terça-feira, 22 de maio de 2018

Opinião do dia: Luiz Sérgio Henriques*

Contudo nas sociedades avançadas do Ocidente, mesmo sem ter inicialmente uma noção elaborada das formas da política, o movimento operário, apoiando-se numa leitura “revisionista” do legado do filósofo, acabou por ampliar significativamente a base de massas dos Estados liberais, enriquecendo-os com novas e poderosas figuras que vigoraram por todo o século passado, a exemplo dos sindicatos e dos partidos social-democratas. Essas figuras, entre outras, deram força e sentido às modernas democracias constitucionais, hoje sob ataque concentrado de autoritários de direita e de esquerda.

Houve quem afirmasse, em outra circunstância igualmente hiperideologizada, que Marx e o marxismo constituiriam o horizonte insuperável do nosso tempo, a base de uma futura civilização integral. Décadas se passaram, mudou a estrutura do mundo, ruiu a maioria dos regimes que diziam encarnar a doutrina do filósofo. Este, agora, parece readquirir o poder de inspirar uma visão do “presente como história”, contribuindo, sem exclusividade, para desbloquear a imaginação social. Mas há uma novidade: o horizonte insuperável do tempo só pode ser o Estado Democrático de Direito, que contém em si as regras – inclusive procedimentais – que devem ser plenamente assumidas por uma esquerda que saiba aprender, ou reaprender, a conjugar liberdade e igualdade.
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* Tradutor e ensaísta. É um dos organizadores das ‘Obras’ de Gramsci. “Karl Marx e nosso tempo”, O Estado de S. Paulo, 20/5/2018.

*Rubens Barbosa: Eleição na Venezuela

- O Estado de S.Paulo

O crescente isolamento do governo bolivariano agrava a crise política e socioeconômica do país

As eleições na Venezuela, controladas pelo regime autoritário de Caracas, como previsível, reconduziram Nicolás Maduro como presidente de um país cada vez mais isolado e mergulhado em terrível crise política, econômica e social. Muitos dos principais líderes oposicionistas estão presos e a oposição boicotou a eleição. O governo estimulou o voto dos eleitores com recompensa financeira e acesso a programas de bem-estar social. A participação de observadores internacionais independentes foi negada. Um militar que apoiou Hugo Chávez, Henri Falcón, estava até a véspera liderando com folga as pesquisas de opinião e contestou o resultado. Tudo indica que houve uma monumental fraude.

O crescente isolamento do governo bolivariano agrava a crise econômica, com a falta de alimentos e de medicamentos, com a queda do crescimento (menos 15%), com a espiral inflacionária (13.000%) e com ameaça de default na dívida externa (mais de US$ 160 bilhões). Mais de 1,5 milhão de pessoas saíram do país e se refugiaram nos países vizinhos.

As incertezas aumentaram em 2018. Do ângulo externo, os EUA mostram uma política mais assertiva, com o significativo aumento das sanções contra membros do governo de Caracas envolvidos em abusos contra os direitos humanos, ações antidemocráticas, tráfico de drogas e corrupção (bancos europeus revelaram que a cúpula chavista desviou mais de US$ 2,3 bilhões entre 1999 e 2013). Washington impediu o acesso da Venezuela a empréstimos de instituições financeiras americanas, dificultando as operações até mesmo de importações. Pedindo urgência aos países da região, a crise venezuelana foi o tema central da visita recente do secretário de Estado, Rex Tillerson, à América Latina. O presidente Donald Trump e Tillerson, contudo, passaram do limite ao ameaçarem invadir o país para mudar o regime e ao estimularem um golpe militar para resolver a questão da democracia. Notícias não confirmadas alertam para a possibilidade de a Venezuela tentar anexar pela força o território de Essequibo, na Guiana.

Do ponto de vista interno, o apoio das Força Armadas, de agentes de segurança e das milícias populares armadas, supervisionadas pelos assessores cubanos, foi reforçado pela declaração sobre eventual invasão externa e estímulo ao golpe militar. A ação política do partido oficial, com o apoio da Assembleia Nacional Constituinte, beneficiou-se com o enfraquecimento e divisão dos partidos de oposição. Nesse cenário, o poder político está preservado num regime autoritário de partido único com forte repressão interna a qualquer movimento de contestação.

Hélio Schwartsman: Maduro venceu a eleição?

- Folha de S. Paulo

Seria inédito ver triunfar nas urnas quem produziu tamanha ruína econômica e social

Nicolás Maduro conquistou seu segundo mandato? Ele diz que sim, com 54% dos votos. Mas boa parte dos venezuelanos e do mundo contesta.

Sob a administração do chavista, o PIB venezuelano experimentou uma contração de 32%, e a inflação deste ano deve bater em 12.000%. Serviços essenciais entraram em colapso. Há desabastecimento, regressão epidemiológica e fome. A violência está fora de controle. Legiões de venezuelanos estão fugindo do país.

Seria inédito ver triunfar nas urnas um dirigente que produziu tamanha ruína econômica e social. É mais do que verossímil, portanto, que o processo eleitoral tenha sido fraudado. Mas por que Maduro, que já há algum tempo é mais bem descrito como ditador do que como líder legítimo, se deu ao trabalho de fazer toda essa encenação eleitoral?

Acho que estamos aqui diante de um fraco da espécie, que é nosso gosto por realidades imaginárias. Quem desenvolve bem o conceito é o historiador israelense Yuval Harari. Para ele, uma das maiores maravilhas da linguagem é sua capacidade de criar coisas que só existem nas nossas cabeças, mas que, como todos creem nelas, se tornam reais.

O exemplo mais concreto é o do dinheiro. Mais de 90% da moeda em circulação não passa de registros contábeis digitais. Nessa mesma categoria entram direitos humanos, pessoas jurídicas, religiões, a ideia de nação etc.

Raymundo Costa: Marília de Lula

- Valor Econômico

A questão regional e a candidatura do PT para presidente

Lula começou a prestar atenção em Marília Arraes em agosto do ano passado, na sua última visita a Pernambuco, mas nunca imaginou que ela fosse tão longe. Vereadora pelo PT do Recife, neta do lendário Miguel Arraes - três vezes governador do estado, antes e depois do regime militar -, Marília é uma ameaça real à reeleição do governador Paulo Câmara (PSB). Nas pesquisas de opinião já aparece empatada tecnicamente com o ex-ministro Armando Monteiro (PTB), que esperava liderar a oposição na eleição de 7 de outubro. Marília, no entanto, pode não ser candidata, se vingar uma articulação nacional para juntar PT e PSB na eleição para a Presidência.

Marília duvida que o governador Paulo Câmara tenha cacife para levar o PSB a apoiar o PT na campanha ao Palácio do Planalto, embora Pernambuco seja a seção mais influente do partido, pois não disporia do mesmo carisma e influência de seu padrinho político, o ex-governador Eduardo Campos, morto em acidente aéreo na campanha presidencial de 2014. Marília e Campos são primos, os dois netos de Arraes, mas já estavam afastados desde antes dela declarar que votaria em Dilma e não em Eduardo na eleição de 2014.

Segundo Marília, o governador tenta atrair o PT por puro oportunismo, pois quer o tempo de TV do partido e o ex-presidente Lula a seu lado - mesmo preso em Curitiba, ele mantém prestígio em sua terra natal. "Eles [o PSB] começaram a ficar desesperados para se aliar ao PT e, de quebra, retirar uma candidatura que vai para o segundo turno e ameaça o projeto de poder que eles têm no Estado".

Marília conta que as palavras de Lula em relação a sua candidatura sempre foram "de incentivo e de animação com a mobilização da militância do PT de Pernambuco". No último fim de semana ela reuniu cerca de 4 mil pessoas num ato de apoio a sua candidatura. No interior, Marília apresenta-se como a "candidata do Lula" - e Pernambuco e Bahia são os Estados que deram mais votos ao PT nas últimas eleições. Uma avaliação feita pelo PSDB baiano estima que Lula pode transferir até 80% dos votos que teve no Estado.

Merval Pereira: A verdadeira reforma

- O Globo

Há muitos pré-candidatos a presidente da República, tão diferentes entre si como Ciro Gomes do PDT e Geraldo Alckmin do PSDB, mas com pensamentos comuns no que se refere à economia, talvez uns com tintas mais carregadas que outros, mas todos convencidos de que é preciso usar o primeiro ano de mandato, ou até mesmo os primeiros seis meses, para realizar as reformas necessárias. As mesmas em que nos debatemos há anos: reforma previdenciária, tributária, mas, sobretudo, a fiscal, que garantirá o equilíbrio das contas públicas.

Sem equilíbrio fiscal não há como crescer, afirmam com a mesma convicção os economistas Mauro Benevides Filho, que trabalha para Ciro, quanto Pérsio Arida, coordenador do programa econômico de Alckmin. Não são diferentes dos que assessoram candidatos também distintos entre si como Marina Silva (André Lara Resende e Gianetti da Fonseca) e Bolsonaro (Paulo Guedes).

Uns acham que o equilíbrio fiscal é questão fundamental, mas não suficiente para o crescimento, mas mesmo Benevides, que está no campo da esquerda, discorda da tese, muito em voga entre os petistas, de que o problema fiscal se resolve com crescimento econômico.

Portanto, o teto de gastos tão polêmico será mantido em governos de diferentes tendências, com nuances. O candidato Ciro Gomes disse ontem na sabatina da Folha, UOL e SBT que é preciso ter “uma pedra no coração” para cortar gastos com a educação. Benevides tem declarado que o teto de gastos será flexibilizado para permitir investimentos e dinheiro para a saúde e a educação. Mas haverá cortes em outros setores, para equilibrar as contas.

Tanto ele quanto Pérsio Arida têm defendido em entrevistas mudanças na tributação, para cobrar dos ricos mais do que dos pobres. Privatização é uma palavra comum, mas, para Ciro Gomes, Petrobras e Eletrobras são intocáveis. A reforma da Previdência também encontra eco entre os economistas mais distantes entre si, mas com nuances.

Uma proposta comum, no entanto, é a capitalização privada para as aposentadorias acima de três salários mínimos. Assim como sabemos o que é preciso fazer para atingir o desenvolvimento econômico, não se sabe como enfrentar uma necessidade básica para realizar um programa de governo viável, a tal da governabilidade.

Eliane Cantanhêde: Injustas e ilegítimas

- O Estado de S.Paulo

O Brasil não é e nunca será ‘uma Venezuela’, como bradam setores nacionais

Sabem quando o Brasil vai virar “uma Venezuela”? Nunca, jamais, em tempo algum, porque a Venezuela não produz nada além de petróleo e o Brasil é um dos maiores produtores agrícolas do mundo e exporta de aviões, ônibus e automóveis a petróleo, minério de ferro e sapatos.

A Venezuela é castigada há décadas por uma elite mesquinha e antinacionalista, que se lambuzou do petróleo exuberante, estabeleceu-se nos EUA e nunca se preocupou com o desenvolvimento do país e a criação de uma planta industrial – e de empregos.

No Brasil, a elite é elite, com todos os seus defeitos e mesquinharias, mas aprimora-se, estuda fora, investe nas amplas potencialidades do País: clima fantástico, sol o ano inteiro, água doce e salgada, florestas abundantes. O agronegócio é moderno e sofisticado, a Embraer está sendo cobiçada pela Boeing, a Marcopolo exporta carrocerias de ônibus para toda parte.

Enquanto na Venezuela as instituições estão aos frangalhos, no Brasil elas funcionam, seguem regras, são transparentes, até expostas, com os julgamentos mais importantes no Supremo e no Congresso transmitidos ao vivo. A imprensa é livre e atuante. São muitas críticas, até exacerbadas.

Corrupção? Sim, a Venezuela é escandalosamente corrupta, desde as poderosas autoridades até os mais simples agentes públicos. Até para tomar vacina tem-se de pagar propina.

Bruno Boghossian: Bomba adulterada

- Folha de S. Paulo

Tentativa de evitar escalada de preços é legítima, mas lembra maquiagem eleitoral

“Acabou a influência política na Petrobras”, declarou um Pedro Parente otimista, ao assumir a estatal, em 2016. O recém-empossado Michel Temer dera carta branca à companhia para reverter a ruína provocada pelo governo Dilma Rousseff.

O presidente cumpriu o prometido. Com respaldo do Planalto, a petrolífera se recuperou sob um novo modelo de gestão. Removeu amarras de sua política de preços e passou a fazer reajustes quase diários, seguindo o mercado internacional.

“Nós salvamos a Petrobras”, afirmou Temer, orgulhoso, na cerimônia em que celebrou dois anos no poder.
E, então, sopraram os ventos de mais uma campanha eleitoral.

Os riscos políticos fizeram com que o presidente ameaçasse romper a blindagem da estatal para tentar conter a subida da gasolina e dodiesel. Nos últimos dias, Temer começou a ceder à pressão de aliados que veem na escalada de preços um prejuízo brutal para suas candidaturas.

Na contramão de seu discurso pró-mercado, o Planalto estuda intervir nas regras de reajuste. “Vamos ver se encontramos um ponto em que possamos ter mais controle”, disse Eliseu Padilha (Casa Civil).

Se quiser manter a estatal imaculada, Temer precisará atingir outro pilar que sustentou seu governo nas sucessivas crises que enfrentou. A saída será reduzir impostos sobre combustíveis, contrariando a equipe econômica. “Não temos condições de reduzir a arrecadação”, afirmou Eduardo Guardia (Fazenda).

Míriam Leitão: Dilema do combustível

- O Globo

Controlar o preço da gasolina já deu errado muitas vezes no passado. Nos governos do PT, causou prejuízo de US$40bià Petrobras. No arsenal de medidas contra a alta dos combustíveis não há solução boa. O governo pensa em reduzir impostos, e a reunião do presidente Temer com a Petrobras aumenta o risco de intervenção nas decisões da empresa. No governo Dilma houve as duas coisas: redução de tributos e intervenção na Petrobras. Só à estatal isso custou US$ 40 bilhões. Perdeu-se receita sem que houvesse ganho para o país.

Que o dilema apareceria era previsível. Os preços oscilaram conforme as cotações internacionais enquanto não tinham disparado. Mas agora o barril está acima de US$ 80. Entre o dia primeiro de maio e esta terça-feira, a gasolina foi reajustada pela Petrobras em 15,5% e o diesel subiu 13,6%. Um aumento nessa proporção pesa ainda mais porque a economia está tentando se recuperar de uma longa recessão, e o percentual parece desproporcional para um país que está com inflação abaixo de 3% ao ano. Além disso, a eleição está chegando, e a tentação intervencionista aumenta. Diante disso, fazer o quê? Repetir os erros do passado?

Parece justo evitar a alta dos preços da gasolina, dado que esse não é o custo da Petrobras, e sim o valor da cotação externa. Esse raciocínio sempre aparece nas campanhas eleitorais na boca dos candidatos. O problema é que na economia se trabalha com o conceito de custo de oportunidade. Se a Petrobras exportar terá esse ganho. Se vender aqui mais baixo — por imposição governamental — terá prejuízo. A empresa passa, então, a ser usada pelos governantes para fazer política de preços. Esse tipo de intervenção na estatal prejudica principalmente o seu maior acionista, o Tesouro.

Fazer populismo com o preço dos combustíveis é um caminho sem volta. Nos governos do PT isso prejudicou os cofres públicos e a empresa. Primeiro, a Cide passou a ser reduzida até ser zerada, depois outros impostos foram diminuídos, a empresa passou a absorver o custo. Chegou a importar mais caro do que vendia. Criou-se um círculo vicioso. O subsídio aumentava, isso estimulava o consumo, o que elevava o prejuízo da Petrobras e piorava a perda tributária. O subsídio aos combustíveis fósseis durou anos, não evitou a inflação, o preço represado um dia teve que ser corrigido, e o setor de etanol entrou em crise.

Maria Clara R. M. do Prado: Greves, petróleo e câmbio

-Valor Econômico

Dada a diversificação da economia, não se deveria esperar grande repercussão negativa da desvalorização do real

O governo Temer deve amargar nos próximos meses significativo agravamento em sua taxa de credibilidade. Vai ter de dançar conforme a música, como se diz, tendo de lidar com greves que começam a pipocar por todo o país com sérias consequências econômicas e políticas, além da pressão externa sobre a taxa de câmbio e o preço do petróleo, sem falar na impossibilidade de avançar com as propaladas reformas no Congresso Nacional.

Corre o risco de terminar o mandato da mesma forma como se encerrou o governo do ex-presidente José Sarney. Com praticamente nenhum prestígio, mergulhado em incertezas e limitado a tocar a economia como der, administrando o dia-a-dia na base do "feijão com arroz", conforme ficou conhecida a atuação do Executivo naquele ano de 1989.

A greve dos caminhoneiros autônomos, espalhada por sete diferentes estados da federação, tem implicações negativas sobre o movimento de mercadorias em geral, tanto as que abastecem o mercado interno como as que se destinam ao mercado internacional. Querem aumentos reais de salário e redução no preço do diesel. Este aumentou cerca de 60% em apenas nove meses, no rastro da política realista da Petrobras que decidiu alinhar à cotação externa os preços praticados pelos derivados de petróleo internamente. Note-se, aliás, que novos aumentos para o diesel e a gasolina foram anunciados ontem.

A recente alta ocorrida nos preços do petróleo, com perspectiva de se sustentar nos próximos anos, coloca um dilema para o governo: manter a política de aumento dos preços internos ou reintroduzir a política de subsídios que por muitos anos foi largamente praticada no país, com expressivo impacto sobre as contas públicas?

Luiz Carlos Azedo: A crise venezuelana

- Correio Braziliense

Integrante do Grupo de Lima, formado por 14 países das Américas, o Brasil anunciou ontem que não reconhece a legitimidade das eleições presidenciais na Venezuela, em que Nicolás Maduro foi reeleito presidente. Argentina, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Guiana, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru e Santa Lúcia também condenaram a reeleição. Cuba, Bolívia, Rússia e Bolívia apoiaram a recondução de Maduro; a China irá pelo mesmo caminho, enquanto os Estados Unidos anunciaram a adoção de duras sanções econômicas.

As eleições venezuelanas foram marcadas por dois tipos de oposição: o não comparecimento às urnas de 54% do eleitorado (8,6 milhões de eleitores) e uma das mais baixas votações do chavismo, 5,8 milhões, ou seja, 67% dos votos. Também emergiu das urnas uma dissidência do chavismo, que reiterou aquilo que a oposição já antevia ao boicotar o pleito: houve uma fraude escandalosa nas urnas. Os candidatos derrotados, Henri Falcón, que obteve 21% dos votos, e Javier Bertucci, com 11%, ambos chavistas, não reconhecem o resultado e pedem novas eleições.

Em reação ao pleito, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, proibiu o envolvimento de cidadãos norte-americanos em negociações de títulos da dívida da Venezuela e de outros ativos. Segunda a Casa Branca, o objetivo é impedir que oficiais venezuelanos corruptos façam negócios e lavem dinheiro de propina. Desde maio, 62 pessoas e 15 entidades venezuelanas estão com bens congelados e proibidos de fazer negócios nos Estados Unidos, que consomem um terço do petróleo da Venezuela. As petroleiras americanas não podem mais negociar dívidas públicas do país ou comprar petros, a criptomoeda criada por Caracas.

Entretanto, a China ainda aposta alto no regime de Maduro. Recentemente rebateu as acusações do Tesouro dos Estados Unidos de que estaria ajudando o governo venezuelano com investimentos suspeitos envolvendo empréstimos em troca de petróleo. Em Pequim, o porta-voz da chancelaria chinesa, Geng Shuang, destacou que o país auxiliou a construção de mais de 10 mil casas de baixo custo, a geração de eletricidade e o gasto com eletrodomésticos para três milhões de lares venezuelanos de baixa renda.

Ricardo Noblat: A falsa serenidade de Lula

- Blog do Noblat

Ele não está gostando do que vê de dentro do cárcere

Era para acontecer só depois da Copa do Mundo. Mas Lula decidiu apressar o lançamento de sua candidatura a presidente da República porque teme que ela pudesse perder força até lá. E assim, do cárcere em Curitiba, ordenou: não poderá passar da próxima semana.

Lula observa com preocupação o possível crescimento da candidatura de Ciro Gomes (PDT). Não gostou de saber que até ex-assessores seus assinaram um manifesto de apoio à candidatura de Guilherme Boulos (PSOL). Novas pesquisas de intenção de voto estão por vir e ele quer aparecer bem.

Por mais que seus porta-vozes digam que ele está sereno embora indignado com o que se passa no país, sereno não está. Não se conforma em estar preso. E, ao contrário dos seus advogados, imagina que poderá ser solto de uma hora para a outra. Queixa-se de tudo e de qualquer coisa

Rubens Bueno: O BNDES deu PT

- Diário do Poder

Imagine um país com R$ 1,2 trilhão para investir em desenvolvimento. Esse é o sonho de qualquer governante compromissado com o fortalecimento da economia, com a melhoria da infraestrutura e com a geração de milhões de empregos no país. Pois foi justamente essa montanha de dinheiro que os governos do PT, capitaneados pelos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, tinham em suas mãos. E o que fizeram? Jogaram na lata do lixo dos campeões nacionais da corrupção.

Quem acompanha mesmo de longe o desenrolar da operação Lava Jato conhece bem que fim levaram os irmãos Batista, da JBS Friboi, Emílio e Marcelo, da construtora Odebrecht, e o empresário Eike Batista, do Grupo EBX. Financiados a juros reduzidos com o trilhão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), corromperam políticos, abasteceram caixas dois de campanha e remeteram recursos para o exterior sem gerar uma das principais contrapartidas que um banco de fomento tem que exigir: a geração de empregos.

A JBS Friboi fechou dezenas de frigoríficos no Brasil e direcionou grande parte de suas operações para o exterior. A fantasiosa EBX de Eike Batista faliu e deve bilhões ao BNDES e outros credores. A Odebrecht, diante dos escândalos de corrupção, está mal das pernas. E, como resultado disso, milhares de trabalhadores dessas empresas foram parar no olho da rua.

Hoje, cabe perguntar ao PT: Qual benefício, além da corrupção, trouxeram ao Brasil os “amigos do Rei” que hoje “está nú” em uma cela da Polícia Federal em Curitiba?

Abismo chavista: Editorial | Folha de S. Paulo

Reeleição de Maduro em processo ilegítimo torna futuro da Venezuela sombrio

As eleições presidenciais da Venezuela, no domingo (20), desfizeram qualquer vestígio de esperança de que o país pudesse mudar de rumo. Como se esperava, Nicolás Maduro reelegeu-se, sob evidências de fraude e manipulação, e terá direito a ficar no poder até 2025.

Difícil imaginar algo pior para um país que vive o quinto ano consecutivo de queda profunda da renda, com a mais alta inflação do mundo e escassez crônica de alimentos e insumos básicos. Entretanto a perspectiva de mais seis anos de um regime ensandecido faz acreditar em que se possa ampliar a dimensão da calamidade.

Como primeira reação, o não reconhecimento da legitimidade do pleitopor parte dos países vizinhos (incluindo o Brasil) e dos Estados Unidos impunha-se de modo quase obrigatório diante do flagrante uso da máquina eleitoral e do cerceamento da oposição.

Parece haver consenso regional, também, de que em algum momento chegará a um limite a capacidade de os venezuelanos suportarem tal nível de privação. A questão central reside em como —e se é possível— impedir Maduro de levar a população ao abismo.

Simulacro de democracia: Editorial | O Estado de S. Paulo

Nicolás Maduro foi reeleito presidente da Venezuela, no domingo, com 5,8 milhões de votos, mais do que o triplo de seu principal adversário, Henri Falcón, que obteve 1,8 milhão de votos. A eleição só atraiu 46% do eleitorado.

“Nunca antes um candidato havia ganho com 68% dos votos. Nocaute”, disse Nicolás Maduro pouco depois de sua vitória ter sido declarada pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

O Brasil e mais 13 países que integram o chamado Grupo de Lima divulgaram declaração conjunta em que afirmam não reconhecer o resultado da eleição na Venezuela “por não estar em conformidade com os padrões internacionais de um processo democrático, livre, justo e transparente”. O grupo estuda a adoção de sanções diplomáticas e econômicas que podem isolar ainda mais o regime chavista.

A posição do Brasil no caso é um avanço digno de nota. Não é difícil imaginar o apoio que Nicolás Maduro e o regime chavista teriam caso o País ainda estivesse entregue à inépcia de Dilma Rousseff.

Fosse em um país genuinamente livre, onde valem preceitos caros à democracia, como eleições limpas e oposição independente, os venezuelanos dificilmente renovariam o mandato de um dos responsáveis pela maior tragédia política, econômica e humanitária da América Latina em muitas décadas.

Mas fraudar uma eleição já é parte essencial do chavismo. O chamamento do povo às urnas é somente uma demão de verniz de democracia na crosta de uma das mais cruéis ditaduras de um continente que sabe muito bem reconhecer quando está diante de uma delas. Mas até este simulacro de democracia pode estar em risco com a reeleição de Nicolás Maduro, cujo novo mandato vai até 2025. A espiral do arbítrio já não ilude ninguém.

Vitória fraudada isola ainda mais Maduro: Editorial | O Globo

Missão da diplomacia, em especial do continente, com apoio dos EUA e da Europa, é tornar o menos pesado para a população o desenlace do regime, com transição para a democracia

O regime chavista e seu “Socialismo do Século XXI”, sob a condução de Nicolás Maduro, desde a morte de Hugo Chávez, em 2013, continuam a sua debacle. A nova etapa vencida neste processo de agonia da Venezuela, que se agrava, com desdobramentos imprevisíveis, foi a eleição do último domingo que manteve Maduro no poder, por mais seis anos, em meio a denúncias e evidências de fraudes. O Conselho Nacional Eleitoral (CNE), controlado pelo governo, como tudo na área pública, anunciou que Maduro obteve, com 92,6% das urnas apuradas, 5,8 milhões de votos (68%), contra 1,8 milhão do principal candidato oposicionista (Henri Falcón).

Desde a chegada do chavismo ao poder, em 1999, foi a mais baixa taxa de comparecimento às urnas, 46% — ou 30%, segundo a Frente Ampla, de oposição —, o que terminou aumentando o peso dos votos de cabresto: o governo instalou “pontos vermelhos” nas proximidades dos postos eleitorais, onde os beneficiários da assistência social, depois de votar, apresentavam suas carteiras de filiação aos programas e eram informados do número de celular para o qual enviar um SMS com seu voto. Um ou outro entrevistado não escondia que temia perder benefícios se não sufragasse Maduro. Tudo sob a vigilância da milícia e da Guarda Nacional Bolivarianas.

Já no domingo à tarde, os candidatos de oposição Henri Falcón e Javier Bertucci denunciavam irregularidades. Falcón, dissidência chavista, anunciara que não reconheceria o resultado — os partidos tradicionais de oposição ao chavismo pregaram abstenção. Ontem pela manhã, confirmado o resultado, veio o repúdio internacional.

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, tachou o pleito de “farsa”, não o reconheceu, e foram pelo mesmo caminho os países do Grupo de Lima — Brasil, Argentina, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Guiana, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru e Santa Lúcia. O repúdio também se espalhou pela Europa.

Trégua com armas apontadas: Editorial | O Estado de S. Paulo

Armado para uma guerra comercial, o presidente Donald Trump conseguiu atrair o governo chinês para uma tentativa de acordo, mas seria uma ingenuidade festejar essa trégua. Em primeiro lugar, o conflito poderá explodir a qualquer momento, porque os americanos mantêm as armas apontadas e prontas para disparar, até porque serão usadas como ferramenta de negociação, como disse o diretor do Conselho Econômico Nacional dos Estados Unidos, Larry Kudlow. Em segundo, exportações de aço e alumínio de outros países continuam sujeitas à imposição de barreiras tarifárias ou cotas nos Estados Unidos. O Brasil é um dos países ameaçados. Em terceiro, o início de um entendimento entre Washington e Pequim, anunciado como avanço importante pela Casa Branca, indica um sucesso parcial, pelo menos até agora, de uma política baseada na truculência e no desprezo a normas multilaterais.

Nem o risco de uma guerra comercial entre os Estados Unidos e vários grandes parceiros está eliminado. Enquanto se preparava a trégua entre Washington e Pequim, autoridades da União Europeia, do Japão, da Índia e da Rússia comunicaram à Organização Mundial do Comércio (OMC) a disposição de impor barreiras a exportações americanas se o governo do presidente Donald Trump mantiver limitações a suas exportações de aço e de alumínio. Essa retaliação conjunta poderá resultar num enorme conflito entre grandes economias, mesmo se houver avanço nos entendimentos entre americanos e chineses.

A participação japonesa nesse movimento é especialmente significativa. O Japão é o mais poderoso aliado dos Estados Unidos no Extremo Oriente e o governo do primeiro-ministro Shinzo Abe tem procurado aproximar-se da atual administração republicana. Mais que isso, tem suportado com paciência pressões americanas sobre comércio bilateral e política regional. O governo japonês cobra isenção de impostos e de cotas para suas exportações de aço e de alumínio e, tudo indica, rejeita a discussão de qualquer acordo.

Desemprego persiste e abre espaço a severas distorções: Editorial | Valor Econômico

Os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) intensificaram a preocupação com a demora na recuperação do mercado de trabalho, cuja fraqueza persistente prejudica dos mais jovens aos pais de família. A Pnad Contínua do primeiro trimestre mostrou não só o crescimento do desemprego mas também da subocupação por insuficiência de horas trabalhadas e do desalento. No total, 24,7% da força de trabalho, ou seja, quase um quinto, está subutilizada, o que afeta 27,7 milhões de pessoas. A taxa de desemprego subiu para 13,1% em março em comparação com 11,8% do final de 2017 e dos 11,6% de 2016.

Divulgado pouco depois de o governo de Michel Temer ter comemorado dois anos, o balanço levou o Planalto a antecipar a liberação dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho. A tentativa foi mostrar um quadro melhor, mas insuficiente para tranquilizar a população. Foram criados 115,9 mil postos formais em abril, acumulando 336,9 mil nos primeiros quatro meses do ano. O resultado neutraliza o balanço negativo de 2017, quando o saldo foi de 20,8 mil vagas perdidas. Está longe, porém, de compensar o 1,5 milhão de vagas fechadas em 2015 e o 1,3 milhão de 2016.

Um leve aumento do desemprego no início de ano poderia até ser considerado normal após as demissões dos contratados para atividades temporárias no fim de ano. Mas a taxa superou as expectativas e ficou acima do que se esperava. Chama atenção especial o número de desalentados, que chegou a 4,6 milhões de pessoas em comparação com 4,3 milhões no fim de 2017, 60,6% dos quais estão no Nordeste. São pessoas que estão fora do mercado porque não conseguiram trabalho adequado ou não tinham experiência ou qualificação, ou são muito jovens ou idosos. Mas o número de 13,7 milhões de desocupados é avassalador, além dos 6,2 milhões que trabalham menos horas do que poderiam.

Alckmin pode atrair a maior parte do apoio do centro político, diz Freire

Roberto Freire defende apoio do PPS a Alckmin

Humberto Domiciano | Diário do Grande ABC 

Presidente nacional do PPS, Roberto Freire defendeu que a sigla faça parte da coligação do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), que deve disputar a Presidência da República.

Freire acredita que Alckmin é o nome que pode atrair a maior parte do apoio do chamado centro político. “Estou trabalhando forte para que esse espaço seja preenchido pelo Alckmin, que é o melhor candidato para o momento do Brasil. A sociedade começa a se preocupar porque precisa de alguém que supere as divisões, a intolerância e a discussão política sem limites. O PT foi responsável por isso, mas não é momento de imaginar revanche e sim de superação”, comentou.

O popular-socialista prosseguiu nos elogios a Geraldo Alckmin, que é presidente nacional do PSDB. “A personalidade dele é adequada para isso, é uma pessoa de diálogo. Não cultiva inimizades. Quando ele era oposição a Dilma [Rousseff, ex-presidente da República, PT] era o governador que melhor a tratava. Fizemos indicativo [do apoio] e estamos trabalhando para consolidar uma boa aliança, o Brasil precisa disso”, continuou o dirigente.

O senador Cristovam Buarque (PPS-DF) foi destacado para formular as políticas de Educação do programa de governo do tucano.

Em 1989, Roberto Freire concorreu à Presidência, pelo PCB, e ficou na oitava posição, com 769.123 votos. Três anos depois, uma dissidência do partido deu origem ao PPS. Nas eleições de 1994, o partido recém-criado fez parte da coligação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No pleito seguinte, em 1998, a legenda teve o ex-governador do Ceará Ciro Gomes, como candidato. Ciro também concorreria ao cargo em 2002.

Já no ano de 2006, o partido ofereceu apoio a Geraldo Alckmin e estenderia a adesão na disputa de 2010, ao senador José Serra (PSDB). Em 2014, o partido fez parte da chapa de Marina Silva (Rede).

Alckmin fará giro pelos Estados e prepara lançamento de plano de segurança

Presidenciável viajará para pelo menos seis diferentes Estados até o fim do mês

Daniel Weterman | O Estado de S.Paulo

Com dificuldade de decolar nas pesquisas de intenção de voto e incentivado por aliados para expandir sua pré-campanha à Presidência da República, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) programou viagens a seis Estados nesta e na próxima semana.

O tucano deve participar, na quarta-feira, 23, de um congresso de prefeitos em Brasília. A semana inclui ainda viagens ao Mato Grosso do Sul e a Rondônia. Na semana que vem, avisou que estará no Rio de Janeiro, na Bahia e no Rio Grande do Sul.

Segundo um interlocutor, a equipe da pré-campanha avalia que este é o "momento certo" para Alckmin começar a visitar mais os Estados e apresentar suas propostas. Uma das estratégias que estão desenhadas é lançar um plano para a segurança pública, tema apontado como um dos mais sensíveis no eleitorado nestas eleições. A campanha, entretanto, ainda não divulga uma data para divulgação do plano.

Em palestras e debates que participa, Alckmin tem dedicando mais tempo para falar sobre o combate à criminalidade, apresentando índices de redução no número de homicídios em São Paulo e defendendo bandeiras como a criação de uma agência de inteligência integrada com os governos estaduais.

Na segunda-feira, 21, em conversa com alunos do Ibmec, na capital paulista, o presidenciável propôs uma política inspirada na "tolerância zero" do ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani, dando poder de polícia ostensiva para as guardas municipais, que seriam subordinadas à Polícia Militar.

'Pode haver alguém tão íntegro como eu, mas mais não tem', diz Alckmin

Ex-governador de São Paulo negou as acusações de suposto recebimento de caixa dois em campanha eleitoral

Daniel Weterman | O Estado de S.Paulo

Defendendo-se das acusações de suposto recebimento de caixa dois na campanha de 2010, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) disse na segunda-feira, 21, não haver alguém mais "íntegro" do que ele.

Reportagem da Folha de S.Paulo publicada no domingo, 20, revela que a concessionária CCR narrou ao Ministério Público de São Paulo ter contribuído com R$ 5 milhões à campanha de Alckmin ao Palácio dos Bandeirantes em 2010 através de caixa dois.

O tucano classificou a citação como "absurda" e disse que nem conhece o depoimento. "Tão absurdo, eu não tenho nem conhecimento disso. Pode haver alguém tão íntegro como eu, mas mais não tem", disse o tucano, em entrevista coletiva após palestra para alunos do Ibmec, na capital paulista.

Ao dar a resposta, Alckmin foi remetido a uma frase do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, em janeiro de 2016, disse não haver uma "alma viva mais honesta" do que ele. Questionado sobre a associação da declaração, Alckmin afirmou que a comparação deveria ser feita com base em sua trajetória. "É só ver a minha vida, pode ver de A a Z."

O tucano, pré-candidato à Presidência da República, disse não "esperar" que haja uma perseguição contra ele. O empresário Adhemar Ribeiro, cunhado do político, é apontado como intermediário dos supostos pagamentos não declarados em campanhas de Alckmin. "Nunca participou como tesoureiro de campanha, nada disso", alegou o ex-governador. Ele declarou que a participação do cunhado nas campanhas foi apenas como "amigo".

Doria
Diante da reinclusão do ex-prefeito de São Paulo João Doria nas especulações sobre uma candidatura presidencial, em função do baixo desempenho de Alckmin nas pesquisas, o ex-governador atribuiu o movimento a uma "criação" da imprensa em busca de "novidade".
"A imprensa gosta de novidades, então criaram o Luciano Huck, depois criaram o Joaquim Barbosa, agora criam o João Doria. Estão desinformando a população, e nós vamos fazendo campanha", disse. Perguntado se o movimento pró-Doria não viria de seu próprio partido, Alckmin argumentou que foi eleito como presidente da legenda com 99,8% dos votos.

Manifesto
O PSDB, que tem Alckmin como pré-candidato ao Planalto, é uma das legendas patrocinadoras de uma manifesto a ser lançado no fim do mês pregando a união de um "centro democrático e reformista" nas eleições de outubro.

Alckmin afirmou que a proposta do grupo visa diminuir a quantidade de candidatos de centro no pleito. "Nós precisamos diminuir a fragmentação, você tem um número muito grande de candidatos que têm uma proximidade muito grande de propostas", citou. O tucano defendeu uma "convergência" mais ampla de partidos de centro nas eleições.

Alckmin diz que citação de caixa dois por concessionária é absurda

CCR diz que recebeu R$ 5 milhões no caixa dois por sua campanha em 2010

Thais Bilenky | Folha de S. Paulo

SÃO PAULO - O pré-candidato a presidente Geraldo Alckmin (PSDB) chamou de absurda a acusação feita pela CCR de recebimento de R$ 5 milhões no caixa dois por sua campanha em 2010.

“Isso é tão absurdo, tão absurdo. Não tenho nem conhecimento”, afirmou nesta segunda-feira (21), após palestra no Ibmec, em São Paulo.

“Pode haver alguém tão íntegro quanto eu, mas mais não tem”, disse o tucano, em declaração que lembra a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2016, quando disse que “não há viva alma mais honesta” que ele, hoje preso.

“É só ver a minha vida. Pode ver de A a Z”, afirmou Alckmin.
Em relação à citação de seu cunhado Adhemar Cesar Ribeiro, acusado de ter intermediado supostos repasses ilícitos, o tucano disse desconhecer a delação.

“Precisa verificar o que é isso. Vamos aguardar”, afirmou Alckmin. Questionado sobre se via uma perseguição nas acusações, ele disse que espera que não haja.

Adhemar Cesar Ribeiro também é citado como operador de caixa dois pela Odebrecht. Segundo Alckmin, ele “nunca participou como tesoureiro de campanha, nunca participou em absolutamente nada disso”.

Ribeiro “não tem nenhum papel, a não ser o de ser amigo e procurar participar”, disse o presidenciável.

A equipe de Alckmin defende que ele adote posicionamento mais enfático em relação à Lava Jato e acusações que pesam contra ele por caixa dois. Mas o tucano manteve a postura de responder breve e sucintamente apenas aquilo que lhe é perguntado.

Órfãos do PT aderem a manifesto pró-Boulos

Texto a ser lançado hoje leva assinatura de figuras associadas ao ex-presidente Lula, como Frei Betto e Paulo Betti

Catia Seabra | Folha de S. Paulo

SÃO PAULO - Nomes tradicionalmente associados ao PT e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva figuram em manifesto de apoio à candidatura de Guilherme Boulos (PSOL) à Presidência da República, que será lançado nesta terça (22). Entre eles, os atores Paulo Betti e Letícia Sabatella, o religioso Frei Betto e a urbanista Raquel Rolnik.

O documento "Vamos com Guilherme Boulos e Sônia Guajajara" tem cerca de 500 assinaturas e será lido pelo cantora Maria Gadú.

O escritor Gregorio Duvivier, a atriz Sônia Braga e a cartunista Laerte Coutinho endossam o texto, no qual a pré-candidatura de Boulos é descrita "como arejada, construída de baixo pra cima, em aliança inédita entre partidos e movimentos sociais".

Segundo o documento, é preciso interromper a destruição de direitos.

"Estamos diante de um momento que revela o esgotamento dos poderes da República. Basta ver o presidente, a elite econômica e financeira que arquiteta as contrarreformas e os golpes, a interferência seletiva do Poder Judiciário na própria disputa eleitoral. Defender direitos elementares soa como radicalismo, exigir outra política econômica e outra democracia é antissistêmico. Mas, para essa pré-candidatura, radical é a injusta realidade a que a maior parte do povo está sujeita”, diz o manifesto.

O documento não explicita apenas o desembarque de apoiadores do PT, mas de Marina Silva (Rede). Antigos eleitores dela, como o ator Wagner Moura, a empresária Paula Lavigne e o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro estão entre os signatários.

Os atores Érico Brás, Bruno Mazzeo e Alinne Moraes também estão entre apoiadores da candidatura do coordenador do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), além do sociólogo Chico Oliveira e do poeta Ferrez.

A lista inclui ainda colaboradores na redação de programas de governo. Crítico da Lava Jato e presença em atos em defesa de Lula, o advogado Pedro Estevam Serrano terá participação na pré-campanha.

Assessor especial do primeiro governo Lula, Frei Betto participará do grupo dedicado aos programas sociais. A economista Laura Carvalho —colunista da Folha— deverá coordenar a área econômica.

O manifesto conta com apoio de militantes do movimento negro, líderes religiosos e parlamentares europeus.

A secundarista Ana Júlia Ribeiro que em 2016, atraiu a atenção de Lula ao discursar em favor da ocupação de escolas no Paraná, também assina o documento.

No mesmo ato, será lançada, na Casa do Baixo Augusta, uma plataforma para arrecadação de recursos para pré-campanha e discussão de propostas de governo.

Será apresentada também uma ferramenta de mobilização, permitindo a criação de grupos.

Temer vai explicitar apoio a Meirelles

Presidente diz a dirigentes do MDB que vai aproveitar evento da sigla para fazer aceno ao ex-ministro e deixar claro que desistiu da reeleição

Vera Rosa / O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - O presidente Michel Temer disse a dirigentes do MDB que anunciará hoje apoio à pré-candidatura do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles ao Palácio do Planalto. A ideia é que Temer aproveite uma reunião do partido, na qual será lançado o documento “Encontro com o Futuro”, para deixar clara a desistência de concorrer a novo mandato e fazer um aceno público na direção de Meirelles.

A disputa pela Presidência escancarou, nos últimos dias, a guerra interna no MDB. Desde a semana passada, senadores e deputados pressionam Temer a dizer com todas as letras que não será candidato. A avaliação é a de que a impopularidade do presidente está atrapalhando cada vez mais as campanhas nos Estados.

“O MDB entende que Meirelles pode preencher essa necessidade de uma candidatura de centro”, afirmou o presidente do MDB, senador Romero Jucá (RR). “Quem tem dois candidatos não tem nenhum”, completou ele. Líder do governo no Senado, Jucá procurou amenizar as divergências no partido. “Com Meirelles, estamos juntando a figura de um outsider no mundo político à experiência de quem já mostrou resultados inequívocos no comando da economia.”

A decisão de lançar o ex-titular da Fazenda ao Planalto, no entanto, provocou muita polêmica no MDB e no Planalto. Idealizador da carta-compromisso batizada de “Encontro com o Futuro” – contendo diretrizes para um programa de governo –, o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, foi um dos que aconselharam Temer a não retirar agora sua précandidatura.

Na tentativa de contornar o impasse, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, chegou a defender, nos bastidores, que Temer coordenasse a campanha de Meirelles, exPSD e cristão novo no MDB.

Foi o que bastou para a líder do MDB no Senado, Simone Tebet (MS), protestar. Tebet chegou a telefonar ontem para Jucá. Reclamou e disse que a proposta de Marun seria um “suicídio”. Na prática, emedebistas querem Temer longe do palanque, com medo de que sua presença contamine a disputa e prejudique os nomes da legenda. “Não existe a possibilidade de o presidente ser coordenador de campanha”, argumentou Jucá, tranquilizando a senadora.

Cartilha. Preparado pela Fundação Ulysses Guimarães, dirigida por Moreira Franco, o “Encontro como Futuro” faz uma defesa enfática do governo Temere prega uma reformado serviço público, sem detalhar medidas.

Cecília Meireles:De que são feitos os dias?

De que são feitos os dias?
- De pequenos desejos,
vagarosas saudades,
silenciosas lembranças.

Entre mágoas sombrias,
momentâneos lampejos:
vagas felicidades,
inactuais esperanças.

De loucuras, de crimes,
de pecados, de glórias
- do medo que encadeia
todas essas mudanças.

Dentro deles vivemos,
dentro deles choramos,
em duros desenlaces
e em sinistras alianças...