quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Opinião do dia – *Alberto Aggio

No século 21, “bom governo” e governança democrática parecem formar uma conjunção absolutamente necessária. Sem desconsiderar a dimensão operacional da gestão pública e menos ainda a estrutura representativa da cidadania, a perspectiva da governança democrática deverá ajudar a consolidar uma cultura política que revalorize a política como território aberto de construção de objetivos democraticamente compartilhados.

Há um século Gramsci fez um incitamento à reflexão dos jovens de Turim por meio da expressão “cidade futura” como metáfora de um novo mundo, de uma nova sociedade. Ao contrário do que se imagina à primeira vista, não se tratava de uma utopia. No século 21 temos melhores condições materiais, tecnológicas e políticas para construir aquele novo mundo imaginado por Gramsci. Mesmo assim, e ainda que provavelmente diversa da ambicionada pelo jovem sardo, nossa “cidade futura” enfrentará desafios imensos, mas sabe que não deve reiterar o passado.
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*Historiador, é professor titular da Unesp. ‘Entre o cosmopolitismo e o localismo’, O Estado de S. Paulo, 21/9/2016.

Ex-ministro Guido Mantega é preso em nova fase da Lava-Jato

• Polícia Federal faz a 34ª fase da Operação, batizada de Arquivo X, em cinco estados e no DF. Agentes cumprem 49 ordens judiciais

Guido Mantega é preso na 34 ª fase da Lava-Jato em SP

• Ex-ministro da Fazenda estava acompanhando mulher em hospital

Cleide Carvalho – O Globo

SÃO PAULO — Policiais federais estão nas ruas desde a madrugada desta quinta-feira para cumprir mandados da 34ª fase da Operação Lava Jato. O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega foi preso, segundo a TV Globo. Policiais foram até sua casa em São Paulo, mas ele estava no hospital acompanhando uma cirurgia da mulher. Mandados são cumpridos também em Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia e no Distrito Federal.

Lula se diz 'ofendido' por ter vida 'futucada por uns meninos do MPF'

• Ex-presidente faz discurso em palanque montado para o candidato a prefeito em Barbalha (CE), um dia após a Justiça aceitar denúncia do Ministério Público Federal contra ele

Carmen Pompeu - O Estado de S.Paulo

FORTALEZA - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, réu na operação Lava Jato, disse nesta quarta-feira, 21, em Barbalha, no Cariri cearense, que está "ofendido" e "magoado" por ter, aos 71 anos de idade, a vida "futucada por uns meninos do MPF (Ministério Público Federal)".
"Depois de dois anos de futuca, futuca e futuca, não encontrando provas, não encontrando nenhuma prova, porque eles têm de saber que eu não tenho o estudo que eles têm, mas eu tenho a vergonha na cara que muita gente não tem. E se tem uma coisa que eu me orgulho é de olhar na cara de uma mulher, olhar na cara de um homem e de uma criança e dizer para vocês que no dia que acharem um real na minha vida que não seja meu, eu não valho mais ter a confiança de vocês", disse Lula em palanque montado para o candidato a prefeito da cidade, Fernando Santana (PT).

Lula no Crato: ‘Quantos votos o Temer teve aqui?’

• Em campanha em municípios cearenses, Lula chama Temer de golpista

Andreza Matais – O Estado de S. Paulo

Um dia depois de virar réu na Operação Lava Jato, o ex-presidente Lula manteve a agenda eleitoral e faz campanha nesta quarta-feira em cidades do Ceará. Até o momento, os ataques do petista foram reservados ao presidente Michel Temer, a quem acusou de “golpista”.

Lula desembarcou às 11h em Juazeiro do Norte. Desfilou com o candidato Gilmar Bender apoiado pelo PT, mas inimigo do governador petista Camilo Santana e de seu antecessor Cid Gomes que fazem campanha para o deputado federal Arnon Bezerra (PTB).

Depois, Lula foi a Barbalha onde participou do maior evento da programação com 6 mil pessoas, segundo a Polícia Militar. Pediu votos para o candidato do PT, Fernando Santana, e criticou Temer.

Na sequência, seguiu para o Crato. Nessa cidade, o PT apoia o deputado estadual Zé Ailton (PP). No palanque para um público de 2 mil pessoas, Lula quis saber quantos votos Temer conquistou no Crato. Ao ouvir nenhum, puxou o coro: golpista.

Ainda hoje, Lula vai ao município de Iguatu e, no final da tarde, participa de ato em Fortaleza para apoiar a candidatura da petista Luiziane Lins à prefeitura.

Dilma afirma que atacam Lula 'de maneira muito golpista'

• Em comício de campanha para a candidata do PCdoB à Prefeitura do Rio de Janeiro, a presidente cassada aproveitou defender Lula e criticar a PEC do teto de gastos de Michel Temer

Luciana Nunes Leal - O Estado de S. Paulo

RIO - No primeiro ato público de campanha desde que foi retirada definitivamente da Presidência da República, Dilma Rousseff prestou solidariedade ao antecessor Luiz Inácio Lula da Silva, que se tornou réu na Lava Jato, acusado pelo Ministério Público Federal do Paraná de corrupção e lavagem de dinheiro, nesta quarta-feira, 21.

"Primeiro atacaram a mim, agora estão atacando o Lula e fazem isso de maneira muito golpista", discursou, em comício ao lado da candidata do PC do B à prefeitura do Rio de Janeiro, deputada Jandira Feghali. "Mas nosso povo é capaz de lutar e resistir", afirmou Dilma.

Lula se diz ofendido por ter a vida ‘futucada’

• Após virar réu pela 2ª vez na Lava-Jato, ex-presidente ataca procuradores e afirma que há tentativa de ‘destruir PT’

- O Globo

-FORTALEZA- Um dia depois de ser transformado em réu pelo juiz Sérgio Moro, acusado de corrupção e lavagem de dinheiro pelo caso do tríplex no Guarujá, o expresidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou ontem um périplo pelo interior do Nordeste para fazer campanha por candidatos do PT nas eleições municipais. Em Barbalha, no Ceará, ele se disse “ofendido e magoado” por ter tido a vida “futucada por uns meninos do Ministério Público Federal”. Lula disse achar que é uma tentativa de “destruir o PT” e impedir que ele possa ser candidato a presidente em 2018.

— Depois de dois anos de futuca, futuca e futuca, não encontrando provas, não encontrando nenhuma prova, porque eles têm de saber que eu não tenho o estudo que eles têm, mas eu tenho a vergonha na cara que muita gente não tem — disse Lula, em palanque, ao lado do candidato a prefeito Fernando Santana, do PT. — E se tem uma coisa que eu me orgulho é de olhar na cara de uma mulher, olhar na cara de um homem e de uma criança e dizer que no dia que acharem um real na minha vida que não seja meu, eu não valho mais ter a confiança de vocês.

Monica Moura alega ter sido obrigada pelo PT ao caixa 2

• Defesa afirma que ela não tinha conhecimento de corrupção na Petrobras

- O Globo

-SÃO PAULO- A defesa de Monica Moura, mulher do ex-marqueteiro do PT João Santana, reafirmou nas alegações finais apresentadas à Justiça ontem que ela está arrependida por ter concordado com a “imposição” do PT para que recebesse pagamentos pelo caixa dois.

Temer: anistiar caixa 2 é opinião de Geddel

Um dia após o ministro Geddel Vieira Lima defender que políticos não sejam punidos por caixa dois feito no passado, caso a prática vire crime, o presidente Michel Temer afirmou que essa é a “opinião personalíssima” de seu assessor, que lhe surpreendeu.

• Presidente afirma que posição de ministro, que defendeu não punição à prática, é ‘ personalíssima’

Henrique Gomes Batista*, Isabel Braga Letícia Fernandes - O Globo

-NOVA YORK E BRASÍLIA- O presidente Michel Temer afirmou ontem, em Nova York, que tomou conhecimento, “lendo os jornais”, das opiniões do ministro-chefe da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, que, em entrevista ao GLOBO, defendeu que políticos que fizeram caixa 2 não sejam punidos caso a prática passe a ser tipificada como crime no Código Penal. Temer disse que a declaração é a “opinião personalíssima” do ministro, e não um posicionamento do Planalto.

— Li as declarações do ministro Geddel e isso é uma opinião personalíssima dele e não do governo. Eu pessoalmente acho que isso é matéria do Congresso Nacional, mas eu não vejo razão para prosseguir ou prosperar esta matéria.

Questionado como seria a orientação do seu governo para a questão, ele afirmou que ainda vai decidir:

Reforma trabalhista ficará para o segundo semestre de 2017

• Para ministro, governo Dilma ‘suprimiu o maior dos direitos, o direito ao emprego’

Roberta Scrivano, Silvia Amorim - O Globo

-SÃO PAULO- O ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, anunciou ontem que o governo decidiu mesmo deixar para o segundo semestre de 2017 o encaminhamento da proposta de reforma trabalhista ao Congresso Nacional. A afirmação, feita durante sua apresentação em um seminário sobre o tema, confirma informação antecipada pelo site do GLOBO na última quinta-feira.

— Essa questão é complexa e precisa ter ampla participação de todos os setores. Dada a sua complexidade, a decisão do governo é deixar a modernização para o segundo semestre de 2017 — disse Nogueira, que, após as repercussões negativas ao governo de recentes declarações suas, limitou-se à leitura de um texto escrito, deixando o evento apressadamente sem falar com os jornalistas.

Brasil terá maior queda entre as grandes economias

• Segundo relatório da Unctad, entidade da ONU, entre os dez maiores PIBs do mundo, apenas o Brasil e a Rússia devem fechar o ano em retração

Jamil Chade - O Estado de S. Paulo

GENEBRA - O Brasil terá, em 2016, a maior contração entre as grandes economias do mundo e a queda deve continuar em 2017. Relatório publicado ontem pela Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad) aponta que a queda do PIB será de 3,2%.

No geral, o PIB mundial deve ter uma expansão de 2,3%, abaixo do desempenho de 2015 e revelando a fragilidade das estratégias de retomada do crescimento da economia mundial. “A expectativa é de uma queda no crescimento nos EUA que pode ficar, pela primeira vez em sete anos, abaixo daquele da União Europeia. Enquanto isso, no Japão, persiste a estagna- ção. No Reino Unido, a recente recuperação será negativamente afetada pelo Brexit.”

Para Temer, País vive ‘estabilidade extraordinária

• Presidente diz nos EUA que empresários não devem ‘titubear’ e investir no Brasil, especialmente nos projetos de infraestrutura

Cláudia Trevisan Altamiro Silva Junior – O Estado de S. Paulo

NOVA YORK - Efetivado no cargo há 22 dias, o presidente Michel Temer disse ontem que o Brasil vive um momento de “estabilidade política extraordinária”, depois de passar por um “brevíssimo período” de turbulência. Falando a uma plateia de empresários e executivos reunidos em Nova York, Temer pediu que eles não “titubeiem” e invistam no Brasil, especialmente nos projetos de infraestrutura anunciados por seu governo.

O presidente insistiu que sua administração tem apoio suficiente no Congresso para aprovar o teto de aumento de gastos públicos, as mudanças na legislação trabalhista e uma “radical” reforma da Previdência. Temer disse que a estabilidade política gera segurança jurídica, um dos requisitos para a realização de investimentos.

Temer afirma que PEC dos gastos será votada este ano

Por Juliano Basile – Valor Econômico

NOVA YORK - O presidente Michel Temer afirmou ontem, em almoço com empresários no Conselho das Américas, em Nova York, que a emenda constitucional que limita os gastos públicos, deverá ser aprovada "com muita rapidez".

"Registro que, hoje [ontem] pela manhã, recebi telefonemas de três líderes que irão fechar questão para votar o teto dos gastos. Isso significa que nenhum deputado ou senador irá votar contra aquela matéria". O presidente não esclareceu se o fechamento da questão implicará ou não na negociação de mudanças no texto enviado para o Congresso. "O teto de gastos nós vamos aprovar neste ano", garantiu o presidente. "Já a reforma da Previdência vocês sabem que envolve uma negociação mais ampla e vai ficar para o ano que vem".

Fragmentação partidária marca eleição municipal

Por Raymundo Costa – Valor Econômico

BRASÍLIA - A campanha municipal, até agora, diz pouco sobre o impacto que terá na sucessão presidencial de 2018, mas reforça a tendência à fragmentação partidária verificada nas últimas eleições. Nunca tantas siglas disputaram as prefeituras dos mais de 5 mil municípios brasileiros. Os 35 partidos com registro no TSE disputam as eleições. Nas 26 capitais, 15 diferentes agremiações lideram, segundo as pesquisas.

A profusão de siglas embaralha a disputa nacional. Não há um vencedor, mas o perdedor já parece claro: o PT. Em 2012, o Partido dos Trabalhadores elegeu quatro prefeitos de capital, entre eles o de São Paulo, maior colégio eleitoral do país. No momento, a legenda lidera somente em Rio Branco. Outra força que a eleição de 2012 balizou para 2014 foi o PSB de Eduardo Campos, que elegeu uma centena de prefeitos a mais que na disputa anterior, entre os quais os de cinco capitais.

Em São Paulo, o prefeito Fernando Haddad (PT) está em quarto lugar nas pesquisas. Perde inclusive para o percentual de votos em branco e nulos, segundo as pesquisas. Os candidatos do partido perdem terreno mesmo nas capitais onde começaram a disputa com algum fôlego, como Recife e Porto Alegre. Resultado da conjuntura política que o tirou do poder depois de 13 anos, o PT é a grande sigla em maior dificuldade nessas eleições, mas outras legendas tradicionais também não têm muito o que comemorar.

Em São Paulo e Belo Horizonte joga-se o futuro de um dos grandes partidos, o PSDB, que rivaliza na cena nacional com o PT desde 1994. A eventual eleição de João Dória, hoje terceiro nas pesquisas, reforça a posição do governador Geraldo Alckmin. Com João Leite (leia mais abaixo), candidato que lidera em Belo Horizonte, o senador tucano Aécio Neves tenta recompor suas bases no Estado, onde perdeu para Dilma em 2014.

Há mais em jogo na eleição paulistana. O presidente Michel Temer bancou a candidatura da senadora Marta Suplicy pelo PMDB. Oriunda do PT, Marta atualmente ocupa a segunda posição nas pesquisas e sua eventual vitória engrossaria o coro dos partidários de Temer favoráveis à reeleição do presidente.

Comunicação é coisa séria, e está em falta na política - Marco Aurélio Nogueira

- O Estado de S. Paulo

“Media training” resolve falhas graves de comunicação? Pode melhorar muita coisa, claro, mas não serve para tudo. Há casos em que não funciona ou tem resultados inexpressivos.

Se um ministro, por exemplo, não tem densidade técnica, experiência e legitimidade para falar dos problemas de sua área, se tropeça nas palavras, se tem uma visão tacanha do mundo, se está devorado pelo provincianismo, é exibicionista e se acha o rei da cocada preta, nada há para ser feito a não ser mandar o cara de volta para a escola e convencê-lo de que o ministério é muito para ele. Se um político se deixa fotografar, todo pimpão e sorridente, em situações constrangedoras, não são sessões de treinamento que irão curá-lo. O mesmo pode ser dito do deputado ou senador que tem a língua solta, seja para destilar arengas intermináveis e repetitivas só pelo prazer de ouvir a própria voz, seja para deixar “escapar” a última fofoca palaciana só para se mostrar bem informado.

Bom começo - Merval Pereira

- O Globo

A passagem da comitiva brasileira que acompanhou a 1ª participação do presidente Temer na abertura da Assembleia Geral da ONU em NY deixou boas impressões nos investidores, mas ainda falta o novo governo mostrar capacidade política e de organização para implementar seus programas de privatização e controle de gastos.

Temer, por sinal, foi quem mais surpreendeu positivamente, com posições firmes a respeito de temas polêmicos, como a capacidade de aprovar no Congresso as reformas estruturais que darão o norte do novo governo, como controle dos gastos.

Mas ficou ainda a sensação de que a realidade brasiliense pode ser mais forte do que as palavras e boas intenções do novo governo. As imprecisões e falhas de organização continuaram sendo marcas brasileiras. Nas reuniões sobre parcerias para infraestrutura, coordenadas pelo secretário Moreira Franco, que aconteceram em três grupos de 40 patrocinadas por Bank of America, Goldman Sachs e Citi, no Hotel Plaza Athénée, ficou a boa impressão, uma “excelente manifestação de novas intenções e princípios no nível da microeconomia”, na definição de um dos presentes.

Tempo urge para Temer - José Roberto de Toledo

- O Estado de S. Paulo

A avaliação do presidente Michel Temer piorou em pelo menos 15 grandes cidades e capitais pesquisadas pelo Ibope entre agosto e setembro. Entre elas estão as maiores metrópoles do País – Rio e São Paulo –, municípios do interior paulista, como São Carlos e São José dos Campos, e centros urbanos importantes do Nordeste, como Fortaleza, Recife, João Pessoa, Natal, Sobral e Teresina. Há cidades do Sul, Norte e Centro-Oeste também.

O que Lula e Moro farão em Curitiba é um mata-mata – Roberto Dias

- Folha de S. Paulo

Lula x Moro era o clássico mais aguardado da temporada política, para consumir metáfora ao gosto do ex-presidente.

De um lado, o brasileiro de maior projeção na primeira década deste século. Do outro, o líder da corrida pelo posto no atual decênio.
Em seis dias, o juiz de Curitiba acatou a denúncia que acusa Lula de corrupção em meio a muita polêmica sobre a qualidade do trabalho oferecido pelo Ministério Público. Ao fazê-lo, agendou para o próximo semestre a final do campeonato da Lava-Jato —Moro tem levado cerca de seis meses para dar suas sentenças.

Operação champanhe - Luiz Carlos Azedo

- Correio Braziliense

• Um pacto no Congresso para conter a Lava-Jato, zerando as investigações do caixa dois, e blindar os grandes partidos

A famosa Operação Mãos Limpas, na Itália, foi deflagrada após a prisão, em 1992, de Mario Chiesa, ligado ao PSI, que ocupava a diretoria de uma instituição filantrópica e era acusado de receber propina de uma empresa de limpeza. O PSI tentou isolar Chiesa, mas o político resolveu falar e incriminar colegas. Como aqui no Brasil, empresários pagavam propinas aos políticos para vencer licitações de construção de ferrovias, autoestradas, prédios públicos, estádios e na construção civil em geral. Delações do ex-espião da KGB Vladimir Bukovsky e do ex-mafioso Tommaso Buscetta também revelaram licitações irregulares e o uso do poder público em benefício particular e de partidos políticos.

Odeio você - Demétrio Magnoli

- O Globo

No Citibank Hall, em São Paulo, Caetano e Gil conduziram a plateia numa versão de “Odeio você” que se completava com “Temer”. Há motivos para a indignação contra um governo recheado das velhas figuras do PMDB, assentado no chamado “Centrão” e salpicado pela gosma de preconceito dos pregadores-negociantes. Contudo, os dois músicos e seu público não apenas rejeitavam o presidente adventício como também se solidarizavam com a dissolvida ordem lulo-dilmista. O evento, um entre tantos que envolvem intelectuais e artistas, evidencia a eficácia da narrativa do “golpe parlamentar”. É mais uma volta no parafuso que prende a esquerda brasileira a lideranças e ideias regressivas. O fracasso não ensinou nada — e apagou as páginas de lições prévias.

A falta que faz Eduardo Cunha - Maria Cristina Fernandes

- Valor Econômico

• Manobra evidenciou vácuo de liderança no joio a ser debulhado

A desastrada operação que frustrou a votação da anistia ao caixa dois na noite de segunda-feira evidencia as dificuldades de o Congresso e, em grande parte, o governo, debulhar o joio pós-impeachment sem seu principal artífice.

A votação estava programada para escrever o capítulo seguinte ao "golpe do golpe", com o qual o presidente do Senado, Renan Calheiros, manteve os direitos políticos da presidente cassada.

Ao contrário daquela sessão, no entanto, faltou, na Câmara, um comando para a operação. A convocação, naquela noite, de sessão do Congresso por Renan, que facilitaria o quórum das duas Casas, deixou as digitais do presidente do Senado na manobra. As luvas usadas pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, não evitaram suas digitais na trapalhada.

A dupla ausência dos presidentes Michel Temer e de Maia das funções das quais são titulares, que Miro Teixeira denominou de "estranha coincidência", deixou evidente o vácuo de liderança. O deputado que já viu tudo, nunca assistira a manobra igual. As trapaças da Casa se ressentiram da "pedagogia do exemplo" de Eduardo Cunha.

Educação no foco - Cida Damasco

- O Estado de S. Paulo

• Governo acelera reforma do ensino médio e se arma para batalha da PEC de gastos

Por falta de indicadores não é que a Educação no Brasil está onde está. Há hoje uma série de estudos esmiuçando como caminha o setor, onde se localizam os principais gargalos e os principais avanços. Nos últimos dias, pelo menos duas levas de estatísticas foram divulgadas e só comprovaram o que o bom senso sugere, ou seja, que o País ainda está longe de uma posição confortável em termos de Educação.

É o caso do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que acompanha o desempenho dos estudantes em língua portuguesa e matemática, e do “Education at a Glance”, da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que mede a evolução do setor em 41 países.

Sistema desigual - Míriam Leitão

- O Globo

O debate sobre reforma da Previdência é inesgotável. Há quem diga que não é justo alongar o tempo de se aposentar porque a pessoa que trabalhou em serviço pesado, e ganha pouco, não aguentaria esperar tanto. A verdade dos números mostra que o segmento de renda mais alta é que se aposenta mais cedo. Homem que trabalha na informalidade se aposenta com 65 anos; mulher, com 60.

O secretário de Previdência do Ministério da Fazenda, Marcelo Caetano, explica essa desigualdade — mais uma — dentro do sistema de previdência no Brasil.

— A aposentadoria por tempo de contribuição é, em geral, para o segmento de renda mais alta, que consegue se inserir no mercado mais cedo e permanecer nele sem interrupções. Por isso, a idade média de homem que se aposenta por tempo de contribuição é 55 anos e de mulher é 52 anos. Quem está na faixa de maior precarização fica entrando e saindo do mercado formal e ao transitar entre a formalidade e informalidade acaba não conseguindo comprovar o tempo de trabalho — diz o economista.

Dívida atinge pico em 2020, com teto do gasto - Ribamar Oliveira

- Valor Econômico

• Próximo presidente terá maior ônus do ajuste, dizem políticos

Com a aprovação da proposta de emenda constitucional que cria um teto para o gasto da União, a dívida bruta do setor público vai atingir o seu pico em 2020, em torno de 80% do Produto Interno Bruto (PIB), caindo a partir daí, conforme o cenário básico do governo, que serviu de referência para a elaboração da PEC, segundo fontes da área econômica. No fim de julho deste ano, a dívida estava em 69,5% do PIB. Ou seja, o endividamento vai piorar mais, antes de melhorar.

O aumento ocorrerá, entre outros motivos, porque o setor público só voltará a fazer um superávit primário em suas contas em 2019, mesmo assim muito pequeno - de apenas 0,2% do PIB. Para 2017, a meta fiscal é um déficit primário de R$ 143,1 bilhões, o equivalente a 2,1% do PIB.

Os limites de Lula – Editorial / O Estado de S. Paulo

• Ex-presidente e seus advogados decidiram simplesmente denunciar o sistema judicial brasileiro, como se aqui vigorasse a mais grossa ditadura

O ex-presidente Lula se considera um perseguido político. Essa será sua linha de argumentação no processo em que é acusado de auferir vantagens do esquema do petrolão, flagrado pela Lava Jato. Isso significa que, agora transformado em réu pelo juiz federal Sergio Moro, Lula exercerá seu direito de defesa além da mera formalidade, uma vez que atende às exigências do devido processo legal e ao mesmo tempo nega sua validade, pois considera o processo ilegítimo e vê o tribunal e os promotores como integrantes de um complô para impedir sua volta à Presidência da República.

Assim, Lula e seus advogados decidiram simplesmente denunciar o sistema judicial brasileiro, como se aqui vigorasse a mais grossa ditadura. Para Lula, o processo nem deveria existir, dado que sua inocência é clara como a luz do dia e só é questionada por quem tem má-fé. Por esse raciocínio, a Justiça só provará sua isenção se absolver Lula e se lhe pedir desculpas, algo que o ex-presidente, aliás, já cobrou.

Lula réu, de novo – Editorial / Folha de S. Paulo

Em uma decisão cuidadosa, dada a dimensão política do acusado, o juiz federal Sergio Moro aceitou a denúncia apresentada na semana passada pelo Ministério Público Federal e transformou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em réu num processo criminal.

É a segunda vez que o petista adquire esse incômodo status. No primeiro caso, na Justiça Federal do Distrito Federal, Lula terá de se haver com a suspeita de participação numa trama destinada a comprar o silêncio de Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras.

Agora, em Curitiba, o ex-presidente responderá a acusações de lavagem de dinheiro e corrupção.

Esses crimes corresponderiam a uma pequena fração dentro de um grande esquema de desvios, do qual teriam participado executivos de empreiteiras, diretores da Petrobras, doleiros e políticos.

Aliança ecumênica para mudar a lei e escapar da Lava-Jato – Editorial / Valor Econômico

Há tempos alguns dos principais partidos, como PSDB, PMDB, PP e PT, se articulam para circunscrever ao máximo os danos produzidos pelas investigações da Operação Lava-Jato. Uma lista encontrada em posse do presidente da Odebrecht Infraestrutura, divulgada no início do ano, por exemplo, relacionava valores distribuídos a 279 parlamentares de 22 legendas. O alvoroço dos congressistas seria menor se esse dinheiro tivesse sido declarado de acordo com as normas legais. O que a Lava-Jato mostrou é que boa parte dos recursos fornecidos por empresas driblaram a lei e ensejariam punição. Para escapar da punição, uma inacreditável manobra foi tentada na madrugada de segunda-feira, em sessão da Câmara dos Deputados, para aprovar um adendo a um projeto de lei que não estava em pauta - o 1210 de 2007 - que no final anistiaria o uso pregresso de caixa 2.

Moro aceita denúncia, e Lula radicaliza politização da defesa – Editorial / O Globo

• Sistema judiciário precisa estar atento à estratégia do lulopetismo de alardear uma falsa perseguição ao ex-presidente, também conhecido por se defender pela vitimização

O juiz Sérgio Moro, responsável pelos principais processos da Lava-Jato na primeira instância, não repetiu o tom histriônico adotado por procuradores da força-tarefa quando destacaram o papel de Lula como “comandante” do esquema, ao apresentarem os termos da denúncia do ex-presidente Lula e de Marisa Letícia, ex-primeira-dama, entre outros, no caso do tríplex de Guarujá e da guarda do acervo presidencial. Moro, porém, acolheu a fundamentação do pedido do MP da conversão do ex-presidente em réu, e assim demonstrou equilíbrio.

Estranha impunidade – Editorial / O Estado de S. Paulo

O notório senador Renan Calheiros investe-se de superioridade moral para criticar o “exibicionismo” dos integrantes da Operação Lava Jato. Trata-se da mesma pessoa, que a lassidão dos costumes reconduziu à presidência do Senado Federal, que em 2007 precisou renunciar ao mesmo posto para salvar o mandato de senador e está sendo investigado agora em 12 inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), 9 deles relativos à Lava Jato. “Exibicionismo” é a exposição dessa folha corrida, simultânea à farisaica exibição de virtudes cívicas – tudo com o óbvio objetivo de evitar que se faça justiça.

Motivo - Cecília Meireles

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.