sexta-feira, 6 de setembro de 2013

OPINIÃO DO DIA – Joaquim Barbosa: recursos do mensalão

A reapreciação de fatos e provas pelo mesmo órgão julgador é de todo indevida e não é acolhida pelo nosso ordenamento. A Constituição Federal e as leis brasileiras não preveem privilégios adicionais. Esta Corte já se debruçou sobre todas as minúcias do feito por quase cinco meses em 2012, e agora, em 2013, já ultrapassamos um mês de deliberação. Admitir embargos infringentes no caso seria, ao meu sentir, apenas uma forma de eternizar o feito.

Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal e relator do processo do mensalão. In “Julgamento do mensalão - STF adia decisão sobre recurso”. O Globo, 6/9/2013

Campanha pede 'Gol de Silêncio' por vítimas da ditadura no Chile

Allan Caldas

Uma campanha da Anistia Internacional no Chile promete dar o que falar nesta sexta-feira. Ou melhor, dar o que calar. Em um belíssimo spot publicitário, a entidade de proteção aos direitos humanos pede que os jogadores e torcedores chilenos troquem o grito de gol na partida contra a Venezuela pelo silêncio, em homenagem aos 12 mil presos políticos da ditadura de Augusto Pinochet que, na década de 70, passaram pelos porões do Estádio Nacional de Santiago, local do jogo das 21h30 (horário de Brasília), pela 16ª rodada das eliminatórias, que tem jogos em todo o mundo nesta sexta.

O mítico estádio chileno, palco dos principais jogos da seleção, foi usado pelo governo militar do país como prisão política e local de torturas e mortes. A campanha da Anistia Internacional marca os 40 anos do golpe de 11 de setembro de 1973, que resultou na morte do presidente eleito Salvador Allende e colocou Pinochet no poder.

- Queremos pedir a todos que no primeiro gol do jogo NÃO GRITEM. Será um gol de silêncio em memória dos que foram calados - diz um trecho da campanha #GoldeSilencio.

- Sabemos que reprimir o primeiro grito de gol é pedir muito. Mas o bom é que no segundo, vamos festejar totalmente - completa o comercial.

Com 21 pontos, o Chile está em quarto lugar nas eliminatórias, limite para a classificação direta para a Copa de 2014. A Venezuela vem em sexto, com 16, e luta para ir pela primeira vez a um Mundial.

Veja o comercial da Anistia Internacional:

STF mantém penas para condenados por quadrilha

Após quatro semanas, Supremo conclui análise de primeiro lote de recursos

Término do julgamento depende de decisão sobre validade de novas contestações; sessão será retomada na quarta

BRASÍLIA - O STF (Supremo Tribunal Federal) concluiu ontem análise do primeiro lote de recursos do maior julgamento de sua história e rejeitou a possibilidade de redução, nessa fase, da pena aplicada aos principais condenados no mensalão, entre eles o ex-ministro José Dirceu e o ex-presidente do PT José Genoino.

Ao todo, foram quatro meses e meio de julgamento no ano passado para a condenação de 25 réus. Outras quatro semanas foram necessárias, neste ano, para a apreciação do primeiro lote de recursos.

Havia a possibilidade de encerramento ontem do julgamento, já que a corte começou a analisar se é cabível ou não o segundo e último lote de recursos, que pedem novo julgamento no caso de 12 condenações por placares apertados. Os ministros, contudo, decidiram dar mais prazo para os advogados.

O presidente da corte, Joaquim Barbosa, chegou a dar voto contrário à legalidade desses recursos, chamados de "embargos infringentes", mas a sessão foi interrompida após Luís Roberto Barroso sugerir que o STF recebesse até terça memoriais dos advogados em defesa dos recursos.

A votação será retomada na quarta-feira. Se o STF rejeitar a possibilidade de novos recursos, a Procuradoria-Geral da República deve pedir a prisão imediata dos 11 condenados a regime fechado.

Presentes no regimento da corte, os "embargos infringentes" não constam de uma lei de 1990 que regula os processos no STF e no STJ (Superior Tribunal de Justiça). Por isso, para Barbosa, eles não são cabíveis no julgamento.

Com a conclusão da análise do primeiro lote de recursos, só dois condenados conseguiram reduzir penas de prisão: o ex-sócio da corretora Bônus Banval Breno Fischberg e o ex-assessor do PP João Cláudio Genu, que agora têm chance de trocar o regime semiaberto pela prestação de serviços comunitários.

Os condenados por formação de quadrilha, entre eles Dirceu, Genoino, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o operador do esquema, o empresário Marcos Valério, tinham a chance de reduzir suas penas com base em posição adotada anteontem pelo ministro Teori Zavascki.
Ele alterou os votos que tinha dado nas últimas semana, sob o argumento de que o STF acabou concordando que esse tipo de mudança é válido nessa fase do julgamento, e propôs penas que levariam à prescrição do crime. Ele só foi acompanhado por 3 dos 10 colegas, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli e Marco Aurélio Mello, o que manteve as penas previstas.

Para Lewandowski, que é revisor do processo e protagonizou vários embates com Barbosa, ao dar um peso maior ao crime de formação de quadrilha no cálculo da pena, o STF tinha o objetivo de "manter determinados réus atrás das grades".

Ao se posicionar, Toffoli fixou novas penas, mais brandas para os réus. No caso de Dirceu, a pena para formação de quadrilha cairia de 2 anos e 11 meses para 1 ano, 7 meses e 26 dias, o que levaria essa punição a estar prescrita.

Fonte: Folha de S. Paulo

Barbosa rejeita recursos, mas adia fim do mensalão

O presidente do STF, Joaquim Barbosa, rejeitou ontem pedido de condenados no processo do mensalão para que sejam julgados novamente, mas a decisão sobre a existência ou não do recurso (embargos infringentes) foi adiada para a próxima semana. Se for seguida por pelo menos outros cinco ministros, os réus, entre eles José Dirceu, não terão direito a outro julgamento e o STF poderá determinar a prisão dos condenados. Ainda não se sabe se a execução das penas se dará imediatamente após a conclusão da análise dos recursos ou se após a publicação de acórdão. Ontem, os ministros encerraram a análise dos embargos de declaração. Dos 25 condenados, apenas Breno Fischberg e João Cláudio Genu conseguiram redução de pena. José Dirceu reuniu amigos, parentes e companheiros de militância para assistir ao julgamento. O evento serviu como demonstração de solidariedade ao ex-ministro

Presidente do STF vota pela rejeição de novo julgamento para condenados

O presidente do Supremo TrIbunal Federal, Joaquim Barbosa votou ontem pela rejeição dos pedidos de realização de um novo julgamento nos casos de condenados do mensalão cujo resultado da sentença foi obtido com placar apertado. A decisão sobre a aceitação ou não dos embargos infringentes que pedem essa nova análise, foi adiada para quarta-feira que vem, quando os outros dez ministros da Corte opinarão sobre o tema.

A aceitação dos embargos infringentes é a última esperança de parte dos condenados, como o ex-ministro José Dirceu e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, de se livrar do regime fechado de prisão, que tem de ser cumprido quando a pena supera oito anos de detenção (Veja no quadro ao lado quem tem direito a esse tipo de recurso).

Após decidir sobre os embargos infringentes, o Supremo poderá determinar a prisão dos condenados. Ainda não se sabe se a execução das penas se dará imediatamente após a conclusão da análise dos recursos ou só após a publicação do acórdao - decisão do plenário por escrito - no Diário Oficial da Justiça.

Pouco sucesso. Ontem, antes de Barbosa dar seu voto sobre os embargos infringentes, os ministros do Supremo encerraram a análise dos embargos de declaração, que questionam incongruências do acórdão do julgarnento realizado entre agosto e dezembro do ano passado.

Dos 25 condenados, apenas dois conseguiram redução de penas nessa segunda fase: o então sócio da corretora Bônus Banval Breno Fischberg e o ex-assessor do PP João Cláudio Gemi. O restante, incluindo os quatro parlamentares condenados, não conseguiu reverter ou reduzir as penas impostas pelo STF.

Reafirmação. Barbosa já havia negado, em maio, em decisão individual, a possibilidade de novo julgamento. Ontem, o ministro reafirmou em plenário que uma mudança na legislação, feita em 1990, extinguiu o recurso previsto no regimento interno do STF que permitiria aos condenados pedirem uma nova chance. "Admitir embargos infringentes no caso seria uma forma de eternizar o feito", afirmou Barbosa em seu voto.

O ministro argumentou que os parlamentares têm o "privilégio" de ser julgados diretamente pelo Supremo quando acusados da prática de um crime. E sendo condenados em última instância, não precisam se submeter ao rito pelo que passam as pessoas comuns, pois não arcam com os "elevados custos financeiros, morais e psicológicos" de serem julgados por várias instâncias. "A reapreciação de fatos e provas pelo mesmo órgão julgador é de toda indevida. A Constituição e as leis não p reveem privilégios adicionais. Esta Corte já se debruçou cinco meses em 2012 e agora no segundo semestre de 2013 já ultrapassamos um mês de deliberação."

Na decisão de maio, Barbosa havia rejeitado o recurso movido pela defesa do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares.

O julgamento dos embargos infringentes foi adiado para a próxima semana por sugestão do ministro Luís Roberto Barroso. Logo após o voto de Barbosa, ele sugeriu que a sessão fosse interrompida para que todos os advogados, além dos que defendem Delúbio, pudessem apresentar ao tribunal argumentos em favor da existência dos embargos infringentes.

O tema deve dividir o plenário. Nos prognósticos feitos reservadamente pelos integrantes da Corte, o tribunal deve rejeitar a existência dos recursos.

Histórico- O escândalo do mensalão eclodiu em 2005, quando o então deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) acusou o PT de pagar mesada a integrantes da base aliada do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Câmara dos Deputados.

A acusação formal foi feita pela Procuradoria-Geral da República em 2006 e aceita, no ano seguinte, pelo Supremo.

No julgamento do ano passado, a Corte concluiu que, a mando de Dirceu, o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza operou um esquema de repasses a parlamentares para comprar votos no Congresso.

Segundo concluíram os ministros do STF, a quadrilha desviou dinheiro de contratos públicos e realizou empréstimos bancários fraudulentos para financiar o esquema com o objetivo de se "perpetuar" no poder.

Agora, não
Questionado se pretendia comentar o julgamento do mensalão, o ex-presidente Lula, que almoçou ontem com deputados petistas em São/Paulo, disse apenas: "No momento certo, vocês vão saber"

Fonte: O Estado de S. Paulo

Julgamento do mensalão - STF adia decisão sobre recurso

Os ministros do Supremo deixaram para a semana que vem a decisão sobre se aceitarão embargos infringentes, recursos que podem reabrir o julgamento para 11 condenados no mensalão que receberam ao menos quatro votos pela absolvição, entre eles o ex-ministro José Dirceu. O relator, Joaquim Barbosa, votou contra a aceitação desse recurso, mas, por sugestão do ministro Roberto Barroso, a discussão foi adiada para quarta-feira, a fim de que advogados possam apresentar seus argumentos em defesa dos embargos. Ontem, a pena de João Genu, ex-assessor do PP, foi reduzida. O deputado petista José Genoino, que se submeteu a cirurgia cardíaca, entrou na Câmara com pedido de aposentadoria por invalidez

Barbosa rejeita recurso capaz de reabrir mensalão; decisão é adiada

Advogados de 11 réus ganham prazo para defender os embargos infringentes

-BRASÍLIA- O Supremo Tribunal Federal (STF) começou a analisar ontem se aceita ou não os embargos infringentes — um tipo de recurso capaz de reabrir o julgamento do mensalão e até mudar as sentenças de 11 dos 25 condenados no mensalão. Se os ministros concordarem com esses recursos, réus como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu terão direito a uma revisão completa das provas em julgamento.

O relator do processo e presidente do tribunal, ministro Joaquim Barbosa, que já havia rejeitado esse tipo de recurso, apresentou ontem voto reafirmando que esses embargos não podem ser aceitos porque não estão previstos em lei, apenas no Regimento Interno da Corte. Mas, por sugestão do ministro Luís Roberto Barroso, a discussão foi adiada para a próxima quarta-feira. Até lá, os advogados poderão apresentar memoriais aos ministros com seus argumentos em defesa dos embargos infringentes.

— A reapreciação de fatos e provas pelo mesmo órgão julgador é de todo indevida e não é acolhida pelo nosso ordenamento. A Constituição Federal e as leis brasileiras não preveem privilégios adicionais. Esta Corte já se debruçou sobre todas as minúcias do feito por quase cinco meses em 2012, e agora, em 2013, já ultrapassamos um mês de deliberação. Admitir embargos infringentes no caso seria, ao meu sentir, apenas uma forma de eternizar o feito — disse Barbosa.

O relator argumentou que não seria possível ver uma causa julgada pela segunda vez no tribunal, O ministro lembrou que existe a revisão criminal, um tipo de recurso raramente aceito, capaz de reabrir o processo depois de concluído.

—- Todo o sistema jurídico tem uma autoridade judiciária encarregada de proferir a última decisão. No Brasil, é o STF. Fora disso, só a revisão criminal. É indevida a criação de outros meios de impugnação — disse o relator.

O voto de Barbosa foi dado nos recursos do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e de Cristiano Paz, ex-sócio de Marcos Valério. A defesa de De-lúbio argumentou que o Regimento Interno do STF prevê esse tipo de recurso para condenados que obtiveram o voto favorável de ao menos quatro dos 11 ministros, caso de 11 dos 25 réus.

Barbosa argumentou que a Lei 8.038, editada i em 1990 — portanto, depois do Regimento Interno —, não prevê esse tipo de recurso para ações penais no STF. O ministro ressaltou que vários artigos do Regimento Interno estão defasados com relação à legislação, como o que prevê votações secretas na Corte, proibidas pela Constituição.

— É nesse cenário que intervém a Lei 8.038, de 1990. A lei somente faz alusão a embargos in-fringentes para o processo civil Nos dias atuais, essa modalidade recursal é alheia ao STF quando este atua em ação penal originária.

Foi de Barroso a ideia de interromper a sessão para dar aos advogados de outros réus a chance de também opinar sobre o caso. A proposta foi aceita por todos os ministros.

Acho uma deferência legítima aos advogados dar prazo para que apresentem memoriais pelo cabimento dos embargos infringentes. É para que os embargantes tragam argumentos que não foram trazidos pelos dois réus disse Barroso.

Se os embargos infringentes forem aceitos, podem se beneficiar, além de Dirceu, o deputado João Paulo Cunha (PT-SP) o ex-presidente do PT José Genoino; o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares; o operador do mensalão, Marcos Valério, e seus ex-sócios Ramon Hollerbach e Cristiano Paz; a dona do Banco Rural, Kátia Rabello; o ex~dirigente do Rural José Roberto Salgado; o ex-assessor parlamentar João Cláudio Genu; e o doleiro Breno Fischberg. •

Fonte: O Globo

Eduardo age para conter dissidências

Rumo a 2014. Governador tenta abafar as vozes contrárias à sua candidatura ao Planalto e provoca a senadora Lídice da Mata

Carolina Albuquerque

Resolvido, por hora, o problema com o presidente do PSB do Rio de Janeiro, Alexandre Cardoso, que defendeu o apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), o governador Eduardo Campos (PSB), cotado para disputar o Planalto em 2014, age politicamente para conter as vozes dissonantes nos demais Estados, como o Ceará de Cid Gomes e a Bahia. Esta semana, a provável candidata socialista ao governo baiano, senadora Lídice da Mata (PSB) criticou uma possível aliança entre o PSB e o PSDB. O governador, ontem, em tom de recado, rebateu: "Nunca fui do PSDB. Quem já foi do PSDB no passado foi Lídice".

A referência aos tucanos vem após um encontro entre o líder socialista e o presidenciável do PSDB, senador Aécio Neves, na semana passada, no Recife. Apesar de negarem, os dois teriam selado um "pacto" de boa convivência para afinar as críticas e não atacar um ao outro. Especulações dão conta que um poderia apoiar o outro num eventual segundo turno em 2014. Entusiasta da candidatura presidencial de Eduardo, Lídice disse à imprensa baiana que "estranhou" a parceria com Aécio, tomada sem "consultar o PSB".

Evitando render a polêmica, Eduardo disse que a visita do presidenciável tucano à sua casa ocorreu de forma "civilizada". "Recebi a visita de Aécio sem nenhum problema, muito civilizada, como sempre faço. Mas desde 1984 que não estamos no mesmo palanque", disparou. Eduardo comentou, ainda, que vai esperar a senadora baiana voltar de viagem ao exterior para chamá-la para uma conversa.

Ele fez o mesmo esta semana com Alexandre Cardoso, que veio ao Recife na última terça-feira. Do prefeito de Duque de Caxias e presidente estadual do PSB do Rio de Janeiro, fundamental colégio eleitoral para o voo solo do PSB em 2014, ouviu que acatará o que o partido decidir. Isto é, pode até continuar defendendo, por hora, o apoio à candidatura do vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), apoiado pelo governador Sérgio Cabral (PMDB), mas estará com o que o PSB decidir para a eleição do próximo ano.

É nos bastidores que o governador costura o consenso nos Estados onde há divergência. A movimentação é imprescindível uma vez que o socialista precisa ter palanques estaduais fortalecidos para uma disputa presidencial. Além disso, com o prazo final do calendário eleitoral para mudança de partido e novas filiações se aproximando (5 de outubro), as conversas nos bastidores se intensificam. Eduardo deve voltar as atenções agora para o Ceará, onde o governador Cid Gomes, que defende apoio a Dilma Rousseff (PT), tem feito críticas severas à candidatura do correligionário ao Palácio do Planalto.

Fonte: Jornal do Commercio (PE)

Freire quer reforçar oposição. Candidatura a presidente será decidida no momento certo

Por: Assessoria do PPS

“Temos que manter e reforçar nossa postura oposicionista a este governo incompetente que está chegando ao seu final no Brasil”. A orientação foi dada pelo presidente nacional do Partido Popular Socialista (PPS), deputado federal Roberto Freire, durante a reunião da Executiva Nacional da legenda, que aconteceu na manhã desta quinta-feira (5), em Vitória, capital do Espírito Santo.

Freire disse que o apoio à candidatura presidencial será decidido no momento apropriado. “Cada integrante do partido pode ter suas simpatias, mas o PPS vai estar no campo oposicionista”, disse ele.

Roberto Freire não esconde a preferência pela candidatura própria a presidente da República, em 2014, mas também afirma que se não for possível, o partido poderá seguir no ano que vem em apoio a Eduardo Campos (PSB-PE), ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) ou Marina Silva (Rede).

Perguntado sobre o apoio do PPS à reeleição do governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), Roberto Freire foi enfático e afirmou que este é um assunto interno do Diretório Estadual do PPS e a decisão deve ser tomada pelos companheiros capixabas.

Participaram do encontro, em Vitória, lideranças de várias partes do País, entre elas: vereadores, deputados, prefeitos, secretários e lideranças religiosas e comunitárias

Fonte: Portal do PPS

PSB convida Kalil (MG) a disputar eleição

Cartola se reuniu em Pernambuco com Eduardo Campos, que lhe ofereceu a legenda para concorrer ao governo ou Senado

Bertha Maakaroun

O governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, convidou ontem Alexandre Kalil, presidente do Clube Atlético Mineiro, para se filiar à legenda. Campos abriu a Kalil a chapa majoritária, para que, na hipótese de aceitar o convite, escolha o cargo que gostaria de disputar – governador, vice ou Senado. "Ainda não sou candidato. Fui convidado. O meu foco agora é o Mundial de Clubes", afirmou o cartola ao Estado de Minas, logo após o encontro com Eduardo Campos.

Indagado se uma eventual candidatura sua ao governo de Minas traria dificuldades ao relacionamento político entre PSB e PSDB, aliados em Minas, Kalil respondeu: "Tenho fidelidade ao governador de Minas. Quando o governador teve a primeira conversa com Eduardo Campos, foi informado que ele havia me ligado. Provavelmente o PSDB mineiro sabia que o PSB me procuraria". O dirigente do Atlético acrescentou: "Sou apolítico, tenho grandes amigos no PSDB, no PT e no PSB. Se for candidato um dia na minha vida, não quero ter inimigos, mas também não devo favores. Não devo favor ao PSDB.", acrescentou.

Os socialistas Daniel Nepomuceno, secretário Municipal de Serviços Urbanos, e o deputado federal Júlio Delgado, presidente estadual do PSB, participaram, ao lado de Kalil, da conversa ontem com Eduardo Campos em Recife. "Preciso que você saia candidato", disse o governador de Pernambuco dirigindo-se a Kalil. "Para o cargo que quiser. Você toparia o governo?", indagou Campos em seguida. Kalil deixou a possibilidade no ar: "Fui pego de surpresa. Tenho tempo. Mas estou lisonjeado".

A reunião foi longa e Campos demonstrou estar acompanhando de perto os desdobramentos da sucessão ao Palácio da Liberdade, informado dos detalhes de possíveis composições e nomes colocados ao governo de Minas no PSDB, no PT e no PMDB.

Candidato ao Palácio do Planalto, Eduardo Campos quer ter um palanque em Minas Gerais. O prefeito Marcio Lacerda (PSB), primeiro nome cogitado, não demonstra intenção de deixar a Prefeitura de Belo Horizonte. Lacerda tem declarado que pretende concluir o seu mandato. Ao PSB de Minas é interessante ter um candidato encabeçando a chapa majoritária, capaz de "puxar" votos de legenda. Esses votos ajudam o partido a ampliar as bancadas de deputados estadual e federal.

"O PSB vai participar de forma protagonista na disputa majoritária em Minas. Estamos trabalhando nesse sentido", considerou Júlio Delgado. "O Kalil foi convocado para nos ajudar na missão em Minas da construção da chapa majoritária e da proporcional", afirmou ele. Hoje, dirigentes do PSB estarão em Belo Horizonte para discutir a composição das chapas proporcionais do partido. No plano nacional, a bancada federal mineira tem dois deputados do PSB – Júlio Delgado e Isaías Silvestre. Na Assembleia, o partido tem duas cadeiras: Antônio Lerin e Liza Prado.

Fonte: Estado de Minas

Solidariedade afeta mais PSD e PDT

Por Raquel Ulhôa

BRASÍLIA - A movimentação de deputados federais interessados em migrar de suas atuais legendas para o Solidariedade, partido articulado pelo deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) e prestes a ser formalizado, sinaliza que a nova sigla poderá nascer com uma das maiores bancadas da Câmara dos Deputados. A conversa estaria avançada com cerca de 30 parlamentares, insatisfeitos em seus partidos. O assédio também é grande por parte de governadores.

Os deputados que procuram os idealizadores do Solidariedade estão recebendo garantia de que terão o comando dos diretórios estaduais. Mas há preocupação com o prazo. Se o partido não conseguir o registro até no máximo dia 17, parlamentares dizem que não haverá tempo hábil para a organização dos diretórios, obtenção dos registros provisórios e filiação dos pré-candidatos às eleições de 2014. Pela legislação, isso tem que acontecer até dia 4 de outubro.

Única janela que no momento parece viável para que um parlamentar mude de partido sem correr o risco de perder o mandato - por se tratar de nova legenda -, o Solidariedade poderá ter a quinta maior bancada da Câmara, dependendo dos partidos que mais perderem filiados.

Hoje, os partidos com maior número de deputados federais são o PT (88), o PMDB (81), o PSDB (49), o PSD (45), o PP (39), o DEM (27), o PDT (26) e o PSB (25). Segundo participantes das reuniões, a tendência é que o PSD de Gilberto Kassab e o PDT sejam os partidos que mais percam deputados para o Solidariedade.

"O Paulinho é o Kassab da vez", define um deputado, lembrando como o ex-prefeito de São Paulo criou o PSD - presidido por ele - e tirou políticos de diferentes partidos. Por essa razão, Kassab seria, atualmente, um dos dirigentes partidários mais preocupados com a criação do partido do deputado Paulo Pereira da Silva.

Paulinho da Força, como o deputado é mais conhecido, tem sido procurado por vários governadores. Já conversou com Geraldo Alckmin (PSDB), de São Paulo, Marconi Perillo (PSDB), de Goiás, Beto Richa (PSDB-PR), Antonio Anastasia (PSDB), de Minas Gerais, André Puccinelli (PMDB), do Mato Grosso do Sul, Eduardo Campos (PSB), de Pernambuco, e Cid Gomes (PSB), do Ceará.

O último foi Cid, que afirmou não deixar o PSB, apesar das divergências com o presidente do seu partido, o governador de Pernambuco, pré-candidato a presidente da República.

O principal interesse dos governadores é contar com o Solidariedade em sua base de apoio. Para isso, podem transferir parlamentares de partidos aliados para a nova legenda. Em contrapartida, teriam o controle do partido nos Estados. Faria parte do pacote de negociação a participação no tempo de propaganda eleitoral ao qual a nova legenda terá direito.

Essa tentativa de entendimento muitas vezes esbarra com interesses de deputados envolvidos na articulação da legenda, porque, nas reuniões que têm sido realizadas, Paulinho tem garantido que os diretórios estaduais terão autonomia para se organizar e definir as coligações eleitorais locais.

Como única válvula de escape de parlamentares insatisfeitos, o Solidariedade desperta interesse de deputados da oposição e de partidos da base aliada de Dilma Rousseff. Por isso, uma vez criado, seus diretórios tendem a fazer coligações eleitorais estaduais diferentes.

Na eleição nacional, Paulinho da Força tem sinalizado simpatia pela candidatura de Aécio Neves (PSDB) à Presidência da República - embora também tenha proximidade com Eduardo Campos-, mas não pode garantir qual a linha será adotada pelo futuro partido.

"Se depender de mim, o partido vai para a oposição. Mas não sou o dono. Tem muita gente vindo para o partido que gostaria de apoiar a reeleição da Dilma. Isso não está definido", afirma o deputado Paulo Pereira da Silva.

Uma vez criado, o Solidariedade terá condições de agregar um universo "eclético" de parlamentares, segundo um dos envolvidos. Mesmo que a ex-ministra Marina Silva consiga registrar seu partido, o Rede Sustentabilidade, essa nova legenda atrairia um número bem menor de deputados, por ser "mais ideológico e restritivo". Um dos aliados de Marina, Domingos Dutra (PT-MA), é aguardado no partido de Paulinho, caso o Rede realmente não obtenha registro.

"Não é um partido ideológico. Tem um viés trabalhista, mas conta também com representantes do setor produtivo", diz ele, que quer permanecer no anonimato para evitar constrangimentos, já que só deixará seu atual partido após o registro do Solidariedade. É esta, aliás, a situação da maioria dos deputados que têm participado das reuniões do grupo.

Outro partido que está sendo criado, o Partido Republicano da Ordem Social (PROS), não é considerado uma alternativa eleitoralmente viável, principalmente pela falta de uma liderança nacional.

Fonte: Valor Econômico

Partidos se revoltam com acordo entre Paulinho e governadores

Quem levar parlamentares para nova legenda fica com o tempo de TV

Maria Lima, Paulo Celso Pereira e Sérgio Roxo

BRASÍLIA e SÃO PAULO - As negociações do deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (SP); para arregimentar parlamentares para a sua nova legenda, o Solidariedade, provocaram revolta nos partidos prejudicados. Pelo acordo, revelado ontem na coluna Panorama Político, de Ilimar Franco, os governadores transferem deputados para a sigla e ganham direito aos cerca de dois minutos no programa eleitoral que o Solidariedade terá direito na eleição do ano que vem.

O PDT, atual partido de Paulinho, deve ser o mais afetado e pode perder até nove dos seus 26 parlamentares, embora estime a saída de apenas cinco. O deputado André Figueiredo (CE), líder do PDT na Câmara, acusa o Solidariedade de ser uma legenda de "aluguel":

— Esse partido não tem ideologia nenhuma. É a efetivação da prostituição na política.

A criação do Solidariedade deve ter influência direta nas disputas estaduais. No Paraná, por exemplo, a legenda deve apoiar a candidatura à reeleição do governador Beto Richa (PSDB)- O que pretende lançar a ministra Gleisi Hoff-mann (Planejamento), sente-se prejudicado.

— O PT defendia o projeto que barrava o surgimento de novos partidos para impedir esse tipo de picaretagem e não para prejudicar o partido da Marina (Rede Sustentabilida-de) — afirmou o deputado federal André Vargas.

Richa foi procurado, por meio de sua assessoria, mas não comentou as negociações com Paulinho. Em Mato Grosso do Sul, o PT também deve ser afetado, já que o Solidariedade deve apoiar Nelson Trad Filho (PMDB), candidato do atual governador, André Puccinelli (PMDB). O governador também não falou sobre as negociações com o líder da nova legenda, mas o senador Waldemir Moka (PMDB-MS) revelou que Puccinelli tem conversado com Paulinho e que o Solidariedade deve se aliar ao candidato do PMDB. O Solidariedade também negocia tempo de TV com o PSDB.

Cid diz que fica no PSB

O governador do Ceará, Cid Gomes, bateu o martelo e definiu que não sairá do PSB, que cogita lançar o governador Eduardo Campos à Presidência da República. Apesar de ter a intenção de ficar em sua atual legenda, Cid admitiu ontem estar trabalhando para abrigar deputados cearenses no Solidariedade. O Solidariedade espera começar com 30 deputados, o que daria 2 minutos ao partido na TV.

— Procurei o Paulinho para ver se ele poderia receber esse pessoal. Ele tem interesse em formar uma bancada forte e eu vou procurar ajudá-lo. Eu não vou sair do PSB! Eu gosto do meu partido, gosto do Eduardo Campos, confio nele, mas ele nunca disse que é candidato. Eu torço e defendo que o PSB, em nome de nossos projetos regionais (dos governadores do PSB), renove a aliança com o arco progressista que apoia a reeleição da presidente Dilma. Franca e sinceramente, eu só tenho pensado no melhor para o meu partido — explicou Cid.
Procurado, Paulinho afirmou que só falará sobre o partido na quinta-feira, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve homologar o registro da legenda.

— Eu não estou sabendo, não — disse o deputado, ao ser perguntado sobre a negociações com os governadores.

A direção do PDT já estuda entrar com ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a saída de deputados da legenda rumo ao Solidariedade. O presidente nacional do partido, Carlos Lupi, diz que há 30 dias tenta conversar com Paulinho, mas que ele vem fugindo do encontro.

Fonte: O Globo

Documentos reforçam indícios de crime eleitoral de Janira Rocha

Além de gravações, o dossiê elaborado por dois ex-assessores da deputada Janira Rocha (PSOL), que já foi encaminhado para a Assembleia Legislativa, conteria documentos que reforçam indícios

de crime eleitoral. Entre eles, recibos de serviços executados e não declarados para a Justiça Eleitoral — pagos através de caixa 2 inclusive relativos a boca de uma. O material será analisado pela Corregedoria da Alerj, que já marcou para a próxima quarta-feira os primeiros depoimentos do processo que analisará o caso. Serão ouvidos exatamente os dois ex-assessores.

— Vamos fazer uma apuração serena e responsável, dando amplo direito de defesa à deputada. Não haverá interferência política — garantiu o deputado Comte Bittencourt (PPS), corregedor da Casa.

Ontem, Janira não esteve no plenário da Alerj, mas as denúncias envolvendo seu nome foram motivo de discussão entre os deputados Domingos Brazão (PMDB) e Marcelo Freixo (PSOL). Ao cobrar da corregedoria rigor na investigações, Brazão alfinetou o PSOL.

— Estou estranhando que hoje (ontem) as galerias da Casa não estão cheias de mascarados cobrando que as denúncias sejam apuradas. O que acontece é que a máscara do PSOL está caindo. O povo não pode ser mais enganado por esses falsos corretos.

Freixo, por sua vez, reforçou que foi o seu próprio partido que encaminhou à Mesa Diretora da Alerj o pedido para que as denúncias fossem apuradas.

E não poupou palavras contra os ataques de Brazão.

Nesta Casa, há porcos que gostam de espalhar lama para todos os lados para dizer que todos vivemos num mesmo chiqueiro.

O subcorregedor da Alerj, deputado Luiz PauJo (PSDB), explicou que a apuração da corregedoria é a primeira fase de um processo que pode levar à cassação de Janira caso seja comprovada a quebra de decoro parlamentar. O caso ainda terá que ser analisado pela Comissão de Ética — composta por sete membros e presidida pelo deputado Jânio Mendes (PDT) — para depois passar pelo plenário. Entre os casos recentes que culminaram em perda de mandato estão os de Jane Cozzolino, Álvaro Lins e Renata do Posto.

Nas gravações já divulgadas, Janira Rocha admitiu que usou dinheiro do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho e Previdência Social (Sindspre-vi-RJ) não só para se eleger, como para bancar outras campanhas e até para a criação e estruturação do próprio PSOL.

Fonte: O Globo

Deputado do PSOL defende licenciamento de colega do partido

Para Chico Alencar, atitude seria gesto de grandeza da parlamentar

O deputado federal Chico Alencar (PSOL) defendeu ontem o licenciamento da sua colega Janira Rocha do partido enquanto ela é investigada pelo conselho de ética do PSOL e pela Corregedoria da Assembléia Legislativa (Alerj).

— Não estamos prejulgando ninguém, mas a deputada Janira Rocha teve a grandeza de se afastar da presidência do PSOL no Rio e da liderança do partido na Alerj na segunda-feira, quando apareceram as primeiras denúncias. Na ocasião, foi um gesto de grandeza, e ela já ressaltou que o PSOL não tem nada a ver com isso. Creio que seria outro gesto de grandeza se ela se licenciasse do partido enquanto as coisas não forem esclarecidas — disse Chico.

O deputado admitiu que está se sentido desconfortável com o episódio. Segundo ele, políticos de várias correntes ideológicas em Brasília começam a explorar o caso nas redes sociais.

— Entre os críticos estão políticos que não têm o menor zelo pela ética. Tem até deputado que está sendo investigado pelo STJ se regozijando — disse Chico.

O parlamentar acrescentou que não recebeu qualquer dossiê sobre irregularidades no Sindsprevi no período no qual Janira foi secretária de Finanças. E também desconhece uso de recursos do sindicato para fundar o PSOL, como afirmou a deputada num trechos das gravações. O que ele sabe apenas é que o ; Sindsprevi tem mostrado sinais de que está dividido em relação à representatividade de Janira Rocha

Fonte: O Globo

Onda de protestos no Rio deve esvaziar desfile de militares

Para permitir contingente maior de policiais nas ruas, apenas 200 alunos da academia de oficiais desfilarão

Há, até agora, ao menos sete manifestações convocadas para o Dia da Independência na capital fluminense

Bruna Fanti e Lucas Vettorazzo

RIO - Para permitir um contingente maior de policiais nas ruas durante os protestos programados para o Sete de Setembro, a Polícia Militar do Rio reduziu a quantidade de militares que participarão do tradicional desfile do Dia da Independência.

Só 200 alunos da academia de oficiais da polícia, a Academia Dom João VI, marcharão no desfile, que reunirá também militares das Forças Armadas, na avenida Presidente Vargas, no centro.

A Folha apurou que, além de aumentar o efetivo nas ruas, a medida foi adotada para evitar possíveis vaias aos policiais do Batalhão de Choque e do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais). As unidades têm sido alvo de críticas frequentes.

A decisão de desfilar só com os alunos foi tomada na última semana pelo comando-geral da corporação.

De acordo com o coronel Roberto Itamar, porta-voz do Comando Militar do Leste, as tropas das Forças Armadas também desfilarão em número reduzido.

"Esse ano, não só por conta das manifestações, mas por economia e dinâmica, o número de militares a desfilar sofrerá uma redução de 40% em relação aos anos anteriores", afirmou. Trata-se do menor contingente da história dos desfiles do Sete de Setembro.

Com isso, o tempo do desfile, normalmente três horas, deverá ser reduzido à metade. Em 2012, desfilaram 8.670 pessoas, entre militares, civis e ex-combatentes. O total deste ano não foi divulgado.

Há pelo menos sete manifestações programadas no Rio durante o Dia da Independência, três delas convocadas para a mesma avenida na qual haverá o desfile oficial.

Em nota, o Comando Militar do Leste afirmou que "as Forças Armadas estão aptas a realizar, com amparo legal, ações de autodefesa da integridade física da tropa de desfile e do patrimônio da União" durante os desfiles.

Black Bloc

Manifestantes marcaram para hoje, às 16h30, um ato em frente ao Tribunal de Justiça do Rio contra a prisão de três administradores da página "Black Bloc RJ" em uma rede social, anteontem.

Segundo a polícia, eles são suspeitos de formação de quadrilha armada e incitação à violência. Dois menores apreendidos foram liberados.

Advogados da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ e da ONG Instituto de Defensores de Direitos Humanos, que dão assessoria jurídica ao grupo, protocolaram ontem um pedido de liberdade provisória para os três, que até a conclusão desta edição não havia sido atendido.

Os jovens estão presos na Cadeia Pública Juíza Patrícia Accioly, em São Gonçalo, região metropolitana do Rio.

Fonte: Folha de S. Paulo

Dia da Independência: Atos previstos em 172 cidades

Grupos como Anonymous e Brasil Contra a Corrupção, que se mobilizam para promover atos de rua amanhã, Dia da Independência, já conseguiram quase 400 mil confirmações de presença pelo Facebook em 172 cidades. Entre as reivindicações estão a prisão de mensaleiros, fim do voto obrigatório e a aprovação do Plano Nacional de Educação. Em Brasília, onde a PM estima a adesão de 50 mil pessoas, máscaras serão proibidas. Ontem, houve confronto em frente ao Congresso

Manifestações marcadas em 172 cidades no Sete de Setembro

No Distrito Federal, Polícia Militar diz que prenderá mascarados

BRASÍLIA e RIO. Depois da onda de protestos de julho e julho e em pleno julgamento dos recursos do mensalão, o Brasil chega amanhã ao Dia da Independência com protestos marcados em pelo menos 172 cidades. Batizado de Operação 7 de Setembro, os atos são apoiados por diversos grupos que se dizem ligados ao Anonymous e por organizações como o Brasil Contra a Corrupção.

Nas redes sociais, pelo menos 400 mil pessoas confirmaram presença nos atos. No site que agrega todas as cidades participantes, os organizadores, já estão que afirmam ser "suprapartidários" divulgam as seis pautas j principais da manifestação, escolhidas, segundo eles, numa votação que mobilizou 26 mil eleitores prisão imediata dos envolvidos no mensalão, fim do voto obrigatório, aprovação e cumprimento do Plano Nacional de Educação, redução de deputados e representantes, reforma tributária e aprovação e cumprimento da Lei de Combate à Corrupção.

Nos comentários e postagens de simpatizantes do movimento no Facebook, é possível perceber uma variada gama de posições ideológicas. Enquanto alguns defendem a tática dos black blocs, outros pedem uma "intervenção militar" no país.

A grande diversidade política dos manifestantes fez com que a organização do protesto fosse acusada, ao mesmo tempo, de atender a interesses políticos de esquerda e de direita.

Professor de Ciências Sociais da PUC-Rio, Luiz Werneck Viana, diz acreditar que a exclusão dos jovens dos processos de participação política causa essa dispersão de objetivos e o variado espectro político de reivindicações.

— São pautas complexas e sem foco. Pelo visto, os protestos continuam com a mesma postura das jornadas de junho. As décadas que a juventude ficou marginalizada na política estão cobrando seu preço agora. Os manifestantes lutam por temas anacrônicos e difusos. Tudo isso é sinal de exclusão deles da vida política — afirma.

No Rio, cerca de 18 mil pessoas confirmaram presença no Face-book no protesto, que está marcado para começar às 7h30m na Cinelândia.

No Distrito Federal, a Secretaria de Segurança Pública estima uma adesão de 50 mil manifestantes. Além do desfile do Dia da Independência, outra preocupação é com o amistoso entre Brasil e Austrália. O comando da PM do DF avisa que prenderá todos os mascarados. O mesmo ocorrerá em Pernambuco. No Rio, máscaras estão permitidas, mas a PM poderá pedir aos manifestantes que descubram o rosto e se identifiquem. Se o policial quiser, pode encaminhar suspeitos para a delegacia.

— Nós não queremos ver se repetir no DF o que nós temos visto em outras unidades da federação. Vamos agir com rigor para que aquelas pessoas que não querem se divertir sejam detidas. Qualquer um que sair da norma se transforma num contraventor e será preso. Mascarados vão ser detidos — alerta o comandante geral da Polícia Militar do DF, Jooziel de Melo Freire,

— Temos a informação de que, entre manifestantes de bem, pessoas vão se infiltrar para promover atos de vandalismo e violência. Há a informação de que há, inclusive, pessoas vindo de outros estados para cá — diz o secretário de segurança pública, Sandro Avelar.

Confronto com a PM no DF

Ontem, um grupo de cerca de dez manifestantes mascarados entrou em confronto com a Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF), no canteiro central da Esplanada dos Ministérios, em frente ao Congresso. O grupo está acampado no local e reagiu ao ser abordado por policiais. Eles tiveram que tirar as máscaras e apresentar documento de identificação.

O confronto ocorreu no momento em que uma manifestante foi detida. Segundo a polícia, ela portava um estilingue e bolas de gude. Houve troca de socos e pontapés. Exaltado, o namorado dessa manifestante também foi detido. Os policiais usaram spray de pimenta, atingindo inclusive fotógrafos e cinegrafistas que registravam a cena.

Após as detenções, os policiais recuaram em direção ao Congresso e foram seguidos pelos manifestantes, que hostilizavam os policiais. Nesse momento, um policial foi visto com uma faca na mão. Antes, os manifestantes, que aparentemente são de fora do Distrito Federal, hostilizaram jornalistas.

Fonte: O Globo

Refém dos números, governo Dilma ilude o país - Roberto Freire

Bastou uma expansão de 1,5% do PIB brasileiro no segundo trimestre em relação aos três primeiros meses do ano, índice ligeiramente superior às projeções do mercado, para o clima de euforia se espalhar pelo governo de Dilma Rousseff. Não demorou para que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, um notório especialista em previsões furadas sobre o crescimento econômico do país, viesse a público e dissesse que “o pior já passou” e “o fundo do poço foi superado”. Mas a realidade, como de costume, insiste em desmentir o governo.

Horas depois do pronunciamento de Mantega, o IBGE divulgou dados que registram uma queda de 2% da produção industrial brasileira em julho na comparação com o mês anterior. A redução se deu deforma generalizada, atingindo 15 dos 27 setores pesquisados. O resultado praticamente anula a expansão verificada em junho e, segundo especialistas, indica que o PIB deve desacelerar no terceiro trimestre. O que comprova que o governo tem se preocupado mais em fazer propaganda do que em trabalhar com seriedade.

A redução da participação da indústria no PIB, aliás, é um dado da realidade diante do qual o governo petista não vem conseguindo reagir. Uma pesquisa recente da Fiesp revelou que o setor respondeu por 13,3% do PIB em 2012, regredindo aos patamares de 1955, antes da implantação do Plano de Metas de Juscelino Kubitschek. Se mantidas as condições atuais de crescimento, esse percentual deverá ser de apenas 9,3% em 2029.

A sucessão de más notícias também atinge a balança comercial brasileira, que amargou seu pior resultado no acumulado até o mês de agosto desde 1995. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o déficit nos oito primeiros meses de 2013 foi de US$ 3,764 bilhões, ante um superávit de US$ 13,149 bilhões no mesmo período do ano passado. Se considerarmos apenas os números de agosto, a balança registrou superávit de US$ 1,226 bilhão, mas o índice, ainda assim, é o pior para o mês desde 2002.

O fiasco da balança comercial é um dos fatores que levam ao rombo das contas externas do país. Os dados mais recentes disponibilizados pelo Banco Central, referentes a julho, mostram um déficit de US$ 9,018 bilhões, recorde histórico para o mês desde quando essa medição passou a ser feita, em 1947. No ano, o saldo negativo chega a US$ 52,472 bilhões, o que representa um aumento de 81% em relação ao mesmo período de 2012.

A ânsia em alimentar a máquina de propaganda faz o governo esgrimir números sem nenhum compromisso com a credibilidade, como intuito exclusivo de ludibriar a opinião pública e transparecer uma tranquilidade artificial ao mercado. Dados isolados e momentaneamente positivos, que talvez reflitam variações cambiais ou oscilações sazonais, são festejados pelos áulicos do petismo sem o comedimento necessário àqueles que lidam com uma área tão sensível quanto a econômica.

À mercê dos números, Dilma e sua equipe se vêem obrigados a mudar o discurso sucessivamente, pois acabam desmentidos por notícias que jogam água na fervura da euforia desenfreada. A situação brasileira é difícil e deve ser tratada coma seriedade que tanto falta ao governo do PT, e não como peça de marketing eleitoral. Iludir a sociedade está longe de ser o melhor caminho para tirar o Brasil do atoleiro.

Deputado federal por São Paulo e presidente nacional do PPS

Fonte: Brasil Econômico

Muita fumaça e muita purpurina – Alberto Goldman

Transcrevo aqui um artigo do meu irmão, Salomão Goldman, médico vascular, escrito para uma revista médica. É compreensível apesar de alguns termos médicos que nos escapam. Ele aborda muito bem a irresponsabilidade do governo federal na apresentação do programa "mais médicos".

A fumaça e a purpurina

É interessante como fatores midiáticos induzem repentinamente a mudanças na opinião pública. Foi com um programa“cidade limpa” em que se proibia cartazes e placas nas ruas, que o ex-prefeito de São Paulo, Kassab, alavancou sua reeleição. Com o programa das UPPs no Rio de Janeiro, houve fuga dos marginais com grande refluxo na criminalidade e sensação de segurança na população. Resultado imediato: a reeleição fácil de Cabral.

Se esse programa do Rio de Janeiro resolveu o problema definitivamente é outra história. Hoje sabe-se que o conluio entre o tráfico e a policia, e até com o aparelho da Justiça vem aparecendo e ainda trazendo outros problemas vindo da “troca de guarda”. O assunto não se encerra a toque de caixa.

Os programas devem ser estudados e implantados após longas discussões com todos os envolvidos e os fatores, sempre múltiplos, devendo ser analisados o mais abrangente possível. Além disso, deve resistir ao tempo, ou seja, serem definitivos.

Ninguém nega que o Plano Real foi um marco na história do País. Definitivo, propiciou a boa resistência do país às crises internacionais que se sucederam.

Agora vemos o plano “Mais Médicos”, que aloca médicos de fora para resolver a falta de profissionais em regiões periféricas.

Evidente se mostra seu caráter midiático, eleitoreiro. Um governo que devolveu 17 bilhões, quase 20% do orçamento da saúde, no ano passado, porque não soube usar, não pode alegar falta de médicos. É falta de competência, sim.

Aí alega-se que médicos apenas com estetoscópio e aparelho de pressão poderão fazer muitos diagnósticos e prescrever medicamentos necessários, salvando muitas vidas. Poderá diagnosticar pneumonia com esteto, ou seja, já em fase avançada, dando antibióticos que “tomara que funcione” sem dados para saber se funciona sem pelo menos um hemograma ou RX para acompanhar a evolução?

Lembro-me do médico de família que tínhamos, hoje nome de hospital em São Paulo, Dr. Moyses Deutsch, pessoa que me inspirou a seguir a profissão, quando diagnosticou minha angina de Plaut Vincent, na década de 60, e resolveu meu problema, mas colhendo material no laboratório para diferenciar com difteria.

Claro que os médicos contratados poderão ser úteis. Mas será uma cortina de fumaça. Os pobres e desassistidos terão a sensação momentânea de amparo.

Vejamos agora, na nossa área, vascular, o que podem fazer os tais médicos:

Palpar pulsos e verificar que há isquemia - Tomara que não piore leve à gangrena...

Verificar úlcera na perna - manda-se elevar os membros e lavar diariamente – Tomara que feche. Fechando, tomara que não volte – e certamente voltará já que não há condições de tratar a causa. Se for Leishmaniose pior.

Varizes? Use meia elástica. É caro? Vai sujar na roça? È quente? Fica em repouso...

Aneurisma de aorta? Será diagnosticado só se aflorar na pele do abdome ou romper e aí Tchau...

Perna inchada? Será TVPA? Dar anticoagulante – Tomara que tenha dinheiro para comprar... Tomara que não dê embolia pulmonar. Heparina? Só em hospital. Portanto deve-se dar cumarímicos, empiricamente, sem controle de INR – Tomara que não dê hemorragia – Tomara que anticoagule...

Dedo do pé vermelho e com pus em diabético – receita de antibiótico – Tomara que não progrida e gangrene a perna toda.

Ora, estamos voltando à medicina nos seus primórdios, empírica, que hoje não prescinde dos avanços tecnológicos que sem dúvida resolveram inúmeros problemas e contribuíram para o aumento da expectativa de vida.

Falar de saneamento básico, água tratada, equipes multidisciplinares, laboratórios de análises, US, RX educação sanitária e de higiene, são “luxos”, que ao governo não interessam.

São gastos “desnecessários”, que a nossa população carente não terá acesso, mas que a propaganda terá atingido seu objetivo maior que é a perpetuação no Poder.

O programa será apresentado como salvação para quem não tem nada e será veiculado com muita “purpurina”.Está aí mais um programa midiático que talvez servirá para eleger os candidatos oficiais, mas não resolverá os graves gargalos que existem na atenção à saúde da população.

Enfermeiras e educadores sanitários poderiam bem resolver essas questões mas com hierarquização e logística bem delineadas. Remoções para níveis maiores de atenção deveriam entrar no programa.

Estudos de prevalência das doenças endêmicas com fluoretação das águas, tratamento dos esgotos, pesquisas de caramujos transmissores da Esquistossomose, mosquitos vetores de malária e chagas, etc, etc, seriam de muito maior valia.

Mas a esse governo só interessa a “purpurina”. Joga-se fumaça nos olhos e se apresenta só o brilho das“lantejoulas”. E aí a verdade será postergada. Interessa apenas o resultado imediato.

Vemos com satisfação o programa estadual do Alckmin, “mais residentes” que prevê maior uso dos hospitais estaduais e filantrópicos para residências médicas com preceptorias bem implantadas. Isto sim poderá alavancar a Saúde como um todo, inclusive nas áreas de atenção primária, com formação de clínicos gerais, pediatras e obstetras hoje em carência.

Se houver boa programação e estímulo, poderemos ter em pouco tempo uma geração melhor formada e treinada.

A verdade prevalecerá sem fumaça nem purpurina.

Validades e prazos - Marina Silva

Há um ano, comentando as concessões rodoviárias e ferroviárias anunciadas pelo governo federal, perguntei neste espaço: "Será que a ansiedade de dar respostas à crise não pesou mais do que a estruturação de uma política consistente para o setor?".

Temia que a índole imediatista do governo tivesse prejudicado outra vez a busca de respostas eficazes à crise de infraestrutura e logística do país, indispensáveis para definir novos vetores não só de crescimento, mas de sustentabilidade, para a economia brasileira.

Vale lembrar o que aconteceu desde aquele anúncio de concessões, em agosto do ano passado. Em janeiro, o governo adiou o leilão das rodovias BR-040 e BR-116. Em fevereiro, aumentou o prazo das concessões de 25 para 30 anos e a amortização do financiamento de 20 para 25 anos, com percentuais mais favoráveis aos futuros concessionários. Em maio, mais uma mudança: a taxa de retorno passou de 5,5% para 7,2% nas rodovias.

As mudanças nas regras, depois de constatado o desinteresse dos empresários, mostram um governo errático, a falta de discussão com os setores envolvidos e a ausência de uma visão sistêmica sobre os problemas do Brasil. Dá-se o mesmo nas concessões de portos, aeroportos etc.

Esse "método" de tatear custa caro ao país. Enquanto o governo adiava leilões e mudava regras, as condições do mercado pioravam para o Brasil. Os rumores de que o Fed cortaria estímulos monetários provocou desvalorização do real. Em poucos meses, ficou mais difícil atrair investimentos em concessões brasileiras.

Isso é motivo para mais uma modificação, anunciada ontem. Para aumentar a confiança dos investidores, os bancos oficiais e os fundos de pensão das estatais se comprometem a investir até R$ 12 bilhões nas concessões de rodovias e ferrovias, o que lhes dará até 49% de participação nos consórcios. Sem esquecer que, desde agosto, a Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias, a "Segurobras", conta com R$ 11 bilhões para atrair os investidores e deixar o Estado com os riscos.

Ainda assim, não há certeza de que os leilões da BR-040 e da BR-116 acontecerão mesmo no próximo dia 18. Tampouco se pode especular sobre o sucesso do leilão do campo de Libra, na camada pré-sal.

Sabemos apenas que o Brasil requer soluções mais do que urgentes, estruturais e estratégicas, que não surjam atabalhoadas, na solidão dos gabinetes, com regras do marketing e prazos eleitorais.

O debate aberto e informado, com decisões ponderadas e firmes, esse é o método da confiança. Por enquanto, resta torcer, até porque quanto melhor, melhor. Nesse Brasil que demanda sonhos, é sempre bom, a cada anúncio, renovar alguma oferta de esperança.

Marina Silva, ex-senadora, foi ministra do Meio Ambiente

Fonte: Folha de S. Paulo

As tensões e os riscos na base da pirâmide - Washington Novaes

Muito se tem dito e escrito sobre a onda de protestos que varreu o Brasil nos últimos meses. Uma conclusão quase unânime é a de que a surpreendente mobilização de milhões de pessoas em toda parte ocorreu por meio das chamadas redes sociais, desligadas de partidos ou movimentos políticos, mas incluindo aspirações diversificadas - que se informam e atuam pela internet. Adicionalmente, mostrou-se que a imensa maioria dos manifestantes estava entre 15 e 29 anos. Pesquisa do Ibope publicada por este jornal (25/8) pode reforçar à visão de que a maioria dos jovens, e até mesmo das pessoas em geral, não tem objetivos políticos claros e definidos - tanto que só 7% disseram considerar-se "bem informadas" e saber do que se trata ao discutir o tema "reforma política", nada menos que 52% se declararam "nada informadas" e 34%, "pouco informadas".

Em recente edição da revista New Scientist (20/7), o competente editor Fred Pearce acrescenta um tempero novo ao molho, que pode levar a conclusões e direções surpreendentes. Pierce afirma que a estrutura de idade de uma população, que vem mudando rapidamente em quase toda parte, pode afetar um país de formas ainda pouco pensadas. E isso se aplica inclusive aos países da Primavera Árabe (Tunísia, Líbia, Egito e outros). Também pode ajudar a entender fenômenos sociais em outros lugares, como a crise política na Grécia e no Sul da Europa. E tudo parece envolvido: a educação, a urbanização, as infraestruturas, tudo, Mas é muito difícil saber qual é a contribuição efetiva de cada área para a mobilização das diferentes forças que moldam o país.

A maior atenção aos problemas da saúde, que reduziu fortemente a mortalidade infantil nos países fora do mundo industrializado, assim como a redução do número de filhos têm alterado significativamente a chamada pirâmide demográfica. Que deixa de ter o formato tradicional - base larga que se vai afinando - e se aproxima de uma figura mais uniforme ao longo dos anos. Com isso cresce muito a proporção de jovens adultos na população. Isso já ocorreu há algum tempo nos países industrializados da Europa e da América do Norte, mas já está presente em boa parte dos países fora desse mundo. E se os governos não atenderem às necessidades específicas desse contingente de jovens adultos, a transição demográfica pode traduzir-se em insatisfação generalizada. Henrik Urdal, do Instituto Internacional Pesquisa da Paz, de Oslo, que é citado, escreveu em relatório para a ONU que "um jovem empobrecido pode ser tanto um possível integrante de grupos armados como uma pessoa frustrada com a exclusão econômica e política". E como é crescente a proporção de jovens adultos nessas sociedades, pode ser criadora de muitas tensões.

Analisando conflitos internos em 175 países desde a segunda metade do século 20, Urdal concluiu que, "a cada ponto porcentual mais de jovens na população, comparados com a "população adulta", o risco de aumento dos conflitos sobe 4%". E quando esses jovens superam em 35% todos os adultos, o risco de conflitos de interesses é 150% maior (International Studies Quarterly, volume 50, página 607). Essa taxa persiste mesmo quando melhoram a situação econômica e as práticas da democracia. Na mesma direção, Richard Cincotta, pesquisador que hoje assessora o National Intelligence Council, do governo norte-americano, conclui que em países com mais de 40% da população adulta entre 15 e 29 anos a possibilidade de conflitos civis é o dobro da que se registra em sociedades mais estabilizadas.

A possibilidade efetiva em direção problemática está na falta de empregos. Pode acontecer em lugares como o Afeganistão, onde os jovens adultos são mais de 50% da população adulta total. Nações "idosas são menos turbulentas", diz Urdal. China e Cuba são exceções. Mas as nações de idosos também caminham para situações complicadas. Como a Itália, por exemplo, onde a aposentadoria de um idoso é paga por 13 pessoas empregadas. Ou a Alemanha, com alta população de idosos.

Resta olhar para o nosso terreiro, onde também cresce muito rapidamente a fatia de jovens adultos - mais de 50 milhões entre 15 e 29 anos - na população total, graças à redução das taxas de natalidade (já abaixo da taxa de reposição, de dois filhos por mulher em idade fértil) e da mortalidade infantil (mais de 50% em dez anos). Serão decisivas nos tempos à frente as taxas de emprego/desemprego da população jovem, quando esta não cessará de crescer - até 2027, segundo Fábio Giambiagi, em artigo neste jornal (22/9/2012). Mas no geral a situação do emprego preocupa, já que em julho tivemos os piores números de dez anos em matéria de trabalhadores com carteira assinada. E a geração de empregos nesse mês (414 mil) caiu 77,7% em relação a julho de 2012 (183,9 mil).

Na faixa de 17 a 22 anos, 15,9% não trabalham nem estudam, 19,1% trabalham e estudam, 25% só estudam e 40% só trabalham, segundo o IBGE (novembro de 2012). Até 2023, só a população entre 15 e 24 anos terá mais de 33 milhões de pessoas. Sua possibilidade de emprego é menor que a taxa geral. Tanto que o desemprego entre os jovens, em dez anos, caiu 41,6%, enquanto a taxa geral baixou 53,8% (IBGE, 11/8). E segundo o ministro do Trabalho, Manoel Dias, a avaliação mensal do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados indica que "houve uma perda de dinamismo no mercado" (FP, 21/8).

Portanto, precisamos de atenção. Não houve mudança no quadro da população jovem, seus caminhos de informação, seus formatos de manifestação - em que também preocupam grupos minoritários, muito atuantes, que recorrem à violência. Nem há indícios de que tenhamos novas propostas políticas e novos caminhos de governo, capazes de atender às aspirações dessa nova parte da "pirâmide demográfica" e de afastar os riscos para os quais os estudiosos estão apontando.

A exclusão econômica e política de jovens adultos traduz-se em insatisfação e conflitos.

Jornalista

Fonte: O Estado de S. Paulo

Mudança de clima - Merval Pereira

Houve uma evidente mudança de clima no julgamento do mensalão a partir da decisão do ministro Teori Zavascki de rever sua disposição de seguir as decisões tomadas anteriormente à sua chegada ao Supremo Tribunal Federal. Os esforços que estão sendo feitos para encontrar erros na definição das penas passam sempre pelo caso do ex-ministro José Dirceu, que, sem ser às vezes nem citado, está no centro da discussão.

Já foi assim quando se tentou reduzir a pena por corrupção ativa e passiva, e agora com a definição de quadrilha, que é o que restou para ele ter : a pena reduzida e fugir da prisão fechada, nesta fase ou, eventualmente, na de embargos infringentes.

O ministro Ricardo Lewandowski exibiu um gráfico para mostrar o que considera uma exacerbação das penas aplicadas aos réus condenados por formação de quadrilha. "A evidência matemática é claríssima" alegou Lewandowski, como se a questão fosse apenas numérica. Ele chegou a acusar o STF de ter aumentado as penas de quadrilha para evitar que o crime prescrevesse e disse que Dirceu, por exemplo, teve acrescidos 65% da pena na condenação por crime de quadrilha. Na proposta de revisão de penas, derrotada em boa hora, os réus condenados por quadrilha acabariam premiados pela prescrição do crime.

Ora, foi exatamente a possibilidade de alguns crimes ligados ao processo do mensalão prescreverem que fez com que o STF agilizasse seus trabalhos para pô-lo em j pauta no ano passado. Mas o agravamento da pena de quadrilha para todos os condenados, e não apenas Dir-ceu, tem sua lógica dentro do processo do mensalão, todo ele montado a partir da denúncia de que fora formada uma quadrilha dentro do Palácio do Planalto para desviar dinheiro público e corromper o Poder Legislativo, em claro ataque ao sistema democrático. Logo, não é de espantar que as penas para o crime que deu origem aos outros crimes tenham sido aumentadas com rigor. Sobretudo as de Dirceu, identificado pelo Ministério Público como "o chefe da quadrilha" Zavascki alega que agiu em decorrência da mudança de entendimento do Tribunal sobre a possibilidade de alteração, em embargos de declaração, das penas fixadas, o que ocorreu no julgamento dos embargos do réu Breno Fichberg. Quem levantou essa possibilidade, para sanar incoerências dentro do processo na chamada "dosimetria das penas" foi outro juiz recentemente nomeado, Luís Roberto Barroso, que desde o início de sua participação mostrava-se desconfortável com algumas decisões tomadas.

Embora reafirmasse essa posição a cada voto, Barroso manteve a decisão de não interferir, até que sugeriu mudanças pontuais. Zavascki não explicitava sua discordância e, ao contrário, dava sinais de que não via outra possibilidade de mudança das penas a não ser em uma futura revisão criminal, dando a entender que não acataria os embargos infringentes.

No decorrer das discussões de quarta-feira, porém, viu-se autorizado a rever vários votos, até mesmo um do qual não havia participado. A tese de Lewandowski, que não desencarnou do papel de revisor, de que as penas em geral foram muito duras tem o apoio explícito de Barroso em declarações anteriores, e ontem recebeu o aval de Zavascki, que aproveitou a onda revisionista para acompanhar as propostas de redução das penas de todos os condenados pelo crime de formação de quadrilha. Marco Aurélio Mello e Dias Toffoli votaram com Lewandowski e, em um caso, o de Rogério Tolentino, juntou-se ao grupo Celso de Mello.

O adiamento para a próxima semana da análise dos embargos infringentes dará mais tempo aos ministros para avaliar a importância da decisão que tomarão e ajudou a explicitar o recado de que o STF não teme pressões. A ideia de que seria melhor decidir logo antes das manifestações programadas para o 7 de Setembro deu lugar a reflexão mais profunda.

A questão agora é saber quantos ministros consideram que foram cometidas injustiças na definição das penas para formação de quadrilha. Celso de Mello, por exemplo, que no início do julgamento declarara que existiam os embargos infringentes, passou a uma posição "reflexiva" sobre a questão e ontem fez comentário que pode ter sido uma indicação de posição.

Quando o presidente do STF, Joaquim Barbosa, citou um voto seu contra a aceitação dos embargos infringentes, Celso de Mello interrompeu-o para ressaltar que o caso citado se referia aos tribunais de Justiça e regionais federais. Em ações penais originárias, a aceitação de embargos infringentes pelo STF é "um problema inédito f segundo Celso de Mello.

Os pontos-chave
1. Houve evidente mudança de clima no julgamento do mensalão a partir da decisão de Zavascki de rever sua disposição de seguir as decisões tomadas antes da sua chegada ao STF

2. Lewandowski chegou a acusar o STF de ter aumentado as penas de quadrilha para evitar que o crime prescrevesse

3. A ideia de que seria melhor decidir logo deu lugar a reflexão mais profunda

Fonte: O Globo

Entre sigilos - Hélio Schwartsman

Com a aprovação, pela Câmara, da proposta de emenda constitucional (PEC) que acaba com o voto secreto de parlamentares, ficamos numa situação intrigante. Para valer, essa PEC precisa passar pelo Senado, mas o Senado já aprovou sua própria PEC, que prevê o fim das votações sigilosas só no caso de cassação de mandato, que teria de ser chancelada pela Câmara.

Não sei como nossos valorosos congressistas vão resolver o impasse, mas eu optaria pela fórmula mais abrangente. Escrutínios sigilosos estão previstos para uma série de matérias, que incluem, além das cassações, a derrubada de vetos presidenciais, a escolha das Mesas Diretoras das duas Casas, a aprovação de magistrados, diretores do BC e chefes de missões diplomáticas, entre outras.

Até entendo que, em algumas dessas situações, o segredo pode levar, ao menos em teoria, a um voto de melhor qualidade. O caso mais patente é o dos vetos. O parlamentar tem mais condições de opor-se ao braço forte do Executivo se não precisar temer retaliações no futuro.

Apesar disso, penso que o melhor mesmo é acabar com todas as votações secretas. O primeiro argumento é da teoria dos jogos: como bem demonstrou o caso Donadon, quando existe o manto do sigilo, os custos individuais de ir contra o consenso desaparecem, e os próprios parlamentares perdem o controle do processo, aprovando coisas que vão contra seus interesses coletivos --para não dizer nada dos da população.

Num plano mais estrutural, os escrutínios secretos pervertem a própria noção de democracia representativa. Se não sei como meu parlamentar vota, não tenho como decidir se ele está me representando bem. Antes de deverem satisfações a suas consciências, deputados e senadores as devem ao eleitor. No mais, se o sujeito não tem coragem de contrapor-se ao presidente ou de dizer o que pensa sobre um juiz, talvez seja melhor que procure outra atividade.

Fonte: Folha de S. Paulo

Melhor remédio - Dora Kramer

O voto aberto ajuda, e muito, mas não garante 100% que o Congresso aprove -a perda de mandato dos parlamentares condenados em ações penais.

A solução mais eficaz para o problema está ao alcance das mãos do Senado a emenda constitucional que torna automática a cassação de deputados e senadores condenados por improbidade administrativa e/ou crime contra a administração pública.

A proposta está pronta para ser votada. Já passou pela Comissão de Constituição e Justiça e semana que vem se encerra o prazo regimental de cinco sessões para entrar na pauta do plenário. Se o presidente do Senado, Renan Calheiros, quiser, na quarta-feira pode ser feita a votação.

E, assim, a questão do fim do voto secreto pode tramitar paralelamente sem que a polêmica entre Câmara e Senado em torno da abertura do voto apenas para cassações, ou para todos os tipos de votações, influa no caso dos quatro deputados prestes a terem suas sentenças transitadas em julgado no processo do mensalão.

O autor da emenda, senador Jarbas Vasconcelos, apresentou a proposta no início do ano em decorrência da ambiguidade da Constituição sobre o assunto. Em um artigo está dito que o condenado perde os direitos políticos e, portanto, o mandato, mediante a decretação da sentença. Mas em outro está escrito que a decisão deve ser formalizada pelo Parlamento.

O hoje presidente, na época candidato, Henrique Eduardo Alves, também entrou no debate em defesa da supostamente ferida "soberania" da Câmara e depois recuou. O clima era esse à época da apresentação da emenda sobre a perda automática de mandatos que, devido à opinião preponderante de que a última palavra deveria ser do Legislativo, teve uma tramitação inicial penosa.

Em português claro, ninguém deu a menor bola para o assunto. Até que o senador Jarbas Vasconcelos foi à tribuna acusar o presidente da CCJ, Vital do Rego, e o relator escolhido por ele, Eduardo Braga (líder do governo) de estarem "segurando" a emenda. Vieram os protestos de junho, a proposta prosperou e agora só falta o plenário votar.

Porque quis. O presidente da Câmara, Henrique Alves, foi aconselhado por colegas do PMDB a não deixar a cassação de Natan Donadon para ser decidida no plenário. Havia desconfiança de que daria no que deu. Por falta de mobilização suficiente para superar a tendência vigente na Casa de não criar precedente.

Entre os pemedebistas que consideraram o risco estava o vice-presidente Michel Temer.

Cenografia, CPI da Espionagem para investigar os americanos? O Congresso não precisa ir tão longe. Se quiser trabalhar a sério o assunto é começar por retomar o nunca devidamente esclarecido caso dos grampos ilegais que assolam o Brasil.

Mas, como seriedade não está em jogo no caso, relegue-se essa comissão de inquérito ao terreno das presepadas.

Partilha. Uma deputada estadual do PSOL do Rio, Janice Rocha, está sendo acusada de ficar com parte do salário de assessores de seu gabinete e pode perder o mandato por quebra de decoro. A prática é (já foi mais) comum no Poder Legislativo, onde houve diversas denúncias sobre essa modalidade de repasse.

Na essência, trata-se do mesmo tipo de acerto feito com o governo cubano: o Brasil paga R$ 10 mil por médico; Havana parte, reparte e fica com a maior parte.

A julgar.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Alta tensão - Denise Rothenburg

Em reunião dia desses para tratar dos preparativos para o Sete de Setembro, a presidente Dilma Rousseff mostrou-se insatisfeita com o fato de a segurança ter fechado praticamente todo o gramado da Esplanada, impedindo o acesso da população. Segundo relato de alguns atentos interlocutores, ela foi severa e teria ainda usado a expressão %u201Cisso vai dar m%u2026%u201D.

Afinal, ela não esquece o tempo em que os gramados ficavam livres e o seu partido, o PT, bem próximo do povo. Há no ar uma certa nostalgia de 2003, quando o PT estreava no palanque presidencial do desfile que marca o Dia da Independência. Quem acompanhou e se lembra daquela festa %u2014 ou tiver o cuidado de observar as fotos e compará-las com o que está preparado para amanhã %u2014 terá a exata noção do distanciamento do governo da população.

Há 10 anos, 50 mil pessoas tomaram a Esplanada dos Ministérios para confraternizar com o Poder Executivo federal. A Esplanada era um espaço aberto e acolhedor. Crianças brincavam, carregavam bandeiras, prestigiavam aquele presidente simpático e o seu vice bonachão, José Alencar. O evento custou à época R$ 1 milhão. As faixas não deixavam dúvidas: %u201CEsta festa é nossa%u201D. Naquele ano, Lula, Alencar e suas marisas dividiam os palanques com o então ministro da Casa Civil, José Dirceu, o da Fazenda, Antonio Palocci, e, mais à esquerda do presidente, num canto, Dilma Rousseff, então ministra de Minas e Energia, discretíssima. Na mesma situação, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, hoje adversária. Ambas ficavam bem longe do centro do ringue, onde Dirceu e sua então mulher, Maria Rita, eram o destaque, logo atrás de Lula.

Dos políticos do Distrito Federal, Joaquim Roriz era o governador e Cristovam Buarque, ministro da Educação. Hoje, muitos daquela foto estão recolhidos ao obscurantismo, fora da cena deste sábado. Palocci presta consultoria em São Paulo, enquanto Dirceu se prepara para cumprir a sentença final do mensalão. Ontem, por exemplo, assistia ao julgamento pela tevê, no salão de festas do edifício em que mora, em São Paulo, ao lado da mulher, Evanise, do escritor Fernando Morais, da colunista Hildegard Angel e de mais 40 pessoas.

Atualmente, o mensalão parece absorvido pela população em termos eleitorais. Mas os personagens daquela foto mudaram. Muitos não se recuperaram das mazelas que recolheram ao longo do caminho. Palocci, por exemplo, perdeu o cargo lá atrás num mal-explicado caso de quebra de sigilo da conta de um caseiro. Conquistou uma lufada de poder quando coordenou a campanha de Dilma Rousseff à Presidência, mas, antes do primeiro ano de governo, estava fora por conta da compra de um apartamento de luxo em São Paulo. Lula e Dilma são vistos como sobreviventes. O presidente recordista em popularidade e intenções de voto enfrentou denúncias e um câncer. Dilma, guindada ao centro da foto, buscará a reeleição no papel de favorita.

Mas e o PT? Seu futuro é incerto. O partido, no momento, está mergulhado no processo interno de eleição direta, marcado por denúncias de compra de votos e acusações mútuas entre seus filiados. Enquanto isso, os aliados ficam por aí, à deriva, organizando seu jogo nos estados onde os petistas aparecem em sérias dificuldades. Nenhum dos estados comandados pelo PT será de fácil reeleição %u2014 Tarso Genro, no Rio Grande do Sul, que o diga. Para completar o quadro de dificuldades, a cena de hoje com a Esplanada recheada de tapumes só serve para reforçar a imagem de afastamento do povo, algo que preocupa setores do partido.

Amanhã, são esperadas quase 50 mil pessoas, mas não para confraternizar com Dilma. A expectativa é de protesto. O Grito dos Excluídos que, há 10 anos era um detalhe pós-desfile, vai juntar a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) na luta por eleições limpas em 2014 e por mais ética na política. Ingredientes e personagens que só fazem reforçar as cobranças por mais saúde e educação.

Antenada, a presidente Dilma aposta no Mais Médicos para tentar fazer refluir as reivindicações na área da saúde, pelo menos nas cidades do interior do país. O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, cuida de tentar aprovar o Plano Nacional de Educação, para dar o tom do discurso na outra grande área que o eleitor clama por melhorias.

Quanto à política, entretanto, o PT parece mais uma vez disposto a esperar que Lula embale suas campanhas em prol de governadores, senadores e bancadas de deputados federais e estaduais. Ocorre que, com o partido distante do povo e fustigado nas manifestações, talvez Lula não seja suficiente para embalar todos no sonho e na confraternização geral do Sete de Setembro, como ocorreu 10 anos atrás. No momento, os tapumes falam por si. Veremos se eles voltarão em 2014.

Fonte: Correio Braziliense