quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

OPINIÃO DO DIA: Eduardo Campos

"Temos a clara percepção de que as pessoas estão vendo que o País parou. Se quisermos salvar os próximos 20 anos, temos que fazer o que foi deixado para trás. Temos que recolher as bandeiras que foram ficando no caminho e ter coragem de levantá-las com a nossa história."

Eduardo Campos, “Campos apresenta programa de governo e diz que 'País parou'. O Estado de S. Paulo, 5 de fevereiro de 2014.

Governo não sabe causa do apagão que afetou 11 estados e Distrito Federal

Segundo ONS, sequência de falhas considerada ‘rara’ causou o corte

Ramona Ordoñez, Henrique Gomes Batista, Bruno Rosa e Danilo Fariello

RIO, BRASÍLIA, SÃO PAULO, CURITIBA e FLORIANÓPOLIS - Oapagão desta terça-feira atingiu 11 estados e o Distrito Federal. Foram afetadas as regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, além de partes do Tocantins, no Norte, prejudicando ao menos seis milhões de pessoas, segundo o Operador Nacional do Sistema (ONS). As distribuidoras informaram que 3 milhões de clientes tiveram o fornecimento de luz cortado. Considerando a média de quatro pessoas por domicílio, o apagão afetou cerca de 12 milhões de brasileiros. Este foi o décimo apagão do governo Dilma Rousseff, e causou o corte do fornecimento de cerca de cinco mil megawatts (MW), ou cerca de 7% do consumo nacional, provenientes da usina de Tucuruí, no Pará, na região Norte, para abastecer as regiões Sul e Sudeste do país.

O governo ainda não sabe a causa do problema, mas afastou a possibilidade de falta de investimentos, excesso de consumo causado pela onda de calor, incêndio ou raios. E reconheceu que o país está sob “estresse hídrico”, devido às poucas chuvas desse verão. Foi marcada uma reunião para amanhã entre ONS, representantes do governo e empresas do setor para tentar descobrir a causa do apagão e corrigir eventuais erros. Segundo analistas, o apagão desta terça mostra que o sistema está operando no limite e há risco de novas interrupções.

O corte no fornecimento ocorreu um dia após o país ter registrado um novo recorde de consumo devido ao forte calor. Na segunda-feira, o consumo chegou à marca inédita de 84.331MW. Nesta terça, o corte de energia começou às 14h03m. Segundo o ONS, o restabelecimento começou às 14h41m e, para 80% dos consumidores, a energia voltou em 30 minutos.

Segundo Hermes Chipp, diretor geral do ONS, o problema ocorreu na linha de transmissão de interligação das regiões Norte/Sudeste, que tem três circuitos. Dois circuitos apresentaram problemas quase simultaneamente no trecho da linha entre Miracema, no Tocantins, e Serra da Mesa, em Goiás. Um dos circuitos pertence ao fundo de investimento FIP Brasil e o outro à Taesa, da Cemig. Com dois problemas ao mesmo tempo, o terceiro circuito, da Eletronorte, desligou automaticamente para evitar sobrecarga que provocaria apagão ainda maior.

— O excesso de consumo por causa do calor não pode ter causado este incidente, pois as linhas de transmissão estavam atuando dentro dos parâmetros — disse Chipp, explicando que, da capacidade total de 5.100MW, a linha operava no patamar de 4.800MW.

— Um incidente como esse é raro. O sistema está preparado para enfrentar um problema. Apenas a linha de Brasília está adaptada para enfrentar duas falhas simultâneas — afirmou Chipp.

Os cortes de energia realizados nesta terça não foram automáticos, mas sim programados, ou seja, seguiram a um plano de contingência definido previamente pelas distribuidoras e informado ao ONS. Isso significa que os locais onde houve a interrupção do fornecimento foram selecionados com antecedência pelas empresas locais.

— Você evita cortar hospital, trem, metrô e abastecimento de água. Só corta residências e comércio — disse Chipp.

Governo admite ‘estresse hídrico’
Segundo Nivalde de Castro, coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel), da UFRJ, o apagão pode ter ocorrido pela combinação de calor em excesso e demanda elevada. Segundo ele e outros especialistas, o ONS agiu rapidamente para resolver a situação. Mas analistas do setor acreditam que o nível baixo dos reservatórios e o excesso de consumo podem provocar novos apagões.

O secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, reconheceu que o país vive um “estresse hídrico", com baixo nível de água nos reservatórios das hidrelétricas, uma vez que o mês passado foi o janeiro com menos chuvas nos últimos 60 anos. O apagão desta terça-feira foi considerado de médio porte e Zimmermann avaliou preliminarmente como positiva a reação do sistema, que teve uma recomposição rápida. O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, destacou que não houve o desligamento de toda uma região, diferentemente do blecaute da Região Nordeste, em agosto de 2013:

— O sistema funcionou.

O Palácio do Planalto não se manifestou sobre o apagão, numa estratégia para tirar da conta da presidente Dilma Rousseff os prejuízos de mais um problema de energia no país.

Colaboraram Luiza Damé, Leonardo Guandeline, Luis Lomba e Juraci Perboni

Fonte: O Globo

Apagão ressuscita o risco de racionamento

As elevadas temperaturas registradas em janeiro combinadas à maior estiagem para o mês em 60 anos expuseram ontem as graves deficiências do sistema elétrico nacional e ressuscitaram o pior pesadelo da presidente Dilma Rousseff: a possibilidade de o país anunciar um racionamento de energia no ano que ela tentará a reeleição. Apenas um dia depois de o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmar que o risco de desabastecimento de eletricidade no Brasil era "zero", uma simples falha numa linha de transmissão que liga o Norte ao Sudeste provocou, no início da tarde de ontem, um apagão — o décimo do atual governo —, que deixou 6 milhões de pessoas sem luz em 11 estados das regiões Norte, Sudeste, Sul e Centro-Oeste.

Na avaliação de especialistas, o modelo interligado, implantado por Dilma quando ela foi ministra de Minas de Energia, é frágil e está sofrendo com a falta de investimento adequado e de planejamento. Para eles, se a estiagem que assola o país continuar por mais dois meses, há o risco de a população conviver com sucessivos apagões, inclusive durante a Copa do Mundo. No entender dos analistas, ontem, houve um descompasso na distribuição das cargas entre o Norte e o Sul provocado pelo aumento do consumo. Desde 10 de janeiro, a demanda já bateu seis recordes, fruto do excesso de calor. O governo, no entanto, nega que o apagão tenha ocorrido por excesso de demanda.

Se não chover em níveis adequados nas próximas semanas, e o consumo continuar crescente, nas horas mais quentes do dia poderá haver um colapso no Sistema Interligado Nacional (SIN). A exemplo da série de apagões de grandes proporções que vêm atingindo o país desde 2008, os especialistas enxergam crescente fragilidade do setor energético, já que projetos importantes, que ampliariam a oferta de energia, como a Usina de Belo Monte, estão atrasados por má execução. O Plano Decenal de Energia, do próprio governo, prevê a necessidade de investimento médio anual de R$ 26 bilhões até 2022, mas esse valor tem ficado entre R$ 6 bilhões e R$ 10 bilhões por ano.

Desculpas de sempre
Como era de se esperar, para não sacramentar o vexame do ministro de Minas e Energia, o governo tentou minimizar a extensão do primeiro grande blecaute de 2014 e procurou desvincular sua ocorrência do aumento do consumo combinado aos baixos níveis dos reservatórios. Segundo o Operador Nacional do Sistema elétrico (ONS), órgão gestor das instalações de geração e distribuição de energia, chegaram às hidrelétricas do país somente 55% da água das chuvas esperadas para janeiro. Trata-se do menor nível desde 1954.

O acúmulo de problemas coloca em xeque o modelo criado por Dilma, em vigor desde 2003. Curiosamente, apesar de Brasília não ter sido afetada pelo apagão, a presidente despachou ontem no Palácio da Alvorada, residência oficial, devido à manutenção do ar-condicionado de seu gabinete , no Palácio do Planalto.

"O evento ocorrido ontem pode ser considerado de médio porte, pois comprometeu só 8% da carga envolvida. De toda forma, é cedo para avaliar o fato, que ainda será investigado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)", contemporizou o secretário executivo de Minas e Energia, Márcio Zimmermann. Ele repetiu o discurso de Lobão, para "levar tranquilidade ao mercado e à população", e descartou novos riscos de corte de luz em razão da falta de chuvas e da queda no nível dos reservatórios de hidrelétricas. A torcida, destacou ele, é para que o início do chamado período úmido, no fim de fevereiro, mude a situação.

Para Zimmermann, a falha nada tem a ver com a sobrecarga ao sistema, que está "equilibrado". O secretário também rebateu a aposta de analistas de elevação do risco de racionamento de 5% (média padrão adotada pelo governo) para 20%. "Disseram isso em 2008 e 2012, mas nada ocorreu. Os problemas são conjunturais e não estruturais", discursou.

Conforme o ONS, o acidente, ainda sem causas conhecidas, ocorreu às 14h03, e a chamada "perturbação" no SIN foi detectada entre as cidades de Colinas (TO) e Minaçu (GO), onde está localizada a hidrelétrica de Serra da Mesa. O transtorno interrompeu o fornecimento de aproximadamente 5 mil MW (megawatts) por, pelo menos, 40 minutos. Mas houve cidade em que faltou luz por mais de uma hora. "Para evitar a propagação do evento, desligou-se, automaticamente, o sistema de cargas selecionadas pelos distribuidores locais", assinalou o diretor-geral do órgão, Hermes Chipp.

Fonte: Correio Braziliense

João Paulo se entrega, descarta renúncia e ataca Supremo

Barbosa assina mandado de prisão quase um mês depois de concluir o caso do deputado e ex-presidente da Câmara, que terá processo de cassação analisado a partir da semana que vem

Eduardo Bresciani

BRASÍLIA - O deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) foi preso nesta terça-feira, 4, em Brasília. Antes de se entregar no presídio da Papuda, por volta das 19h30, divulgou uma carta com ataques ao Supremo Tribunal Federal. Diferentemente dos outros três deputados condenados no julgamento do mensalão, João Paulo decidiu não renunciar ao mandato. Agora, vai enfrentar o processo de perda de mandato, que pode ser aberto na próxima semana.

Presidente da Câmara entre 2003 e 2004, o deputado foi condenado definitivamente a 6 anos e 4 meses de prisão por peculato e corrupção por irregularidades no contrato da Casa com a agência de publicidade SMPB, de Marcos Valério, preso desde novembro, e pelo recebimento de R$ 50 mil que teria como objetivo beneficiar a empresa na licitação.

Ele ainda foi condenado a mais 3 anos de prisão por lavagem de dinheiro por ter usado sua mulher para sacar os recursos no Banco Rural, mas terá direito a uma nova análise desta sentença por meio de embargo infringente. O deputado começará a cumprir pena no regime semiaberto.

O trânsito em julgado das condenações foi decretado pelo presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, em 6 de janeiro, no seu último dia de trabalho antes das férias. Barbosa, porém, viajou sem emitir o mandado de prisão. Os ministros Ricardo Lewandowski e Cármen Lúcia, que assumiram interinamente o comando da Corte nas férias do titular, também não assinaram o documento. De volta ao trabalho nesta semana, Barbosa, que é relator do processo do mensalão, expediu ontem o mandado.

Conflitos. A prisão de mais um petista ocorre em um cenário de conflitos entre o partido e o STF. A sigla tem feito a defesa pública dos condenados, com militantes trabalhando na arrecadação de recursos para o pagamento das multas impostas a condenados como José Genoino, ex-presidente do PT, e Delúbio Soares, ex-tesoureiro. Na véspera da prisão de João Paulo, o vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR), demonstrou durante a sessão de abertura do ano legislativo o espírito de enfrentamento ao repetir ao lado de Barbosa o mesmo gesto feito Genoino e pelo ex-ministro José Dirceu ao se entregarem em novembro.

O conflito deve se arrastar diante da decisão de João Paulo de defender a manutenção de seu mandato. A Câmara vai agora decidir sobre a abertura de um processo de cassação, enquanto o STF se posicionou em 2012 no processo defendendo que a perda de mandato é automática.

A opção por um processo, que pode ser aberto na próxima semana pela Mesa Diretora, não é visto pela Câmara como descumprimento pelo fato de o posicionamento da Corte sobre a perda de mandato estar ainda pendente da análise de embargo infringente. No processo que deve ser aberto, a decisão final será tomada em plenário, mas com voto aberto.

Carta. Na carta divulgada nesta terça, o deputado lembra ter sido salvo pelos colegas em outra ocasião e destaca ter sido eleito duas vezes depois da divulgação do caso. "Em defesa das prerrogativas constitucionais que garantem as competências do Poder Legislativo para decidir sobre os mandatos de seus membros, estou preparado para o legítimo julgamento do plenário da Câmara dos Deputados. Onde provarei, novamente, que não pratiquei nenhuma irregularidade, sendo inocente em relação aos crimes dos que sou acusado", diz o texto.

O deputado descreve o julgamento como um "show midiático", diz que pedirá revisão criminal e que levará o tema a organismos internacionais. Faz ainda uma série de ataques a Barbosa. "Um presidente do STF que trata um réu como se estivéssemos na Idade Média, tentando amordaçá-lo e desprezando provas robustas de sua inocência, presta um desserviço ao aperfeiçoamento das instituições democráticas do País."

João Paulo está entre os presos que pode ser direcionado para um regime de pena mais grave, no caso o fechado, após o julgamento dos embargos infringentes. Se for mantida a sua condenação por lavagem de dinheiro ele perderia o direito a semiaberto. O mesmo aconteceria com Dirceu e Delúbio, que terão nova análise das condenações por formação de quadrilha. Os embargos infringentes, tidos pelas defesas como uma oportunidade de novo julgamento, não tem data ainda para serem analisados.

Colaboraram Débora Álvares e Mariângela Gallucci

Fonte: O Estado de S. Paulo

Câmara vai discutir processo de cassação de João Paulo Cunha na semana que vem

Votação em plenário sobre cassação de Donadon e suspensão de Leréia também foram marcadas para quarta-feira da próxima semana

Isabel Braga

BRASÍLIA - A Secretaria Geral da Câmara recebeu formalmente na tarde desta terça-feira o comunicado do Supremo Tribunal Federal (STF) para a prisão do deputado João Paulo Cunha (PT-SP). A reunião da Mesa Diretora para definir como será o processo para a perda de mandato do deputado petista foi marcada para a próxima quarta-feira, dia 12, às 10h. O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) tratou do assunto em reunião com líderes nesta terça-feira.

O líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR), defende a cassação imediata do mandato de João Paulo Cunha.

- Ele está querendo ser deputado presidiário e isso a Câmara não pode admitir - disse Bueno, informando que levaria o assunto para reunião de líderes. Para ele, a Mesa da Câmara deve simplesmente decretar, de ofício, a perda do mandato.

- Foi essa a decisão do Supremo Tribunal Federal no julgamento do mensalão. Seguir outro entendimento é caminhar em direção à desmoralização. A condenação representa perda automática dos direitos políticos e o plenário da Câmara não pode reverter isso - avalia Bueno.

João Paulo foi condenado a nove anos e quatro meses de prisão por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro. Ele ainda tem um recurso para ser julgado no crime de lavagem, caso seja absolvido a pena vai ser reduzida para seis anos e quatro meses.

Caso Donadon
O presidente da Câmara comunicou aos líderes na reunião que marcou para a quarta-feira da semana que vem a votação, em plenário, da cassação do deputado-presidiário Natan Donaton (sem partido-RO). Será a segunda sessão para votação do mandato do deputado, mas desta vez a votação não será secreta.

A Câmara também irá votar o pedido de suspensão por 30 dias do exercício do mandato do deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), investigado por suspeita de envolvimento com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

No ano passado, mesmo preso, Natan Donadon conseguiu manter seu mandato porque a votação foi secreta e não foi alcançado o quórum mínimo para cassá-lo, de 257 votos sim. Essas serão as primeiras votações de cassação de mandato com voto aberto.

Fonte: O Globo.

Gilmar Mendes suspeita de lavagem de dinheiro em doação para multas de petistas

Ministro do STF defende que Ministério Público investigue arrecadação de campanhas movidas por Genoino e Delúbio

Carolina Brígido

BRASÍLIA - O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu nesta terça-feira que o Ministério Público investigue a arrecadação financeira feita por condenados no processo do mensalão para pagar multas que lhe foram impostas. Para o ministro, há indícios de lavagem de dinheiro. Para pagar as multas, o ex-deputado José Genoino (PT-SP) e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares pediram dinheiro a militantes e simpatizantes por meio de páginas na internet. O primeiro arrecadou quase R$ 700 mil. As cifras de Delúbio ultrapassaram R$ 1 milhão. Ambos foram condenados por participar do esquema de desvio de dinheiro público e pagamento de mesada à base aliada no governo Lula.

— Arrecadar R$ 600 mil num dia. São coisas que precisam ser refletidas. A sociedade precisa discutir isso. Tem elementos para uma investigação (pelo Ministério Público). Se for um fenômeno de lavagem? De dinheiro mesmo de corrupção? Quer dizer: as pessoas são condenadas por corrupção e estão agora festejando coleta de dinheiro. É algo estranho — afirmou.
O GLOBO mostrou no último sábado que em 9 dias, Delúbio arrecadou mais dinheiro que ONGs importantes, como a Pastoral da Criança e o Greenpeace.

Gilmar lembrou que os políticos acusados no processo foram condenados por corrupção, não por crime político. Por isso, ele considera grave a forma de arrecadação do dinheiro para pagar as multas.

— Agora, vem essa massa de dinheiro. Será que vão também fazer uma arrecadação para devolver todo o dinheiro que foi desviado? Tudo estranho. É interessante que todos nós estamos noticiando isso como se fosse só um fato corriqueiro. Não, não é um fato corriqueiro, há algo de grave nisso. E precisa ser investigado. E essa gente, eles não são criminosos políticos, não é gente que lutava por um ideal e está sendo condenado por isso. São políticos presos por corrupção — declarou.

O ministro também levantou suspeita sobre o emprego que foi oferecido ao ex-ministro da Casa Civil José Dirceu pelo hotel Saint Peter. Gilmar insinuou que Dirceu poderia ser dono de parte da empresa.

— Se formos olhar o episódio do hotel, em que alguém oferece um emprego de 20 mil para um suposto reeducando, com propriedade no Panamá... Ele (Dirceu) era também dono do hotel? Era empregado e empregador? Veja quanta coisa está sendo colocada —observou.
Gilmar reclamou das diversas críticas de que o julgamento do mensalão teria sido político. O processo foi julgado no segundo semestre de 2012 pelo plenário do STF e resultou em 25 condenações.

— O julgamento foi claro, inclusive quanto à participação de pessoas insuspeitas, de simpatias por outros lados, vocês viram o resultado. Há esse discurso agora de julgamento político. Que um eventual condenado tente descaracterizar a legitimidade da condenação é compreensível. Agora daí, outros setores, a gente tem que ficar desconfiado. Então, se a gente olha a coleta de dinheiro, esse tipo de manifestação, serviço num hotel que pertence a alguém no Panamá por R$ 20 mil, se a gente soma tudo isso, há algo a mais no ar do que avião de carreira. Está estranhíssimo — comentou.

O PSDB protocolou pedido de investigação sobre as doações nesta terça-feira, na Procuradoria-Geral da República (PGR). Assinada pelo líder do partido na Câmara, Carlos Sampaio (SP), o pedido afirma que a arrecadação pode se enquadrar em crime de lavagem de dinheiro, “na medida em que, em tese, se dissimulou a natureza, a origem ou a propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente”. O deputado pede o levantamento da lista dos doadores.

Fonte: O Globo

Bancada do PMDB ameaça entregar cargos na Esplanada

Vera Rosa

Insatisfeita com a proposta feita na segunda-feira pela presidente Dilma Rousseff para reacomodar o PMDB na reforma ministerial, a bancada do partido na Câmara ameaça se rebelar contra o governo e entregar os dois cargos que controla na Esplanada dos Ministérios. Foi com esse objetivo que o líder do PMDB na Câmara, deputado Eduardo Cunha (RJ), convocou uma reunião de emergência com os 76 deputados federais da bancada para quarta-feira, 05. Na reunião de segunda à noite com o vice-presidente Michel Temer e líderes do PMDB, Dilma ofereceu o Ministério da Integração Nacional para o senador Eunício Oliveira (CE). Em troca, o PMDB cederia a vaga de Turismo para Benito Gama, do PTB.

Eunício é pré-candidato ao governo do Ceará e o convite a ele foi feito com o objetivo de tirá-lo do páreo na disputa, abrindo caminho para um acordo entre o PT e o PROS do governador Cid Gomes. O senador não aceitou o convite. A bancada do PMDB no Senado insiste na nomeação de Vital do Rêgo (PB) para Integração Nacional, mas Dilma aposta na reforma para resolver pendências na formação dos palanques nos Estados.

Depois da tensa reunião com Dilma, no Palácio do Planalto, Vital do Rêgo, Eunício Oliveira, Eduardo Cunha e os presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves, e do Senado, Renan Calheiros, além dos líderes do PMDB e do PTB no Senado, Eduardo Braga e Gim Argelo, reuniram-se com Michel Temer, no Palácio do Jaburu. Temer tenta acalmar os ânimos no partido, já que uma ala da sigla ameaça não apoiar a reeleição de Dilma.

Deputados licenciados pelo PMDB, o ministro do Turismo, Gastão Vieira; e da Agricultura, Antônio Andrade, já anunciaram que deixarão os cargos até o carnaval para concorrer a mais um mandato parlamentar. O problema é que Dilma não aceita a indicação da bancada peemedebista na Câmara para essas vagas e, ainda, quer trocar Turismo por Integração Nacional, desde que o nomeado seja Eunício, para resolver o problema de Cid Gomes.

Se Eunício não aceitar a oferta, como tem dito, o Ministério da Integração Nacional ficará sob controle do PROS, de Cid Gomes. "O clima é tenso e vamos tomar uma posição amanhã, às 15 horas. A bancada do PMDB na Câmara tem de ser tratada como foi até hoje. Se for tratada fora desse processo, entregaremos os cargos", disse Cunha.

O PMDB quer ampliar o seu espaço na Esplanada de cinco para seis ministérios, mas até agora não recebeu oferta nesse sentido. Caso não consiga Integração Nacional - objeto do desejo de Vital do Rêgo -, o partido está de olho na Secretaria dos Portos - hoje também com o grupo de Cid Gomes - e no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Fonte: O Estado de S. Paulo

PSDB entra com representação contra André Vargas por falta de decoro

Ao lado de Joaquim Barbosa, Vargas repetiu várias vezes o gesto de punho erguido feito pelos mensaleiros

Henrique Alves diz que não vê no ato motivo para quebra de decoro parlamentar

Adriana Mendes, Isabel Braga e André de Souza

BRASÍLIA – O líder do PSDB na Câmara , Antonio Imbassahy (BA), protocolou nesta terça-feira na Corregedoria da Câmara representação por quebra de decoro parlamentar contra o vice-presidente da Casa, deputado André Vargas (PT-PR). Ontem, sentado ao lado do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) na abertura do ano do Congresso, Vargas repetiu várias vezes o gesto de punho erguido feito pelos mensaleiros na hora da prisão. Para o líder tucano, houve uma afronta ao presidente do Supremo.

Segundo a representação, a atitude constitui um desrespeito à autoridade que se encontrava na dependência da Casa e viola o Código de Ética e Disciplina Parlamentar.

“Vargas é vice-presidente de um Poder, o Legislativo, e deve se comportar com a dignidade que o cargo requer, e não desrespeitando o presidente de outro poder, o Judiciário. Foi uma chacota à Justiça, um total acinte. A sociedade não aceita esse tipo de desrespeito. Ele perdeu todas as condições de permanecer no cargo”, afirmou Imbassahy na representação.

Em nota, o deputado André Vargas justificou que o gesto feito por ele ao lado de Joaquim Barbosa foi uma saudação direcionada exclusivamente " aos companheiros dele em plenário. O petista diz ainda que sempre pautou sua vida pública em defesa e respeito ás instituições.

"E dessa forma procedi (ontem) ao cumprimentar o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, naquela ocasião, com aperto de mãos, como demonstram fotografias anexas", diz um trecho da nota.

O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), preferiu minimizar o episódio. Alves não vê no ato motivo para quebra de decoro.

- Você pode discutir a questão da oportunidade, se foi um gesto de falta de gentileza, de cordialidade. Mas é o direito do parlamentar de se expressar. Não é usual, mas foi um gesto dele que assim se manifestou talvez de forma mais emocional do que racional, mas não a ponto de uma quebra de decoro parlamentar – disse Henrique Alves ao chegar à Câmara na tarde de hoje.
Indagado se houve exagero da parte do PSDB, Henrique respondeu:

- De ambos os lados.

Os petistas saíram em defesa de André Vargas. O deputado Amauri Teixeira ((PT-BA) classifica a representação do PSDB como um factoide.

- Ele não distratou (Joaquim Barbosa) e não maltratou. É factoide o que o PSDB quer fazer. Ele apenas se manifestou.

Durante a cerimônia, o petista fazia troça com colegas no plenário e também postou nas redes sociais ironias sobre o ministro. No momento da leitura da mensagem presidencial ontem , quando Barbosa saiu da Mesa e se ausentou do plenário, André Vargas fotografou a cadeira ao seu lado vazia e postou no Instagram com a legenda: “Joaquim sumiu?”.

Na representação, o PSDB também menciona a troca de mensagens flagradas pelo jornal “O Estado de S.Paulo” em que o petista sugere que gostaria de “dar uma cotovelada” no presidente do STF. André Vargas justificou que o conteúdo das mensagens fotografadas “além de não serem ofensivas, são de cunho privado”.

Crítico de Barbosa, no domingo André Vargas criticou o presidente do Supremo por causa da publicação de uma foto ao lado de um empresário foragido, em Miami. "Joaquim Barbosa tira foto em Miami com empresário foragido. “Cadê os moralistas da mídia brasileira? Se fosse o Lula!", escreveu Vargas.

Fonte: O Globo

Dilma comanda 'pacto mofado', diz Campos

Ao lado de Marina Silva, pré-candidato do PSB à Presidência lança diretrizes de governo e afirma que 'o país parou'

Secretário-geral do PSB diz que a ex-senadora será candidata a vice-presidente na chapa; Marina desconversa

Ranier Bragon, Bernardo Mello Franco

BRASÍLIA - O pré-candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, fez ontem seu mais duro ataque ao governo Dilma Rousseff ao lançar, ao lado de Marina Silva, as diretrizes de seu programa de governo.

Em discurso para um plenário lotado de correligionários, ele afirmou que o país "parou" e está sendo comandado por um "pacto mofado", baseado no patrimonialismo e no loteamento de cargos.

Possível vice na chapa, Marina atacou a reforma ministerial de Dilma dizendo, sem citar o nome da petista, que ela herdou e comanda hoje o "entulho da velha política".

"As pessoas estão vendo que o país parou. Que o país saiu do trilho em que vinha", disse Campos, para quem o PT já estaria "desesperado" com a possível derrota: "A sociedade brasileira não tolera mais este velho pacto político que mofou. Não há, neste país, ninguém que ache que mais quatro anos do que está aí vá fazer bem ao povo brasileiro. Nem eles mesmos".

Tanto Campos quanto Marina são dissidentes do governo petista --a ex-senadora saiu em 2008; o PSB de Campos, em setembro de 2013.

Ontem ele disse que não se envergonha de ter apoiado a eleição de Dilma e que saiu "pela porta da frente". Tanto ele como Marina evitaram críticas ao ex-presidente Lula.

"Não podemos botar cabresto na democracia. Querer enquadrar o debate político distribuindo cargos ou pensando que todos se põem de joelhos diante do poder."

Em 2010, Campos se reelegeu governador de Pernambuco numa aliança de 15 partidos. Parte deles ganhou cargos em seu secretariado.

O secretário-geral do PSB, Carlos Siqueira, apresentou Marina como vice da chapa. A ex-senadora desconversou, mas pela primeira vez desde que anunciou a adesão ao projeto de Campos, em outubro, foi direta ao dizer que o candidato é o governador, saudando-o como "futuro presidente do Brasil".

Mais cedo, ela disse que "vice quem define é o candidato, e o candidato é ele". A declaração animou políticos próximos a Campos que temiam pressão para inverter a chapa e lançar Marina, mais bem colocada nas pesquisas.

Ao citar o "entulho da política", Marina se referia à tendência dos políticos de privilegiar a busca de aliados para aumentar o tempo na propaganda eleitoral na TV.

Nos bastidores, porém, o PSB busca o apoio do PV e do PDT para tentar elevar a exposição de Campos na TV, hoje a mais baixa entre os três principais pré-candidatos a presidente. Ontem o PPS anunciou oficialmente o apoio à chapa do governador.

As diretrizes de Campos foram apresentadas em um documento em que é dito que o atual modelo político e de desenvolvimento econômico e social está "esgotado".

Embora a política econômica do governo Dilma esteja sob crescente questionamento no mercado, o documento da aliança é omisso quanto às contas públicas, à inflação e ao deficit do país nas transações externas.

O texto defende uma "vigorosa" política de incentivo à indústria, sem detalhar suas diferenças em relação à atual. Há ainda pregação de melhoria da infraestrutura, mais inovação, menos desigualdades sociais e outros clichês dos programas de governo.

Fonte: Folha Online

Em seu discurso mais forte, Eduardo Campos critica o PT e o governo Dilma

Para Campos, petistas ‘se agarram’ a cargos e já se desesperam com a possibilidade de perder poder

Maria Lima, Paulo Celso Pereira

BRASÍLIA - No discurso formal do ato de lançamento das diretrizes do programa de governo da aliança PSB-Rede, o presidenciável Eduardo Campos inaugurou o estilo que pretende levar para a campanha eleitoral, rompendo de vez sua relação com o governo do PT. Na sua fala mais dura feita como pré-candidato, Campos fez críticas pesadas à gestão da presidente Dilma Rousseff e aos petistas que, segundo ele, temem perder o poder e os cargos.

Disse estar preparado para os ataques que virão e que não vai temer o debate, mesmo com o nível dos ataques já muito baixo contra a candidatura dele:

- Não tememos o debate, nem (tememos) enfrentar o desespero dos que já se batem e se agarram a cargos. (não tememos o debate) com os que não pensam na nação, e já se desesperam com a possibilidade de perder poder e os cargos.

Direcionando críticas para os discursos da presidente Dilma Rousseff, nos quais ela alega as dificuldades da economia mundial, o ex-aliado do PT afirmou:

- Não podemos ficar tapando o sol com a peneira, de que os problemas estão lá fora. Muitos dos problemas estão aqui dentro e precisam de liderança. De alguém que tem a sinergia e consiga resolver os problemas não com conversas e promessas (discursos).

Sobre as políticas sociais, que afirmou considerar importantes, disse que é preciso que elas sejam protegidas pelo crescimento na economia:

- Se não, é enxugar gelo. Não seguram as conquistas. Não há política social que faça efeito sem desenvolvimento. Se não, é o que estamos vendo agora: crescimento do analfabetismo, emprego perdendo qualidade, país perdendo competitividade. Vamos legar o quê para as futuras gerações deste país?

Ao pregar que é preciso reconquistar novas práticas da política no país, Eduardo Campos afirmou que não se arrependeu de ter apoiado o PT e os governos petistas:

- Ninguém que está aqui se arrepende de ter ajudado a eleger Lula e Dilma. Mas da mesma forma que nos empenhamos pelas conquistas, tivemos a capacidade de sair pela porta da frente.

Para Eduardo Campos, a sociedade exige mudança. Disse que não vê, nos quatro cantos do país, pessoas que acham que mais quatro anos do atual governo vão fazer bem ao país. E alertou para o risco da perda de conquistas democráticas:

- Eu conheço o fel da ausência da democracia. Sei o quanto custou a quem já não está mais aqui a luta pela conquista democrática. Não podemos botar cabresto na democracia, distribuindo cargos e pensando que todos se põem de joelho diante do poder do dia. Não! Tem muitos que têm coragem e carregam na consciência as lutas pela democracia e se rebelam pelo o que aí está.

Questionado sobre o tom duro do discurso, Campos afirmou que não terá medo de levantar o debate político.

- Eu elogiei o Lula e as conquistas que ajudamos a trazer. Mas agora é a hora do debate político que eu vou fazer sem medo. Aqui, ninguém treme não. Os cabras lá não conhecem a natureza de uma pessoa que nasceu onde eu nasci – disse Eduardo Campos.

Fonte: O Globo

Campos apresenta programa de governo e diz que 'País parou'

Ao lado de Marina Silva, governador e provável candidato à Presidência criticou 'letargia do Estado' e afirma que educação será prioridade

Erich Decat

BRASÍLIA - Protagonista do lançamento das diretrizes da campanha presidencial do PSB, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, utilizou parte do discurso para criticar o que classificou como letargia do Estado brasileiro. O evento foi realizado na Câmara dos Deputados nesta terça-feira, 4, e contou com a participação da ex-ministra Marina Silva e alguns parlamentares do PPS, PDT e PROS.

"Temos a clara percepção de que as pessoas estão vendo que o País parou", disse Campos, provável candidato à Presidência. Assim como Marina, o dirigente defendeu a manutenção das atuais conquistas sociais, mas disse que é preciso resgatar bandeiras deixadas para trás ao longo dos últimos anos. "Se quisermos salvar os próximos 20 anos, temos que fazer o que foi deixado para trás", afirmou. "Temos que recolher as bandeiras que foram ficando no caminho e ter coragem de levantá-las com a nossa história."

Campos também criticou o que chamou de apropriação do Estado por parte de partidos, uma referência indireta à atual reforma ministerial iniciada pela presidente Dilma Rousseff. "Temos coragem de dizer desde já: o Estado não pode ser apropriado". Também sem citar nominalmente os adversários, o governador mandou o recado de que durante a campanha presidencial não pretende "baixar o nível" do debate. "Não vamos fazer o jogo daqueles que querem baixar o nível do debate político", afirmou.

Na primeira semana de janeiro, um texto publicado no Facebook do PT nacional classificava o governador de Pernambuco como "tolo", "playboy mimado" e como candidato "sem projeto, sem conteúdo e sem compostura política" para disputar a Presidência da República neste ano.
"O desespero já se abate sobre alguns, que não pensam na nação", ironizou Campos no evento.

Segundo ele, a prioridade do partido será a educação. "Sonho em ver a classe média ou executivos matriculando seus filhos na escola pública."

O documento apresentado hoje contem 70 páginas e, conforme antecipou o Broadcast Político, as diretrizes serão divididas em cinco eixos: Estado e a democracia de alta intensidade; Economia para o desenvolvimento sustentável; Educação, cultura e inovação; Políticas sociais e qualidade de vida; Novo urbanismo e o pacto pela vida.

Marina Silva, por sua vez, afirmou que é preciso ampliar as conquistas dos brasileiros. As declarações reforçam o possível mote de campanha do partido de que é preciso manter as conquistas das últimas décadas realizadas nos governos do PSDB e PT, mas fazê-las avançar.

Antes do evento, a ex-ministra reafirmou que o candidato da coligação é Campos e cabe a ele definir quem ocupará a vice-candidatura. Dentro da Rede, há expectativas de que ela anuncie a vice até março.

Ao longo do discurso Marina também focou as críticas no modelo de coalização dos partidos, segundo ela, baseado no tempo de TV e estruturas de cada legenda. "Essa política com base em estruturas precisa mudar", afirmou. "Se Eduardo Campos ganhar [a disputa presidencial] só haverá um a quem se deve agradecer, o povo brasileiro."

Fonte: O Estado de S. Paulo

PPS, PSB e Rede passam a elaborar juntos programa de governo de Eduardo Campos

Por: Assessoria do PPS

A direção do PSB e da Rede Sustentabilidade, capitaneadas pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e pela ex-senadora Marina Silva reuniram-se, na sede do PPS, com o presidente do partido, deputado Roberto Freire (SP), com o líder da legenda na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR), parlamentares e outras lideranças políticas para entregar o documento contendo as diretrizes iniciais que vão compor o programa de governo da aliança.

A partir dessa iniciativa, o PPS passa a participar, oficialmente, da elaboração do programa de governo de Campos. No encontro, o governador pernambucano lembrou que o PCB/PPS e o PSB já travaram muitas lutas juntos no passado e afirmou que os dois partidos sempre tiveram muita proximidade. Segundo o governador e pré-candidato a presidente, as ideias do documento estão colocadas em debate, que será fundamentado em três pontos principais: preservar as conquistas, melhorar a democracia e retomar o desenvolvimento sustentável, já que, na sua avaliação, o país parou. “Nossa dinâmica econômica está muito menor do que a do mundo”.

Mudança
Campos voltou a condenar o modelo de desenvolvimento econômico do governo do PT, falou sobre seu esgotamento, a concentração de renda que ele gera e a existência de “indicadores preocupantes”. Segundo o governador, a união do PSB com o PPS significa o “realinhamento do campo progressista”. Ao se referir ao governo petista declarou: “O que está aí não vai legar nada de bom para o país; se eu estivesse convencido de que a continuidade era boa para o país estaríamos caminhando juntos (com o PT)”.

O governador afirmou ainda que sabia que iria encontrar o PPS na sua jornada rumo ao Palácio do Planalto, “ajudando a encontrar o caminho” do que é possível empreender para melhorar a vida dos brasileiros. “Estamos confiantes de que o Brasil não vai querer a reeleição, por mais que eles (os petistas e seus aliados) tenham tempo de televisão (na campanha) e poder”. Campos deixou claro também que espera compartilhar com o PPS não só o programa de governo, mas as alianças nos estados.

A ex-senadora Marina Silva ressaltou que o país vive um “atraso na política governamental” e disse que é preciso buscar conquistas possíveis. Ela defendeu a aliança programática da pré-candidatura de Eduardo Campos e condenou as composições políticas baseadas na “oferta de pedaços do Estado”.

Roberto Freire
“Tínhamos uma ideia na origem e estamos reencontrando essa ideia de tentar mudar o Brasil”, disse o deputado Roberto Freire ao receber o documento das mãos de Eduardo Campos, referindo-se à aposta que um dia o PPS fez no governo do PT. O partido rompeu com a administração Lula em 2004. Segundo Freire, o que levou o PPS a buscar a aliança com Campos foi a premência de viabilizar uma alternativa para o Brasil.

Segundo o presidente do PPS, o país enfrenta estrangulamentos, e é necessário “tomar outra direção”. Na avaliação de Freire, a eleição presidencial de 2014 “será presidida pelo princípio da mudança”. Ele ressalvou, porém, que não basta o novo pelo novo, e citou o caso da prefeitura de São Paulo como exemplo de mudança para pior. “A liderança de Eduardo Campos demonstra que essa aliança busca uma mudança com responsabilidade”.

Freire disse ainda que Eduardo e Marina são “muito bem-vindos e que o PPS vai ajudar no programa de governo por meio da Fundação Astrojildo Pereira, dirigida pelo vereador Raul Jungmann, de Recife. “A mudança concreta aqui se inicia”, afirmou ao final do encontro.

Participaram do encontro no PPS os deputados federais do PPS Arnaldo Jardim (SP), Stepan Nercessian (RJ) e a deputada Carmen Zanotto. Também estavam presentes a deputada distrital e pré-candidata ao governo do Distrito Federal, Eliana Pedrosa; o vice-prefeito de Manaus e pré-candidato ao governo do Amazonas, Hissa Abrahão; o deputado estadual licenciado e secretário de Gestão Pública do Estado de São Paulo, Davi Zaia; o tesoureiro do partido e secretário de Pesca de Alagoas, Regis Cavalcante; e o dirigente do PPS-SP Carlos Eduardo Fernandes. Dentre os representantes do PSB, estavam o senador Rodrigo Rollemberg (DF), o líder do partido na Câmara, deputado Beto Albuquerque (RS), e o prefeito de Recife Geraldo Júlio.

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Dilma comanda abafa sobre risco energético

André Borges, Daniel Rittner e Raymundo Costa

BRASÍLIA - O risco de um apagão às vésperas da eleição de outubro, e, o que é pior, num ano em que o país sedia a Copa do Mundo, assombra o Palácio do Planalto e a presidente Dilma Rousseff. Não é à toa que a presidente, em pessoa, organizou a ofensiva do governo ontem para tentar tranquilizar o país sobre a situação dos reservatórios e da oferta de energia.

Em meio a essa operação, o governo se viu surpreendido na tarde de ontem por um apagão que afetou 7% do consumo do país e procurou, insistentemente, desvincular as duas situações. "Queremos deixar uma mensagem de extrema tranquilidade", afirmou o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann.

Advertida sobre o cenário de baixo volume de chuvas e queda nos reservatórios, Dilma convocou o ministro Edison Lobão ao Palácio da Alvorada e determinou à cúpula do setor elétrico uma resposta contundente para afastar os temores de um déficit de energia neste ano, um risco crescente, como publicou ontem o Valor.

"O sistema está equilibrado", garantiu Zimmermann, descartando medidas de estímulo à redução do consumo. Ele fez questão de ressaltar que, dos 21 mil megawatts disponíveis no parque instalado de usinas térmicas, estão sendo efetivamente utilizados 15 mil MW

Fonte: Valor Econômico

Apagão afeta 6 milhões e operação-abafa é frustrada

Daniel Rittner e André Borges

BRASÍLIA - Em meio à operação-abafa desencadeada para negar os riscos de desabastecimento de energia elétrica em 2014, o governo se viu surpreendido ontem por um apagão que afetou 7% do consumo do país, mas procurou insistentemente desvincular essas duas situações e considerou um "sucesso" a normalização do sistema após os cortes de luz. "Queremos deixar uma mensagem de extrema tranquilidade", afirmou o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, em entrevista convocada minutos antes do apagão.

Advertida sobre o cenário de baixo volume de chuvas e queda dos reservatórios, a presidente Dilma Rousseff chamou o ministro Edison Lobão para uma reunião no Palácio da Alvorada e determinou à cúpula do setor elétrico uma resposta contundente para afastar os temores de um déficit de energia neste ano, conforme demonstrou o Valor em sua edição de ontem. "O sistema está equilibrado", garantiu Zimmermann, descartando medidas de estímulo à redução do consumo.

De acordo com o secretário, há um "equilíbrio estrutural" entre oferta e demanda. Ele fez questão de ressaltar que, dos 21 mil megawatts (MW) disponíveis no parque instalado de usinas térmicas, estão sendo efetivamente usados 15 mil MW. E buscou desatrelar o apagão de um suposto "estresse" do sistema elétrico, com os seguidos recordes de demanda verificados nos últimos dias - ontem, às 15h32, foi atingido o pico histórico de 84.331 MW. Foi o sexto recorde batido desde o início deste ano.

Zimmermann evitou comentar, embora muito questionado, se o risco de déficit nas regiões Sudeste e Centro-Oeste chegou mesmo aos 20% apontados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Ele preferiu remeter-se a previsões feitas em anos anteriores, quando o país também enfrentou períodos rigorosos de estiagem, com queda do estoque de água nas hidrelétricas. "Em 2008, tivemos vários especialistas dizendo que o risco era 20%. Mais uma vez, em 2014, estamos trabalhando com equilíbrio estrutural", afirmou.

As causas do apagão de ontem, que afetou 6 milhões de pessoas em quatro regiões do país, devem ser discutidas em uma reunião da cúpula do setor elétrico já agendada para amanhã.

O governo se esforçou, no entanto, para destacar aspectos positivos do sistema interligado nacional. Zimmermann disse que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) teve uma "atuação correta" e frisou que a "integridade" da operação foi preservada. Ele classificou o episódio como um apagão de "médio porte".

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, foi ainda mais incisivo. Para ele, poderia até ter ocorrido um efeito-dominó, com apagões mais extensos. "Aparentemente, houve um sucesso nessa operação. O sistema funcionou, cortou pequenas cargas em algumas regiões e não houve um desligamento geral."

Lembrando o rigor da atual estiagem, com o pior janeiro desde 1954 no Sudeste/Centro-Oeste, Tolmasquim afirmou que cortes de carga semelhantes antes produziam transtornos maiores em regiões inteiras. "Houve um avanço aparente, que ainda precisa ser confirmado, em relação a fenômenos do passado."

Paralelamente ao fantasma do déficit de energia, há indefinição ainda sobre o acerto de contas que deverá ser feito com as distribuidoras, a fim de evitar uma forte alta nas contas de luz. O uso intensivo das termelétricas se soma a outro fator crítico: a exposição das distribuidoras ao mercado de curto prazo, já que não conseguiram contratar toda a quantidade de energia que precisa ser levada aos consumidores. Com os preços no mercado "spot" em nível recorde, a conta aumentou.

Para "tranquilizar as distribuidoras", conforme as palavras de Tolmasquim, o aceno é de que o Tesouro Nacional voltará a arcar com essas despesas - a mesma solução adotada no ano passado. "Elas (as empresas) não serão impactadas além do que podem pagar pelas térmicas", disse o executivo.

Questionados várias vezes sobre a necessidade de aporte de recursos, Zimmermann e Tolmasquim evitaram projeções. "Eu desconheço qualquer número. Alguém deve estar com uma bola de cristal para prever o comportamento do PLD [preço no mercado de curto prazo] para o resto do ano. É uma temeridade", disse o secretário. Tolmasquim também fugiu de uma resposta. "Como é que podemos dar a solução sem conhecer o tamanho do problema? E se, daqui até o fim de fevereiro, começa a chover e desligamos as térmicas?".

O diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino, deu o tom de urgência que o assunto exige. "Até março, temos que ter uma decisão sobre isso. Não podemos deixar que as distribuidoras quebrem", disse Rufino. Em fevereiro, as distribuidoras ainda podem contar com os recursos alocados no ano passado pelo Tesouro. A partir do mês que vem, não há repasse garantido.

Fonte: Valor Econômico

Elio Gaspari: A fritura de Helena Chagas

O comissariado fritou a ministra Helena Chagas. Pela primeira vez em quase um século, desde que o jornalista Lourival Fontes foi cuidar da imagem de Getúlio Vargas, o funcionário encarregado da comunicação do Palácio do Planalto caiu por causa de dinheiro, acusado de não atender aos objetivos políticos do governo.

A jornalista, com 32 anos de carreira, teve no seu ofício um desempenho muito superior à média do comissariado petista. Não a fritaram porque divulgou o que não devia, ou deixou de divulgar o que devia. Muito menos porque suas opiniões políticas divergiam do governo. Na raiz do mal-estar estavam apenas verbas, o dinheiro da Viúva.

Seja qual for o governo, sempre haverá alguém reclamando porque não recebe dele verbas publicitárias proporcionais à fidelidade com que o defende. O patrono dessa espécie deveria ser o jornalista Alexandre von Baumgarten. Amigo de generais da ditadura, queria reerguer uma revista falida e buscava no Planalto perdões de dívidas e verbas publicitárias. Acabou-se em 1982, com uma bala na cabeça, e deixou um dossiê acusando o Serviço Nacional de Informações pela sua morte.

Em 2012 a máquina de propaganda do palácio moveu R$ 1,9 bilhão. Esse é o dinheiro que Brasília promete repassar ao governo do Estado Rio para enfrentar desastres naturais. Noutra conta, R$ 1,2 bilhão é o total dos financiamentos brasileiros para obras e serviços em Cuba. Vale lembrar que esse tipo de munificência não foi inventado pelo PT, nem é exclusivo do governo federal. Ele apenas inflou-o, pois em 2000 o tucanato torrou R$ 1,2 bilhão.

Em 2012 o Planalto gastou mais em publicidade que a Ambev (R$ 1,6 bilhão), que vive de vender cervejas e refrigerantes. Com R$ 1,7 bilhão, a Caixa Econômica (cujas despesas não estão na caixa do Planalto) gastou mais que o Bradesco e o Itaú, somados.

A conta de R$ 1,9 bilhão expande-se para uma cifra difícil de ser calculada. Nela entram outras campanhas promocionais, como as de ministérios, empresas estatais e contratos com agências de relações-públicas que se superpõem às burocracias do Estado. Num cálculo grosseiro, esse aparelho federal pode custar até R$ 4 bilhões por ano.

Quando um governo desenvolve a mentalidade do sítio, julgando-se injustiçado pelos meios de comunicação, a arca torna-se um saco sem fundo, capturada por um círculo vicioso: se estão contra nós, precisamos ajudar quem nos defende e, se alguém nos defende, nada mais natural que ajudá-lo.

Num outro estágio, o hierarca federal, estadual ou municipal, seja qual for seu partido, confunde deliberadamente a divulgação de políticas públicas com a exaltação de suas próprias atividades (leia-se candidaturas). Como fica feio fazer isso com o aparelho do Estado, privatizam a ambição política e estatizam seu custo. Em 2013 o Ministério da Saúde gastou R$ 232 milhões e Alexandre Padilha disputará o governo de São Paulo.

Pedir que os governos parem de gastar dinheiro com publicidade num ano eleitoral é um exercício fútil. Precisamente porque este é um ano eleitoral, o balcão está aberto para candidatos capazes de se comprometer a reduzir drasticamente esse tipo de despesa. Basta contar ao público quanto seus antecessores torraram e dizer quanto e como pretendem gastar.

Elio Gaspari é jornalista.

Fonte: O Globo

Fernando Rodrigues: Delúbio é uma potência

Delúbio Soares é uma potência. Conseguiu mais apoio financeiro na internet do que Dilma Rousseff e Marina Silva juntas.

O ex-tesoureiro do PT, agora cumprindo pena após ter sido condenado no mensalão, lançou uma campanha on-line para pagar sua multa de R$ 466.888,90. Abriu um site na internet e entesourou R$ 1.013.657,26. Num dia apenas entraram cerca de R$ 600 mil na conta delubiana.

Trata-se de um fenômeno novo na política brasileira. Em 2010, Dilma Rousseff elegeu-se presidente e não chegou nem perto disso. Com o apoio de Luiz Inácio Lula da Silva e a tecnologia comprada da equipe digital de Barack Obama, a petista recebeu 2.032 doações via web, totalizando R$ 180 mil.

Também em 2010, a sonhática Marina Silva, uma avalanche nas redes sociais, conseguiu pífias 3.095 doações na internet. Arrecadou R$ 171 mil nessa plataforma.

O tucano José Serra nem tentou pedir dinheiro na internet há quatro anos. Somados os valores obtidos via web por Dilma e Marina, chega-se a R$ 351 mil. Ou seja, mesmo juntas elas receberam durante toda a campanha presidencial de 2010 menos da metade do que Delúbio Soares ganhou em poucas semanas.

Ontem, o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes disse enxergar "algo muito estranho" nessas doações a jato para mensaleiros condenados. Além de Delúbio, outro sucesso arrecadatório foi José Genoino, que pagou com folga sua multa de R$ 667.513,92.

Estranho ou não, quem vai esclarecer é a Receita Federal --mas só em 2015, quando o Leão analisará as declarações de Imposto de Renda de todos os contribuintes brasileiros sobre o ano-base 2014.

É fácil acelerar o processo. Basta o Ministério Público requerer detalhes sobre todos os doadores e de onde saiu o dinheiro de cada um. Seria útil o Brasil conhecer como funciona esse fascinante novo fenômeno de benemerência na política.

Fonte: Folha Online

Dora Kramer: Lua de fel

No fim, pode ser que fique tudo na mesma e a história se repita como acontece desde 2002. Dilma Rousseff ganhe a eleição, o PT continue na Presidência e Luiz Inácio da Silva se prepare para lutar pela permanência do poder em 2018.

Mas, uma coisa é certa: as eleições de 2014, pelo menos no tocante às campanhas, notadamente ao tom do embate entre governo e oposição, não serão iguais àquelas que passaram.

Pela primeira vez desde que o PT assumiu o Palácio do Planalto, os adversários da candidatura governista dão sinais inequívocos de contundência.

Já foram muito mais tímidos. Lá no início, em 2002, em parte porque não acreditavam que poderiam perder para o PT, em parte porque o então presidente Fernando Henrique Cardoso não considerou de todo desagradável capitanear uma missão civilizatória na transição de governo muito fidalga ao mitológico operário Lula. Isso até ouvir a referência à "herança maldita" já no primeiro discurso do sucessor.

Nas campanhas seguintes a oposição perdeu-se em brigas internas, traições explícitas com alianças implícitas ao governismo, atos patéticos e discursos acanhados. Era quase como se pedissem desculpas ao País por se opor a Lula e ao PT.

Agora se desenha outro cenário. Os adversários estão dizendo que são contra tudo "isso que está aí". O senador Aécio Neves, contrariamente à sua atuação no Senado nos últimos anos, vem subindo o tom das críticas a fim de firmar posição junto ao eleitorado.

De parlamentar praticamente omisso, o tucano passou à condição de comentarista cáustico de quaisquer atos e declarações com origem no governo.

Quanto a Eduardo Campos, se alguma dúvida havia em relação à forma como vai se posicionar na campanha, ele tratou de dirimir todas elas ontem no lançamento das diretrizes do programa de governo da aliança firmada com a ex-senadora Marina Silva.

Foi aos pontos de maneira direta e sem titubeios. Nas palavras dele os governistas se agarram desesperadamente aos cargos, falta liderança no Brasil, a política social distributivista sem o crescimento do grau de qualificação das pessoas é mero exercício de enxugamento de gelo, o governo é pródigo em promessas e ineficaz na resolução dos problemas.

O governador de Pernambuco ainda atribuiu a saída do PSB da base governista à percepção de que o País havia sido tomado pela paralisia. Em miúdos: atacou a capacidade de gestão da presidente, o atributo mais festejado pelos construtores da imagem de Dilma.

As pontes se incendiaram. Por elas já não passam Campos, o aliado militante; nem Aécio Neves, o oposicionista simpatizante.

Apropriação. Teria sido apenas um ato pueril (no sentido da tolice), não fosse a justificativa do vice-presidente da Câmara, André Vargas, para o braço erguido e o punho cerrado ao lado do presidente do Supremo Tribunal Federal durante a cerimônia de reabertura do Congresso.

"No PT a gente tem se cumprimentado assim. Foi o símbolo de reação dos nossos companheiros injustamente condenados. O ministro (Joaquim Barbosa) está na nossa casa, tem nosso respeito, mas estamos bastante à vontade para cumprimentar do jeito que a gente achar que deve", disse o petista.

Equivocado no seguinte ponto: a Câmara dos Deputados não é a "casa" desse ou daquele partido. É uma das Casas do Poder Legislativo. Instituição da República. O PT está no poder, mas continua sendo uma entidade privada de direito público como qualquer outra agremiação partidária.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Luiz Carlos Azedo: Bons e maus acordos

Um velho ditado na política diz que um bom acordo é aquele no qual todos reclamam, mas ninguém pode romper. Esse é o ponto de liga da negociação entre a presidente Dilma Rousseff e a cúpula do PMDB fechada na noite de segunda-feira com o vice-presidente Michel Temer, mas que ainda provoca muito ranger de dentes na legenda. Os líderes do PMDB na Câmara, deputado Eduardo Cunha (RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (CE), não tiveram os pedidos contemplados e o problema com os dois foi terceirizado: caberia aos presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), e do Senado, Renan Calheiros (AL), acalmar os dois caciques.

Pelo acordo, o senador Vital do Rêgo (PB) assumiria a Secretaria de Portos em vez do Ministério do Turismo, pasta liberada pela volta do deputado Gastão Vieira (MA) para a Câmara. O Ministério da Ciência e Tecnologia, hoje controlado pelo novo chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, serviria para remover a candidatura do senador Eunício Oliveira ao governo do Ceará, mas ele já avisou que não está interessado na proposta. O deputado Eliseu Padilha (RS), que havia sido indicado para a Secretaria de Portos, foi para o espaço, com o Ministério da Integração Nacional, que era pleiteado por Vital do Rêgo, mas já está na cota dos irmãos Cid e Ciro Gomes (Pros).

Eduardo Cunha está estrilando, mas Eunício é bom cabrito. O PMDB não romperá com o governo por causa disso. O contencioso com Dilma Rousseff e o PT será cozinhado em fogo brando, nas disputas regionais, nas quais o partido costuma dar o troco quando pode. Eunício é candidato ao governo do Ceará e não abre; se não receber o apoio do PT, vai para a disputa como franco-atirador. Cunha apoia a candidatura do vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) à sucessão de Sérgio Cabral (PMDB) no Palácio Guanabara. As negociações com o PMDB no Senado e na Câmara para aprovação das matérias de interesse do Palácio do Planalto ficarão mais difíceis; é o velho toma lá dá cá.

No mais, a reforma ministerial segue o curso chinfrim. Depois de acomodar o PT e o PMDB, e garantir o Ministério da Integração para os irmãos Gomes, a novidade será a entrega do Ministério do Turismo para o presidente do PTB, o ex-deputado Benito Gama. Se houver alguma emoção, será por conta das frituras dos ministros das Comunicações, Paulo Bernardo, e da Fazenda, Guido Mantega, pela própria bancada do PT.

Pomo da discórdia
O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), divulgou ontem as diretrizes de seu programa de governo, elaboradas em comum acordo com Marina Silva, líder da Rede. O ato incorporou o PPS, de Roberto Freire, à coalizão. Ainda não foi dessa vez que a chapa Eduardo Campos–Marina Silva foi anunciada, mas a afinidade política entre os dois passou a ser maior depois do documento. O pomo da discórdia no bloco PSB-Rede-PPS, porém, continua sendo a questão eleitoral de São Paulo. A Rede defende uma candidatura própria, os dirigentes do PSB estão divididos e o PPS apoia a reeleição do governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Jus esperneandis petista
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, expediu ontem o mandado de prisão do ex-presidente da Câmara dos Deputados João Paulo Cunha. De todos os condenados, foi o mais desaforado com o presidente do STF. Pegou 9 anos e 4 meses por peculato, lavagem de dinheiro e corrupção passiva em regime fechado, porém deverá cumprir inicialmente a pena de 6 anos e 4 meses no semiaberto, que dá direito a trabalho externo durante o dia. Tem um recurso pendente em relação à pena de lavagem, cuja punição é de três anos. Ao contrário de outros parlamentares condenados na Ação Penal 470, João Paulo não pretende renunciar ao mandato. A cassação terá que ser submetida ao voto aberto do plenário da Câmara. O PT ataca duramente Barbosa e cria constrangimentos para a Câmara e o próprio STF.

Outro "apagão"
Faltou energia nas regiões Sul, Sudeste, Centro Oeste — Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso Sul — e Tocantins, no Norte do país, ontem. O secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, atribuiu o problema a um curto-circuito numa linha de transmissão, e não à queda do nível dos reservatórios das hidrelétricas por falta de chuva. Se tem um assunto no qual a presidente Dilma Rousseff não poderia pisar na bola é energia.

Fonte: Correio Braziliense

Merval Pereira: Luz e sombras

Os deuses parecem estar ao lado do governador Eduardo Campos. Quase ao mesmo tempo em que ele apresentava o primeiro esboço do que será o seu programa de governo caso vença a eleição para a Presidência da República em outubro, um apagão de grandes proporções tomou conta de boa parte do país, deixando mais de 3 milhões de unidades consumidoras sem energia.

O acidente, ainda sem explicação oficial, parecia dar razão a Campos quando ele afirmava que “o governo saiu dos trilhos”. Não se sabe ainda o que ocasionou a falta de luz, mas mesmo o governo dizendo que o caso nada tem a ver com o consumo elevado devido ao calor, fica a sensação de insegurança quanto ao sistema elétrico em si, que vem sofrendo apagões freqüentes.

Campos parece querer com sua fala marcadamente oposicionista enfatizar essa insegurança que detecta no cidadão comum: “Não há ninguém que ache que mais 4 anos do que está aí vai fazer bem ao povo brasileiro. Nem eles mesmos.”

O governador pernambucano foi cuidadoso ao centrar suas críticas no governo Dilma, deixando sempre claro a distinção entre ele e o governo Lula, do qual foi Ministro: “Onde vamos temos a clara percepção de que o Brasil parou, de que saiu dos trilhos, que estava avançando no sentido de acumular conquistas e mais do que de repente teve a sensação de freada e de desencontro”.

O Palácio do Planalto assustou-se com o tom elevado das críticas do governador Eduardo Campos, como se ainda esperasse espaço para negociar apoios num segundo turno com o ex-companheiro. A também ex-ministra Marina Silva, na campanha de 2010, comportou-se não como uma candidata de oposição, mas como quem estava acima dos dois partidos hegemônicos, PT e PSDB, considerando-os igualmente nocivos à política brasileira.

Ela continua na mesma, mas não consegue levar Eduardo Campos a essa posição radical de negação da política partidária. Em nome dela, quer que o PSB não apóie o PSDB em São Paulo, mas, no entanto, deseja manter o apoio a seu grupo político no Acre, onde o PT permanece comandando o governo estadual há muitos anos.

Ontem Campos mostrou qual será o nível de seu engajamento na oposição, dando pouca margem a dúvidas sobre qual será sua posição na eventualidade de o senador Aécio Neves vir a ser o representante da oposição num segundo turno. O compromisso que os dois já assumiram de apoio recíproco corresponde à linguagem dura que o governador de Pernambuco utilizou ontem no lançamento de seu pré-programa de governo.

Ao afirmar que “não há justiça social sem desenvolvimento” Campos deixou claro qual será o centro de seu governo, a educação. Em vez de detalhar quais são seus planos para chegar à meta principal, o que certamente constará do programa final que será lançado no meio do ano, depois de seminários e debates, Campos resumiu em uma frase o que quer ver no país de seus sonhos: “Sonho em ver um dia um cidadão da classe média, um empresário, matriculando seu filho na escola pública brasileira”.

A exemplo do que já fez o senador Aécio Neves, virtual candidato do PSDB à Presidência da República, o governador de Pernambuco atacou o inchaço da máquina pública com seus 39 ministérios, atribuindo-o à necessidade de o governo acomodar os diversos partidos aliados: “O Estado não pode ser apropriado pela estrutura, pelos partidos políticos. Esse padrão está esgotado”, afirmou Campos.

A ex-senadora Marina Silva aproveitou a deixa para atribuir “à velha política” a troca de cargos por apoio político, criticando a troca de ministros da Educação que, para ela, foi feita para acomodar aliados pensando na próxima eleição.

O tom elevado das críticas já demonstra que as oposições estarão mais próximas entre si na disputa presidencial do que nunca estiveram.

Fonte: O Globo

Cláudio Gonçalves Couto: O transbordamento do copo

As ondas de ação política expressam saturação social

Certas situações, de tão esdrúxulas, têm o condão de promover mudanças na percepção dos atores sociais em relação a situações ou comportamentos que, de qualquer maneira, já seriam por si mesmos intoleráveis. Assim, embora a reiteração de condutas impróprias, ou a manutenção de um estado de coisas inadequado já fossem - em tese - razões suficientes para que a mudança de percepção se desse, parece faltar na realidade objetiva um elemento capaz de deflagrar subjetivamente nos atores a transformação da consciência.

Deve-se notar, contudo, que tal mudança de percepção não implica diretamente uma disposição à ação - ou, ao menos, a certos cursos de ação. Afinal, uma coisa é dar-se conta de que se convivia de forma mais ou menos normal até então (mesmo que a contragosto) com algo que se reputava como indesejável, mas que passa a ser notado como intolerável. Outra coisa é decidir que, diante do caráter intolerável de certas situações ou condutas, deve-se reagir ativamente contra elas, incorrendo em custos e riscos. É a magnitude desses custos e riscos que pode tirar alguém do imobilismo e ensejar ações.

Assim, por exemplo, se sou um eleitor indiferente à política e me abstenho de votar e de me informar sobre política, pois não vejo razões para isso, posso mudar de atitude caso certas condutas ou situações sejam tão ofensivas a minhas preferências (interesses ou valores) que mesmo minha habitual indiferença acabe por ser suplantada. Há de se notar, contudo, que de todas as ações políticas talvez a menos custosa de todas seja a de votar; mais ainda se o voto for obrigatório, como entre nós, de modo que o custo de justificar ou pagar uma multa é, no mínimo, igual ao de comparecer às urnas.

São muito diferentes atitudes como a disposição de sair as ruas, deixando de cuidar de afazeres privados, arriscando-se a apanhar da polícia ou de outros manifestantes, sendo alvo de balas de borracha ou coquetéis Molotov, tomando chuva ou podendo ser pisoteado por uma multidão em fuga. Nestes casos, a disposição à ação apenas surge porque algum evento suplantou o grau de "normalidade" do que até então era apenas desagradável, tornando-se não só objetivamente intolerável, mas tão intolerável a ponto de propiciar uma ação a despeito de seus custos.

Essa suplantação da "normalidade" pode-se dar de duas maneiras. Primeiramente, por uma situação ou atitude notada como demasiada ao ponto de suplantar o limiar que até então mantinha os sujeitos limitados a um grau mais contido de reatividade. Um exemplo recente disto foi a ida às ruas de milhares de manifestantes após a repressão promovida, em 13 de junho passado, pela Polícia Militar paulista contra os manifestantes na Rua da Consolação, em São Paulo. De tão desmesurada, a violência policial teve o condão de retirar da zona de conforto mesmo pessoas que até então condenavam as manifestações.

A segunda forma de suplantação da "normalidade" é a gota que transborda o copo. E esta enseja uma complexidade maior do que a primeira, que torna difícil compreender de forma nítida as motivações dos sujeitos políticos. Abusando da metáfora, um copo cheio de um determinado líquido pode transbordar pelo acréscimo de gotas de quaisquer outras substâncias. Assim, se tenho um copo cheio de vinho, posso transbordá-lo com gotas de água, de suco, de tinta ou do que quer que seja. Da mesma forma, uma coletividade saturada por situações ou condutas tidas como impróprias, porém inerte, pode passar à ação em decorrência de qualquer novo evento percebido como ofensivo, mesmo que desvinculado das causas iniciais.

O problema é que nem todo novo evento ofensivo, por razões que precisam ser explicadas circunstancialmente, enseja necessariamente uma reação. Nem todo novo evento é a gota que transborda o copo. Abusando novamente da metáfora líquida, é como se uma gota de óleo fosse jogada sobre um cheíssimo copo d'agua. Como eles não se misturam, o óleo, em vez de fazer transbordar a água, talvez apenas deslize sobre ela. Por isso, o desafio que se coloca à análise de cada conjuntura política é o de identificar as substâncias do copo e da gota.

Talvez isto seja um fator a explicar o porque de - na esteira das grandes manifestações iniciadas em junho do ano passado - não ter havido nenhuma reação popular de monta à manutenção do mandato do deputado Natan Donadon, condenado ao cárcere pela justiça. Tendo em vista o ânimo popular demonstrado anteriormente, um tal disparate parlamentar poderia sugerir que se teria um novo cerco ao Congresso, novos quebra-quebras, ou algo do gênero. Porém, não houve nada. Seria óleo sobre a água? Ou teria já havido o transbordamento, de modo que a nova gota já não seria capaz de produzir o mesmo efeito? Abandonando a metáfora, após a catarse representada pelas grandes manifestações talvez não só faltasse fôlego para uma nova investida, como também talvez faltasse ânimo.

O problema é que copos transbordados não se esvaziam por completo, de modo que novas gotas tendem a levar a um novo transbordamento. A dificuldade da análise de conjuntura política é identificar com precisão - na própria conjuntura - quando novos ciclos de transbordamento se abrem e se fecham. Assim, observando agora as manifestações contra a realização da Copa do Mundo e as preocupações dos governos em evitá-las, fica difícil medir com clareza se elas tenderão ou não a levar a um novo ciclo de radicalização mobilizadora. E, caso levem, quando tal ciclo ocorrerá.

Caso tais manifestações se iniciem por agora, mas se encerrem num delta de tempo similar ao das manifestações de junho de 2013, os governos e a Fifa não terão muito com o que se preocupar. Contudo, caso o gotejamento siga continuamente até o aniversário das manifestações do ano passado, certamente as razões para preocupações serão muitas, afetando não só a realização da Copa, como - em caso de tumultos na Copa - muito provavelmente o ânimo que cercará a realização das eleições. E tudo tende a se complicar mais ainda na contingência de um novo evento capaz de - sozinho - transbordar o copo, como fez a PM paulista no ano passado.

Cláudio Gonçalves Couto é cientista político, professor da FGV-SP

Fonte: Valor Econômico

Diário do Poder – Cláudio Humberto

• Dilma atormenta embaixadas cortando recursos
A presidenta Dilma, que jamais escondeu sua aversão ao Itamaraty, agora atormenta representações diplomáticas no exterior cortando-lhes recursos para manutenção. Todas estão a pão e água, e algumas nem isso: a embaixada do Brasil em Londres já recebeu aviso de corte de água. Ao Itamaraty não resta alternativa senão aguardar, mas o governo garantiu que até sexta-feira (7) vai “regularizar a situação”.

• Maior pindaíba…
Várias embaixadas e consulados, principalmente as maiores, ficaram sem recursos para contas essenciais como água, luz e aquecimento.

• …em tempo gelado
A manutenção tem sido rateada pelos servidores. No duro inverno do hemisfério norte, impossível trabalhar (e até viver) sem aquecimento.

• Ela é o cara
Marina Silva foi aplaudida quando pegou o microfone para discursar sobre diretrizes do programa PSB/Rede. Já Eduardo Campos…

• ‘Barulhaço’
Militares da reserva organizam na internet “foguetório” nas ruas e nas janelas às 20h de 31 de março para lembrar o golpe de 1964.

• Ciúmes de Nizan iniciaram fritura de ex-ministra
Audiência de Dilma ao publicitário Nizan Guanaes, em 27 de outubro, deflagrou o esquema vitorioso com a demissão da ex-ministra Helena Chagas (Comunicação), que possibilitara o encontro. O problema é que Dilma adorou a conversa e aprovou a campanha que ele propôs para a Copa do Mundo. A expressão “Copa das Copas”, sugerida por Nizan, foi imediatamente adotada pela presidenta em entrevistas e discursos.

• Início da fritura
A reunião de Dilma com Nizan deixou injuriado o marqueteiro João Santana, que se uniu a Franklin Martins para derrubar Helena Chagas.

• Emocional
Apesar da cara feia, prevaleceu a campanha “mais emocional” de Nizan, que até publicou artigo sobre o tema, em 6 de dezembro.

• Conspiração
Franklin Martins topou se unir a Santana contra Helena Chagas até por causa de interesses contrariados da produtora de TV da mulher dele.

• Fio desencapado
Dirigentes do PT estão apavorados com os métodos de Paulo Abreu, negociante cuja oferta de emprego no hotel St. Peter prolongou a permanência de José Dirceu na Papuda. O PT teme que Abreu ressurja no noticiário, o que seria desastroso em ano eleitoral.

• Eunício é candidato
Em negociação com o PMDB, Dilma admitiu nomear o senador Eunicio Oliveira (PMDB-CE) para o Ministério da Integração. Mas ele avisou que prefere disputar o governo do Ceará. Eunicio lidera as pesquisas.

• Nova ameaça
Deputados do PMDB se reúnem nesta quarta para discutir se devolvem os ministérios do Turismo e da Agricultura. Eles estão indóceis, após Dilma priorizar a negociação com a bancada do PMDB no Senado.

• Haja medalha
O Ministério da Defesa torrou R$ 13,5 milhões com condecorações e homenagens em 2013. Só a cerimônia do Dia do Marinheiro no Comando do 7º Distrito Naval custou R$ 311 mil aos cofres públicos.

• Para inglês ver
Na reta final da campanha de reeleição, o governo Dilma abriu licitação de R$ 30,6 milhões para contratar uma assessoria internacional de imprensa e relações públicas para dar maior “visibilidade” ao país.

• Campanha
O presidente da Câmara Legislativa do DF, Wasny de Roure (PT), voltou a sonhar com o cargo vitalício no Tribunal de Contas. Aliou-se ao sindicato dos funcionários para tentar tornar definitivo o afastamento do conselheiro Domingos Lamoglia, e forçar a abertura de nova vaga.

• Telhado de vidro
Petistas se preocuparam tanto com a foto do ministro Joaquim Barbosa com um foragido da Justiça, Antonio Mahfuz, que começou a circular na internet uma foto de Dilma ao lado do traficante William da Rocinha.

• Estranho no ninho
Ligado ao presidenciável Aécio Neves (PSDB-MG), o prefeito socialista de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, mal cumprimentou o governador Eduardo Campos (PSB-PE) ontem em evento em Brasília.

• Musos do mensalão
Não bastasse o “rolezinho”, agora temos o “cecêzinho” do mensaleiros condenados e cupinchas erguendo o punho em sinal de “vitória”.

Fonte: Diário do Poder