segunda-feira, 20 de maio de 2013

OPINIÃO DO DIA – José Serra: a oposição tem projeto

Dias atrás, o ex-presidente Lula disse em Porto Alegre que nós, da oposição, não temos projeto para o Brasil. Ele está, obviamente, enganado.

Temos, sim, o projeto de tirar o Brasil da estagnação econômica que o petismo provocou. Sabemos como fazê-lo. Temos, sim, o projeto de defender a democracia brasileira da sanha autoritária do PT.

Quer submeter o Supremo Tribunal Federal à maioria governista do Congresso Nacional. Quer fechar o acesso dos novos partidos ao fundo partidário e ao tempo de rádio e televisão. Quer impedir o Ministério Público de investigar.

Quer esmagar os prefeitos e governadores que não rezarem pela sua cartilha. Quer calar a imprensa.

Temos, sim, o projeto de defender a democracia, a liberdade, a independência dos poderes, e a decência na vida pública, transformada num verdadeiro mercado persa de favores e “malfeitos”.

O PSDB tem a missão de contribuir para aglutinar e organizar o conjunto das forças sociais e políticas da resistência democrática.

Cf. José Serra, in “Nossos projetos e a unidade das oposições”, trechos do discurso na Convenção do PSDB

Manchetes de alguns dos principais jornais em circulação

O GLOBO
Enxurrada de dólares - Empresas brasileiras captam mais no exterior
Denunciados pelo MP têm aumento no governo

FOLHA DE S. PAULO
Virada Cultural tem arrastões, nove feridos e um morto
Indicado por Campos atua contra a sua candidatura
Bandeiras de Aécio sofrem desgaste em Minas Gerais
Boatos sobre o fim do Bolsa Família geram filas e tumultos
Brasil não exigirá exame de médicos estrangeiros
Brasileiros 'tocam o terror' em jogos on-line e ganham fama negativa

O ESTADO DE S. PAULO
Boato sobre o Bolsa Família causa tumulto
Supremo paga voos de esposas de ministros
Sisu tem 80% de adesão federal após três anos

VALOR ECONÔMICO
Inflação faz novos estragos nos balanços das empresas
Venda agita o mercado de crédito 'podre'
R$ 9 bi do FI-FGTS para infraestrutura
Superávit de grandes exportadores cai 65%
A difícil e rara punição de promotores

BRASIL ECONÔMICO
Competitividade é questão do país, não da indústria
Mudança de rumo na OSX

ESTADO DE MINAS
Bolsa família : Boato causa tumultos na Caixa
Microempresas : Alta no lucro impulsiona os empregos
Menos milho

O TEMPO (MG)
Galo é bicampeão mineiro
Dois morrem e cinco são baleados durante Virada Cultural de São Paulo
Aécio assume a gestão do PSDB e dá primeiro passo para eleição em 2014
Boato sobre fim do Bolsa Família será investigado

CORREIO BRAZILIENSE
GDF pretende convocar 6,4 mil concursados
Despesas: Congresso vai gastar R$1 bi a mais este ano
Bolsa família: PF investiga boato de fim do benefício
E o Mané, passou no teste?

GAZETA DO POVO (PR)
Publicidade
Governo do PR centraliza receitas para evitar déficit
Renda perde para valorização dos imóveis
PF investiga boato sobre fim do Bolsa Família
Código Florestal deve poupar a agricultura
Tarifas de internet móvel não são claras o bastante
Bloqueio dos EUA a Cuba resiste a pressões
Comissão da Verdade revelará locais de tortura

ZERO HORA (RS)
mportar médicos é bom para a saúde?

JORNAL DO COMMERCIO (PE)
Recife, Cabo e Jaboatão livres do racionamento
Boataria tumultua agências da Caixa
Dilma lança navio e vê jogo na Arena

Denunciados pelo MP têm aumento no governo

Passados seis meses da Operação Porto Seguro, que descobriu esquema de favorecimento a interesses privados operado por funcionários do Executivo, só um servidor perdeu o emprego: a ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo Rosemary Noronha. Os outros 12 denunciados pelo Ministério Público mantiveram o emprego, e cinco tiveram aumento de salário

Dos treze denunciados, um demitido

Rosemary perdeu emprego, e cinco acusados tiveram aumento de salário

Vinicius Sassine

BRASÍLIA - Seis meses depois de a Polícia Federal (PF) deflagrar a Operação Porto Seguro e descobrir um esquema de favorecimento a interesses privados operado por ocupantes de postos-chave do Executivo federal, só uma dos 13 servidores denunciados perdeu o emprego e o salário pago pela União: a ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo Rosemary Noronha, que ainda responde a um processo disciplinar na Controladoria Geral da União (CGU).

Rosemary, que era protegida do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi exonerada poucos dias após o escândalo, pois ocupava apenas cargo de confiança. Os 11 servidores efetivos e um comissionado citados na denúncia do Ministério Público Federal (MPF) vêm mantendo emprego e remuneração devido à lentidão dos processos administrativos que foram abertos.

Os efetivos perderam as funções de confiança, mas só podem ser demitidos ao fim das investigações. Um levantamento do GLOBO mostra que os processos pouco avançaram: todos tiveram os prazos prorrogados ou já há a intenção de adiá-los. Enquanto isso, cinco investigados ampliaram os salários, em razão de reajustes da categoria ou progressão da função e títulos. A reportagem identificou três casos de licença médica, estratégia adotada para garantir os salários e se manter afastado do trabalho. Alguns assumiram funções importantes no órgão de origem e pelo menos um - o diretor afastado da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Rubens Carlos Vieira - se movimenta para retomar o prestígio político e a função perdida.

O procurador federal José Weber Holanda Alves mudou de função na Advocacia Geral da União (AGU). Por dois anos e quatro meses, foi adjunto do advogado-geral da União, Luís Inácio Adams. Perdeu o cargo pouco tempo após a PF deflagrar a Operação Porto Seguro, que investigou um esquema de compra e venda de pareceres jurídicos no governo federal. Foi colocado na área que cuida dos projetos de capacitação da AGU. Nesta função, Weber tem remuneração básica de R$ 20,4 mil. Antes, ganhava R$ 26,1 mil.

"Desconforto" na AGU

O MPF denunciou o procurador por dupla prática de corrupção passiva. Numa ação de improbidade administrativa, voltou a acusá-lo e pediu que a Justiça o multasse em R$ 2,6 milhões. A ação pode resultar em perda do cargo público. Weber também responde a processo disciplinar aberto na AGU. Enquanto isso, atua, desde janeiro, na Escola do órgão.

O ato que o colocou lá foi assinado pelo advogado-geral da União substituto, Fernando Albuquerque Faria, segundo o próprio órgão. O "exercício de atividades administrativas", justificativa para tal, gera constrangimento. Novos advogados da União, que fazem esta semana um curso de formação obrigatório, relatam o "desconforto" com sua presença.

Outros dois servidores efetivos da AGU foram realocados em funções importantes no órgão. Demitido do cargo de vice-presidente Jurídico dos Correios, o advogado Jefferson Carlos Guedes passou a atuar na Coordenação de Conciliação Judicial da Procuradoria Regional da União (PRU) da 1ª Região. A área faz acordos em casos corriqueiros, mas que envolvem grandes quantias. Já o procurador Glauco Cardoso Moreira está na Divisão de Previdenciário da Procuradoria Regional Federal da 1ª Região, cuidando basicamente dos interesses do INSS.

Os três são investigados em procedimentos disciplinares da AGU e ganham mais tempo para se defender: o órgão deve prorrogar o prazo de 140 dias para as investigações em razão da "complexidade natural dos casos e da observância do princípio de defesa". A AGU investiga ainda, junto com a Secretaria de Aviação Civil da Presidência, a conduta de Rubens Vieira, que tenta voltar à Anac. Ele foi afastado pela presidente Dilma, e, segundo a Anac, é ela quem decide pelo retorno ou a exoneração. Até lá, Vieira recebe salário de R$ 25,1 mil, R$ 2 mil a mais do que antes da crise, graças a reajustes dados a diretores de agências reguladoras.

- Estou afastado por decisão da Justiça. Sou o único. Meu irmão (Paulo Rodrigues Vieira, ex-diretor da Agência Nacional de Águas, a ANA) foi afastado também, mas pediu demissão. Estou estudando e à disposição da Justiça em São Paulo - disse Rubens Vieira, que é procurador da Fazenda.

Os outros três servidores da AGU foram procurados, mas não retornaram.

Paulo Vieira foi apontado pelas investigações como o chefe da quadrilha. Após ser demitido da ANA, o analista de finanças e controle do Ministério da Fazenda passou para a Coordenação de Desenvolvimento Institucional da Secretaria do Tesouro Nacional. Recebe R$ 18,2 mil, mas não está trabalhando. Segundo a pasta, está "afastado preventivamente", até a conclusão das investigações na CGU.

Um ex-diretor da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Tiago Pereira Lima, pediu exoneração, entrou em quarentena e recebeu da agência até abril. Voltou ao Ministério da Fazenda, mas está de licença médica. O ouvidor da Antaq, Jailson Soares, também foi afastado do cargo e, mesmo comissionado, não foi demitido. Seu salário foi de R$ 9,2 mil para R$ 9,9 mil. Segundo a Antaq, a exoneração só pode ser decidida pela presidente, que o nomeou.

Márcio Alexandre Lima, servidor do Ministério da Educação (MEC), suspeito de vazamento de dados para integrantes da quadrilha e denunciado pelo MPF, retomou um cargo no gabinete da presidência do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). Seu salário foi de R$ 7,9 mil para R$ 8,4 mil. O MEC diz que busca concluir o processo disciplinar até 18 de junho. "O servidor continuou lotado no gabinete do Inep porque tirou licença médica. Sobre o salário, trata-se de acréscimo por progressão funcional e por titulação".

- Ele está com depressão. Já indicamos as testemunhas - afirmou o advogado do servidor, Alexandre Magalhães.

Ao GLOBO, o ministro-chefe da CGU, Jorge Hage, disse que monitora "permanentemente" os prazos dos processos disciplinares relacionados aos servidores da Porto Seguro e tenta evitar as medidas protelatórias das defesas.

- É comum a defesa arrolar 30 testemunhas, pedir perícia, esconder-se para não ser notificada. O esforço é para um processo acabar em oito a 12 meses. Ainda estamos no lucro: o Judiciário leva dez, 15 anos - disse.

Fonte: O Globo

A “campeã de Lula”: dívida da Odebrecht dispara

Resultados. Débito dobrou em dois anos e provocou um prejuízo de R$ 1,58 bilhão ao grupo no ano passado; empresa diz que se não tivesse ocorrido variação cambial teria obtido lucro e que a dívida aumentou para bancar investimentos em novos negócios

David Friedlander

Depois de se firmar como a maior empreiteira do País, dominar o setor petroquímico com a Braskem e espalhar sua marca por áreas tão diferentes quanto a produção de etanol e a construção de submarinos, a Odebrecht começa a encarar a conta dessa trajetória fulminante nos últimos anos: a dívida do grupo disparou e atingiu R$ 62 bilhões, com bancos e investidores que compraram suas debêntures.

Essa dívida está espalhada por várias empresas - e praticamente dobrou desde 2010. O débito cresceu 36% apenas em 2012, segundo o balanço consolidado do ano. As demonstrações foram publicadas no dia 25 de abril no Diário Oficial da Bahia e em um jornal daquele Estado, onde fica o conselho de administração da Odebrecht.

Uma das consequências imediatas do aumento no endividamento foi um prejuízo consolidado de R$ 1,58 bilhão em 2012. No conjunto, as empresas da Odebrecht até tiveram lucro operacional de R$ 4,6 bilhões. Mas esse desempenho foi todo comido pelo crescimento das despesas financeiras decorrentes da dívida e virou prejuízo. O grupo pagou R$ 3,3 bilhões em juros e seu balanço ainda sofreu 1 impacto negativo de R$ 3,5 bilhões, consequência da valorização do dólar em sua dívida. "Sem a variação cambial, teríamos dado lucro", afirma Felipe Jens, vice-presidente de Finanças do grupo.

Embora a receita tenha crescido 22%, totalizando R$ 76 bilhões no ano passado, a dívida eqüivale hoje a pouco mais de 3,5 vezes o patrimônio líquido de R$ 17 bilhões da Odebrecht. O vice de Finanças reconhece que o tamanho do passivo pode assustar quem olha de fora. Mas Jens diz que a companhia está acostumada a trabalhar alavancada em empréstimos e que internamente a avaliação é de que o risco está bem calculado e a dívida segue sob controle.

Este ano, vencem compromissos de R$ 9,2 bilhões - 15% da dívida total. O restante são compromissos de longo prazo.

No passado

No final dos anos 90 e começo dos 2000, a Odebrecht investiu nas áreas de papel e celulose e concessões de rodovias, se endividando muito e precisou se desfazer de vários ativos.
Segundo Jens, o endividamento vem aumentando principal mente para bancar investimen tos nos novos negócios do gru po. "É dívida para fazer investimento, com prazo de maturação compatível com a capacidade de geração de receita, custo adequado e na moeda correta", afirma o executivo. "A dívida está crescendo porque a companhia investe, não é para cobrir buraco de empresa."

Investimentos. Pelo balanço, o grupo investiu R$ 12 bilhões no ano passado. Boa parte dos negócios ainda está em fase pré-operacional ou devem começar a gerar receitas a partir de agora, como a Odebrecht Oil 8c Gas, ou novas divisões de concessões de serviços da Odebrecht Ambiental. "Quando começarem a gerar receita, a situação se reverte. Nosso desafio é "performar" para pagar as dívidas. E isso esta empresa sabe fazer", afirma o vice de Finanças.

De acordo com o executivo, a situação hoje é muito diferente do que ocorreu entre o fim dos anos 90 e o começo dos 2000. Naquela fase, o grupo investiu pesado em novas áreas, como papel e celulose e concessões de rodovias. Acabou se endividando além do suportável e precisou se desfazer de vários ativos, como as participações na indústria de celulose Veracel e na concessionária CGR.

"O momento é completamente diferente", afirma Felipe Jens. "Grande parte daquela dívida era fruto de aquisições. Agora, temos muitos projetos que começam do zero e os financiamentos estão atrelados a projetos estruturados e a composição de risco é outra."

Os negócios da Odebrecht só cresceram desde então. Suas operações se espalham da Argentina aos Estados Unidos, da Africa à Europa e à Ásia.

A Construtora Norberto Odebrecht, que deu origem ao grupo, partiu da Bahia para o Sudeste nos anos 80. E deixou para irás construtoras tradicionais no ramo de obras públicas como Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Mendes Júnior. O plano já traçado para os próximos três anos prevê investimentos de R$ 47,5 bilhões, no Brasil e no exterior. "Com dívida", diz o vice de Finanças. "Faz parte do espírito empreendedor das Organizações Odebrecht."

Braskem e ETH puxam dívidas da Odebrecht

Setores petroquímico e de etanol carregam maior parte de sua dívida; com lucro, foi a Construtora Norberto Odebrecht que salvou o ano

O impacto mais pesado nas contas do grupo Odebrecht, que teve prejuízo de R$ 1,58 bilhão ao ano passado, vem de duas de suas principais apostas: a Braskem, indústria da área petroquímica, e a ETH, produtora de etanol. Nesses dois setores, nos quais a indústria como um todo enfrenta dificuldades, o grupo carrega dívidas que somam aproximadamente R$ 20 bilhões.

A ETH, que passou a se chamar Odebrecht Agroindústrial, ainda está em fase de investimento. Desde 2007 o grupo já investiu quase R$ 10 bilhões na empresa, que já é a segunda do País em capacidade de moagem. Com os preços da gasolina na prática congelados pelo governo e as margens de lucro apertadas do etanol, a empresa teve prejuízo de R$ 898 milhões

No ano passado.

O maior problema está na Braskem. Como a empresa responde por metade das receitas do grupo, seus resultados têm impacto direto nos números globais da Odebrecht. A empresa carrega uma dívida histórica, tomou dinheiro para fazer aquisições e financiar novos projetos. Ao mesmo tempo, enfrenta um mercado em momento difícil A valorização do dólar no ano passado aumentou sua dívida, de mais de R$ 12 bilhões, provocando um prejuízo de mais de R$ 700 milhões em 2012.

Fora dessas duas áreas problemáticas, o quadro da Odebrecht é bem mais animador. A empresa de empreendimentos imobiliários lucrou quase R$ 300 milhões no ano passado e a Odebrecht Transport, concessionária na área de transportes criada há menos de cinco anos, deu um resultado positivo de R$ 268 milhões.

Mas quem salvou o ano foi a Construtora Norberto Odebrecht (CNO), que deu origem ao grupo. A empresa foi responsável por um lucro de R$ 804 milhões no ano passado, O detalhe é que 70% da receita da construtora veio de obras no exterior.

Dentro da construtora, o foco é aumentar a presença no exterior e depender cada vez menos do Brasil, mesmo caminho que deve ser seguido por outras empresas do grupo como Odebrecht Oil & Gas e pela Odebrecht Energia que, segundo executivos, estariam enxergando oportunidades melhores lá fora do que no País. Do investimento previsto de R$ 47,5 bilhões para os próximos três anos, R$ 21 bilhões devem ser aplicados no exterior.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Consumo fraco tira R$ 27 bi da economia

Perda do ritmo de crescimento de vendas do comércio varejista é causada pela inflação, inadimplência alta e endividamento das famílias

Márcia De Chiara

O arrefecimento do consumo das famílias, já sinalizado pela desaceleração das vendas do comércio varejista no primeiro trimestre deste ano, pode tirar, em média, 0,5 ponto percentual de crescimento da economia em 2013, nas contas de consultorias econômicas. Isso significa que, em valores correntes, até R$ 27,5 bilhões que seriam usados na compra de bens e de serviços podem deixar de circular na economia.

A perda de ímpeto de consumo das famílias neste ano vem sendo sinalizada por vários indicadores. Mas, na semana passada, por exemplo, o resultado da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou o tamanho da freada nas compras.

O ritmo de crescimento do volume de vendas do comércio restrito, isto é, que não considera veículos e materiais de construção, caiu quase pela metade no fechamento do primeiro trimestre deste ano (4,5%) em relação ao encerramento de 2012 (8,4%). "A surpresa é que a redução da taxa de crescimento do varejo foi abrupta", afirma o economista-chefe da consultoria GS&MD, Ricardo Meirelles.

Também dos seis segmentos que compõem a PMC, quatro tiveram desaceleração no crescimento no primeiro trimestre deste ano em relação a igual período de 2012, comparando-se ao ritmo de altano primeiro trimestre do ano passado.

O volume de vendas dos hiper e supermercados, que tinha crescido 10,3% no primeiro trimestre de 2012 ante o de 2011, terminou o primeiro trimestre deste ano com elevação anual de apenas 1,8%.

Nos móveis e eletrodomésticos o tombo também foi grande: de 15,8% para 1%, nas mesmas bases de comparação. A trajetória se repetiu nas vendas de artigos farmacêuticos e de perfumaria, de 10,8% para 7,3%, e nos produtos de informática e de comunicação, de 30,9% para 3,6%. "Esses resultados mostram que temporariamente está ocorrendo uma pausa nas compras", afirma o economista da Associação Comercial de São Paulo, Emilio Alfieri. Para ele, hoje o consumidor está pagando o que já tinha adquirido.

Tendência. "O motor da economia, que tem sido o consumo das famílias, está enfraquecendo", diz o diretor de pesquisas econômicas da GO Associados, Fabio Silveira. Um mês atrás ele projetava crescimento 7,5% do comércio varejista para este ano. Agora reduziu a estimativa para 6%. Com isso, a sua expectativa de avanço de consumo deve diminuir de 3,2% para 2,6%. "Pelo lado da demanda, se tudo o mais permanecesse constante no PIB, o impacto do arrefecimento do consumo seria de 0,40 ponto porcentual."

Também para o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, o consumo das famílias deve crescer menos do que ele imaginava. Vale projetava um aumento de 6% no consumo para este ano e agora espera 5%. Segundo ele, isso quer dizer que R$ 27,5 bilhões, ou 0,6 ponto porcentual do PIB, podem não ser adicionados ao consumo.

"Tudo está apontando para um cenário de consumo mais fraco este ano", afirma a sócia da Tendências Consultoria Integrada, Alessandra Ribeiro. A consultoria projeta crescimento de 2,8% do consumo das famílias para 2013. No ano passado, essa taxa foi de 3,1%.

A economista Zeina Latif, sócia da Gibraltar Consulting, explica que cada vez que as vendas no varejo caem 1 ponto porcentual o impacto negativo no PIB é de 0,15 ponto porcentual. Ela também vê neste início de ano o consumo se acomodando e os sinais de enfraquecimento da co lomia mais disseminados ntre os vários setores.

A desaceleração cias vendas, que reflete o enfraquecimento do consumo, é, na avaliação do economista-chefe da Concórdia Corretora, Flávio Combat, uma tendência. Prova disso, argumenta, é que as vendas no varejo acumuladas em 12 meses estão se reduzindo mês a mês.

Para Silveira, vários fatores explicam o freio no consumo: inflação alta, inadimplência resistente e interrupção da queda do juro. O único fator favorável ao consumo é o crescimento da massa salarial, mas, mesmo assim, em ritmo bem menor.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Ministro do PSB atua contra candidatura de Eduardo Campos

Catia Seabra

BRASÍLIA - Indicado por Eduardo Campos para a Esplanada dos Ministérios, o ministro Fernando Bezerra (Integração Nacional) lidera um motim no PSB contra a candidatura do governador de Pernambuco --e padrinho político-- à Presidência da República.

Bezerra é, no partido presidido por Campos, um dos mais fervorosos defensores da reeleição de Dilma Rousseff e tem reunido integrantes do PSB em seu gabinete para articular a derrota da tese da candidatura própria na Executiva do partido.

O ministro já conversou com os governadores da legenda, entre eles Ricardo Coutinho (PB) e Renato Casagrande (ES), além de parlamentares da legenda.

Um dos últimos encontros ocorreu há alguns dias com o senador João Capiberibe, que tem o controle da legenda no Amapá. Segundo relatos de quem ouviu o ministro, ele tem argumentado que o PSB será prejudicado em suas alianças estaduais caso tenha candidatura própria.

Bezerra até fez chegar ao Palácio do Planalto sua disposição de deixar o PSB caso Campos insista na candidatura. Além de negociar com o próprio PT, Bezerra conversa com o PSD, de Gilberto Kassab, e com o PMDB.

Sua rebeldia tem origem no Estado de Pernambuco. Bezerra cobiça a cadeira de Campos, que manifesta preferência por outros nomes.

Ontem Campos convocou a imprensa para anunciar o fim do racionamento de água em Recife e Jaboatão e não quis falar sobre eleições. "Hoje só falo de água."

Ofensiva

A aproximação com Bezerra é uma ponta da estratégia petista de desmonte do palanque de Campos país afora. Numa operação orquestrada pelo PT, o PMDB trabalha para tirar o controle do partido em Pernambuco das mãos do ex-senador Jarbas Vasconcelos, apoiador de Campos, e entregá-lo ao prefeito de Petrolina, também candidato ao governo.

No Espírito Santo, o presidente do PT, Rui Falcão, já esteve com o governador para negociar sua neutralidade no Estado em troca do apoio petista à sua reeleição.

Quatro dias depois, Casagrande defendeu, publicamente, a manutenção da aliança do PSB com Dilma.

Na quarta passada, Falcão e o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, prestigiaram a solenidade que marcou a migração de 20 filiados do PSB para o PT. Todos ocupantes de cargos comissionados no governo Agnelo Queiroz (PT-DF).

Em Goiás, a saída do empresário José Batista Júnior, um dos donos do grupo JBS-Friboi, do PSB para o PMDB é apontado como mais um lance do cerco do PT e seus aliados a Campos.

Até então filiado ao PSB, o empresário era uma das apostas de Campos para sustentação de seu palanque nacional.

O assédio ao PSB tem provocado até um mal-estar entre Campos e o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. Tendo recebido o apoio do governador de Pernambuco para a construção de seu partido, Kassab tenta atrair integrantes do PSB para os quadros do PSD: além de Bezerra, conversa com os irmãos Cid e Ciro Gomes.

Colaborou Fábio Guibu, de Recife


Fonte: Folha de S. Paulo

Quase nada - Caetano Veloso

As palavras de Marina Silva sobre o caso Feliciano são sensatas e dizem o que deve ser dito. A imprensa deu um tom suspeito nas manchetes e os malucos das redes sociais (segundo me contam) entraram em surto. Meu amigo Rafael Rodriguez acha que querem desqualificar Marina para que se mantenha a disputa eleitoral ente PT e PSDB. Isso parece com o que eu dizia quando o nome de Mangabeira Unger era limado de minhas entrevistas, algumas eleições atrás: os jornalistas são petistas e os donos dos jornais são tucanos, não há lugar para terceiros nomes. Mas Mangabeira é uma referência incontomável e Marina é um peso político-eleitoral difícil de destruir. Não estou nem aí.

Gostei muito foi do comentário de Elio Gaspari sobre cotistas. A reportagem que parecia comprovar que cotas só servem para destruir a meritocracia revela-se vazia de conteúdo diante da pesagem das estatísticas feita pelo grande jornalista. Aliás, o artigo dele sobre a substituição, pelo governo Dilma, do secretário executivo do Ministério da Fazenda é de leitura obrigatória (eu, que pouco sei sobre essas coisas, fiquei mais inteligente ao lê-lo).

Voltando: será que alguém crê que Marina Silva está assinando embaixo de declarações inaceitáveis feitas por Feliciano só porque ele é evangélico? Esses doidos não podem fingir que acreditam nisso. De repente é como se Marina apoiasse a interpretação do assassinato de John Lennon feita pelo pastor. Impossível. Ele disse que o crime era uma manifestação da Santíssima Trindade. Que queria estar lá quando acharam o corpo do cantor e dizer: "Este primeiro tiro é em nome do Pai, o segundo é em nome do Filho e o terceiro é em nome do Espírito Santo" O "Não matarás" da Bíblia fica assim desvalorizado, submetido à ideia de um Deus ciumento e vingativo, tão pré-cristão e tão anticristão, como se os nossos valores morais se baseassem nas punições contra quem, na conquista da Terra Prometida, deixasse de matar, por piedade, mesmo "uma criança de peito" O pecado mgênuo de um adolescente (dizer que seu grupo de rock estava mais popular do que Jesus Cristo) é tido, assim, como mais grave do que o assassinato a sangue frio. Como a compassiva Marina iria compactuar com essa interpretação dos ensinamentos bíblicos? O que ela diz é que Feliciano não representa o pensamento de todos os evangelicos. Nem mesmo da maioria. Marina defende o Estado laico. E o diz com todas as letras. Por que querer criar confusão onde há tanta clareza?

Outro dia li um jornalista reclamando que falo sobre tudo e mais alguma coisa. A piada da "Piauí" em que apareço com uma capa de magistrado do STF (que, aliás, na montagem fotográfica me caiu muito bem), sob uma manchete que dava conta de que uma decisão momentosa ia ser arbitrada por mim, é engraçadaça. Me mostraram um vídeo no YouTube em que estou dizendo a alguém "Você é burro, cara” Eu repetia que o cara era burro e dizia que ele formulara a pergunta de modo tão burro que eu não conseguia sequer memorizar. Meu amigo Eduardo Sá achou de onde tiraram esse clipe. Foi dé um programa de TV chamado "Vox Po-puli” É dos anos 1970. Eu tinha o cabelo muito longo, muito preto e muito cacheado (esses dois últimos atributos sendo os de que tenho mais saudade). E falava com uma mistura um tanto estranha de moleza e arrogância.

O quadro do período explica minha atitude. Eu tinha começado o trabalho com A Outra Banda da Terra sob apedrejamento crítico. O disco “Muito” foi achincalhado como sendo a prova final de minha inépcia e falta de inspiração. "Sampa” e "Terra” estavam sendo lançadas nesse disco. Anteontem reli um artigo de Tárik de Souza em que ele avalia, com forte espírito de corpo jornalístico, minhas brigas com a imprensa da fase que se seguiu a esse lançamento. Quem eu tinha chamado de burro era Geraldo Mayrink, da “Veja” que destacava frases de músicas de Ary Barroso, Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, que eu citara em minhas letras, como exemplos de maus versos, crendo que eram meus (eram de músicas muito conhecidas por quem atentasse para a MPB). Sei que eu estava certo, mas não me senti bem vendo o vídeo. Valeu para eu poder mostrar a meu filho mais novo meu pai falando (ele aparece fazendo pergunta íntima). Mas meu desejo de desprezar as opiniões negativas sobre meu trabalho me irritou um pouco. Preferi ver um “Roda Viva” em que eu, mais velho (com o cabelo já liso mas ainda todo preto), falo "de tudo’; mas em tom mais modesto.

O que vale o que eu penso sobre Gaspari ou Marina? Creio que quase nada. Mas alegra-me poder repetir o nome de Marina Silva quando páginas de jornal e telas de computadores esperneiam para que o apaguemos. •

Fonte: O Globo / Segundo Caderno (19/5/2013)

Dilma vai encontrar Campos hoje em Recife

Governador vinha evitando a presidente; PSB teme manifestação de petistas

Maria Lima

BRASÍLIA - Desde que elevou o tom das críticas ao governo e passou a articular sua provável candidatura a presidente, o líder do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, evita eventos públicos que o deixem frente a frente com a presidente Dilma Rousseff. Mas hoje os dois vão estar juntos quase o dia todo - e a sós, em vários momentos - durante a viagem da presidente ao estado.

A agenda prevê almoço e inauguração do navio Zumbi dos Palmares, da Transpetro, no Porto de Suape. E, depois, longos 90 minutos lado a lado, na partida entre operários, na inauguração da Arena Pernambuco. Com o clima radicalizado entre as duas partes, aliados de Campos temem que apoiadores da presidente armem alguma saia-justa para constrangê-lo, como as vaias de claques petistas aos governadores Ricardo Coutinho, do PSDB, na Paraíba; e Cid Gomes, do PSB, no Ceará; durante eventos com Lula e Dilma.

Mal-estar na visita anterior

O governador vai receber a presidente no aeroporto e acompanhá-la, no helicóptero, até o Comando Militar do Nordeste. De lá, os dois seguem para o primeiro evento de carro, sempre juntos.

- Eduardo vai recebê-la como um príncipe, mas não sabemos como os amigos de Dilma vão tratá-lo. Mas acho difícil uma claque hostil aqui, onde ele tem 93% de aprovação popular - diz um dos interlocutores do governador.

Em sua visita anterior a Pernambuco, Dilma causou mal-estar ao cancelar sua ida ao almoço oferecido por Campos.

Boa parte do conflito do governador com Dilma, além das criticas à economia e da sua pré-candidatura, resultaram de desacertos sobre as mudanças causadas pela MP dos Portos na gestão do Porto de Suape. Após uma queda de braço com a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, Campos obteve aval do Planalto para incluir no texto uma exceção que mantenha a autonomia dos portos administrados pelos governos estaduais, Suape e Itajaí. A emenda ainda é passível de vetos da presidente.

Além da exposição hoje, ao lado de Dilma, Campos participará, nesta semana, como convidado especial, da conferência da União Nacional das Assembleias Legislativas (Unale), em Recife. Já a presidente Dilma continuará a viajar pelo país.

Fonte: O Globo

Atos com operários na agenda de Dilma

Presidente chega às 11h e segue para Suape, onde entrega o segundo navio do Estaleiro Atlântico Sul e almoça com operários. Depois, lança a Arena Pernambuco

Débora Duque

Dois meses após suas última passagem por território pernambucano, a presidente Dilma Rousseff (PT) aterrissa hoje no Estado para cumprir duas agendas públicas e enfrentar um novo "cara a cara" com o governador Eduardo Campos (PSB), seu possível concorrente na disputa pela Presidência da República, em 2014. O clima político, porém, tende a ser menos beligerante do que o que predominou na visita da petista a Serra Talhada, no dia 25 de março. Ao longo do último mês, ela assistiu a um "freio" nas andanças do socialista pelo País e nas críticas dirigidas ao governo federal.

O desembarque da presidente no Recife está previsto para as 11h, na base aérea do aeroporto dos Guararapes, onde será recepcionada pelo governador. De lá, os dois seguem de helicóptero para o porto de Suape. O primeiro compromisso da petista será a cerimônia de lançamento, marcada para as 11h30, do navio "Zumbi dos Palmares", o segundo construído no Estaleiro Atlântico Sul. Ainda na condição de pré-candidata ao Palácio do Planalto, Dilma participou, ao lado do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da inauguração da primeira "cria" do estaleiro, o petroleiro batizado de "João Candido", em maio de 2010.

No evento de hoje, ela discursará em cima de um palanque diante de uma plateia formada por operários que participaram da construção da nova embarcação. O governador Eduardo Campos também terá direito à palavra. Após a cerimônia, ambos almoçam com os trabalhadores do setor naval num dos refeitórios do estaleiro e seguem, às 15h30, para prestigiar o jogo-teste entre funcionários da Arena Pernambuco. O roteiro da visita presidencial, no entanto, pode sofrer abalos caso se confirme o protesto que foi anunciado durante a semana pela União Nordestina dos Produtores da Cana (Unida). O grupo ficou insatisfeito com o anúncio "tardio" do governo federal de reajustar a subvenção concedida aos canavieiros e cogita organizar uma manifestação em frente à Arena.

Antes de assistir à partida entre os operários, a presidente irá vistoriar as instalações do estádio. Ainda não se sabe, no entanto, se ela concederá entrevista em alguma de suas duas agendas públicas. Em sua última visita, Dilma anunciou novas verbas para políticas de convivência com a seca aos municípios do semiárido, endereçou recados políticos ao governador, mas saiu sem dar declarações à imprensa. Nas duas agendas de hoje, ela será acompanhada dos ministros Fernando Bezerra Coelho (Integração Nacional), Edison Lobão (Minas e Energia), Aldo Rebelo (Esportes), Luiza Helena Barros (Igualdade Racial) e da presidente da Petrobrás, Graça Foster.

O retorno de Dilma Rousseff a Brasília está marcado para as 17h.

Fonte: Jornal do Commercio (PE)

Aécio usa televisão para se tornar mais popular

Estratégia do tucano é ficar mais conhecido no país e convencer nova classe média de que o PSBD está a seu lado

Paulo Celso Pereira

BRASÍLIA - Com os olhos voltados para as classes C e D, o senador Aécio Neves (MG) começa a estrelar esta semana a propaganda partidária nacional do PSDB. O primeiro objetivo do novo presidente do partido e pré-candidato à Presidência da República é tornar-se mais conhecido do público nacional. Pesquisas recentes mostram que cerca de 40% do eleitorado não conhecem o mineiro, situação que se agrava nas classes mais pobres e no interior do país.

A estratégia foi dividida em duas partes. Nesta semana, a partir de amanhã, Aécio começa a aparecer em pequenos comerciais de 30 segundos, conversando com pessoas comuns sobre economia doméstica. Ou seja, tratará de temas como inflação, impostos e endividamento das famílias, mas sob a perspectiva da chamada nova classe média e das famílias que ainda lutam para chegar a ela. O foco dos tucanos é minimizar duas fragilidades do PSDB: as percepções públicas de que o partido não dialoga com o povo e de que suas políticas não tratam do dia a dia da população.

A segunda parte da estratégia de comunicação aparecerá no programa partidário do dia 30. Durante dez minutos, Aécio fará uma viagem por várias cidades de Minas Gerais, mais uma vez conversando com a população e mostrando como o governo mineiro, que ele ocupou entre 2003 e 2010, ajudou a resolver problemas. A ideia é usar políticas locais como exemplos do que pode ser levado para o resto do país. Aécio só não será a única estrela tucana em São Paulo, onde o governador Geraldo Alckmin também aparecerá na propaganda. Procurado, Aécio confirmou a estratégia:

- Vamos mostrar o que o PSDB é de fato, desmistificando essa impressão de que o partido seja de elite. A partir da experiência de Minas Gerais, conseguiremos mostrar de verdade como cuidamos das pessoas.

O PSDB testou os programas com 48 grupos de entrevistados de 12 estados, sempre membros das classes B, C e D. Além de ouvi-los sobre os novos filmes, os publicitários do tucano ouviram também sua opinião sobre as recentes propagandas do PT, que exaltaram a presidente Dilma Rousseff, e do PSB, focadas no governador pernambucano Eduardo Campos.

O fato de o grupo de entrevistados não envolver a classe A deve-se aos resultados das pesquisas feitas pelo PSDB. Nelas, o candidato tucano já tem hoje intenções de voto próximas à da presidente Dilma Rousseff e, como demonstram as duas últimas eleições nacionais, este eleitorado tradicionalmente apoia os candidatos tucanos. Já a classe E é vista como a mais difícil de ser conquistada, inclusive em função da grande dependência das políticas do governo federal. Entre os mais pobres, a intenção de votos em Dilma beira os 65%.

Fonte: O Globo

Convenção anima tucanos

A convenção nacional do PSDB que alçou, no último sábado (18), o senador Aécio Neves (PSDB-MG) à presidência do partido também prestigiou tucanos de Pernambuco. Além da ida do deputado federal Sérgio Guerra (PSDB) para o comando do Instituto Teotônio Vilela (ITV), os deputados pernambucanos Bruno Araújo e Daniel Coelho assumiram funções de destaque na cúpula da legenda por indicação do presidenciável mineiro.

Ao deixar a função de líder da bancada do PSDB na Câmara Federal, Bruno Araújo conquistou espaço no grupo de seis vice-presidentes do partido. Coordenado por Alberto Goldman (PSDB-SP), o conjunto de vices, segundo o deputado, desempenhará atividades específicas dentro da legenda e não cumprirá apenas um papel protocolar. Inicialmente, o parlamentar pernambucano havia sido indicado pela bancada federal para assumir a secretaria-executiva do PSDB nacional, mas recuou para dar lugar à ala paulista do partido. "O clima dentro do PSDB é de renovação e harmonia. Aécio conseguiu incorporar todos os grupos e Pernambuco está muito bem representado", disse o tucano.

Já o deputado estadual Daniel Coelho (PSDB), ex-PV, será responsável por coordenar o setor de sustentabilidade e meio ambiente. A proposta, de acordo com ele, é construir uma plataforma unificada de políticas ambientais dentro da sigla já visando a próxima campanha presidencial. "O primeiro desafio será fazer um raio-x de tudo que tem sido feito em termos política ambiental nos oito Estados governados pelo PSDB. Em doze anos, o PT nunca apresentou nada de concreto nessa área e há espaço para fazermos do PSDB o partido com a proposta mais moderna nesse setor", garante. A deputada estadual Terezinha Nunes (PSDB) garantiu o posto de suplente na Executiva nacional da legenda. (D.D.).

Fonte: Jornal do Commercio (PE)

Política? - Aécio Neves

Começo a semana diferente, com a responsabilidade de dirigir o maior partido de oposição do Brasil.

Ninguém desconhece as enormes dificuldades da representação política no país. Embalado pela profusão de cerca de três dezenas de legendas e pela lógica do modelo de governança de coalizão, o quadro partidário é anêmico: sofre de forte descrédito, movido por denúncias graves de apropriação e manejo indevido de recursos e um sem-número de outras incongruências.

Faltam nitidez programática e posicionamento. No lugar das ideias, prevalece a sobrevivência eleitoral, à reboque de alianças contraditórias. Algumas inexplicáveis.

O aliciamento político, a partilha de cargos e os interesses em extensas áreas da administração pública enfraqueceram o debate nacional e tornaram o exercício do contraditório cada vez mais raro, quase uma excentricidade. Para impedi-lo, lança-se mão do expediente de tentar transmudar cobranças legítimas, críticas e questionamentos em antipatriotismo, como se governo e país fossem um só.

A política de alianças e a composição de uma base congressual extensa e heterogênea, como a atual, só se justificam quando se constituem em ferramenta política para fazer mudanças estruturais necessárias, enfrentar corporativismos ou garantir viabilidade de reformas. É o preço que se paga para fazer o que precisa ser feito, o que, muitas vezes, requer medidas impopulares, que deveriam superar a conveniência da hora ou das urnas futuras.

O descrédito com a atividade política se amplia mais com o descompasso existente no país entre promessa e compromisso. O que, em política, deveria ser sinônimo, na prática são termos que não guardam nenhuma relação entre si.

Recordo, uma vez mais, apenas um dentre inúmeros exemplos, a promessa não cumprida da presidente da República na campanha de 2010 de desonerar as empresas de saneamento como forma de acelerar os investimentos na área.

Temos governos que não se sentem obrigados a cumprir o que pactuaram com a população nas urnas e uma população que, já amortecida por sucessivas frustrações, parece achar isso natural, a ponto de abrir mão de justas cobranças.

E, com isso, reveste de triste verdade a famosa frase de Apparício Torelly, o Barão de Itararé, adaptada à política: de onde menos se espera, daí mesmo é que não sai nada

Nesse ambiente de descrédito, onde todos perdem, os partidos precisam retomar a responsabilidade que lhes cabe na representação da sociedade.

Para nós, do PSDB, uma das principais tarefas nesse campo tem sido buscar formas de impedir que a política perca, aos olhos da população, a sua legitimidade como instrumento transformador da realidade.

Aécio Neves, senador e presidente nacional do PSDB

Fonte: Folha de S. Paulo

Nossos projetos e a unidade das oposições - José Serra

Dias atrás, o ex-presidente Lula disse em Porto Alegre que nós, da oposição, não temos projeto para o Brasil. Ele está, obviamente, enganado.

Temos, sim, o projeto de tirar o Brasil da estagnação econômica que o petismo provocou. Sabemos como fazê-lo. Temos, sim, o projeto de defender a democracia brasileira da sanha autoritária do PT.

É por isso que apesar de espalharem que nós não somos de nada, morrem de medo de nós.

1. Após uma década no poder, está ficando cada vez mais claro: o PT se mostrou incapaz de construir uma economia que possa crescer de maneira sustentada.

Ao contrário, ao final do decênio petista, a realidade é outra: baixo investimento, obras cada vez mais lentas e mais caras, déficit externo crescente, subida da inflação, responsabilidade fiscal em risco, deterioração da infraestrutura, perda de competitividade, desindustrialização.

Hoje, graças aos governos do PT fincamos, firmes, os pés na posição de lanterninhas entre os chamados BRICS, as grandes economias emergentes.

Mas não é só a economia. Temos, sim, o projeto de tirar a saúde da paralisia de projetos.

Aí está a população toda reclamando, as Santas Casas agonizando, a União encolhendo sua participação nas despesas e despejando a angústia para estados e municípios.

Temos, sim, o projeto de retirar a educação do âmbito da conversa mole, que consome muito dinheiro e compromete o futuro das nossas crianças e dos nossos jovens.

2. O PSDB tem a missão de contribuir para aglutinar e organizar o conjunto das forças sociais e políticas da resistência democrática.

Após uma década no poder, o PT se julga em condições de avançar no autoritarismo. Quer o financiamento público de campanhas eleitorais para dar ao partido do governo uma vantagem definitiva nas eleições futuras.

Quer submeter o Supremo Tribunal Federal à maioria governista do Congresso Nacional. Quer fechar o acesso dos novos partidos ao fundo partidário e ao tempo de rádio e televisão. Quer impedir o Ministério Público de investigar.

Quer esmagar os prefeitos e governadores que não rezarem pela sua cartilha. Quer calar a imprensa.

Temos, sim, o projeto de defender a democracia, a liberdade, a independência dos poderes, e a decência na vida pública, transformada num verdadeiro mercado persa de favores e “malfeitos”.

O Estado brasileiro foi de fato capturado por grupos centrados no PT e privatizado em seu benefício. Os órgãos governamentais são tomados de assalto. É a pior privatização que poderia acontecer. por isso mesmo um dos nossos grandes projetos será o de desprivatizar o Estado brasileiro.

Tivesse o PT oferecido soluções para os graves problemas estruturais do Brasil, poderia perfeitamente pleitear a continuidade num ambiente de disputa democrática.

Mas não! Como sabem que estão em dívida com o povo e o país, flertam com o autoritarismo, para não serem removidos do poder.

3. Temos a missão de construir e fortalecer a resistência a esse bloco antidemocrático, que representa vanguarda do atraso no Brasil.

Vamos aglutinar o máximo de forças capazes de resistir a esse projeto e derrotá-lo. Vamos buscar a convergência. Não apenas no PSDB, mas com todos que estejam dispostos a marchar na defesa da decência, da liberdade, do progresso e da justiça.

4. Quem não tem projeto para o Brasil é o PT. Jogaram no lixo – e isso até foi bom – o seu programa original e vagam pelo supermercado das ideias, catando-as a esmo, de gôndola em gôndola.

Das nossas, algumas foram aproveitadas, mas, pouco a pouco, desfiguradas. Basta se lembrar da perversão das agências reguladoras. Das privatizações atropeladas e incompetentes, eles que tanto as demonizaram. 

Aliás, algumas privatizações do PT matam, como comprovam as precárias estradas federais.

E as novas explorações do petróleo? Ficaram paradas durante cinco anos, e, no final, foram retomadas dentro do modelo de antes, do tempo do Fernando Henrique.

Temos um governo que, na verdade, transforma facilidades em dificuldades. Em vez de transformar dificuldades em soluções, o governo que aí está faz o contrário: transforma as soluções em problemas. Um governo que passou dois anos perplexo diante da herança recebida do governo Lula, e gasta seus outros dois anos fazendo campanha eleitoral.

5. Eu venho de longe, já vi muita água passar embaixo da ponte, no Brasil e fora dele. O golpe de 1964 me levou a ser condenado à prisão e ao exílio, aos 22 anos de idade. O golpe no Chile me tornou exilado ao quadrado.

As dificuldades as mais extremas nunca me assustaram. Não seriam as regras do regime democrático a me constranger. Lutarei, como sempre, com clareza, com lealdade, sem ambiguidades ou palavras de sentido impreciso. Porque esse é meu estilo.

Não tenho porta-vozes. Não tenho intermediários. Não tenho intérpretes. Quem quiser saber o que penso tem só uma fonte confiável: eu mesmo. E conto com lealdade recíproca.

Nas grandes decisões que já tomei na vida pública, nunca pus, não ponho e não porei as paixões à frente da razão. Com os olhos em 2014 e no futuro do Brasil, continuarei a atuar em favor da unidade das oposições e de quantos entendam que é chegada a hora de dar um basta à incompetência orgulhosa.

6. Partidos, muitas vezes, buscam eleitores. Hoje, há milhões de eleitores em busca de um partido, ou de partidos, que possam vocalizar os seus anseios por justiça social, sim, mas também por decência e vergonha na cara. Porque essas coisas não são incompatíveis.

Os que estamos aqui hoje, estaremos, com absoluta certeza, do mesmo lado em 2014. Os que estão aqui, afinal, escolheram um lado:

- o lado da justiça social com crescimento, porque a justiça social sem crescimento significa democratização da pobreza. E nós precisamos é democratizar a riqueza.

- o lado da justiça social com democracia, porque a justiça social sem democracia é só uma fraude política que tenta criar uma ditadura virtuosa, e isso não existe.

- o lado da justiça social com estado de direito, porque a justiça social sem o estado de direito é só a guerra de todos contra todos.

Trechos do discurso feito na Convenção Nacional do PSDB, em Brasília – 18/05/2013

O sorriso de Renan (e o de Dilma) - Denise Rothenburg

Enquanto o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha, vislumbra crise atrás de crise para o governo Dilma Rousseff, no Senado, ela pode se preparar para uma boa temporada, semelhante à que obteve na semana passada para aprovar a Medida Provisória dos Portos. O motivo de tanto apoio é proporcional à quantidade de pré-candidatos a governador de olho na presença dela e de Lula no palanque estadual em 2014. Se não para o próprio senador, para algum aliado dele.

A lista de candidatos ainda não está fechada, mas há nomes certos, a começar pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, do PMDB de Alagoas. Dois dias antes da votação, um senador comentava que ele não tinha outra alternativa senão votar a MP dos Portos. Afinal, era o tema de maior relevância para a popular presidente Dilma Rousseff e um candidato a governador não poderia desprezar essa ajuda ao governo.

Renan ou será candidato a governador de Alagoas ou lançará o deputado federal Renan Filho, seu primogênito. Hoje, a perspectiva é de Renan concorrer ao governo estadual, mas não se pode desconsiderar que a tentadora possibilidade de disputar a reeleição no Senado resulte numa mudança de planos. Independentemente do que ele decidir, o apoio do governo federal ao palanque dos Calheiros está fechado desde já.

O rol de senadores candidatos inclui ainda o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira, do Ceará. Ele hoje tem um corredor estreito para encorpar sua pré-candidatura. O desejo do governador Cid Gomes é lançar um candidato da sua confiança — especula-se, inclusive, o nome do Secretario Especial de Portos, Leônidas Cristino. E o do PT, bem, o do PT sempre é o de lançar um nome da sua própria lavra. Isso só muda quando o partido tem a vice e com ela a perspectiva de ficar com o cargo no futuro.

No Ceará, o PT ainda não definiu o que fazer, uma vez que Cid Gomes também aguarda os movimentos do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, para desenhar o seu tabuleiro estadual. Com os dois parados, Eunício tem optado por ajudar o governo, de olho no apoio que pode receber dos petistas logo ali na frente, caso Eduardo Campos seja candidato a presidente da República. Dois dias antes da votação da MP dos Portos, o senador cearense avisava a seus liderados aliados ao Planalto que, se a medida provisória chegasse ao Senado antes da meia-noite de quinta-feira, seria votada e a perspectiva era de aprovação.

O quadro de pré-candidatos a governador no PMDB tem ainda o líder do governo, Eduardo Braga, do Amazonas. Com o atual chefe do estado, Omar Aziz, fora do páreo, Braga planeja uma pré-candidatura de forma a não perder terreno para os adversários. Na eleição para prefeito de Manaus, o PMDB apoiou a candidatura da senadora Vanessa Grazziotin, do PCdoB, e terminou perdendo para o PSDB do senador Arthur Virgílio Neto. Se prosseguir com a candidatura, Braga não perderá nem mesmo o mandato de senador, uma vez que a primeira suplente é a mulher dele, Sandra Backsmann Braga.

Enquanto isso, na Câmara...

Essas candidaturas ajudam a explicar a ajuda crucial que o governo recebeu da maioria dos senadores do PMDB, em especial de Renan Calheiros, para aprovar a MP dos Portos em menos de 24 horas, sem dar aos integrantes daquela Casa nem sequer tempo de entender o que havia saído da Câmara. A atitude de Renan, diametralmente oposta à dos peemedebistas na Câmara, foi registrada no Planalto como um alento. Não por acaso, a presidente Dilma era toda sorrisos com o aliado no fim de semana, durante a inauguração do estádio Mané Garrincha em Brasília.

Para os deputados do PMDB, entretanto, o semblante de Dilma se manterá fechado. E ainda não há a menor perspectiva de tudo voltar ao normal. Até porque a presidente acha que, como na semana passada, conseguirá vencer os congressistas pelo cansaço. Se continuar assim, talvez, Eduardo Cunha esteja certo: será crise atrás de crise. Só não piora porque os senadores servem de rede, antes de os projetos do governo atingirem o solo. Mais um sinal de que Lula estava certo quando orientou o PT a priorizar a eleição de senadores em 2010. Afinal, depois da derrota a CPMF em 2007, ele disse que não perderia mais nenhuma batalha por ali. Realmente, quando o assunto é importante, senadores não faltam ao governo. E, assim, o Congresso já tem até apelido: Casa do morde-assopra. O que Cunha morde, Renan assopra.

Fonte: Correio Braziliense

Uma aberração - Ricardo Noblat

Nunca foi tão difícil ser oposição ao maior canalha deste país. - Marconi Perillo, PSDB, governador de Goiás, sobre Lula

Tarde da noite da última terça-feira, Renan Calheiros (PMDB-AL) conversava com amigos na residência oficial do presidente do Senado, no Lago Sul, em Brasília, e ainda atendia ou disparava telefonemas. Àquela altura parecia convencido em definitivo de que só lhe restava a opção de empurrar goela abaixo do Senado a Medida Provisória 595, que estabelece um novo marco regulatório para o setor portuário.

VEZ POR OUTRA porém, interessado em sondar o estado de ânimo do seu interlocutor , comentava como se ainda hesitasse sobre o que fazer: “Se eu rasgar o acordo, estarei expondo o Senado à desmoralização”. Havia um acordo firmado em 2003 pelos líderes de todos os partidos sob as bênçãos do então presidente do Senado, José Sarney. Qualquer Medida Provisória só seria aprovada ali depois de pelo menos duas sessões de discussão.

SEM TRUQUES, duas sessões equivalem a dois dias. Não é o suficiente para que se examinem assuntos complexos e que envolvam muitos e poderosos interesses. Mesmo assim é melhor do que votar no escuro. Medida Provisória é instrumento por meio do qual o presidente da República legisla e obriga o Congresso a agir com rapidez. Ela entra em vigor de imediato . Cabe ao Congresso referendá-la ou não.

O ACORDO DE 2003 fora quebrado uma semana antes para a aprovação de medidas que beneficiariam os inscritos no Bolsa Família. “A oposição não pode ficar contra os pobres”, argumentou José Agripino Maia (DEM -RN). Os líder es de todos os partidos concordaram. E os do PMDB e do governo se apressaram em garantir: “Isso jamais significará a abertura de prece-dente”. O acordo só seria quebrado daquela vez.

NADA MAIS FALSO. Mais falso somente o ar de pesar de Renan quando, perto do meio-dia da quinta-feira, duas horas depois de a Câmara dos Deputados ter encerrado a votação da Medida Provisória 595, e as 12 horas do fim do prazo para que ela caducasse se não fosse votada pelo Senado, ele disse como se sua palavra valesse de fato alguma coisa: “Esta será a última vez que sob a minha presidência procede-remos assim ”.

VOCÊ COMPACTUARIA com algo que julgasse de público uma “aberração”? No Dicionário do Aurélio , aberração que dizer anomalia, distorção, desatino . E com algo simplesmente “deplorável”, você compactuaria? Deplorável é igual a detestável, lamentável, abominável. Só mais uma: e com algo “constrangedor”? Constranger tem a ver com tolher a liberdade, coagir , violentar , compelir , obrigar pela força.

FOI RENAN que chamou de “aberração” o ato de o Senado votar o novo marco regulatório dos portos sem discuti-lo pelo tempo necessário. Foi Renan que tachou de “deplorável” o que ele mesmo se dispôs a patrocinar . Por fim, foi Renan que reconheceu o “constrangimento ” do Senado em se comportar não como manda a lei, mas como queria a presidente da República. O Senado rendeu-se e covardemente abdicou dos seus poderes. Por que o fez?

POUCOS, ENTRE os 81 senadores, são homens decentes. A política corrompeu-se, virou negócio. Sobre isso, Lula deu testemunho em dois momentos — há 30 anos, quando acusou o Congresso de abrigar 300 picaretas; e há uma semana, ao falar aos moços: “O político ideal que vocês desejam, aquele cara sabido, aquele cara probo, irretocável do ponto de vista do comportamento ético e moral, aquele político que a imprensa vende que existe, mas que não existe... ” E completou: “Quem sabe esteja dentro de vocês”. Porque dentro dele também não está.

Fonte: O Globo

Riscos da vitória - Valdo Cruz

Na base do sufoco, o governo Dilma demonstrou força e ganhou a batalha da votação da MP dos Portos. Agora, terá de administrar os riscos gerados pela vitória.

O primeiro deles reside dentro do próprio Palácio do Planalto. Há uma tentação de usar a vitória para sancionar um modelo de articulação política que mostrou falhas durante boa parte do processo.

O governo avalia, por exemplo, que o resultado fragilizou a visão de que o PMDB é imprescindível para suas disputas na Câmara. Em várias votações da MP, o partido ficou contra o Planalto, mas perdeu.

Na questão atual, análise correta. Dilma derrotou o PMDB do líder Eduardo Cunha. Em futuras, como CPIs, pode não ser. Uma aliança entre peemedebistas e oposição tende a ser fatal para o governo.

Daí que fechar os olhos para os erros políticos não é prudente. Melhor não reagir com o fígado e discutir já a relação com a base aliada.

O segundo risco foi o preço da votação-relâmpago da MP no Senado, que ali chegou a horas de perder validade. Presidente da Casa, Renan Calheiros avisou o Planalto que aprovaria o texto, mas teria de fazer concessões à oposição.

Resultado: MPs devem cair em breve no Senado, pois o compromisso é não mais votá-las caso cheguem com prazo de vencimento inferior a sete dias. O ritmo lerdo da Câmara e a desarticulação governista podem tornar isso frequente.

O terceiro risco está em gestação. Cresce o apoio na Câmara à proposta de tornar obrigatória a liberação das emendas parlamentares, pelas quais congressistas enviam dinheiro para suas bases eleitorais.

Reação à tática governista de bloquear essa grana e soltá-la na véspera de votações importantes, como voltou a ocorrer na MP dos Portos.

No governo, há quem releve tais ameaças no ar. Afinal, nada de vital deve ser enviado ao Congresso a partir de agora. A conferir. Brincar com fogo costuma ser perigoso.

Fonte: Folha de S. Paulo

O poder da compra - José Roberto de Toledo

A renovação da cúpula do PSDB é uma volta à era FHC. Aécio Neves quer dar a Fernando o que é de Henrique. Convencer o eleitor de que o salto do Brasil foi dado quando os tucanos mandavam em Pindorama. Méritos à parte, é muita fé no marketing político.

Quando o PT chegou ao poder, o fogão estava universalizado no Brasil: 98% dos brasileiros tinham. Foi um feito da era tucana. Outros itens de consumo doméstico estavam à beira da universalização. A televisão atingia a casa de 90% dos brasileiros, e a geladeira era usada por 86%. Sob a dupla Lula-Dilma, suas taxas chegaram a 97% e a 96%, respectivamente.

Por que, então, a maioria dos eleitores teima em creditar aos presidentes petistas o seu salto de consumo? Não foram 11% a mais de posse de geladeira que impulsionaram o triplo mortal carpado do petismo. Talvez seja a máquina de lavar roupa: 52% de aumento sob o PT. Mas ainda está fora do alcance de metade dos brasileiros - e não é "o" sonho de consumo da metade masculina.

Então foram os telefones, especialmente os celulares. Pulularam das mãos e ouvidos de 61% para 91% dos eleitores brasileiros. Praticamente só quem ganha menos de dois salários mínimos não tem um aparelho em casa ou no bolso? Mas a privatização que possibilitou esse avanço foi no governo tucano. O consumidor não pode sertão mal-agradecido. Há de ser outra coisa.

A internet! Só pode ser a internet. Tudo, hoje, é culpa da internet. Nenhum bem ou serviço avançou mais desde que o PT é governo: cresceu 200% a posse de computador em casa e 241% a conexão domiciliar ao mundo digital. De cada 10 casas, 4 estão ligadas à rede mundial de computadores e a proporção cresce 30% ao ano. De casa ou do trabalho, meio Brasil está conectado.

Mas essa é uma tendência mundial, conseqüência dos avanços e do barateamento da tecnologia. O governo petista lançou um programa ainda imberbe de banda larga popular. Deu sorte. Também.

No pós-guerra, a universalização dos bens de consumo de massa garantiu prosperidade aos EUA por três décadas. Quando o mercado saturou, mudou-se a estratégia. Em vez de mais do mesmo para todos, veio a diferenciação pelo consumo, o culto ao status pessoal via personalização dos produtos. Todo mundo quer ser diferenciado, não pelo que é, mas pelo que aparenta ter.

O PT chegou ao poder antes do auge da massificação do consumo no Brasil. Associou sua imagem à universalização muito mais do que os tucanos, que perderam o bonde no meio do processo. Os neoconsumidores sufragam o PT na urna para defender seu novo status quo, não a conversa ideológica do partido. Contra isso, recontar a história pode ser justo, mas é irrelevante.

É Carnaval! Mais arrastada do que guarda-roupa em mudança, a votação da MP dos Portos foi um desfile de alegorias políticas brasilienses: batalha de confete entre blocos privados, desarmonia partidária, ala dos oportunistas - tudo ao custoso ritmo da bateria de cooptação governista. Carnaval de verbas e verbos.

É o cenário perfeito para um passista como o líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), exercitar seu bailado. Termina aplaudido pelos figurantes por saber arrancar do governo mais do que o governante está disposto a dar. Valoriza o voto do baixo clero da Câmara e posa de mestre-sala.

Cunha só baila porque o governo toca. Ele já dançou o minueto ao som de presidentes como Fernando Collor e governadores como Sérgio Cabral e Anthony Garotinho (com quem trocou impropérios outro dia). Dilma Rousseff é a maestrina da vez.

Se quiser, como se propala, acabar com a festa de Cunha, a presidente vai ter que parar a música - aí, ainda mais foliões vão reclamar. Contra a penitência, ameaçam com abstinência de votos.

Dilma está descobrindo que, em Brasília, Momo reina o ano inteiro e a Quaresma termina em fevereiro.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Agruras do presidencialismo - Paulo Brossard

Até ingressar na magistratura e desquitar-me da atividade partidária, que exerci desde estudante, durante 40 anos, tive ensejo de conhecer perfis, almas, procedimentos relativos a candidatos que, em sua variedade, iam do ridículo ao heroico, do paspalho ao astuto, do grotesco ao falso, do honrado desambicioso leal, em uma palavra, exemplar, um arco de variadas cores. E, diante de tal riqueza, sempre eu perguntei como essa personagem não fora aproveitada como figura central de um romance preparado por um escritor de talento, a revelar a multiplicidade e riqueza, a pequenez e a grandeza dessa figura, capaz de mostrar uma parcela da inacabável variedade do ser humano.

Essa observação me veio à tona ao verificar as mutações que a senhora presidente vem revelando, pelo menos em sua personalidade pública, desde que feita candidata à reeleição. Não me aventurando à exegese do fenômeno, fico apenas em seu registro. Lembro apenas que correu a versão segundo a qual seria pessoa de personalidade forte ou marcante, quiçá autoritária, senão durona, qualidade que deixou entrever, embora com cuidado, ao enfrentar indivíduos colocados em postos de relevo em seu governo, seria o tempo da "faxina" que, aliás, teve a duração das rosas; e depois da metamorfose ocorrida, pelo menos na imagem pública da atual candidata, a durona chegou até à ressurreição de um ou outro faxinado.

Como é óbvio, não possuo nenhum laboratório apto a selecionar e sancionar a qualidade, louvável ou não, desta ou daquela situação concreta, imputável à cabeça do governo; limito-me a acompanhar o que a imprensa divulga, para ficar no mais acessível ou simples instrumento de divulgação dos fenômenos diários na imensa congérie de fatores que dia a dia é distribuída a milhares de pessoas, que os digere ou ignora.

Para ilustrar o que me parece útil mostrar, reproduzo um dado que, sem ser monumental, é revelador de sua inerente relevância. Repito o que foi divulgado: a inadimplência do consumidor patina e recua em ritmo lento nos últimos meses, porque a disparada da inflação acabou achatando a renda das famílias, especialmente as mais pobres e que gastam mais com alimentos. Para manter o padrão de consumo, a saída encontrada pelas famílias foi assumir novas dívidas. Isso amplia o risco de inadimplência futura num cenário de alta da taxa de juros.

Pretendia mostrar alguns dados dessa realidade, mas fato novo me leva a mudar o tema. A notícia do dia é relativa à aprovação da MP dos Portos após 50 horas de confronto. Não tenho elementos para pronunciar-me acerca do merecimento de cada uma das posições, e a matéria é de particular seriedade e de longa data o setor se constituiu em um feudo. A senhora presidente, que tem o apoio de 18 ou 19 siglas, não conseguiu aprovar a MP como queria e só mediante concessões e depois de esforços desmedidos. É natural que o governo conte com o apoio dos partidos que nele tem participação, como também é natural que o governo não se submeta pura e simplesmente à maioria que o prestigia. Deve haver determinado equilíbrio. Nos tempos da Arena, "o maior partido do Ocidente", na expressão do antigo presidente da agremiação, aprovou tudo e resultou que nunca mais veio a ser "o maior partido do Ocidente"; trocou até de nome e de nada adiantou. Fala-se agora na "quebra da base aliada", quando se poderia denominar de fatalidade inerente ao sistema presidencial, concebido quando as instituições democráticas engatinhavam.

*Jurista, ministro aposentado do STF

Fonte: Zero Hora (RS)

Nem Eduardo, nem Marina - Renato Janine Ribeiro

Não entram aqui minhas simpatias pessoais. Mas, à fria análise, parece que, no ano que vem, a Presidência da República irá para o PT e o PSDB, sem chances para outros pretendentes. Isso pela simples razão de que só esses dois partidos se prepararam para governar o país, para exercer a hegemonia em nossa política.

Proponho sair da pequena crônica, que beira a fofoca. Sim, está difícil Marina obter as 500 mil assinaturas que viabilizariam seu partido, a Rede. Sim, interessa ao governo dificultar sua criação, e à oposição facilitá-la. Sim, o governo não quer que novos partidos ampliem seu horário na televisão, e a oposição o quer. Sim, para 2014 palanques nos Estados e minutos na TV valem muito. Sim, Eduardo Campos e Marina Silva são nomes que abrilhantam qualquer disputa eleitoral.

Mas nenhum deles representa, hoje, um projeto articulado para o Brasil.

Construir uma hegemonia política não é trivial. (Aprendi a usar esta expressão, "não é trivial", com os cientistas. Ela não quer dizer só o óbvio - que é algo difícil, exigente e que sai do usual. Quer dizer, também, algo que faz brilharem seus olhos, que eles desejam, em que apostam as fichas). O PSDB e o PT têm anos de estrada nesta tarefa. Suas trajetórias foram distintas, mas ambos dispõem de algo importante: capilaridade. Estão representados no Brasil inteiro. Têm militantes e simpatizantes em todos os municípios. Eventualmente, podem atuar por procuração, por partidos interpostos. O PMDB gaúcho já ocupou o lugar que seria o dos tucanos no Rio Grande do Sul. O antigo PFL ajudava o PSDB a captar votos à direita. Por sua vez, o PT conta com o PCdoB e outros pequenos partidos de esquerda, e contou com o apoio ou a intermediação do PSB para aumentar seus eleitores. Mas a liderança dos dois partidos que nos deram os três mais recentes presidentes da República é inconteste.

É claro que aí alguém perguntará: e o PMDB? Está em toda a parte. Sua capilaridade é a mais longeva que temos. Mas não basta deitar raízes pelo Brasil inteiro. É preciso - além disso - ter propostas. Os dois partidos hegemônicos têm o que dizer, concretamente, a qualquer grupo social ou político do País. Outros, não. Podem usar seus votos populares e suas bancadas para negociar o poder. Não conseguem, porém, disputá-lo. O PMDB é o gigante de nossos pequenos partidos. Tem capilaridade porque renunciou a ter projeto - ao contrário de PT e PSDB que, sem projetos, perderiam os cabelos. Nossa política se assenta neste sábio tripé: dois partidos amplos com projetos, que disputam o poder, mais um partido amplo sem projeto e que dá governabilidade ao vitorioso.

A construção dos dois partidos tomou tempo. O PT foi mais demorado. Nasceu em 1981, começou com poucos deputados, em 1989 já disputava a presidência da República mas só chegou a essa esfera de poder aos 21 anos, em 2002. O PSDB foi mais rápido. Criado em 1988, em 1994 já elegia o presidente do Brasil. Compreende-se. O Partido dos Trabalhadores representava uma iniciativa diferente, praticamente inédita, até em termos mundiais: quantos são, hoje, os grandes partidos trabalhistas, empenhados em mudanças sociais maiores e que não sejam marxistas? O Labour Party britânico se moderou, o Partido do Congresso indiano não é essencialmente dos trabalhadores. Num país conservador, em que nos primeiros anos da Nova República eram frequentes crimes contra trabalhadores do campo, o PT teve uma dura missão. Ainda mais porque o PSDB dava todos os sinais de que sempre venceria, em capilaridade, o PT. Era surpreendente como, no governo FHC, o partido do governo tinha um discurso, um projeto para praticamente cada grupo social - enquanto o PT falava a poucos, dos inúmeros setores em que se divide a sociedade. Hoje, parece que se inverteu a situação. O melhor exemplo disso é a recente cooptação do campeão da pequena empresa, velho adversário do PT, parceiro dos tucanos no governo do Estado mais rico do país, pelo governo federal. Um ano atrás, por sinal, eu dizia nesta coluna que o empreendedorismo, que deveria ser uma causa importante de um novo liberalismo, estava em mãos do PT. Pois é. Um novel aliado do PT vai lidar com o projeto de espirito empreendedor para todos. O desafio de Aécio é recuperar a capilaridade, com proposta, que o PSDB teve, em tempos de Fernando Henrique.

Há riscos num presidente sem partido forte, sem capilaridade? Collor que o diga; ou melhor, o Brasil, que viveu os resultados negativos de sua eleição. Foi um pleito solteiro, em que o desconhecido governador de Alagoas pôde aparecer em sucessivos programas eleitorais e granjear, do nada, grande popularidade. Hoje, já não há eleição solteira. Elas se dão em dois lotes, um presidencial-estadual, outro municipal. Não há como disputar a presidência sem se aliar a candidatos ao Congresso e aos governos estaduais. Isso requer capilaridade. Isso fortalece as instituições. Podemos ter um sistema eleitoral difuso e até confuso, mas ele restringe a disputa presidencial a quem tenha, se vitorioso, condições de governar. O que não está errado. Pois, sem alianças políticas, sem parceiros claros na sociedade, como se há de governar? É essa a dificuldade de Eduardo Campos e Marina Silva. A diferença, hoje, é que essa dificuldade, em vez de prejudicar o futuro governo de um deles, já prejudica suas candidaturas. Estar bem espalhado pelo país e ter o que dizer ao país todo. Ter cabelos longos (e ideias também longas) é condição para se eleger, não só para governar. Precisarão ainda comer muito feijão, Eduardo e Marina, para se tornarem competitivos.

Renato Janine Ribeiro é professor titular de ética e filosofia política na Universidade de São Paulo.

Fonte: Valor Econômico

Samba de uma nota só - Amir Khair

O que inviabiliza o sucesso da política econômica é o fantasma da inflação. Vitimou a política econômica na fase FHC, não deixou aproveitar melhor o surto de crescimento internacional de 2004 a 2008 na fase Lula, frustrou o crescimento na primeira metade da fase Dilma e ameaça sua última metade.

É o medo que domina o governo de que a inflação se eleve e saia do controle, com a volta da hiperinflação ocorrida até 1994.

A inflação atinge a todos, reduzindo o poder de compra, e é mais cruel para as camadas de menor renda, que têm menos condições de se defender da alta de preços.

Portanto, seu enfrentamento é prioridade de qualquer governo. Mas como enfrentá-la?

A falsa solução. O pensamento dominante é o uso da Selic como o remédio para conter a inflação, mesmo sendo hoje a mais alta do mundo junto com a Índia e, se ocorrer nova elevação, quando nenhum país aumenta juros desde setembro, essa aberração será maior. A pesada conta desse aumento é paga pelo contribuinte.

Existem políticas adequadas para enfrentar a inflação, como: a) a desoneração de produtos de consumo popular; b) redução e controle dos preços monitorados pelo governo; c) encarecimento do crédito por medidas macroprudenciais; d) estímulos à oferta por empréstimos com melhores condições e; e) controle de preços dos insumos no início das cadeias produtivas.

É mais provável que uma elevação da taxa Selic prejudique mais a oferta do que a demanda, pois onera as empresas no custo financeiro e no capital de giro, o que pressiona preços, e não mexe na demanda, pois o alto spread bancário anula a eficácia da política monetária, fazendo com que a alteração da Selic pouco efeito tenha sobre a taxa de juro da economia, a do tomador.

Outro argumento usado é que o Banco Central (BC), ao usar a Selic, orienta as expectativas dos agentes econômicos para a fixação dos preços. Esse argumento perde força ante a prática consolidada de que as expectativas são formadas pelo comportamento da inflação passada.

Além disso, segundo o BC, uma alteração da Selic leva de seis meses a um ano para surtir efeito. Nesse período, tanta coisa pode acontecer que torna impossível caracterizar o eventual efeito, especialmente quando se considera, como mencionado, o elevado spread bancário.

Determinantes do IPCA. Estatisticamente, a inflação medida pelo IPCA pode ser obtida pela expressão: IPCA= 36% C + 40% N + 25% M, onde: "C" são os itens comercializáveis, "N" os não comercializáveis e "M" os monitorados pelo governo. Vamos a eles.

Comercializáveis. São todos os bens sujeitos à concorrência externa. A evolução dos seus preços depende do mercado internacional, que desde a crise de 2008 passa por acirrada concorrência. Nos últimos dois anos, esses preços ficaram no centro da meta de inflação, de 4,5%. Há de reparar que, desde meados do ano passado, o IPCA sem os alimentos gira por volta de 4% (!), abaixo, portanto, do centro da meta.

O vilão são os alimentos in natura, que cresceram nos últimos doze meses 55% (!), quando nos doze meses encerrados em março do ano passado tinham tido deflação de 5,3% (!).

Não comercializáveis. Os serviços integram majoritariamente esse grupo e não estão sujeitos à concorrência externa. De 1997 até 2004 evoluíram abaixo da inflação, com média anual de 4,7%. Apartir de 2005, passaram a ser o vilão da inflação, com crescimento médio anual de 6,8%. A razão é maior demanda que oferta de serviços pelo acelerado crescimento da classe C.

Para conter os preços no curto prazo, alguns, inclusive economistas não ortodoxos, defendem a política suicida de elevar o desemprego. Lamentável! Se aumentar o desemprego, o resultado seria certamente a estagnação, com graves repercussões sociais.

Enquanto não aumentar a oferta de serviços, atraída pela procura em expansão, não será possível evoluir os preços dos não comercializáveis abaixo do centro da meta de inflação.

Monitorados. Esses preços evoluíram acima da inflação desde 1995 até 2006, com média anual de 13,9% (!). A sociedade teve de aguentar isso, que é um subproduto da privatização malfeita, com elevação forte de tarifas.

Naquele período, os preços monitorados foram o vilão da inflação. A partir de 2007 tiveram crescimento médio anual de 3,8%, agindo como freio à inflação. O que mais contribuiu para isso foi a Petrobrás, sacrificada para conter a inflação, subsidiando os preços dos combustíveis.

Com isso, o governo fragilizou a empresa, ignorando seus objetivos estratégicos e ainda a obrigou a compras com forte conteúdo local e participação de 30% nos investimentos em parceria no pré-sal. A crítica não é nos objetivos que foram determinados pelo governo à empresa, mas à inviabilização de atingi-los pela política desastrosa de preços imposta.

Câmbio. É, há vários anos, o principal inimigo da competitividade das empresas e responsável pelo crescente e ameaçador rombo nas contas externas. Enquanto nos países que comandam o comércio internacional há luta feroz pela desvalorização cambial de suas moedas, a qui se dorme no berço esplêndido, mantendo artificialmente valorizado o real, com medo da inflação.

Interessante observar que o produto importado procura penetrar o mercado ajustando seu preço. Assim, caso o governo resolva posicionar o câmbio em R$ 2,40, desvalorizando o atual em 20%, o exportador para o Brasil pode reduzir o preço em dólares caso tenha margem para isso. Como os preços aqui são elevados em relação a outros países, é provável que isso possa ocorrer, dada a superoferta internacional. E, nesse icaso, a inflação não ocorreria. Prova é que, em 2011, o câmbio médio foi de R$ 1,67 e a inflação, de 6,5%. Em i2012, o câmbio médio foi de R$1,96, desvalorizando 16,7%, mas a inflação, em vez de subir, caiu a 5,8%.

Controle na nascente. Creio que vale discutir e clarear os preços dos insumos praticados pelas empresas que estão no início das cadeias produtivas. Se estiverem acima do nível internacional, contaminam todos os preços da economia, geram preços mais elevados e eliminam a competitividade das empresas a jusante. Será que não está aí o problema central dos preços elevados do País? Não tenho resposta, mas vale clarear.

Caso haja preços acima do nível internacional para os insumos a montante das cadeias produtivas, medidas como desoneração desses insumos, aliada com redução/eliminação do Imposto de Importação de seus concorrentes, devem ser feitas imediatamente e, caso ainda persistam preços acima do internacional, como último recurso, o controle de preços desse insumos.

É necessário não se deixar levar pelo fantasma da inflação nem cair no falso remédio da alta da Selic. As alternativas de enfrentamento da inflação permitem melhor articulação e eficácia no seu controle, sem danos às empresas e à sociedade. É preciso usá-las e romper com o samba de uma nota só da Selic.

Fonte: O Estado de S. Paulo