sábado, 7 de julho de 2018

Opinião do dia: Geraldo Alckmin

Ou nós vamos pegar o caminho da eficiência, da competitividade, do crescimento – melhorar salário, dobrar a renda dos brasileiros e promover o desenvolvimento – ou nós vamos empurrando os problemas com a barriga e vamos ter problema ali na frente.

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Geraldo Alckmin é presidente nacional do PSDB e pré-candidato presidencial, em Cuibá, 6/7/2018

Miguel Reale Júnior: Segurança na segurança

- O Estado de S.Paulo

Há que evitar candidato que gosta de aplausos ao esquadrão da morte ou de receber juiz a tiro

O tema mais sensível da disputa pela Presidência da República é o da segurança pública, em vista do desassossego que aflige o cotidiano da população, principalmente nas cidades grandes e médias. A delicadeza da questão está no fator emocional, no medo sentido diante da violência presente nas ruas, além da sensação de impunidade.

Nestas condições, a campanha eleitoral levará candidatos populistas a explorar o problema com propostas simplistas de maior repressão, manifestamente pouco redutoras da criminalidade, mas enganosas.

Vem de ser promulgada a Lei n.º 13.675, instituidora do Sistema Único de Segurança, cuja tônica está na busca de integração operacional das diversas unidades de polícia - Federal, Militar, Civil, Rodoviária, municipal - e na criação de rede nacional informatizada para intercâmbio de informações das integrantes desse sistema. Criar banco de dados criminal de âmbito nacional é essencial para orientar os trabalhos de persecução penal - a ser financiado, como sugerimos em nossa passagem pelo Ministério da Justiça, pelo Fundo de Telecomunicações.

Quanto à integração operacional, posso lembrar minha experiência na Secretaria de Segurança de São Paulo e à frente do Ministério da Justiça. Neste, organizamos forças-tarefa compostas pelas Polícia Federal, Rodoviária Federal e Polícias Civil e Militar de São Paulo e de Mato Grosso do Sul, no combate ao roubo de carga, com resultado muito positivo. Para integrar as polícias, outro caminho está em fazê-las ter formação parcialmente conjunta, dividindo salas de aula.

Tais medidas são importantes, mas não suficientes. Onde estão os gargalos da segurança pública? A meu ver, na elucidação dos crimes, na absoluta falta de uma política criminal de cunho social, no sistema prisional produtor de reincidência.

Bolívar Lamounier: Da polarização à anomia

- Revista IstoÉ (5/7/2018)

Os milhões de indignados são como milhões de partículas que não se somam. Cada uma, quero dizer, cada indivíduo, entende a situação de um jeito

Suponhamos que o Brasil ganhe a Copa, de maneira brilhante. Em seguida, os atletas, embora quase todos joguem na Europa, certamente virão ao Brasil para receber as homenagens e o calor da torcida.

Essa hipótese suscita a velha e boa indagação sobre os possíveis efeitos políticos dos triunfos esportivos. A alegria e o orgulho de sermos brasileiros serão sentimentos efêmeros, que logo se dissiparão, nos levando de volta à situação anterior? A situação anterior, como ninguém ignora, era uma forte tendência à radicalização, um ambiente raivoso, um mau humor sem precedente em nosso País. Mau humor, acrescento, perfeitamente compreensível, afinal ainda nem saímos da recessão de quase três anos provocada pelo governo Dilma. O número de desempregados continua na casa dos 13 milhões. A corrupção amazônica é corajosamente enfrentada em Curitiba, mas, em Brasília, a Segunda Turma do STF insiste em passar uma borracha em tudo, com a cara mais limpa desse mundo.

O quadro acima esboçado piora bastante quando nos voltamos para o quadro eleitoral. A indignação é generalizada, mas não é um corpo homogêneo. Os milhões de indignados são como milhões de partículas que não se somam. Cada uma, quero dizer, cada indivíduo, entende a situação de um jeito. Cada um responsabiliza um político, um partido ou um acontecimento qualquer pela catástrofe que se abateu sobre o País. Em sociologuês, isso é o que se costuma chamar de anomia, ausência de ordem, desnorteio geral, agravado por um sentimento de desânimo e desesperança. Um sentimento de que tudo vai mal e de que não há a quem apelar.

Não há a quem apelar: aqui entram as eleições. Antes, bem ou mal, tínhamos a polarização PT X PSDB. Agora, nem isso. Os candidatos presidenciais até agora não empolgaram, e não parece provável que esse dado vá se alterar. Raras vezes na história dessa república tivemos um elenco tão ruim de presidenciáveis.

E é assim mesmo que vamos para a eleição, com um alto índice de abstenção e os votos válidos esfarelados entre os diversos candidatos. Teoricamente, a responsabilidade por apontar rumos e engendrar convergências cabe aos partidos, mas só os muito otimistas acreditam que nossa estrutura partidária tenha alguma relevância neste momento. E agora, José?

Hélio Schwartsman: Estado contra a sociedade

- Folha de S. Paulo

Autoridades não se empenham de verdade em facilitar a vida do cidadão

É um fracasso a tal da CNH Digital anunciada com algum estardalhaço pelo governo. Como mostrou a Folha, depois de nove meses de vigência da inovação, apenas 0,4% dos motoristas carregam a carteira de motorista em seus celulares.

A reportagem relaciona vários motivos para a baixa adesão. Eles vão da ganância de alguns Detrans, que chegaram a cobrar mais de R$ 200 por um serviço cujos custos são irrisórios, até entraves burocráticos, que exigem inexplicáveis comparecimentos físicos dos condutores aos órgãos emissores do documento.

O buraco, contudo, é, a meu ver, mais embaixo. Seja por falta de imaginação, seja pelo desejo de manter o “statu quo”, as autoridades não se empenham de verdade em facilitar a vida do cidadão. Se as polícias já têm, através de seus computadores de bordo, acesso aos bancos de dados de motoristas e de veículos, a atitude sensata é mudar a lei para que ela dispense as pessoas de portar esses documentos, não criar mais versões do papelório.

E isso é menos do que a ponta do iceberg. Existe hoje tecnologia que permitiria ao poder público disponibilizar de forma gratuita (ou por taxas mínimas) uma infinidade de serviços e procedimentos burocráticos. Isso vale para obrigações fiscais, previdenciárias, registros públicos e trâmites jurídicos.

É ridículo, por exemplo, obrigar as partes a contratarem advogados para realizar inventários extrajudiciais e divórcios consensuais, que poderiam simplesmente ser registrados num grande cartório virtual mantido pelo Estado. Aliás, a tecnologia do blockchain, que é essencialmente uma forma de reconhecer e validar consensos, pode em tese aposentar —e com muito mais segurança— vários dos procedimentos que hoje realizamos em cartórios.

É claro que alguns profissionais se veriam privados de suas reservas de mercado e sairiam perdendo, mas, quando se consideram os ganhos para o conjunto da população, não há como hesitar.

João Domingos: Tudo ainda incerto

- O Estado de S.Paulo

Não haverá renovação das forças políticas nem na Presidência nem no Congresso

A exatamente três meses do primeiro turno da eleição presidencial, a incerteza quanto ao resultado é a mesma de há seis meses ou de há um ano. Pelas mãos de Lula ou de outro o PT voltará ao poder? A extrema direita e seu saudosismo da ditadura militar triunfará? O centro, que sempre foi competitivo, ficará de fora? Dessa vez Marina Silva vai? E como ficará a tentativa de Ciro Gomes de unir a centro-esquerda à centro-direita? Uma certeza, no entanto, é possível ter desde já: não haverá renovação, seja na Presidência da República, seja no Congresso.

Se houvesse uma casa de apostas no Brasil, e se as apostas fossem sobre o resultado da eleição de 7 de outubro, poderia até haver favoritos. Mas todas as possibilidades deveriam ser levadas em conta a julgar pelo que já fizeram os que melhor pontuam nas pesquisas sobre intenção de votos.

Não dá para dizer que sem Lula o PT perdeu a competitividade. Se o ex-presidente não conseguir o registro de sua candidatura, pois enquadrado na Lei da Ficha Limpa, o nome que ele indicar tem possibilidades concretas de passar para o segundo turno. O PT foi vitorioso na estratégia política de manter o nome de Lula na disputa, mesmo preso. Tanto é que os institutos de pesquisa continuam oferecendo ao eleitor o nome do ex-presidente. E quando se fala em recursos de Lula ao STF, passa-se à sociedade a ideia de que se trata de algo a respeito das condições de elegibilidade dele, não da ação penal pela qual foi condenado. E o plano B petista, o ex-prefeito Fernando Haddad, pontua bem quando é dito que ele seria apadrinhado por Lula.

O deputado Jair Bolsonaro (PSL) consolidou sua posição e tem condições de chegar ao segundo turno. Se conseguir a aliança com o PR e o senador Magno Malta (ES) de vice, tem condições de crescer. Avançará sobre parte do eleitorado evangélico e terá na chapa o reforço de um aliado que, como ele, se apresenta como a antítese do PT e de Lula. É possível até que nesse papel de inimigo dos petistas Malta consiga ser mais convincente do que o próprio capitão reformado do Exército.

Marina Silva está um pouco diferente das eleições anteriores das quais participou. Procura apresentar-se como uma pessoa de paz, que não está disposta a entrar em briga com quaisquer dos lados da disputa. O problema dela é que seu partido, a Rede, tem uma estrutura partidária insignificante, seu tempo de propaganda na TV é ínfimo e seu quinhão no fundo eleitoral é quase nada. Ela procura se socorrer nas redes sociais. Mas serão suficientes para se contrapor ao poderio e alcance da TV aberta?

Ciro Gomes, do PDT, tem marcado uma posição clara. Aproxima-se ao mesmo do tempo do empresariado nacional, com acenos de redução nos juros e controle do câmbio, e das corporações sindicais de trabalhadores, ao dizer que vai rever parte da reforma trabalhista. Ciro tem um projeto ousado, de aliança com a centro-esquerda, no caso o PSB, e com a centro-direita. Se conseguir esse objetivo, tem condições de passar ao segundo turno.

Geraldo Alckmin, do PSDB, tem alguns problemas sérios pela frente. Ele não consegue passar para o eleitor – e ele mesmo diz isso – que é candidato a presidente. A isso atribui o fato de patinar nas pesquisas sobre a intenção de votos. É preferido do mercado, por defender as reformas e o controle fiscal, e é tido como o nome mais capaz de fazer a transição política do País, tirando-o da divisão em que se encontra, por ter perfil moderado e conciliador. Mas Alckmin não consegue convencer nem mesmo partidos identificados com ele do ponto de vista programático de que dará a volta por cima e melhorará sua situação nas pesquisas eleitorais.

Zuenir Ventura: Lembrando um mártir

- O Globo

A recente condenação do Estado brasileiro pela tortura e morte do jornalista Vladimir Herzog, em 1975, durante a ditadura militar, veio lembrar o que alguns ainda querem negar — que crimes contra a humanidade eram então cometidos por torturadores, um dos quais é hoje exaltado por um candidato à Presidência da República.

A família Herzog teve que recorrer à Corte Interamericana de Direitos Humanos para obter o que, por 43 anos, não conseguiu aqui. A versão oficial do assassinato era uma farsa segundo a qual ele se suicidara enforcando-se com o cinto de seu macacão (que não tinha cinto) no DOI-Codi paulista, um centro de tortura do II Exército, onde se apresentara conforme prometera na véspera aos policiais que foram intimá-lo na TV Cultura, onde era diretor de jornalismo. Podia ter fugido, mas Vlado explicou aos companheiros de trabalho: “Não tenho nada a temer. Amanhã me apresento, esclareço tudo e volto para casa”.

Naquele sábado mesmo, ele foi torturado até a morte por volta das três horas da tarde. Os outros dez jornalistas que estavam presos lá acompanharam do lado de fora da sala o desenrolar da sessão — o rádio ligado a todo volume, as pancadas, os gemidos, os gritos fortes no começo, depois sufocados, finalmente silenciados. “Eles queriam silenciar Herzog”, contou mais tarde o cardeal D. Paulo Evaristo Arns, “e encheram sua boca com lã, também para fazê-lo sofrer.

Ele era cardíaco, e o coração parou, e não conseguiram mais reanimá-lo”. Durante os dois anos em que trabalhamos juntos, produzimos não só algumas matérias de que me orgulho, como construímos uma bela amizade. De 15 em 15 dias, eu ia a São Paulo pela revista e às vezes dormia em sua casa para conversarmos até de madrugada sobre pautas, matérias, movimento artístico. Raramente falávamos de política. Por isso, a sua morte me pareceu mais estúpida.

Ele foi morto pelo que não fazia. Ele não era um militante, não usava a profissão para contrabando ideológico, uma tentação daqueles tempos de sufoco. Ao contrário — e essa era a mais admirável de suas virtudes profissionais — Vlado não usava o jornalismo como pretexto político; acreditava na informação como força transformadora. Quer dizer: mataram a pessoa errada. Como se houvesse uma pessoa certa a matar.

Naqueles tempos de horror, difíceis de viver e trabalhar, Vlado soube viver, trabalhar e morrer com dignidade. Para mim, ele ficou como um mártir da abertura. Foi a partir do choque causado por sua morte — com toda a indignação e revolta que espalhou — que a imprensa brasileira tomou coragem de avançar até o horizonte do possível.

Antônio Cláudio Mariz de Oliveira: Cultura punitiva, sociedade em risco

- O Estado de S.Paulo

Sem estrita obediência às garantias legais, instaura-se a tirania investigativa e judiciária

Um sofrimento infligido a um homem ou à sociedade, quando é adotada uma da reação para extirpá-lo ou minimizá-lo, é acrescido de outro padecimento, de natureza diversa. O exemplo mais claro é o do medicamento que causa efeitos colaterais danosos. Procura-se a cura de uma moléstia e se adquire, como efeito direto do remédio ingerido, um outro mal para a saúde.

O mesmo se dá com os fenômenos advindos da conduta humana. O exemplo a ser analisado é o da criminalidade, violenta ou a denominada de colarinho-branco. A primeira tem como antídoto escolhido a repressão policial. No cumprimento dessa missão, tem-se assistido ao remédio voltar-se contra os doentes, que se tornam vítimas do arbítrio policial. Ademais, os próprios responsáveis pelo combate à doença do crime violento têm sido atingidos pelo tratamento escolhido: inúmeros são os policiais mortos em serviço.

Já o combate ao crime não violento, que encontra na corrupção o seu mais eloquente modelo, vem provocando efeitos colaterais que atingem o ordenamento penal e a segurança jurídica do País.

Instalou-se uma verdadeira “cruzada anticrime”, responsável por uma cultura punitiva criada pelos responsáveis pela persecução penal e caracterizada pelo desrespeito ao sistema de normas constitucionais e legais que regem essa atividade. Como arauto dessa cultura nós temos a mídia, que, por sua vez, influencia uma sociedade cada vez mais raivosamente intolerante e sedenta de castigo e de vingança.

Ruy Fabiano: STF: sem juízes e sem juízo

- Blog do Noblat | Veja

Supremo nunca teve o protagonismo político de hoje

Em nenhum outro momento da História do Brasil, o STF teve o protagonismo político de hoje. Da mesma forma, jamais sua imagem e credibilidade estiveram tão desfavorecidas perante a população. Não são situações desconexas: uma coisa decorre da outra.

Na medida em que se auto-investiu da condição de poder moderador – figura que, inexistente na república, cabia ao imperador na monarquia -, desfez-se da moderação, relativizou a Constituição e desceu ao vale-tudo do varejo político-partidário.

Usurpou prerrogativas dos demais Poderes, legislando, vetando leis e, até mesmo, nomeação de ministros de Estado. O Direito tornou-se um detalhe, a ser acionado quando convier.

Exemplo claro disso deu-se no espaço de uma mesma semana. No dia 3, o ministro Dias Toffoli negou habeas corpus a Evanildo José Fernandes de Souza, morador de rua que furtou e depois devolveu à loja uma bermuda de R$ 10.

A Defensoria Pública da União recorreu à tese da irrelevância do furto e ao fato de o morador ter devolvido a mercadoria. Toffoli foi implacável: tratava-se de reincidência – e ponto.

Evanildo cumprirá pena de 1 ano e sete meses. Já José Dirceu, reincidente dos reincidentes – condenado no Mensalão e duas vezes no Petrolão por desvios multimilionários –, foi posto em liberdade pelo mesmo Toffoli, sem que a defesa do condenado o pedisse.

Míriam Leitão: Congresso bomba

- O Globo

Criar 300 novos municípios inviáveis, de cinco mil a oito mil habitantes. Multiplicar por dez o que a União paga aos estados pela Lei Kandir. Prorrogar por mais 15 anos a guerra fiscal e incluir nela a redução de impostos federais. Aumentar os benefícios para as transportadoras. Dar novos descontos de dívidas para empresas rurais, inclusive as grandes. Quem teria tais ideias? O Congresso brasileiro.

Essas são algumas das decisões aprovadas ou em tramitação no Congresso nos últimos tempos. A mistura perigosa de fim de governo com concessões aos lobbies está piorando a ingovernabilidade do Brasil. Essas medidas têm sido aprovadas, ou avançam no Parlamento, sob os aplausos da oposição e com a conivência de partidos da base. O que os partidos deveriam considerar é que esse governo está terminando, e todas as bombas acabarão estourando no colo de quem for eleito. Quem arma a bomba pode ter que desarmar dentro de alguns meses.

O projeto de regulamentação de municípios inclui brechas que pode permitir a criação de cidades inviáveis. Permitiria, por exemplo, explica um alto funcionário que acompanha as decisões legislativas, pegar municípios que hoje vivem de transferências, de 15 mil habitantes, por exemplo, e dividi-los em dois para atender a lideranças políticas diferentes. Assim, haveria duas prefeituras, duas câmaras de vereadores. O projeto de lei complementar que regulamenta a criação de municípios teve urgência aprovada na Câmara e já foi votado no Senado. Um levantamento do Ipea indica que isso permitiria a criação de pelo menos 300 novos municípios no país.

Adriana Fernandes: Licença para gastar

- O Estado de S.Paulo

Inflação mais alta corrigirá o teto de gastos; governo terá 'uma folga' de R$ 15 bilhões para despesas em 2019

A greve dos caminhoneiros levou o IPCA de junho ao patamar de 1,26%, o mais alto para mês desde 1995. E de quebra o repique inflacionário acabou provocando um efeito colateral no Orçamento da União: permitir um aumento de despesas para o próximo presidente da República.

Com o resultado da inflação de junho, a taxa acumulada em 12 meses saltou de 2,86% em maio para 4,39% no mês passado. É justamente essa inflação de 12 meses encerrada em junho que corrigirá o teto de gastos, fixando o volume máximo de despesas que poderão ser feitas em 2019. A emenda que criou o teto trava o crescimento das despesas à inflação do ano anterior.

A forte aceleração da inflação deu uma "folga" de R$ 15 bilhões no teto. Esse espaço fiscal aberto poderá até mesmo ser maior porque as projeções iniciais da área econômica foram feitas com base num IPCA um pouco menor em junho. O valor é próximo ao que o governo vai gastar esse ano para bancar a redução de R$ 0,46 no preço do diesel na bomba.

Discretamente, o governo não esconde que está aliviado. Com essa folga, ficará mais fácil administrar o Orçamento de 2019, que está com muito pouco espaço para investimentos e a continuidade de programas importantes devido ao avanço sem trégua das despesas obrigatórias.

O desgaste para administrar a adoção de novas medidas para cobrir o buraco orçamentário e garantir que o teto não estoure no primeiro ano do próximo governo continua. Mas agora será, sem dúvida, menor. Tudo indica, porém, que será necessário ainda suspender o reajuste dos servidores. Uma batalha difícil que poderá ser resolvida com a aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias com dispositivo que não permite o reajuste.

Fernando Gabeira: Bom enquanto durou

- O Globo

Estava me acostumando, é hora de voltar. Um pouco mais, talvez eu me acomodasse

Depois de tanta retranca e de tantos pontapés, um jogo. Esse gesto de desenhar um retângulo no ar, indicando a tela de TV — e o VAR —, parece que contaminou o mundo. Jornalistas, torcedores, turistas, espectadores ocasionais, todos parecem fazer um retângulo no ar antes de emitir sua opinião.

Tenho assistido aos jogos em russo. Comentários e debates, também. Acho ótimo, pois não entendo nada. Só no dia seguinte consigo ver o que se passa no Brasil. Os debates são acalorados, mas felizmente há muita gozação recíproca.

Jornalistas esportivos não usam gravata, são mais leves. Alguns se politizaram com o tempo e ganharam a solenidade de um senador. Mesmo assim, só de vez em quando.

A Copa está para os jornalistas esportivos como Florença, para Leonardo da Vinci, no século XV: estimula a criatividade e a associação de diferentes disciplinas. É a biografia de Da Vinci que estou lendo no intervalo dos jogos e no tempo em que passo batendo perna, fotografando a Rússia.

O que une a todos é a paixão pelo futebol. Apesar de o meu trabalho não estar diretamente ligado a ele, assisti a todas as partidas, mesmo as mais tediosas, como Bélgica e Inglaterra, França e Dinamarca.

Confesso que foram poucos os lances que me fizeram saltar da cadeira, exceto, é claro, os gols do Brasil, por menos plásticos que tenham sido.

Os jovens não se lembram muito da tabelinha, consagrada por Pelé e Coutinho e muito comum no futebol brasileiro. Hoje há um tal bolo na área que as tabelinhas ficam bem mais difíceis. Parece que existe também uma barreira em que todos os chutes a gol esbarram e na qual se perdem.

Tanto que alguns dos gols mais interessantes foram feitos bem de fora da área. Os de Cavani contra Portugal, Di María contra a França e Pavard contra a Argentina.

Eu sabia que o grande adversário seria a Bélgica. Acabaram vencendo, embora ainda ache que o nosso futebol é superior. A saída do Brasil muda toda a minha perspectiva. Trabalhei até o primeiro jogo da tarde. Passei a manhã na casa de Gorki.

Ricardo Noblat: Canário belga canta melhor

- Blog do Noblat | Veja

Sepultada a geração Neymar. Que venha a próxima

A Seleção de Telê, Falcão, Sócrates e Zico perdeu a Copa do Mundo de 1982, mas é universalmente celebrada até hoje. Para alguns, foi superior à Seleção de Pelé, Tostão, Gerson e Jairzinho que conquistou o tri no México em 1970. Um exagero, talvez.

Esta, de Tite, Neymar, Gabriel Jesus e Fernandinho, eliminada da Copa da Rússia, é uma Seleção para ser esquecida. Foi muito bem na fase de classificação e nos amistosos. Na fase de grupos e nas oitavas de final, avançou sem convencer. Deu no que deu.

Por dias a perder de vista, e por muitas horas consecutivas, os especialistas em futebol, reunidos em torno de mesas com todos os formatos, discutirão a derrota do Brasil e tentarão explicá-la da melhor maneira possível. Faz parte do ofício deles.

É tão simples: a Bélgica jogou melhor. A Bélgica é um time melhor do que o do Brasil. Do ponto de vista tático, seu técnico espanhol deu um baile em Tite, elevado ao altar antes da hora. A vitória foi justa e merecida. O canário belga cantou mais bonito. E ponto final.

Candidatura de Dilma está ameaçada, dizem especialistas

Questionamentos sobre fatiamento do processo e inelegibilidade da petista devem chegar ao Supremo

Carolina Linhares | Folha de S. Paulo

BELO HORIZONTE - O registro da candidatura da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) ao Senado por Minas Gerais deve obrigar o Supremo Tribunal Federal a discutir o fatiamento do seu impeachment, afirmam especialistas consultados pela Folha. Segundo eles, a eleição da petista corre o risco de ser barrada judicialmente.

“A candidatura está relevantemente ameaçada porque certamente será impugnada, essa impugnação chegará ao plenário do Supremo e ali hoje não há como se ter uma previsibilidade do que vai acontecer”, diz o advogado eleitoral e professor da PUC-SP Carlos Gonçalves Júnior.

A insegurança jurídica em torno da candidatura de Dilma é resultado de uma interpretação da Constituição considerada bizarra, peculiar, excepcional e uma verdadeira mutação pelos especialistas: a decisão de fatiar o impeachment em 2016.

Sob a condução de Ricardo Lewandowski, então presidente do STF, os senadores resolveram votar separadamente a cassação de Dilma e a perda de seus direitos políticos. Somente a primeira punição foi aprovada.

Na Constituição Federal, a perda do cargo e a inabilitação por oito anos para o exercício de função pública aparecem ligados pela palavra “com”. Embora a ministra Rosa Weber, do STF, tenha negado liminares de partidos que se opuseram ao fatiamento, o Supremo não chegou a debater se as consequências do impeachment podem ser separadas.

“Essa questão não foi enfrentada pelo STF, mas ela está latente. E agora a situação concreta vai surgir”, diz a professora de direito eleitoral da FGV-Rio e procuradora da República Silvana Batini. Caberá ao TRE-MG julgar se ela está elegível, mas o caso tende a parar no Tribunal Superior Eleitoral e, depois, no STF por meio de recursos.

Apesar de bem nas pesquisas, Aécio está isolado no partido

Senador vem sendo pressionado por aliados a não tentar se reeleger, mesmo tendo chances de obter uma das vagas do Senado em Minas

Daniel Carvalho e Bernardo Caram | Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - Com a proximidade das eleições, o senador Aécio Neves (PSDB) vem sendo pressionado por aliados a não tentar se reeleger, mesmo tendo chances de obter uma das vagas do Senado em Minas, estado em que alcançou 92% de aprovação quando deixou o governo, em 2010.

Um dos nomes de maior projeção do PSDB, Aécio tornou-se um político isolado e cuja incerteza sobre o futuro deixa aliados apreensivos.

Desde que foi divulgada gravação em que pede R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, da JBS, o mineiro, que quase chegou à Presidência em 2014, passou a ser um problema para seu partido.

Tucanos temem que sua presença na chapa majoritária, mesmo que ele tenha um eleitorado cativo, traga dificuldades para o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) chegar novamente ao comando do estado.

Ironicamente, foi pelas mãos de Aécio que Anastasia, então seu vice, foi eleito governador pela primeira vez, há oito anos.

Para o presidente do PSDB-MG, deputado Domingos Sávio, o eleitor de Aécio votará em Anastasia independentemente da posição em que ele se colocar nas eleições.

Para o deputado, portanto, ceder a vaga a outro partido pode fortalecer a aliança e trazer mais votos para o candidato ao governo do estado.

Paulo Câmara minimiza apoio de Lula a Marília Arraes ao governo

Governador ainda alimenta esperança de compor com o PT em sua chapa à reeleição

Kleber Nunes | O Estado de S.Paulo

RECIFE - Pré-candidato à reeleição, o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), minimizou nesta sexta-feira, 6, a sinalização que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso pela Operação Lava Jato, deu a favor da candidatura da vereadora Marília Arraes (PT) ao governo do Estado nas eleições 2018.

Da prisão em Curitiba, o petista enviou o recado via o ex-presidente do PT Rui Falcão e o líder do MST, João Pedro Stedile. Para Câmara, que ainda alimenta a esperança de ter o PT em sua chapa, o episódio não passa de um movimento político "de quem gosta de falar”.

“Enquanto tiver conversas (entre PSB e PT) não há porque ficar falando de uma questão que mais para frente pode ser que não se confirme. Não me incomoda, vou continuar trabalhando. Tem muito tempo para a gente discutir”, disse Câmara durante cerimônia de entrega do segundo módulo do Museu Cais do Sertão, seu último ato de inauguração antes da campanha.

“A gente já construiu alianças importantes para 2018 com partidos que tem nos ajudado. O que a gente puder agregar até lá (as convenções partidárias em agosto) ótimo, se não puder vamos disputar com as nossas forças”, completou Câmara.

O aceno de Lula dá força à tentativa de Marília, que, mesmo sem apoio oficial do partido, tem intensificado agendas e conversas. Por meio da assessoria, Marília disse que não iria comentar a declaração de Lula que foi gravada em vídeo e postada nas redes sociais da vereadora.

Defensor de Alckmin, líder do DEM diz que alinhamento com Ciro não define aliança nas eleições 2018

O partido admite abertamente a possibilidade de o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, abrir mão de se candidatar ao Planalto e apoiar outro presidenciável

Daniel Weterman | O Estado de S.Paulo

Defensor de uma aliança com o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) nas eleições 2018, o líder do DEM na Câmara, deputado Rodrigo Garcia (SP), afirmou, em conversa com o Estadão/Broadcast, que a aproximação de diretórios regionais com Ciro Gomes(PDT) não definirá os rumos que o partido tomará na disputa pelo Planalto.

O partido admite abertamente a possibilidade de o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, abrir mão de se candidatar ao Planalto e apoiar outro presidenciável. Na quinta-feira, 5, Maia afirmou que, do ponto de vista "das ideias", é mais fácil o partido apoiar Geraldo Alckmin (PSDB). Em relação aos palanques estaduais, ponderou, há mais afinidade com Ciro.

O líder da bancada relativiza a declaração do presidente da Casa. "Essa lógica quem vai deliberar é o presidente (do partido), ACM Neto, entre as bancadas do Senado e da Câmara e a Executiva Nacional, ponto", disse Garcia. E ainda argumenta o alinhamento histórico do DEM com o programa do PSDB para defender uma aliança com Alckmin. "Se for tomado outro rumo, naturalmente vai ter que se colocado isso de maneira clara o porquê de outro rumo."

No DEM, há o temor de que a divergência em relação à aliança faça o comando da legenda convocar uma votação ampliada entre dirigentes, deputados e senadores para decidir quem apoiar na eleição presidencial. A Executiva deve se reunir na quarta-feira, 11, para discutir o assunto.

Alianças. Para contrapor a ala do partido que defende uma aliança com Ciro Gomes, Rodrigo Garcia argumenta que DEM e PSDB estão juntos em oito Estados. Os democratas apoiam candidaturas tucanas em São Paulo, Rondônia, Roraima e Piauí. Já os tucanos apoiam pré-candidatos do DEM no Amapá e no Pará. Além disso, os partidos estão juntos em Pernambuco e Alagoas.

"Em virtude de uma decisão nacional estar sendo tomada muito próximo da convenção, deverá ser respeitada a realidade de cada Estado. Não pode ser encarado como nenhuma dissidência se, por acaso, a decisão for diferente da nacional", diz o líder do DEM, admitindo a divisão no partido em relação à campanha presidencial.

“PSDB vai disputar as eleições com o melhores palanques do Brasil”, diz Alckmin

CUIABÁ - “Nós vamos ganhar a eleição. Vamos para o segundo turno e, no segundo turno, vamos ganhar a eleição. E o mais importante: fazer um grande governo”, disse o presidente nacional do PSDB, Geraldo Alckmin, em Cuiabá, no Mato Grosso.

O pré-candidato tucano à Presidência afirmou que o Brasil está hoje num divisor de águas: “Ou nós vamos pegar o caminho da eficiência, da competitividade, do crescimento – melhorar salário, dobrar a renda dos brasileiros e promover o desenvolvimento – ou nós vamos empurrando os problemas com a barriga e vamos ter problema ali na frente.”

Antes da coletiva, Alckmin vistoriou com o governador Pedro Taques (PSDB) as obras de duplicação da rodovia Emanuel Pinheiro (MT-251) no perímetro urbano de Cuiabá. “Pesquisa, neste momento, não indica intenção de voto. Bolsonaro não vai ao segundo turno. Ele não chega lá”, disse o ex-governador de São Paulo. Deu o exemplo da recente eleição do Tocantins, em que os dois candidatos que apareciam na frente a uma semana do pleito nem chegaram ao segundo turno.

Aos jornalistas, explicou que o PSDB vai disputar as eleições com o melhores palanques do Brasil e que sua candidatura já conta com cinco partidos, o que lhe garante, de saída, 20% do tempo de rádio e televisão.

Estimular o desenvolvimento de Minas é prioridade, diz Alckmin

GOVERNADOR VALADARES (MG)- Ao participar de uma das maiores e mais tradicionais feiras de agropecuária do Brasil, o presidente nacional do PSDB, Geraldo Alckmin, disse que estimular o desenvolvimento agrário e a geração de empregos em Minas Gerais é uma prioridade do país. Pré-candidato à Presidência da República, o tucano discursou na abertura da 49ª Expo Agro de Governador Valadares, município mineiro situado no Vale do Rio Doce.

O evento tem grande importância na região, que se destaca pela pecuária de corte e leite, sobretudo em pequenas propriedades.

“Precisamos trabalhar muito para melhorar a infraestrutura em Minas Gerais. Assim, vamos facilitar o escoamento da produção, estimular o desenvolvimento e gerar empregos”, disse Alckmin. “Antes o café era em São Paulo, o leite era de Minas. Hoje Minas é “café com leite”, no bom sentido! Por isso, recuperar o estado é uma prioridade para a gente.”

Minas Gerais é o maior produtor nacional de leite, com 27% da produção brasileira, e possui o segundo maior rebanho bovino, com 23,6 milhões de cabeças de gado. O estado só fica atrás de Mato Grosso. Os mineiros também são líderes quando o assunto é o café, com 55% da produção nacional e o sexto maior produtor de grãos do país, com 14,7 milhões de toneladas, à frente de seus vizinhos no Sudeste.

Em São Paulo, Alckmin apela para prefeitos

Tucanos que governam maiores cidades intensificarão pré-campanha

Silvia Amorim | O Globo

SÃO PAULO E BRASÍLIA - Sem condições de cumprir agenda eleitoral em São Paulo na pré-campanha, o pré-candidato à Presidência Geraldo Alckmin (PSDB) apelou a prefeitos tucanos para fazerem sua propaganda no estado. O pedido de mobilização foi o pano de fundo de um jantar do presidenciável com 29 comandantes de municípios paulistas com mais de 100 mil habitantes.

O encontro aconteceu na segunda-feira da semana passada em um restaurante da capital paulista. O compromisso não apareceu na agenda oficial do presidenciável nem foi registrado nas redes sociais. Cada convidado pagou sua conta. Organizado pelo prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando, participaram do jantar prefeitos das maiores cidades administradas pelos tucanos como São Paulo, São José dos Campos e Santo André.

Como tem sido uma constante nos compromissos públicos e reservados do pré-candidato, Alckmin teve que se explicar pelo fraco desempenho nas pesquisas eleitorais, especialmente em São Paulo, estado que governou por 13 anos. No maior colégio eleitoral do país, o tucano tem cerca de 20% das intenções de voto e aparece empatado com o pré-candidato Jair Bolsonaro (PSL).

Um dos prefeitos relatou ao GLOBO que era perceptível no jantar a preocupação dos presentes com as chances de Alckmin nesta eleição.

— Mas ele se mostrou tão convicto de que irá crescer nas pesquisas com o início do horário eleitoral que muita gente concluiu que não tem motivo para se preocupar se o próprio candidato está tranquilo — afirmou o prefeito de uma das maiores cidades do estado.

Os prefeitos deixaram o encontro com o pedido de Alckmin para que trabalhem pela campanha, mobilizando militantes, políticos e o setor produtivo em suas regiões. O PSDB tem 169 das 645 prefeituras paulistas e governa cerca de 70% da população do estado.

Caciques do centrão querem fim de noivado do PR com Bolsonaro

Aliança viabilizaria candidatura do PSL com tempo de TV e rádio

Cristiane Jungblut e Eduardo Bresciani | O Globo

BRASÍLIA - Inconformados com a possível composição de uma chapa entre o PR e o PSL de Jair Bolsonaro, os caciques de DEM, PP, PRB e Solidariedade, aglutinados pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, vão tentar convencer a sigla de Valdemar Costa Neto a não formalizar apoio ao ex-capitão do Exército. O presidente do Solidariedade, Paulo Pereira da Silva, afirmou que vai propor ao centrão que convide o PR para a próxima reunião do bloco, marcada para quarta-feira da semana que vem.

Os caciques partidários avaliam que o PR viabilizará, de fato, a candidatura de Bolsonaro, caso formalize a aliança, pois garantirá ao candidato do PSL tempo de rádio e televisão na propaganda eleitoral, algo que ele praticamente não tem hoje. A situação do PR foi analisada por dirigentes do centrão logo após o encontro da última quartafeira com o pré-candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin.

— Defendo que o PR participe do nosso encontro, porque o partido sempre esteve, de alguma maneira, junto com o grupo em ações na Câmara — disse Paulinho.

Além de tempo de TV, a influência de Valdemar na Câmara, principal liderança do PR, mesmo não estando mais formalmente filiado ao partido, ajudaria Bolsonaro a conquistar apoio parlamentar. Sem apresentar a lista, Bolsonaro diz já ter o apoio de mais de cem parlamentares. O próprio Valdemar já participou de encontro dos partidos do centrão, quando disse que nunca apoiaria o pré-candidato do PDT, Ciro Gomes, nem acreditaria na viabilidade eleitoral do pré-candidato Geraldo Alckmin. A dupla negocia uma aliança com os partidos do bloco.

Bloqueios contra os pobres: Editorial | O Estado de S. Paulo

Os pobres foram os mais prejudicados - como se podia prever - pelo efeito inflacionário da crise no transporte rodoviário. O bloqueio de estradas no fim de maio dificultou a entrega de produtos essenciais, incluídos alimentos, reduzindo a oferta no varejo e esfarelando o orçamento familiar. Sem surpresa, o custo de comida e bebidas puxou a alta dos indicadores oficiais de inflação durante a paralisação dos caminhões e nas semanas seguintes. Em junho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 1,26%, na maior variação para o mês desde a taxa de 2,26% em 1995. Esta apuração mostra o impacto na despesa típica das famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos. O prejuízo imposto às famílias mais modestas, com renda de 1 a 5 salários mínimos, é mostrado pela evolução do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), com elevação de 1,43%, a mais ampla para o mês também desde 1995 (2,18%).

A variação de preços dos alimentos foi multiplicada por mais de 6 de um mês para outro, pulando de 0,32% em maio para 2,03% em junho, no caso das famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos. O encarecimento de comida e bebida teve um impacto de 0,50 ponto porcentual na formação do índice e foi o principal fator da alta de 1,26% do IPCA. No caso do INPC, o aumento geral de 1,43% foi puxado pelo salto de 2,24% do custo da alimentação (0,29% no mês anterior). A evolução do item alimentos e bebidas teve impacto de 0,67 ponto porcentual na formação do INPC, quase metade da variação total de 1,43%.

Brasil fora: Editorial | Folha de S. Paulo

Derrotas na Copa são sempre dolorosas para o país; agora há chance de aprender também

A Copa do Mundo acabou para a seleção brasileira de forma triste, claro, mas digna. Ao longo de cinco partidas, o time mostrou organização, empenho e qualidades técnicas suficientes para justificar sua inclusão entre os candidatos mais fortes ao título —não uma condição de favorito absoluto.

Entretanto trata-se de torneio curto, de disputas decisivas que exigem o máximo de equilíbrio emocional e concentração dos jogadores. Momentos de descuido, imprecisão e nervosismo, como os que se viram nesta sexta (6), não raro resultam em eliminação.

Perdeu-se, convém lembrar, para um oponente poderoso.

Sempre existirão críticas pertinentes a esta ou aquela escolha do treinador ou atuação individual. Mas se pode afirmar que, no cômputo geral, houve bom aproveitamento dos valores disponíveis —e progresso considerável desde o vexame de quatro anos atrás.

Nenhuma grande equipe passaria sem traumas por uma experiência como a derrota por 7 a 1 em solo pátrio. Poucas disporiam dos recursos humanos necessários para se refazer do choque e voltar de pronto a competir em alto nível.

Resultado de um colapso tático e psicológico, a goleada sofrida para a Alemanha em 2014 acabou associada a todos os erros percebidos em torno do esporte mais popular do país, da organização perdulária da Copa com dinheiro público aos desmandos da Confederação Brasileira de Futebol, depois escancarados em proporções inéditas.

Gestão precisa ser considerada nos planos de saúde: Editorial | O Globo

Enquanto não se parte para a racionalidade, vive-se de refregas sem fim entre MP, órgãos de defesa do consumidor e empresas, ficando para a Justiça estabelecer percentuais

Seguem-se, a cada rodada de reajuste de planos de saúde, reclamações generalizadas. Como agora, com a fixação pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) de um aumento de 10% para os planos individuais, numa fase da vida do país em que o desemprego continua elevado (acima dos 12%). A inflação está baixa (aquém de 3%, distante da meta de 4,5%), o que significa também que o índice usado nos planos está bem acima do aplicado nas raras revisões salariais.

As explicações são conhecidas e valem para o mundo inteiro: a inflação da saúde corre acima dos índices de preços, pressionada pelo custo de novas tecnologias, novos medicamentos e pelo envelhecimento da população. Quanto mais idosa, maior a demanda por atendimentos, e mais elevado o custo. E mais baixa a renda. Ingredientes de tragédia.

As tentativas de redução de custos e de aumento de receitas, pelos administradores de planos, ocorrem em várias frentes. Há pouco, a ANS regulamentou coparticipação e franquia, a parcela que cabe ao segurado arcar nos procedimentos. O sistema tem o efeito positivo de forçar a racionalização na contratação de procedimentos e serve de fonte adicional de receita.

Cecília Meireles: Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.