,25% ano ano.

- A primeira alta de juros, a se confirmar nossas projeções de inflação, deve vir somente em janeiro de 2014 - comentou Romão.

Assim como Leal também não vê mudanças na Selic, o economista não acredita que o governo permita que o dólar suba muito acima dos R$ 2,10. Se se valorizar muito frente ao real, a inflação brasileira sobe, já que muitos preços dependem do dólar - de commodities a preços de serviços.

- O câmbio não vai explodir e o BC já deu a entender isso, de maneira sutil - afirmou Perfeito.

O economista Alfredo Coutiño, diretor da Moodys.com para América Latina, afirmou que, mesmo que os juros possam cair mais, a estratégia não é mais recomendada. Ele prevê inflação entre 5% e 5,5% no próximo ano, com pressão da demanda doméstica sobre os preços:

- O que pode induzir o Banco Central a começar a reverter o ciclo de flexibilização monetária. O Brasil parece ter adotado um objetivo duplo com sua política monetária, onde o crescimento tem a mesma prioridade que a inflação. Isso não ameaça nem reduz a independência do BC. Ao contrário, coloca a política monetária como instrumento de promover o progresso social.

Leal ressalta que o comportamento dos preços administrados - aqueles que são monitorados pelo governo federal, como gasolina, telefonia, planos de saúde, remédios, passagens aéreas e transporte público - seria de "aceleração com relação ao que foi nesse ano.

- O ano de 2013 começa parecido com este que está se encerrando. Um cenário externo ainda bastante nebuloso, sujeito a chuvas e trovoadas políticas no decorrer do período. Enquanto isso, aqui dentro, acabamos o ano com preocupações com a inflação e com dúvidas com relação ao desempenho da economia - concluiu o economista do ABC Brasil.

Fonte: O Globo

Planta de Maceió – Lêdo Ivo

O vento do mar rói as casas e os homens.
Do nascimento à morte, os que moram aqui
andam sempre cobertos por leve mortalha
de mormaço e salsugem. Os dentes do mar
mordem, dia e noite, os que não procuram
esconder-se no ventre dos navios
e se deixam sugar por um sol de areia.
Penetrada nas pedras, a maresia
cresta o pêlo dos ratos perdulários
que, nos esgotos, ouvem o vômito escuro
do oceano esvaído em bolsões de mangue
e sonham os celeiros dos porões dos cargueiros.
Foi aqui que nasci, onde a luz do farol
cega a noite dos homens e desbota as corujas.
A ventania lambe as dragas podres,
entra pelas persianas das casas sufocadas
e escalavra as dunas mortuárias
onde os beiços dos mortos bebem o mar.
Mesmo os que se amam nesta terra de ódios
são sempre separados pela brisa
que semeia a insônia nas lacraias
e adultera a fretagem dos navios.
Este é o meu lugar, entranhado em meu sangue
como a lama no fundo da noite lacustre.
E por mais que me afaste, estarei sempre aqui
e serei este vento e a luz do farol,
e minha morte vive na cioba encurralada.