sábado, 9 de fevereiro de 2013

OPINIÃO DO DIA – Aécio Neves: O PSB é o partido que tem mais proximidade com nossa posição política

Vejo com muita alegria o crescimento do PSB. Talvez ninguém tenha ajudado tanto esse crescimento como nós em Belo Horizonte. Quem vê o crescimento do PSB com muita preocupação não somos nós. Estamos no nosso papel, e o Eduardo Campos é muito bem-vindo. Quanto mais candidatos alternativos (em 2014) melhor para o Brasil.

Aécio Neves, senador (PSDB-MG), em entrevista O Globo, 8/2/2013

Manchetes de alguns dos principais jornais do país

O GLOBO
Oficiais da PM fizeram guarda ilegal para Liesa
Lei Seca em SP fará teste de maconha
Mantega e BC em colisão
Bolívar em baixa

FOLHA DE S. PAULO
Mantega fala em piso para dólar e agita o mercado
Samba sem fronteiras
Para Samu, regra gera disputa entre PMs e socorristas
Ministro de Dilma vê assentamento como 'favela rural'
Milhares protestam em funeral de líder da oposição na Tunísia

O ESTADO DE S. PAULO
TCU vê irregularidades e veta R$ 800 milhões a tribunais
Declaração de Mantega obriga BC a agir para segurar o dólar
Dilma faz afago a aliados para conter Campos
Venezuela desvaloriza moeda em 46,5%
Kassab vira réu em ação do caso Controlar

CORREIO BRAZILIENSE
A inflação está se divertindo nas baladas
Lei seca aperta o cerco no DF
Luiz Estevão pega 4 anos de prisão

ESTADO DE MINAS
A nova cara da velha aula
Aviação: Justiça multa TAM e Gol por venda casada
Ministros caem na folia e Dilma curte praia baiana

O TEMPO (MG)
Preço da gasolina sobe 3,96% em Belo Horizonte
Movimento de bares cai até 40% com Lei Seca mais dura
Para vencer Aécio, Dilma deve dar mais uma pasta para Minas

GAZETA DO POVO (PR)
Dinheiro para a segurança não chega às cidades
Enfim, prontas para a folia na avenida
Números do Paraná seguram queda do emprego no país
Desequilíbrio ambiental faz “chover” aranhas
Santa Catarina tem 82 ataques em 10 dias de violência

ZERO HORA (RS)
MP investiga prefeitura e Estado no caso da boate

JORNAL DO COMMERCIO (PE)
O Galo convida
Em São Paulo, lei seca terá teste antidrogas
Rebelião deixa dois mortos em Caruaru

A crise entre os poderes e o papel do legislativo - Seminário

O CEDES/Departamento de Ciências Sociais da PUC-Rio convida para o seminário: A CRISE ENTRE OS PODERES E O PAPEL DO LEGISLATIVO a se realizar no dia 15 de março, das 14hs às 17hs, no Auditório Anchieta da PUC-Rio

O seminário tem por objetivo debater a relação entre os três Poderes no Brasil. Para tanto, o CEDES convidou dois parlamentares, os Deputados Federais Miro Teixeira e Alessandro Molon.

PROGRAMAÇÃO
14hs - Abertura
Luiz Werneck Vianna (Professor do Departamento de Ciências Sociais da
PUC/Rio e Coordenador do CEDES)

Mesa 1 - 14:15 às 15:30
A Questão da “servidão voluntária” do Legislativo
Miro Teixeira (Deputado Federal – PDT-RJ)

INTERVALO

Mesa 2 - 15:45 às 17hs
O Federalismo e a relação entre os Poderes
Alessandro Molon (Deputado Federal – PT-RJ)

Mantega e BC em colisão

Após entrevista de ministro falando em dólar a R$ 1,85, Banco Central é obrigado a agir para evitar que dólar caia ainda mais e faz uma intervenção de meio bilhão no mercado.

Um dia após divulgação de que a inflação de janeiro tinha sido a maior em dez anos e o presidente do BC, Alexandre Tombini, ter dito que a situação "não era confortável" o ministro Guido Mantega afirmou ontem que não havia motivo para alarme e que o governo não permitiria o dólar a R$ 1,85. O mercado entendeu que Mantega se referia a um "piso" para a moeda, e logo o dólar recuou 1%, para R$ 1,952, a menor cotação em nove meses. O BC interveio vendendo contratos no valor de US$ 502 milhões. A moeda fechou a R$ 1,972, estável.

Carnaval no câmbio

Declaração de Mantega confunde mercado, faz moeda cair a R$ 1,95 e obriga BC a intervir

João Sorima Neto

SÃO PAULO - Às vésperas do carnaval, o que era para ser um dia tranquilo no mercado de câmbio transformou-se num pregão agitado e confuso para operadores. Um dia depois da divulgação de que a inflação de janeiro tinha sido a maior em dez anos e o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, ter declarado que a situação "não era confortável", o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem à agência Reuters que não havia motivo para alarme, acrescentando que o governo não permitirá que o dólar caia a R$ 1,85. Com isso, a moeda americana iniciou os negócios em forte queda frente ao real, cotada a R$ 1,955, e o mercado testou níveis mais baixos para o dólar, que se desvalorizou ao menor patamar em nove meses.

Para frear esse movimento, o BC interveio no câmbio fazendo leilão de swap cambial reverso, operação que equivale à compra de dólares no mercado futuro. No fim do dia, o dólar comercial encerrou estável, negociado a R$ 1,970 na compra e R$ 1,972 na venda, a mesma cotação do fechamento de quinta.

Logo após a abertura do mercado, a cotação da moeda despencou 1%, para R$ 1,952, a mínima do dia. Por volta de 11h, o Banco Central anunciou o leilão de swap reverso, o primeiro leilão deste tipo desde o dia 25 de outubro, quando o BC atuou para evitar que a moeda se aproximasse de R$ 2,00. Na prática, com o leilão, o BC antecipou o vencimento de quase US$ 2 bilhões em contratos de swap cambial tradicional, que venceriam no dia 1º de março. Dos 37 mil contratos ofertados, o BC só conseguiu vender dez mil, um giro financeiro US$ 502 milhões. Com mais demanda por dólar no mercado futuro, a tendência é a moeda americana se valorizar também no mercado à vista.

- Ao citar a cotação de R$ 1,85 na entrevista, Mantega sinalizou que havia espaço para a divisa cair até este patamar, para reduzir pressões inflacionárias. O mercado reagiu e testou um nível mais baixo para a moeda - disse João Medeiros, sócio da corretora Pionner.

Mas o BC surpreendeu ao realizar o leilão de compra de moeda e mudar as expectativas. Após a operação, das 11h às 11h30m, a divisa americana passou a subir. Por volta das 12h, o dólar se valorizava 0,15%, negociado a R$ 1,969. Às 14h30m, valorizou-se 0,30%, a R$ 1,980, atingindo a máxima do dia.

- O leilão do BC fez o mercado voltar a ter a mesma dúvida que tinha desde o início do ano: qual é o novo piso para o dólar? Pelo que o leilão indicou, a faixa de flutuação desejada para o dólar pelo BC é de R$ 1,96 a R$ 2,00. Essa confusão, também mostrou que aparentemente não há sintonia entre as palavras do ministro Guido Mantega e as ações do BC e que o que o ministro Mantega fala não se pode escrever - afirmou Reginaldo Galhardo, gerente de Câmbio da corretora Treviso.

O ministro afirmou à "Reuters" que, se houver tendências especulativas no câmbio, o governo intervirá de novo.

"O ideal é que não houvesse intervenção, mas isso é sonho. Agora, se houver de novo uma tendência especulativa, se o pessoal se animar, "vamos puxar esse câmbio para R$ 1,85", aí estaremos de novo intervindo", disse o ministro.

Ministro não descarta alta do IOF

Entre as medidas que o governo poderia tomar, Mantega citou a elevação do IOF nas operações de ingresso de moeda estrangeira no país e a compra de dólares no mercado.

Na avaliação de operadores de câmbio, a intervenção no BC teve principalmente o objetivo de frear o movimento brusco de queda do dólar.

- O BC atuou principalmente para evitar a volta da volatilidade no câmbio. Nos últimos dias, a moeda tinha oscilado pouco, entre R$ 1,98 e R$ 1,99. Não se esperava tanto tumulto às vésperas do carnaval, quando o investidor não se arrisca em posições mais elevadas - disse o operador de uma corretora que prefere não se identificar.

Para o sócio da corretora Pionner, João Medeiros, perdeu um pouco de força a tese de que o BC usará a política cambial como forma de brecar a pressão inflacionária. No mercado, já se aposta em alta de até 1,5 ponto percentual da Selic, a taxa básica de juro, este ano. Atualmente, ela está em 7,25%.

- Agora, na minha avaliação, o dólar está tabelado em R$ 2. O mercado está confuso - afirmou ele.

Fonte: O Globo

Tensão com os movimentos rurais

Juliana Braga

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, reconheceu ontem a tensão entre o governo e os movimentos sem terra. Em entrevista no programa Bom Dia Ministro, Gilberto admitiu um baixo número de novos assentamentos devido a um freio dado pelo governo no processo de reforma agrária. Segundo ele, existem hoje assentamentos que são “favelas rurais”, e a finalidade é que as famílias beneficiadas não dependam do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para sobreviver.

“Há realmente uma tensão entre os movimentos de trabalhadores rurais e o governo, uma vez que os movimentos nos criticam pelo baixo índice de assentados nos últimos dois, três anos, final do governo Lula, início do governo da presidente Dilma (Rousseff)”, relatou.

Os dados do Incra mostram que, de fato, houve uma forte desaceleração na quantidade de novos assentamentos no país. Em 2003, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o comando do país, 36 mil famílias foram assentadas. Nesses 10 anos, o ápice ocorreu em 2006, quando 136 mil famílias tiveram acesso à terra. No segundo ano do governo Dilma, somente 23 mil famílias foram beneficiadas.

Segundo o ministro, esse “freio” foi um pedido da presidente para se pensar em uma política que garantisse, além da terra, meios de produção. “Não adianta a gente cometer a irresponsabilidade de distribuir muita terra e não permitir que o agricultor encontre uma forma de sobreviver”, explicou. “É real e, infelizmente, verdadeiro que no Brasil há muitos assentamentos que se transformaram quase que em favelas rurais”, completou o ministro.


Financiamento

Nesse raciocínio, detalhou Carvalho, foi criado o programa Terra Forte, que disponibilizou R$ 600 milhões para financiamentos com o intuito de industrializar os assentamentos. Na última segunda-feira, Dilma Rousseff esteve no Paraná para inaugurar uma unidade industrial de beneficiamento de leite e derivados no assentamento Dorcelina Folador. “Era uma fazenda que era uma produção de sementes e havia, em 700 hectares, cinco trabalhadores. Hoje lá estão 92 famílias trabalhando, em torno de 400 pessoas e, mais do que isso, beneficiando, com sua ação, todo um raio da região de agricultores familiares”, explicou Gilberto Carvalho.

Fonte: Correio Braziliense

MST e Contag criticam declaração de Carvalho

Para especialista, reforma agrária não foi capaz de romper ciclo de pobreza no país

Cleide Carvalho

Gilberto Carvalho aumentou a tensão entre o governo federal e os movimentos sem terra ao usar o termo "favelas rurais" para se referir a assentamentos. Alexandre Conceição, da coordenação nacional do Movimento dos Sem Terra (MST), afirmou que o governo de Dilma Rousseff está "iludido com o agronegócio", e que a avaliação feita por Carvalho não passa de um reconhecimento de que o governo não apoia os assentamentos. Segundo Conceição, sem investimento do Estado não há como desenvolver a agricultura familiar no país.

- O governo Dilma é um dos piores na reforma agrária. Além disso, só terra não resolve o problema. A desapropriação é um grande passo, mas precisa ser acompanhada de um conjunto de medidas, de infraestrutura a assistência técnica e compra da produção - disse Conceição.

Segundo ele, o alto volume de exportação de produtos agrícolas fez o governo acreditar que o modelo resolveria a questão da agricultura:

- A presidente está iludida com o agronegócio. Acha que resolveu o problema da agricultura, mas há problemas sérios a serem discutidos, como a desnacionalização das terras e a dominação da agricultura por empresas transnacionais.

Willian Clementino, secretário de Política Agrária da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), disse que, se os assentamentos são precários, a culpa é do próprio governo:

- O termo favela rural é extremamente pejorativo e irresponsável - disse Clementino, acrescentando que há dificuldade nos assentamentos, mas que eles estão longe de serem favelas porque, ao ser dono da terra, o trabalhador deixa de depender de programas sociais se tiver acesso a assistência técnica e crédito de produção.

O professor José Maria Silveira, do Núcleo Interno de Estudos Agrícolas (NEA) do Instituto de Economia da Unicamp, disse que o governo enfrenta o problema da valorização da terra, motivada pela rentabilidade cada vez maior da agricultura. Ele lembra que a maioria dos assentamentos está no Norte e Nordeste, onde a má qualidade do solo e do clima dificultam o cultivo.

- Os assentamentos estão em regiões frágeis, com solo e condições climáticas desfavoráveis. No Ceará, no lugar de explorar babaçu, assentados cortaram as árvores para vender para construção civil, porque não conseguiam explorar de forma sustentável. Muitos assentados desmatam e criam gado, porque é mais fácil vender um animal - explicou Silveira.

Para Silveira, o governo está certo ao conter a criação de novos assentamentos e deve dar ênfase em adotar programas de desenvolvimento agrícola para os assentamentos já existentes.

- O PT já enterrou seus propósitos de esquerda. Tem liberdade para dar ênfase a programas de produção integrado, adaptados a cada região - afirmou, ao avaliar que a reforma agrária no Brasil não foi capaz de romper o ciclo de pobreza.

Fonte: O Globo

Dilma faz afago a aliados para conter Campos

O retomo do PR ao governo Dilma e os afagos ao PDT foram articulados pelo ex-presidente Lula. A estratégia é evitar que as siglas se aproximem do governador Eduardo Campos (PSB- PE), possível candidato à disputa presidencial de 2014.

Dilma segue Lula e refaz diálogo com partidos rebeldes

João Domingos

BRASÍLIA - Ao buscar uma recomposição com o PR e o PDT, partidos com os quais teve a relação institucional abalada após mudar comandos de ministérios alvos de corrupção, a presidente Dilma Rousseff segue a agenda e as orientações do antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. Lula articula a manutenção das duas siglas na base de sustentação de Dilma com o objetivo de garantir a vitória do PT em 2014 sem percalços. Ontem a presidente recebeu no Palácio do Planalto o presidente nacional do PDT e ex-ministro Carlos Lupi.

O encontro ocorreu um dia após Dilma receber, também no Planalto, o presidente nacional do PR, o ex-ministro Alfredo Nascimento. Partiu de Lula a sugestão para que Dilma recebesse os dois. Na avaliação do ex-presidente, ambos estariam "chateados" e mereciam um gesto de "carinho" da presidente. Nascimento e Lupi deixaram, respectivamente, os ministérios dos Transportes e do Trabalho, em 2011, após denúncias de corrupção nas pastas.

Lula ponderou que o PR e o PDT são aliados do tucano Aécio Neves em Minas Gerais. Aécio já foi lançado como pré-candidato a presidente durante encontro do PSDB. Há uma pressão para que assuma a presidência do partido. O atual presidente, deputado Sérgio Guerra (PE), cobra quase todos os dias que o senador mineiro assuma sua condição de pré-candidato. O petista teme também que as duas siglas também se aproximem do PSB, comandado pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, outro com pretensões de disputar a Presidência.

Juntos, os dois partidos têm60 deputados e 10 senadores, número de votos nada desprezível numa base que, embora gigantesca, não tem coesão.

Ao receber pessoalmente dirigentes partidários contrariados, Dilma está assumindo também o papel de articuladora política de seu governo, uma função à qual não costuma se dedicar, ao contrário do antecessor. Mas a eleição dos peemedebistas Renan Calheiros (AL) e Henrique Alves (RN) para as presidências do Senado e da Câmara, respectivamente, a obrigou a isso, dizem auxiliares próximos.

Como os dois são tidos como "raposas políticas", conselheiros da presidente concluíram que o melhor é ela mesma assumir as negociações com os partidos da base, abrindo diálogo direto com presidentes das siglas.

Desde que manteve encontros com Lula em São Paulo, no início do ano, Dilma tem assumido uma postura política mais ativa, tanto nos bastidores quanto nos eventos oficiais.

Tempo. A reunião com o senador Nascimento (AM), anteontem, deveria durar meia hora, mas se estendeu por duas horas e meia. Nascimento levou junto com ele o líder do PR na Câmara dos Deputados, Anthony Garotinho (RJ), e o vice-líder do partido no Senado, Antonio Carlos Rodrigues (SP), que é suplente da ministra da Cultura, a petista Marta Suplicy.

Desde que Dilma tirou Nascimento e Lupi, os dois partidos sentiram-se descompromissados com as orientações do Palácio do Planalto. A nomeação do deputado Brizola Neto, também do PDT, para o Ministério do Trabalho, não resolveu a polêmica.

Ao PR, Dilma prometeu que devolverá ao partido um lugar importante na Esplanada - Nascimento ocupava o Ministério dos Transportes. Ao que tudo indica, o partido poderá ocupar o Ministério da Agricultura ou, de novo, o dos Transportes.

Na internet. Garotinho publicou em seu blog, na internet, a versão do que ocorreu na reunião com a presidente. Disse que todo mundo estava muito bem-humorado. Que relembrou os tempos em que foi do PDT, junto com a presidente, e até da reunião realizada em Porto Alegre, quando uma dissidência, da qual Dilma participou, deixou o partido de Leonel Brizola.

Garotinho contou que Antonio Carlos Rodrigues falou do momento de união que o PR está vivendo e lembrou que as bancadas na Câmara e no Senado vão trabalhar afinadas com a direção partidária para no ano que vem o PR chegar à eleição sem divisões.

Garotinho fez ainda uma inconfidência envolvendo a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti. Quando Nascimento propôs falar de assuntos partidários, Ideli disse, segundo o deputado fluminense: "Calma Alfredo. Eles ainda estão na sessão remember".

Conselho. Por fim, Garotinho disse que Dilma perguntou por Rosinha (a ex-govemadora do Rio e mulher do deputado) e pelas crianças. "E até me recomendou ler o livro Getúlio (do jornalista Lira Neto) : "Garotinho você precisa ler!"."

Fonte: O Estado de S. Paulo

Para vencer Aécio, Dilma deve dar mais uma pasta para Minas

Objetivo do Planalto é reforçar a ligação da presidente com o Estado para enfrentar o senador tucano

PMDB e PR são as siglas mineiras que estão reivindicando mais espaços

Raquel Gondim

Tática. Dilma Rousseff quer evitar que seus aliados se aproximem dos rivais tucanos

A presidente Dilma Rousseff deve contemplar um nome de Minas Gerais em sua reforma ministerial. A ideia da petista é ganhar força no Estado para as eleições de 2014, quando o senador mineiro Aécio Neves (PSDB) poderá ser seu principal adversário. Com isso, a petista visa derrubar o recorrente discurso de Aécio de que ela discrimina Minas, Estado em que nasceu.

A expectativa é que o nome escolhido pela presidente venha do PMDB. A bancada mineira do partido ameaça, inclusive, uma aproximação com governo estadual do PSDB caso não ganhe um posto na Esplanada dos Ministérios. "Estamos lutando para conseguir um espaço para Minas. Se não acontecer, a bancada mineira vai tomar seu rumo", disse o deputado Leonardo Quintão.

O PMDB de Minas, entretanto, precisará desbancar a concorrência para garantir seu lugar. A presidente ensaia também uma reaproximação do PR, legenda que deixou a pasta dos Transportes na esteira das acusações de irregularidades envolvendo Alfredo Nascimento (PR).

A sinalização da reaproximação de Dilma com o PR ocorreu na quinta-feira, quando ela se reuniu com a cúpula da sigla. No encontro, o partido teria exigido o comando de uma pasta de destaque, - como a de Transportes ou a de Agricultura - para retomar institucionalmente à base do governo.

O ex-líder do PR na Câmara deputado federal Lincoln Portela disse que a legenda reconhece a tímida participação de Minas no primeiro escalão do governo federal. Ele não garante, entretanto, que um nome do Estado seria o escolhido. O preferido da presidente é o senador Blairo Maggi (MT).

Portela afirmou, ainda, que a oferta de um ministério não é determinante para que o PR fique ao lado de Dilma. "Não temos perfil de oposição a esse governo", enfatizou.

Já do lado do PMDB, o discurso é o contrário. O deputado estadual Vanderlei Miranda prefere não falar em condições, mas enfatiza a necessidade de mudança. "Se a situação continuar do jeito que está, a Dilma vai ficar sem a gente".

Miranda afirma que o PMDB mineiro não pleiteia apenas um, mas dois ministérios. "A Dilma está dando um tiro no pé, porque qualquer um sabe que ganhar em Minas é decisivo para uma eleição presidencial".

Ele reconhece que, assim como o PR, o PMDB está de olho nos Transportes. "Com o ministério dos Transportes e um outro menor, colocaríamos Minas novamente no jogo político".

PSB. E, enquanto o PMDB e o PR demandam mais espaço junto ao governo federal, o PSB, do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, estuda sua saída da base aliada. A expectativa é que Campos entregue os cargos da sigla no governo Dilma no fim deste ano.

O objetivo do socialista é planejar sua candidatura a presidente em 2014. Além disso, ele busca lançar candidaturas próprias em, pelo menos, 12 Estados, entre eles, Minas Gerais.

Petista deve ganhar mais força

Enquanto a bancada estadual do PMDB briga por espaço no governo federal, o único mineiro contemplado na Esplanada dos Ministérios deve ganhar um lugar de maior peso no primeiro escalão do governo Dilma.

Conforme adiantou O TEMPO, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT), hoje à frente do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, deve ser contemplado com uma pasta de maior destaque.

O objetivo de Dilma com a promoção seria lançar Pimentel aos holofotes e, assim, fortalecer o nome do petista para a disputa pelo governo de Minas em 2014.

Além de um adversário do PSDB, o ministro deve enfrentar nas urnas o senador peemedebista Clésio Andrade. Segundo o deputado estadual Vanderlei Miranda (PMDB), o partido já definiu que não abrirá mão de uma candidatura própria para apoiar Pimentel.

Tucanos se organizam para fazer a disputa

O PSDB de Minas Gerais fará um ciclo de palestras neste ano para expor a experiência tucana no governo do Estado e alavancar a candidatura do senador Aécio Neves à Presidência em 2014. Principal nome da oposição para a disputa, o tucano tem sido criticado por aparecer pouco como líder.

A primeira palestra do ciclo "MG pensa o Brasil" está marcada para o dia 25, com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso falando sobre "Os desafios do Brasil no século 21". Em março, será a vez do governador do Pará, Simão Jatene (PSDB), abordar a sustentabilidade ambiental na Amazônia.

Com os debates, Aécio ganhará um palanque para se posicionar sobre temas nacionais e fazer frente à presidente Dilma Rousseff, que deve buscar a reeleição. Os encontros também servirão para consolidar o nome do senador dentro do próprio partido.

"Este é o ano de consolidação de um projeto. Seremos uma alternativa de poder e, para isso, precisamos clarear as ideias", afirmou o presidente do PSDB em Minas, deputado federal Marcus Pestana.

Fonte: O Tempo (MG)

PSDB lança ofensiva para Aécio

BELO HORIZONTE – O PSDB de Minas Gerais fará um ciclo de palestras neste ano para expor a experiência tucana no governo do Estado e alavancar a candidatura do senador Aécio Neves à Presidência em 2014. Principal nome da oposição para a disputa, o tucano tem sido criticado por aparecer pouco como líder.

A primeira palestra do ciclo MG pensa o Brasil está marcado para o dia 25 deste mês, com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – principal fiador da candidatura do mineiro –, falando sobre o tema Os desafios do Brasil no século 21. Em março, será a vez do governador do Pará, Simão Jatene (PSDB), abordar o tema Sustentabilidade ambiental na Amazônia. Temas como Educação e o Sistema Único de Saúde (SUS) também serão abordados nas palestras mensais.

Com os debates, Aécio Neves ganhará um palanque para se posicionar sobre temas nacionais e fazer frente à presidente Dilma Rousseff (PT), que deve buscar a reeleição. Os encontros também servirão para consolidar o nome do senador dentro do próprio partido como a candidatura mais viável.

"Teremos todo mês palestrantes de outros Estados para fazer esse bate-bola, para revitalizar nossa ideia de partido a partir da experiência concreta de dez anos no governo e da ação partidária em Minas Gerais", disse ontem o presidente do PSDB em Minas, deputado federal Marcus Pestana.

Segundo o parlamentar, Aécio deve participar dos eventos, mas sem deixar que isso afete sua agenda em outros Estados. A ideia é que os debates sejam resumidos depois em um livro.

"Este é o ano de consolidação de um projeto. Seremos uma alternativa de poder e para isso precisamos clarear as ideias", afirmou o presidente da sigla.

Fonte: Jornal do Commercio (PE)

Aliados de Renan preparam retaliação a procurador-geral

Grupo do PMDB quer levar adiante representações contra Gurgel no Senado

Júnia Gama

Aliados do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tentarão realizar um processo de impeachment contra o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, levando adiante representações protocoladas na Mesa da Casa contra o chefe do Ministério Público. Desde que Gurgel enviou denúncia contra o senador alagoano ao Supremo Tribunal Federal (STF), dias antes de sua eleição como presidente, a cúpula do partido planeja uma retaliação e decidiu pelo não arquivamento das representações, uma praxe na Casa nestes casos.

A ideia é enviá-las para apreciação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), também comandada pelo PMDB, com o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), da tropa de Renan. A decisão constitui a possibilidade de revanche mais imediata, já que Gurgel tem apenas mais seis meses de mandato à frente da PGR.

A expectativa do grupo é que, ainda que não vá adiante o processo contra Gurgel, ele seja exposto e saia pelo menos desgastado. Nos últimos dias, senadores do grupo mandaram outro recado a membros do Ministério Público, com o alerta de que a vingança pode respingar em toda a instituição. Ameaçam também com a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 37/2011, que retira poderes de investigação criminal do Ministério Público, um grande temor dos procuradores.

O presidente do Senado não fala sobre o assunto publicamente. Mas um fiel aliado de Renan resume o sentimento reinante no grupo: alega que os peemedebistas estão "perplexos" e "ressentidos" com a atitude do procurador-geral, já que, segundo esse parlamentar, o PMDB, historicamente, trabalha a favor da instituição. E teria feito isso recentemente, ao defender Gurgel das garras dos raivosos da CPI do Cachoeira.

- O PMDB sempre foi um aliado do Ministério Público. Na CPI do Cachoeira, houve um empenho do partido para evitar que Gurgel fosse massacrado pelo PT. E agora ele apronta essa com Renan? Se a Mesa antes arquivava de ofício essas representações, Renan agora é presidente e não vai mais arquivar. Quem dá curso a processo por crime de responsabilidade é o presidente do Senado. Mandamos para a CCJ e lá pode se iniciar um processo de impeachment do PGR. Ele vai pelo menos sair manchado dessa - afirmou um senador da tropa de choque do presidente do Senado.

Collor sempre atacou Gurgel

E falam ainda em tentar impedir a aprovação de matérias caras à categoria, como a criação de cargos de procuradores da República, as gratificações e o adicional por tempo de serviço. São ameaças que não devem ser concretizadas, mas que sinalizam quem está com o poder nas mãos, avalia um senador governista que prefere não entrar nesta briga.

Estariam na Mesa do Senado ao menos três representações contra Gurgel que podem ser encaminhadas à CCJ. Algumas delas foram apresentadas pelo senador Fernando Collor (PTB-AL), que bradou da tribuna em defesa da tramitação das ações, no dia da eleição de Renan Calheiros. Na ocasião, em defesa de Renan, chamou Gurgel de "chantagista, ímprobo e praticante de ilícitos administrativos e de crime de responsabilidade".

No ano passado, Collor protocolou ao menos seis representações contra o procurador-geral da República e sua mulher, a subprocuradora Cláudia Sampaio. Entre as acusações feitas pelo senador, nas esferas cível, penal e administrativa, estão prevaricação, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. E tentou, de toda forma, convocá-lo para depor na CPI do Cachoeira. Se o ex-presidente do Senado José Sarney (PMDB-AP) decidiu pelo arquivamento da maior parte desses pedidos, o mesmo não deve ocorrer agora.

Revanche também inclui STF

Aliados de Renan acusam Gurgel de ter apresentado a denúncia, uma semana antes da eleição do novo presidente do Senado, para tentar fortalecer a candidatura do senador Pedro Taques (PDT-MT), ex-procurador do MP.

E a revanche prometida pelos "renanzistas" nos bastidores - eles dizem que na hora certa vão aparecer com as ações - pretende ser mais ampla. Dizem que estão dispostos a também declarar guerra ao STF, caso a Corte decida deliberar sobre o pedido de indiciamento de Renan nos próximos meses.

Para pressionar o STF a deixar na gaveta o pedido de Gurgel, senadores do PMDB defendem que, no Supremo, a análise de processos também ocorra na ordem cronológica, já que o ministro Luiz Fux determinou que, no Congresso, a análise dos vetos presidenciais siga esse critério:

- O que vale para um Poder tem que valer para todos. Se o STF quer definir o rito dos nossos trabalhos aqui, vai ter que seguir a mesma orientação. Há milhares de processos antes desse pedido contra Renan que ainda não foram analisados. Há acórdãos esperando décadas para serem publicados. Não vamos aceitar atropelamento.

Fonte: O Globo

PSDB-MG fará palestras para alavancar candidatura de Aécio

Principal nome da oposição para a disputa, o tucano tem sido criticado por aparecer pouco como líder.

O PSDB de Minas Gerais fará um ciclo de palestras neste ano para expor a experiência tucana no governo do Estado e alavancar a candidatura do senador Aécio Neves à Presidência em 2014. Principal nome da oposição para a disputa, o tucano tem sido criticado por aparecer pouco como líder.

A primeira palestra do ciclo "MG pensa o Brasil" está marcado para o dia 25, com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso -principal fiador da candidatura do mineiro-, falando sobre "Os desafios do Brasil no século 21". Em março, será a vez do governador do Pará, Simão Jatene (PSDB), abordar o tema sustentabilidade ambiental na Amazônia.

Sistema Único de Saúde (SUS) também serão abordados nas palestras mensais.
Com os debates, Aécio ganhará um palanque para se posicionar sobre temas nacionais e fazer frente à presidente Dilma Rousseff, que deve buscar a reeleição. Os encontros também servirão para consolidar o nome do senador dentro do próprio partido como a candidatura mais viável.

"Teremos todo mês palestrantes de outros Estados para fazer esse bate-bola, para revitalizar nossa ideia de partido a partir da experiência concreta de dez anos no governo e da ação partidária em Minas Gerais", disse o presidente estadual da legenda, deputado federal Marcus Pestana.

Segundo o parlamentar, Aécio deve participar dos eventos, mas sem deixar que isso afete sua agenda em outros Estados. A ideia é que os debates sejam resumidos depois em um livro.

"Este é o ano de consolidação de um projeto. Seremos uma alternativa de poder e para isso precisamos clarear as ideias", afirmou o presidente da sigla.

Fonte: Gazeta do Povo (PR)

Dirigente descarta Temer como nome ao governo paulista

Gustavo Porto e Daiene Cardoso

O presidente do PMDB paulista, deputado estadual Baleia Rossi, descartou ontem o lançamento do vice-presidente da República, Michel Temer, à disputa do Palácio dos Bandeirantes no ano que vem.

A possibilidade vem sendo cogitada na seguinte engenharia eleitoral: os peemedebistas abririam mão da vice na chapa de reeleição de Dilma Rousseff em favor do PSB de Eduardo Campos e, em troca, Temer seria candidato à sucessão de Geraldo Alckmin (PSDB) com o apoio do PT. "Temer não tem disposição alguma em ser candidato a governador", disse Rossi, afilhado político do vice-presidente.

Segundo o deputado estadual, as especulações não têm "nenhum fundo de verdade".

"Reafirmamos total apoio à manutenção do Temer como vice da Dilma", reiterou o deputado estadual, segundo quem os possíveis candidatos a governador pelo PMDB são o atual presidente da Fiesp, Paulo Skaf, que já colocou publicamente sua pré-candidatura, e o deputado federal Gabriel Chalita.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Apoio ao PT vira assunto de chanceleres

Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA - O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, conversará hoje, em Caracas, com o colega venezuelano Elias Jaua, sobre a presença do embaixador da Venezuela no Brasil, Maximilien Arveláiz, no ato em defesa do PT, na última terça-feira. O assunto "poderá ser levantado", afirmou Patriota, mas avisando que o tema não está no centro da agenda.

Patriota negou que a atitude de Arveláiz cause algum mal-estar entre os dois governos.

"Entre nações amigas não há constrangimentos", comentou. O que incomodou o Itamaraty foi que no ato petista foram feitas duras críticas ao Supremo Tribunal Federal. A tradição manda, em tais casos, que o embaixador seja convidado a dar esclarecimentos - mas o chanceler preferiu falar do caso na visita a Caracas.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Ser e estar candidato – Fernando Rodrigues

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, do PSB, responde assim quando 2014 entra na conversa: "As condições me colocaram na posição de candidato a presidente. Mas isso é hoje. Tudo vai depender de como o PT vai conduzir o processo".

Ou seja, ainda tem jogo a ser jogado. Trata-se do clássico cenário no qual há uma diferença entre "ser" e "estar" candidato, apesar de no Congresso os deputados e senadores do PSB falarem diariamente sobre a inevitabilidade da entrada de Eduardo Campos na corrida pelo Planalto.

O chefe do PSB, hoje, "está" candidato. Se, em 2014, ele será candidato é outra história.

Numa conversa pessoal recente entre Eduardo Campos e Dilma Rousseff, ambos trataram do assunto de maneira aberta. A atual presidente foi logo dizendo: "Nada do que vier a acontecer no futuro vai abalar a nossa amizade". Dilma disse mais: "Um dia você vai estar aqui".

Hoje, é impossível Campos fazer o cálculo preciso do custo e do benefício de disputar ou não o Planalto. Para ele, é cômodo deixar seus aliados no Congresso alimentando esse projeto. Só que a decisão será pragmática.

Dois argumentos empurram Campos a concorrer: 1) Ele precisa se tornar conhecido em âmbito nacional. Mesmo perdendo, ganha ao difundir sua imagem para depois tentar a sorte mais adiante; 2) Numa hipótese mais remota, pode tirar a sorte grande e acabar ganhando. Tal desfecho positivo se materializaria por causa do que ele chama de "envelhecimento forte na política". O voto contra os nomes tradicionais pode ser usado a seu favor.

Ocorre que muitos tentaram esse caminho e sucumbiram. Ciro Gomes foi um deles. Tinha uma imagem parecida com a de Campos, mas ficou menor a cada eleição. No fundo, o candidato vitorioso "tem de vender esperança", diz Campos. Ele está em busca dessa fórmula.

Fonte: Folha de S. Paulo

Beijo do desprezo - Cristovam Buarque

Não é difícil perceber como as manchetes das revistas do último fim de semana se referem à tragédia humana da boate Kiss de Santa Maria: "Quando o Brasil vai aprender?", "A asfixia não acabou", "Tão jovens, tão rápido e tão absurdo" e "Futuro roubado". É também uma tragédia que pode ser associada às escolas de todo o Brasil. É como se a boate de Santa Maria fosse uma metáfora da escola brasileira.

Na primeira delas, os jovens perderam a vida por inalar um gás venenoso; na outra as crianças perdem o futuro por não inalarem o oxigênio do conhecimento. A imprevidência de proprietários, músicos e fiscais levou à morte por falta de ar; a de políticos, pais e eleitores leva a uma vida incompleta por falta de educação. A tragédia despertou para os riscos que correm nossos jovens em seus fins de semana em boates, mas ainda não despertou para o que perdem nossas crianças e jovens no dia a dia de suas escolas.

Estamos fechando boates sem sistemas de segurança, mas ainda deixamos abertas escolas sem qualidade. Os pais começaram a não deixar seus filhos irem a boates inseguras, mas levam confiantemente suas crianças a escolas que não asseguram o futuro delas. Exigimos que as boates tenham portas de emergência, mas não exigimos que as escolas sejam a porta para o futuro das crianças.

A tragédia de Santa Maria provoca a percepção imediata da fragilidade vergonhosa na segurança de boates, mas a tragédia de nossa educação, apesar de suas vítimas, não é percebida. Isto porque ela é uma tragédia à qual nos acostumamos e nos embrutece, ou porque são crianças invisíveis pela pobreza, ou ainda porque somos um povo sem gosto pela antecipação, só ouvimos o grito de fogo e vemos a fumaça depois que matam. Por isso fechamos os olhos à tragédia da educação que hoje devasta a economia, a política e o tecido social do Brasil.

O abandono de nossas escolas não mata diretamente, mas dificulta o futuro de cada criança que não estuda. Se as escolas fossem de qualidade para todos, teríamos menos violência urbana, maior produtividade, mais avanços no mundo das invenções de novas tecnologias e um país melhor.

Por isso, ao mesmo tempo em que choramos as trágicas mortes dos jovens de Santa Maria, choremos também pelo futuro das crianças que não vão receber a educação necessária para enfrentar o mundo. Choremos pelos que perderam a vida na boate ao respirar o ar venenoso, e pelos que não vão receber nas escolas o ar puro do conhecimento.

Não vamos recuperar as vidas eliminadas na boate Kiss, podemos apenas chorar e nos envergonhar. Mas podemos evitar o desperdício das vidas que estão hoje nas "Escolas Kiss": metáfora que une boate e escola, sobretudo, quando lembramos que a boate se chamava Kiss, nome que também deveríamos dar às nossas escolas de hoje: beijo do desprezo. Desprezo pelas vidas de jovens ou pelo futuro de nossas crianças.

Cristovam Buarque, senador (PDT-DF)

Bagunça geral na política econômica - Rolf Kuntz

Não dá para separar. O estrago na Petrobrás, a inflação disparada, a indústria emperrada e a maquiagem das contas públicas são sintomas do mesmo problema. O governo conseguiu bagunçar tanto a economia quanto a caixa de ferramentas da política econômica. O estrago da caixa é o mais grave. Gasta-se muito tempo discutindo se a presidente Dilma Rousseff e sua troupe de trapalhões ainda levam a sério os três princípios adotados no fim dos anos 90 - meta de inflação, meta de superávit primário e câmbio flutuante. Não se vai muito longe com esse requisitório. O governo pode responder positivamente a todas as perguntas, com as ressalvas de sempre. Tem de haver certa margem de erro para a inflação, o resultado fiscal é sujeito a imprevistos e nenhum regime cambial é estritamente isento de intervenções. Tudo isso parece razoável, mas a conversa oficial é uma embromação. É possível embromar, nesse caso, porque as questões realmente importantes são outras, a começar pela importância atribuída, de fato, às condições básicas de estabilidade. Esse teste permitiria comparar o governo brasileiro com os de outros países latino-americanos. A semelhança mais notável seria, certamente, com a administração da presidente Cristina Kirchner, sobrando uma diferença muito mais de grau que de vocação.

Se o governo brasileiro se importasse realmente com a inflação, a meta seria muito mais baixa, como em outras economias, tanto desenvolvidas quanto em desenvolvimento. Desde 2005 houve mudanças no Brasil e no cenário externo, mas a meta de 4,5% foi mantida, sem nenhum benefício para o País. A tolerância à alta de preços jamais proporcionou à economia brasileira maior eficiência, dinamismo ou competitividade.

Além disso, as autoridades têm agido como se o alvo real fosse qualquer ponto na margem de variação. As ações são conduzidas como se um resultado final de 6,5% fosse perfeitamente aceitável. O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, chegou a classificar como desconfortável o número acumulado até janeiro - 6,15% em 12 meses. Reiterou, no entanto, a disposição de apostar numa acomodação dos preços no segundo semestre. Mero sangue-frio?

A tolerância à inflação permitiu, no ano passado, conciliar a redução de juros desejada pela presidente Dilma Rousseff e a manutenção de uma política fiscal frouxa. Uma gestão mais séria das contas públicas deveria compensar o relaxamento da política monetária a partir dos meses finais de 2011, segundo explicaram, há cerca de um ano e meio, os dirigentes do BC. Essa condição jamais se realizou. O recurso a artifícios para maquiar as contas públicas no fim de 2012 foi um desdobramentos dessa história. Mas esse é apenas o dado mais pitoresco.

O resultado concreto foi uma economia brasileira um tanto mais torta. O combate à inflação por meio da política monetária foi suspenso, enquanto a expansão do crédito continuou alimentando a demanda, principalmente de consumo. Essa demanda foi alimentada também por incentivos fiscais concedidos a alguns setores pelo Executivo. Esses incentivos serviram ainda para a redução temporária de alguns preços, com efeito benéfico de curtíssimo prazo nos indicadores de inflação. O desajuste entre a demanda e a capacidade de oferta da indústria nacional criou um vazamento nas contas externas. Sem o aumento da importação, o efeito inflacionário teria sido maior. A produção industrial encolheu porque as fábricas foram incapazes de competir, e o investimento diminuiu.

Sem distinguir objetivos de curto e de longo prazos, desafios conjunturais e problemas estruturais, o governo colheu inflação elevada, estagnação econômica e contas públicas mais frágeis. Ao mesmo tempo, bagunçou a política econômica e seus instrumentos. O BC deixou de combater a inflação, a política de juros foi decidida no Palácio do Planalto, deficiências estruturais foram tratadas como problemas de conjuntura e os preços foram contidos por meio de intervenções tópicas. A redução do imposto sobre os automóveis e outros bens duráveis e a contenção das tarifas de combustíveis entram nesse capítulo. A insistência da presidente em reduzir as contas de energia elétrica, a partir de agora, é uma continuação dessa trapalhada. É uma imprudência tratar o preço final da eletricidade como questão isolada, sem levar em conta os programas de investimento e os vários componentes de custos, incluída a tributação em todos os níveis.

Os danos impostos à Petrobrás são em parte explicáveis por essa confusão de objetivos e políticas, tão característica do governo atual. Mas decorrem também da subordinação da estatal aos interesses político-partidários do Palácio do Planalto, da peculiar diplomacia terceiro-mundista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da conversão da empresa em instrumento de política industrial. Em vez de cuidar de seus objetivos empresariais e especialmente do enorme desafio da exploração do pré-sal, a companhia foi forçada a atender a uma porção de outras solicitações. Os resultados são indisfarçáveis.

Mas o governo parece impermeável à maior parte dessas lições. O Ministério da Fazenda dispõe-se a adotar novos artifícios para encenar o cumprimento da meta fiscal. Tudo se passa, de fato, como se o resultado real das contas públicas fosse muito menos importante que a sua representação contábil. Sem medidas típicas de política monetária, o BC tem atuado no mercado cambial para desvalorizar o dólar, em mais uma tentativa de influenciar indiretamente a inflação. A conta será parcialmente paga, é claro, pelos setores prejudicados pela valorização do real. De vez em quando, num surto de lucidez, o governo leva em conta as consequências mais amplas de suas decisões. Exemplo disso é a disposição de rever os termos das novas concessões no setor de transportes. Mas surtos desse tipo têm sido raros e brevíssimos e a confusão do voluntarismo volta a se impor.

Fonte: O Estado de S. Paulo

As várias pressões - Míriam Leitão

O quadro inflacionário preocupa pela união de várias pressões. A política fiscal é expansionista e alimenta expectativas de descontrole; a política monetária está frouxa; autoridades estimulam bancos a emprestarem mais, num cenário de inadimplência alta; o mercado de trabalho está com muita demanda; os eventos climáticos continuam fazendo vítimas em safras de outros países.

A grande esperança do BC é de que a produção agrícola este ano seja tão boa que evite a elevação dos preços de alimentos. A maior parte dos alimentos é commodity e, portanto, os preços daqui e do mundo estão interligados. A nossa boa safra é insuficiente numa conjuntura de baixo estoque, na qual tem havido eventos climáticos na Austrália e nos EUA.

Na Austrália, as previsões de trigo são de queda de 8% neste início de ano, mas o plantio está 26% menor do que nesta safra. Choveu muito no oeste do país, a maior região produtora, que é o segundo maior exportador de trigo. O algodão da Austrália foi prejudicado pelas enchentes do ano passado e pela seca deste ano. A seca nos EUA está cedendo, mas as previsões do governo são de que a produtividade do trigo será afetada e a qualidade também. Como o preço está elevado, a previsão do Departamento de Agricultura americano é de exportação recorde, não em volume, mas em valor. A safra de trigo da Argentina foi menor, e as exportações da Rússia devem encolher. No Canadá, também as expectativas em relação ao trigo não são boas.

Em alguns casos, os fatos não são climáticos, mas derivados de outros problemas. Na Argentina, a incompetência que perdura por anos no relacionamento com produtores de carne derrubou a capacidade do país de produção, que hoje é um terço do que produzia em 1990. A Argentina deixou de ser um grande fornecedores mundial de carne. Como o Texas tem sofrido muito com eventos climáticos, o rebanho americano também despencou. No caso do trigo, soja e milho, a dramática quebra de safra dos EUA reduziu os estoques, tornando os preços mais vulneráveis a qualquer choque de oferta.

Dois dos instrumentos de manutenção da inflação sofreram avarias. Na área fiscal, não há mais credibilidade. A excessiva utilização das manobras contábeis convenceram analistas que os números das contas públicas não valem o que está escrito. A Fazenda tem sido uma fonte de expansão de gastos, quando em outras equipes foi a fonte de contenção de despesas. Na área monetária, a despeito do declarado compromisso do BC com a manutenção da inflação dentro da meta, há um temor de que ele não possa usar sua principal ferramenta se necessário: a taxa de juros.

A tentativa de aquecer o consumo através de endividamento é uma fórmula esgotada. Mesmo assim, esta semana, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi dizer aos banqueiros que o crédito está crescendo muito devagar para o gosto dele. Cresceu a 16% em 2012. O país, a continuar nesse ritmo, corre o risco de overdose de crédito com tudo o que isso significa de perigo.

O quadro internacional está mais tranquilo e isso contém a volatilidade dos ativos, própria de períodos de muita turbulência e incerteza. Mas, se houver uma recuperação mais forte, um ponto que não está no cenário pode entrar: a elevação dos preços de commodities. E isso é imediato: ontem de manhã saiu notícia do saldo comercial chinês acima do esperado e imediatamente o petróleo começou a subir.

O mercado de trabalho aquecido - que é uma ótima notícia para os trabalhadores e para o consumo - representa custos para as empresas. A indústria encolheu no ano passado, mas o valor da folha de pagamentos no ano subiu 4,3% em termos reais.

O quadro inflacionário está batendo na atividade. A inflação reduz poder de compra e não ajuda a recuperação. O Itaú soltou relatório analisando que a recuperação está mais lenta do que previa, e por isso está revendo o PIB de 2013 para 3%, e o de 2014, para 3,5% .

Fonte: O Globo

Tudo muito esticado - Celso Ming

Depois de alguma vacilação, o governo deu ontem indicações sobre até que ponto pretende usar o câmbio como âncora dos preços. Falta saber até onde poderá trabalhar com esses novos parâmetros - ou com outros.

A inflação já dava mostras de que estava solta demais. No dia 28, o Banco Central antecipou a rolagem de contratos de compra de dólar no mercado futuro (swap cambial), indicando que não lhe interessava o dólar acima dos R$ 2. Assim, o câmbio passou a ser usado para conter a alta de preços, ao menos no segmento de mercadorias que podem ser importadas e que, com um dólar mais baixo, desembarcariam mais baratas em reais por aqui.

Mas veio essa inflação de 6,15% em 12 meses. Como o Banco Central não tem autorização para derrubar os juros, passou a usar o câmbio como freio.

Na quinta-feira, quando o câmbio oscilava em torno de R$ 1,96, em entrevista à agência Reuters, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, avisou que não deixaria que o dólar caísse para abaixo dos R$ 1,85. Muita gente entendeu que aí estava o novo piso agora admitido. Como as cotações estavam perto de R$ 1,96, o mercado desconfiou de que o governo toleraria uma baixa para perto de R$ 1,85. Foi quando o Banco Central interveio com nova de compra de moeda estrangeira no câmbio futuro, o que desfez essa aposta.

O governo está "desconfortável" com esse novo patamar da inflação, que deverá permanecer acima de 6% ao ano, ao menos neste primeiro semestre, com risco de que sobrevenha novo fator inflacionário, como essa inflação dos cigarros, do tomate, do arroz e do feijão em janeiro. Em outras palavras, o momento é de inflação em 12 meses mais perto do teto da meta (6,5%) do que em recuo.

Falta saber que mecanismos o governo está disposto a usar para o contra-ataque à inflação. Aparentemente, nem o Banco Central nem as autoridades da Fazenda têm clareza sobre isso. Uma saída seria levar mais a sério a disciplina das contas públicas. Menos despesas equivaleria a menos contribuição dos governos para a demanda e, assim, menos pressão sobre os preços. Mas as últimas indicações do ministro Mantega vão na direção oposta. Declarou que vai cumprir do jeito dele o superávit primário de 3,1% do PIB em 2013. A proposta inicial implicaria separar cerca de R$ 155 bilhões da arrecadação para pagamento da dívida. Mas Mantega disse que vai mudar os critérios desses cálculos, que, na prática, reduzirão o superávit.

A questão de fundo está em saber até quando o governo Dilma pode seguir com tantos resultados ruins e até que ponto esses resultados terão impacto sobre seu projeto mais importante que é o de garantir a reeleição em 2014.

Se o Banco Central não pode voltar a puxar os juros para cima; se tampouco pode derrubar demais o câmbio; e se a Fazenda não pretende cumprir à risca a meta do superávit primário, estamos sem saber como a inflação será controlada. Todas as políticas estão esticadas demais, sujeitas a imprevistos.

Por enquanto, as autoridades se limitam a apostar em que a inflação não salte para além dos 6,5% em 12 meses. Mas isso aí é agir como goleiro já batido, sabedor de que não vai alcançar a bola e que fica na torcida para que ela vá para fora.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Recordações de Tramataia – Joaquim Cardoso

Eu vi nascer as luas fictícias
Que fazem surgir no espaço a curva das marés.
Garças brancas voavam sobre os altos mangues de
[Tramataia.
Bandos de Jandaias passavam sobre os coqueiros doidos
de Tramataia.
E havia um desejo de gente na casa de farinha e nos
[mucambos vazios de Tramataia
Todavia! Todavia!
Eu gostava de olhar as nuvens grandes, brancas e sólidas.
Eu tinha o encanto esportivo de nadar e de dormir.
Se eu morresse agora,
Se eu morresse precisamente.
Neste momento,
Duas boas lembranças levaria:
A visão do mar do alto da Misericórdia de Olinda ao
[nascer do verão.
E a saudade de Josefa.
A pequena namorada do meu amigo de Tramataia.