sábado, 22 de setembro de 2018

Marco Aurélio Nogueira: Incompetência geral

- O Estado de S.Paulo

No próximo ciclo, seja quem for o eleito, a obra será de reconstrução: do Estado, da economia, da política, do tecido social

O cenário eleitoral continua volátil, mas a reiteração das tendências que projetam um segundo turno entre Bolsonaro e Haddad tem sido suficiente para que se dissemine um clima que cruza entusiasmos salvacionistas com receios democráticos e alguma dose de pânico. A pergunta vem se repetindo: como conseguimos chegar a este ponto, em que uma candidatura pouco qualificada e alinhada com a autocracia regressista ameaça defrontar-se no segundo turno com outra sustentada pela expectativa de retorno a um tempo pretérito mitificado? A euforia de uns se choca com a preocupação de muitos.

O desfecho anunciado deve-se a um conjunto de equívocos.

Erraram os democratas, que não conseguiram compreender a derivação conservadora da sociedade, turbinada pela repulsa ao politicamente correto e pela antipolítica. Trataram isso como uma espécie de doença, de forma simplória, com insultos e estigmas. Deixou-se assim caminho livre para a pregação bolsonarista, que foi capturando apoios, mal-estares e convicções. A direita fundamentalista pôs o corpo inteiro para fora, misturando ódio, medo e ressentimento contra a “esquerda”. Bolsonaro decodificou esses sinais e traduziu-os num bólido antipetista.

Os democratas erraram uma segunda vez quando deram o PT como morto, depois da derrota eleitoral de 2016 e do impeachment. Não reconheceram a força do partido, derivada tanto da alta exposição midiática, da estrutura organizacional e das adesões intelectuais quanto da mitificação popular de Lula. Em vez de pressionarem para que o PT se depurasse e revisse suas opções, passaram a mão na cabeça do partido e quando abriram os olhos o velho PT estava mais vivo que nunca, fabricando ilusões, plantando esperanças e ocupando simbolicamente os espaços do “progressismo”.

Foram incompetentes os liberais. Optaram por medir forças entre eles num quadro de polarização em que só teriam chances se formassem um polo alternativo marcado pela moderação. Batendo uns nos outros, naufragaram de modo patético, sem sequer aproveitarem o ambiente receptivo à pregação liberal em favor da liberdade pessoal, do mercado, do empreendedorismo. Fecharam-se à esquerda democrática e foram afundando agarrados a um doutrinarismo primário.

Foi igualmente incompetente o centro-esquerda. Em vez de impulsionar o imaginário social-democrático, que tanta falta nos faz, seus articuladores derivaram para um apoio ao centro que jamais teve reconhecimento e não soube desvencilhar-se do abraço asfixiante do “Centrão”, cujo fisiologismo recebe repulsa generalizada. Olharam para a direita sem se preocupar com a esquerda. Sua ideia de “polo democrático e reformista” ficou solta no ar, sem contagiar o eleitorado ou sensibilizar o mundo político. O centro-esquerda colou-se assim a um centro fragmentado e autodestrutivo, largando Marina e Ciro à própria sorte e ajudando-os a se encantarem com a possibilidade de atrair as viúvas do lulismo.

João Domingos: Um apelo tardio

- O Estado de S.Paulo

Difícil atrair apoios numa negociação a ser feita em cima do que já foi decidido

A carta do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, na qual ele faz um apelo à união das candidaturas de centro para deter a “marcha da insensatez”, parece ter vindo tarde demais. Faltam apenas 15 dias para o primeiro turno da eleição. Uma virada agora, se não impossível, parece pouco provável quando se leva em conta o resultado das pesquisas sobre intenção de voto. Mesmo que as pesquisas sirvam apenas como parâmetro para as campanhas, pois quem decide eleição é o eleitor, suas projeções de resultados são feitas em bases científicas. Não dá para desconhecer que a situação do centro é ruim.

Levando-se em conta a liderança que tem, o poder de convencimento de sua famosa lábia e a defesa que faz da democracia, é de se lamentar que Fernando Henrique tenha demorado para levantar essa bandeira. Desde antes de junho, quando foi lançado o manifesto “Por um polo democrático e reformista”, todo mundo já tinha uma ideia de que poderia haver uma polarização da eleição pelos extremos.

Se errou ao demorar a fazer o apelo pela união do centro, Fernando Henrique errou também ao sugerir, pelo Twitter, que a liderança do processo seja entregue a Geraldo Alckmin, que é de seu partido. Isso fez com que logo a candidata da Rede, Marina Silva, respondesse a ele pela mesma rede social: “Ninguém chama para tirar as medidas com a roupa pronta.” Ciro Gomes, do PDT, que como Fernando Henrique foi ministro da Fazenda de Itamar Franco, está em melhor situação do que Geraldo Alckmin nas pesquisas sobre intenção de voto. Se fosse pelo critério de melhor posição, poderia ser ele o escolhido. Nesses casos, é preciso trabalhar com a realidade do momento, diz o pragmatismo político.

A necessidade de se conter a “marcha da insensatez” à qual Fernando Henrique se refere foi reforçada ontem por um manifesto de intelectuais do PSDB. Eles também defenderam a formação de uma força-tarefa para tornar Geraldo Alckmin competitivo. O que passa a ideia de que, tudo bem, deve-se fazer a união do centro, mas a força hegemônica é o PSDB. Difícil atrair apoios assim, em que a negociação se dará em cima de algo que já está decidido.

Demétrio Magnoli: Meu lugar na fila

- Folha de S. Paulo

Proteger interesses gerais paga menos dividendos que promover interesses de grupos

Daqui a três meses, no 13 de dezembro, dia do AI-5, em 1968, e do golpe de Jaruzelski na Polônia, em 1981, completo 60. Dizem, para me animar, que terei descontos em peças e shows, vagas reservadas em estacionamentos e filas prioritárias nos aeroportos, supermercados e bancos.

No caso dos bancos, não vale a pena. As empresas que descobriram uma oportunidade nas bondades distribuídas pelo Estado contratam idosos para realizar operações bancárias, tornando mais demorada a fila preferencial. Quanto ao resto, decidi que passo. As políticas de privilégios envenenam a democracia. Não serei um idoso oficial enquanto conservar capacidades físicas normais.

Com exceção de um, meus amigos idosos converteram-se em idosos oficiais. Uma, que corre maratonas em montanhas, tirou carteira de idosa para estacionar bem pertinho da entrada do shopping. A vantagem pessoal tem imenso poder de sedução, principalmente se parece não causar dano a ninguém. Aparências enganam: a meia-entrada, para ficar num único exemplo, é financiada pela elevação universal dos preços dos ingressos. A sociedade em geral paga o desconto garantido por lei a estudantes e idosos, inclusive os abastados.

Pondé registrou, com razão, que um indivíduo “negro”, presumido descendente de escravos, “assimilará essa consciência histórica da culpa como ganho imediato objetivo: cotas nas universidades ou concursos públicos”. A cota de um implica a negação de vaga a outro, que obteve nota superior e pode até ser mais pobre. Mas não se tem notícia de números significativos de candidatos recusando o direito (ou privilégio?) de inscrição para vagas reservadas a cotistas. A lei vale mais que a ética —se, claro, gera ganhos pessoais palpáveis.

A lei legitima, absolve, aplaca a consciência. Procuradores e juízes, esses anjos vingadores do Brasil que tem raiva, justificam seu auxílio-moradia, uma escandalosa política de transferência regressiva de renda, invocando a legalidade. Luiz Fux sentou-se sobre um processo que questionava o privilégio, agindo como sindicalista. O auxílio-moradia é incomparavelmente pior que a carteira de idoso utilizada por nadadores, surfistas, tenistas, triatletas de 60 anos.

Mas por que se produzem ou se perenizam tantas “leis de meia-entrada”? A resposta encontra-se num calcanhar de Aquiles da democracia representativa: a proteção dos interesses gerais, difusos, paga menos dividendos eleitorais que a promoção de interesses específicos, de grupos.

O nome do jogo é corporativismo. Federações empresariais fazem campanha para candidatos que acenam com tarifas protecionistas ou subsídios do BNDES. Sindicatos de trabalhadores e empresários perfilam ao lado dos políticos que acenam com o retorno da contribuição sindical compulsória. As entidades do funcionalismo público marcham com os oponentes da reforma previdenciária.

Merval Pereira: Voto, modos de usar

- O Globo

Com uma eleição polarizada como nunca se aproximando, este é um bom momento para se discutir as maneiras de votar, ainda mais que o voto útil transformou-se em instrumento de cidadania para evitar “o mal maior”.

Há em discussão nos Estados Unidos maneiras de melhorar a eficácia do voto representativo, e algumas delas já estão sendo utilizadas.
Paradoxalmente, também na China discute-se o que seria a democracia guiada pela meritocracia.

Essas buscas concentram-se no questionamento de um dos pilares da democracia representativa, a ideia de “uma pessoa, um voto”. Em livro da Princeton University Press denominado “Mercados radicais: desenraizando o capitalismo e a democracia para uma sociedade justa”, o economista da Microsoft e da Universidade de Yale Glen Weyl e o jurista da Universidade de Chicago Eric Posner tratam da desigualdade, que seria um calcanhar de Aquiles do capitalismo, influenciando o funcionamento da própria democracia.

Os autores consideram que o sistema de “uma pessoa, um voto” leva a decisões deficientes e à tirania da maioria. A China, por sua vez, tem apresentado em diversos fóruns internacionais, através de acadêmicos chineses e estrangeiros, uma visão crítica da democracia ocidental e ideias bastante criticáveis sobre o que seria a democracia ao estilo chinês.

Daniel A. Bell, um canadense professor de Teoria Política da Universidade Tsinghua, defende em fóruns internacionais - já comentei na coluna sua apresentação em uma reunião em Davos - que a China caminhará para a meritocracia, não para democracia, pois a ideia de “um homem um voto” não leva a escolhas mais corretas e está muito sujeita a pressões financeiras.

Bell considera que a China, ao buscar essa força moral de sua liderança, pode caminhar para a implantação de um sistema político que não será a democracia como nós a conhecemos no Ocidente, mas uma meritocracia que fará com que os escolhidos para o Parlamento possam representar realmente a vontade do povo e não apenas os que têm influência para atrair votos.

Até mesmo as promessas de campanha, que nunca são cumpridas, ou gestos claramente populistas como anunciar aumento de impostos dos mais ricos para compensar os sofrimentos dos mais pobres na crise econômica, como se viu na França ou nos Estados Unidos, e também no Brasil, seriam formas de luta política que desvirtuam o voto final.

Um Parlamento composto por pessoas escolhidas pelo mérito representaria melhor o conjunto da população do que um formado pelos que se elegeram pela força do dinheiro, ou por um dom natural de oratória, ou por ser famoso em seu ofício.

Murillo de Aragão: Orgulho e preconceito

- IstoÉ

Em ano eleitoral, a pergunta mais ouvida por um analista político é sobre quem deve ganhar as eleições presidenciais

Tomo emprestado o título do livro de Jane Austen para escrever sobre os riscos que os analistas políticos correm em sua atividade ao longo de ano eleitoral. O êxito do trabalho de um analista político consiste, principalmente, em desvendar tendências e apontar direções. Trata-se, portanto, de um desafio que vai além da mera responsabilidade de explicar o que acontece.

Em ano eleitoral, a pergunta mais ouvida por um profissional da área é sobre quem deve ganhar as eleições presidenciais. Ninguém quer saber menos que isso. E, como sabemos, aquele que prevê o futuro erra mesmo quando acerta, já que o futuro é sempre imprevisível. E onde está a raiz da imprevisibilidade? Em duas vertentes decisivas no desenrolar dos acontecimentos: o livre-arbítrio e o acaso.

O livre-arbítrio leva as pessoas a tomar decisões. E, repetindo Tom Robbins, o coach das multidões, você é produto de suas decisões. Assim, as resoluções que os candidatos podem tomar, as besteiras que podem falar e, ainda, aquilo que podem deixar de mencionar resultarão em vitória ou derrota. Já o acaso, como disse Machado de Assis pela boca de um personagem, o conselheiro Ayres, tem voto decisivo na assembleia dos acontecimentos.

Pacto pela governabilidade: Editorial | O Estado de S. Paulo

Todos os candidatos a presidente, pelo menos é o que se imagina, estão interessados não apenas em ganhar a eleição, mas em governar o País. Sendo assim, descontados os naturais arroubos de campanha, todos precisam se importar com as condições mínimas de governabilidade, e a principal delas é o equilíbrio das contas públicas.

Para isso, uma vez fechadas as urnas, será necessário promover um grande entendimento nacional, que só funcionará, antes de mais nada, se vencedores e vencidos reconhecerem o quadro de descalabro fiscal e a necessidade de superá-lo. Esse consenso básico nada tem a ver com este ou aquele programa de governo, pois nenhuma proposta apresentada hoje pelos candidatos, independentemente de sua qualidade, poderá ser implantada sem que se promovam reformas que ajustem o Estado à realidade e, assim, permitam o crescimento sustentável da economia.

Em meio à balbúrdia dos palanques, animada por uma batalha ideológica entre esquerda e direita como raras vezes se viu no Brasil, corre-se o risco de perder a perspectiva do desastre econômico que se avizinha. Os números, que não têm partido ou candidato, falam por si.

As contas públicas saíram de um superávit primário (sem contar os juros, em valores atuais) de R$ 130 bilhões em 2002, antes da era petista, para um déficit de R$ 159 bilhões, valor estabelecido como limite para este ano. Sem superávit fiscal, a dívida bruta do setor público atingiu cerca de 75% do PIB, subindo em velocidade acelerada – estava em 70% do PIB apenas dois anos atrás.

As despesas públicas crescem 6% ao ano em termos reais, muito acima da expansão da economia. Funcionalismo e Previdência Social, somados, correspondem hoje a 70% do Orçamento e, sem reformas que contenham seu ímpeto, continuarão a se dilatar. Em breve, não sobrarão recursos para realizar o mínimo necessário de investimentos – rubrica que apresentou queda de cerca de 30% – e tampouco haverá dinheiro para custear o funcionamento corriqueiro da máquina pública.

O centro de FHC: Editorial | Folha de S. Paulo

Ex-presidente tucano faz apelo público por união de lideranças moderadas

Desde muito antes do início da campanha, o mundo político desconfiava das chances da candidatura presidencial de Geraldo Alckmin —e não apenas em razão da folclórica falta de carisma do tucano.

As pesquisas de intenção de voto do ano passado já mostravam números decepcionantes para o então governador de São Paulo, e setores do próprio partido especulavam em torno de alternativas como Luciano Huck, apresentador de TV, e João Doria, que governava a capital do estado.

Já parecia claro, ademais, que o PSDB deixara de ser a escolha natural dos antipetistas, como havia sido até o pleito municipal de 2016.

A legenda carregava o fardo de pertencer ao governo Michel Temer (MDB) e, pior, teve expoentes mencionados nas delações colhidas pela Operação Lava Jato.

No episódio mais vergonhoso, os tucanos se omitiram quando o senador Aécio Neves (MG), candidato presidencial em 2014, foi flagrado ao pedir R$ 2 milhões a um empresário sob investigação.

Quase por gravidade, Alckmin obteve a condição de presidente do partido e candidato à Presidência, deixando para trás rivais que não apresentaram solidez política.

Talvez tenha imaginado que algo similar se daria na corrente disputa pelo voto popular. A pouco mais de duas semanas do primeiro turno, não existe sinal disso.

O contexto ajuda a entender o movimento de seu correligionário mais ilustre, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de pedir publicamente uma união de última hora das forças políticas que “não apostam em soluções extremas”. Compreende-se também por que a iniciativa desperta ceticismo.

Não que os temores citados sejam impertinentes. À direita, Jair Bolsonaro (PSL), com 28% no Datafolha, não apenas revela despreparo pessoal e fragilidade na articulação partidária —a cada dia, ele e seus aliados dão mostras alarmantes de propensão autoritária.

À esquerda, Fernando Haddad (PT), com 16%, parece em busca de um discurso mais moderado. Entretanto sua campanha sustenta as acusações farsescas de um golpe contra a ex-presidente Dilma Rousseff e de uma perseguição político-judicial a Lula; promete ainda um retorno mágico à bonança social da década passada.

Acima de Alckmin, que marca apenas 9% na pesquisa, está ainda o pedetista Ciro Gomes (13%), que vence todos os adversários nas simulações de segundo turno. Infelizmente, seu programa repete teses que arruinaram a economia e as contas públicas no governo Dilma.

Adriana Fernandes: Salada tributária eleitoral

- O Estado de S.Paulo

Propostas revelam que assessores não têm ideia do terreno onde estão pisando

O debate econômico em torno da reforma tributária se transformou numa verdadeira salada de propostas completamente desconectadas da realidade fiscal brasileira. O experimentalismo do que vem sendo sugerido ficou evidente agora, na reta final da eleição, quando os assessores das campanhas finalmente começaram a detalhar um pouco mais as propostas em busca de mais votos, principalmente da classe média, e também do apoio do setor empresarial e mercado financeiro.

O que se vê, porém, é pouca ou quase nenhuma análise de riscos para a implementação das ideias que começaram a ser colocadas na mesa. Como se fosse possível transformar o caótico sistema tributário num grande laboratório, sem levar em conta o fato de que não há espaço para perda de arrecadação e, na direção oposta, para aumento de impostos.

Para complicar, as “compensações” à perda de arrecadação que vêm sendo sugeridas pelos assessores dos candidatos, como a volta da tributação de lucros e dividendos e o “corte” de renúncias tributárias (como se fosse muito fácil fazer), não passam de uma conta frágil de chegada, na tentativa de mostrar que as propostas são sustentáveis do ponto de vista das contas públicas. Muitas das que surgiram no debate eleitoral, no entanto, revelaram que os assessores não têm a menor ideia do terreno onde estão pisando.

O exemplo mais claro dessa salada tributária é a ideia de elevar para cinco salários mínimos o limite de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF). Uma promessa de campanha de alto apelo popular.

Míriam Leitão: Grande impacto da guerra comercial

- O Globo

Guerra comercial entre China e EUA pode tirar 2 pontos do PIB mundial em 2019 e fazer o comércio cair 17,5%, estima o diretor-geral da OMC

O comércio mundial pode cair 17,5% se as medidas dos Estados Unidos e da China forem implementadas, diz o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), embaixador Roberto Azevêdo, e isso levaria a uma redução de dois pontos percentuais no ritmo de crescimento mundial. A América Latina perderia meio por cento, mas não por estar mais protegida, mas porque as economias da região, principalmente a brasileira, são ainda fechadas. Essa avaliação Azevêdo fez numa entrevista que me concedeu sobre a guerra comercial.

— É difícil dizer que não estamos em guerra comercial. Se não é guerra, muitos tiros foram disparados. Temos que conviver com o fato de que é uma escalada, e que não dá sinais de arrefecimento. E isso é muito preocupante — afirmou o embaixador

A OMC tem feito cálculos do quanto isso impactará o comércio global e a economia do mundo, mas eles precisam sempre ser refeitos porque o conflito está se agravando. A economia mundial deixaria de crescer 2%. O maior impacto seria na China, que perderia em torno de 3,5% de sua taxa de crescimento, e nos Estados Unidos, 2,2%:

Na reta final, Alckmin promove ‘arrancada’

Coluna do Estadão

A 15 dias da eleição presidencial, Geraldo Alckmin fará um ato neste fim de semana em São Paulo intitulado “Arrancada 45” para tentar motivar a militância. Estagnado nas pesquisas e atrás de Bolsonaro (PSL), Haddad (PT) e Ciro Gomes (PDT), o tucano tem perdido apoio de candidatos da sua aliança, que estão tirando seu nome dos santinhos, mas ainda conta com o aval da cúpula das oito siglas. Aliado de primeira hora, o presidente do PTB, Roberto Jefferson, diz: “Vamos cumprir o nosso desafio e ir com o Geraldo até o final. Lealdade é lealdade”.

Vai dar. Embora no Piauí tenha se aliado ao PT, o presidente do PP, Ciro Nogueira, também afirma que o partido não vai abandonar Alckmin. Aposta que ele vai crescer com os votos de Minas, onde o PSDB lidera a disputa ao governo, São Paulo e dos antipetistas.

Braços… Fora da disputa eleitoral, José Serra (PSDB-SP) faz coro com FHC e pede a união dos candidatos do centro para evitar a polarização entre os extremos. “Creio que esse entendimento apontaria para o Alckmin, mas devemos começar a negociação sem impor nomes”, afirma.

….dados. Serra diz que “é hora de juntar forças e escolher bem, antes que os acontecimentos nos levem à pior das situações possíveis”. Refere-se a um eventual 2.º turno Bolsonaro (PSL) versus Haddad (PT).

Carta de FHC é para todos os candidatos de centro, diz Alckmin no Recife

Presidenciável afirmou que o texto era uma reflexão necessária para combater os extremismos

Kléber Nunes | O Estado de S.Paulo

RECIFE - O candidato à Presidência do PSDB nas eleições 2018, Geraldo Alckmin, disse nesta sexta-feira, 21, no Recife, que a carta divulgada ontem pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso “era uma importante reflexão” para o atual momento político do Brasil. Alckmin afirmou que o texto não foi direcionado para ele ou outro candidato específico, mas um conselho para todos de que “o extremismo não vai ajudar o País a sair da crise”.

“Não podemos ir para os radicalismos, o Brasil perde com isso. A carta é uma reflexão, pois nesses 15 dias é que vamos ter uma definição da eleição. Concordo plenamente (com a carta) porque ela não é pessoal, é uma reflexão sobre o momento político”, declarou Alckmin.

Dos representantes do extremismo citado por Fernando Henrique, Alckmin reforçou as críticas ao deputado Jair Bolsonaro (PSL), que lidera as pesquisas de intenção de votos e tem ocupado o papel de anti-PT que foi do PSDB. O tucano aproveitou o desentendimento entre o economista da campanha de Bolsonaro, Paulo Guedes, e o candidato sobre a criação de um novo imposto aos moldes da extinta CPMF e a unificação das alíquotas do Imposto de Renda para pessoa física, para atacar o adversário.

“A pessoa dizer 'olha, terceirizei o governo para o Paulo Guedes', dá nisso. Veja que absurdo, no momento que você tem carga tributária altíssima, você propor mais impostos. O rico vai levar o dinheiro para fora como aconteceu na Argentina e o imposto de renda com a alíquota única quem vai pagar é a classe média, está errado”, criticou.

Após FHC, intelectuais tucanos lançam manifesto por união em torno de Alckmin

Manifesto assinado por Eliana Cardoso e Bolivar Lamournier apela a "intelectuais, professores, profissionais liberais e cidadãos em geral" para que se unam em um esforço para impulsionar a campanha tucana

- O Estado de S.Paulo

Após do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso lançar um apelo para conter a "marcha da insensatez", aliados do candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, divulgaram um manifesto assinado pelos intelectuais tucanos Eliana Cardoso e Bolivar Lamournier em favor do ex-governador de São Paulo.

O documento apela a "intelectuais, professores, profissionais liberais e cidadãos em geral" para que se unam em um esforço para impulsionar a campanha tucana, vista por eles como a única alternativa à candidatura de Jair Bolsonaro (PSL), que lidera as pesquisas eleitorais, e à campanha de Fernando Haddad (PT), vice colocado nos levantamentos.

"A tarefa exige que os candidatos do centro, Alckmin, Marina (Silva), Alvaro Dias, (João) Amoedo e (Henrique) Meirelles se encontrem e coloquem seus votos a favor do candidato que entre eles tem a maior chance de evitar uma tragédia. No momento este nome é Alckmin".

Para os acadêmicos, Bolsonaro e Haddad oferecem risco à estabilidade democrática do País. "Já sofremos muito com políticas autoritárias. O senhor Bolsonaro tem poucos aliados políticos e, para governar, poderia degradar ainda mais a política. Para que o eleitor não caia nas mãos de políticos extremistas, os candidatos do centro precisam se unir."

Na quinta-feira, ex-presidente Fernando Henrique divulgou uma carta “aos eleitores e eleitoras” na qual faz uma análise do atual momento político brasileiro a menos de três semanas da eleição presidencial. No documento, FHC faz um apelo pela união do centro político nas eleições 2018 - o fato de as pesquisas apontarem a polarização entre Bolsonaro e Haddad.

"Ante a dramaticidade do quadro atual, ou se busca a coesão política, com coragem para falar o que já se sabe e a sensatez para juntar os mais capazes para evitar que o barco naufrague, ou o remendo eleitoral da escolha de um salvador da Pátria ou de um demagogo, mesmo que bem intencionado, nos levará ao aprofundamento da crise econômica, social e política", escreveu. "Ainda há tempo para deter a marcha da insensatez. Como nas Diretas-já, não é o partidarismo, nem muito menos o personalismo, que devolverá rumo ao desenvolvimento social e econômico.", diz trecho da carta.

Veja o texto na íntegra:

Diferença entre cartas é sutil mas determinante para 2º turno

Maria Cristina Fernandes | Valor Econômico

SÃO PAULO - As cartas de Fernando Henrique Cardoso e aquelas que começaram a circular ontem em defesa de uma candidatura de centro têm uma diferença sutil mas relevante. Enquanto a carta do ex-presidente não cita um único candidato, nem mesmo o do seu partido, as demais são abertamente em defesa de uma candidatura de centro que reúna Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (Rede), João Amoedo (Novo) e Henrique Meirelles (MDB).

Em mensagem em rede social no início da noite, o ex-presidente explicou sua carta: “Enviei carta aos eleitores pedindo sensatez e aliança dos candidatos não radicais. Quem veste o figurino é o Alckmin, só que não se convida para um encontro dizendo “só com este eu falo.”

No texto, o ex-presidente faz referências claras ao PT, a Ciro Gomes e a Jair Bolsonaro, mas sem citá-los. Critica aqueles que se lançaram “com verocidade ao butim do Estado” e hoje opõem “eles” contra “nós” e o “demagogo, ainda que bem intencionado”. Vale-se ainda da mesma crítica da ex-presidente Dilma Rousseff e de Marina Silva ao candidato do PSL: “Basta de pregar o ódio, tantas vezes estimulado pela própria vítima do atentado”. Mas resiste, até o final da carta, a carrear o apelo para os quatro do centro: “Pensemos no país e não apenas neste ou naquele candidato”.

Nas demais cartas, ao contrário, as referências são mais que explícitas. Aquela escrita pela economista Eliana Cardoso em parceira com o cientista político Bolívar Lamounier iguala Fernando Haddad a Bolsonaro como ameaça para o Brasil e para a América Latina, o candidato petista por um programa econômico “catastrófico” e o do PSL, pelo extremismo de direita.

'Posto Ipiranga' já pegou fogo, diz Alckmin sobre Paulo Guedes

Por Marina Falcão | Valor Econômico

RECIFE - O candidato do PSDB ao Planalto, Geraldo Alckmin, atacou o discurso desalinhado entre o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) e o seu guru econômico, Paulo Guedes. “Como pode alguém que diz que não sabe nada de nada e vai questionar Paulo Guedes, o posto Ipiranga? O posto Ipiranga já pegou fogo”, disse Alckmin, em campanha no Recife.

O tucano classificou como absurda ideia de propor a recriação de impostos sobre movimentação financeira, proposta que foi apresentada por Guedes durante evento essa semana e logo em seguida criticada por Bolsonaro, pelo Twitter. "O rico vai levar o dinheiro para afora e quem vai pagar é população mais pobre. Alíquota única de Imposto de Renda quem vai pagar é classe média”, afirmou o tucano, que defendeu uma redução da carga tributárias que seria compensada por um imposto sobre lucros e dividendos.

Sem decolar nas pesquisas de intenção de voto, o tucano disse que não vai “procurar ativamente" outros candidatos para uma união das candidaturas em torno de um só nome mais competitivo contra a polarização entre os candidatos Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). A ideia de união do centro foi sugerida pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em carta. “É legítimo que eles sejam candidatos. A carta do Fernando Henrique é uma reflexão para os eleitores”, afirmou Alckmin.

Alckmin diz concordar com carta de FHC, mas descarta “procurar candidatos”

Tucano classifica texto assinado por ex-presidente como "reflexão sobre o momento político" e fala em "respeito" a candidaturas de adversários

Por João Pedroso de Campos | Veja

O candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, comentou nesta sexta-feira 21, em agenda de campanha no Recife (PE), a carta escrita e divulgada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, na qual ele apela por união dos presidenciáveis que “não apostam em soluções extremas” no primeiro turno.

Alckmin disse concordar “plenamente” com o texto de FHC, classificado pelo presidenciável como “uma reflexão sobre o momento político, dizendo ‘olha, os extremismos não vão ajudar o Brasil a sair da crise’”. O tucano descartou, no entanto, procurar os adversários de centro para construir uma alternativa única.

“Eu não vou procurar candidatos porque respeito, é legítimo que eles o sejam. Mas a ideia é uma reflexão junto ao conjunto do eleitorado”, disse Geraldo Alckmin. Apesar de as pesquisas eleitorais indicarem grandes chances de um segundo turno entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), Alckmin voltou a declarar que a eleição será definida pela campanha nos próximos quinze dias.

Constituição feita por 'notáveis' é equívoco, diz Jobim: 'A de Weimar deu no nazismo'

Para ex-presidente do STF, discutir uma nova Carta Magna sem Constituinte, ideia defendida por general Mourão, vice de Bolsonaro, pode transformá-la em uma 'coisa da elite'

Matheus Lara | O Estado de S.Paulo

Ex-presidente do Supremo Tribunal Federal e ex-ministro da Defesa, Nelson Jobim diz achar "completamente equivocada" a ideia de que o Brasil discuta uma nova Constituição sem a formação de uma Assembleia Constituinte no Congresso. Esta é uma ideia defendida pelo General Mourão (PRTB), vice de Jair Bolsonaro (PSL) na corrida presidencial.

Sem citar Mourão, Jobim afirmou ao Estado que tirar o povo do processo de discussão de uma nova Carta Magna e deixá-la nas mãos de "notáveis" tende a transformá-la em uma "coisa da elite". "(Sem a participação do povo), vira uma coisa de elite. As constituições feitas por notáveis, veja principalmente a de Weimar, deu no nazismo", disse após participar de um painel sobre os 30 anos da Constituição de 1988, promovido pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.

A referência de Jobim é em relação ao documento redigido pelo jurista Hugo Preuss no início do Século XX. Ele foi um dos principais mentores da primeira constituição da República de Weimar, que vigorou na Alemanha a partir de 1919, antes da ascensão do nazismo.

"Esse modelo (sem Constituinte) não funciona", afirmou o ex-ministro do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "Não funciona no nosso sistema. Nós nunca fizemos Constituição a partir de processos de notáveis. Nós sempre fizemos um processo político de construção. Então, não existe essa hipótese. Acho isso aí completamente equivocado."

Ex-ministro do STF e também presente no evento, Eros Grau disse que a Constituição brasileira é "contemporânea à realidade". "Ela não envelhece, nem fica jovem. Ela é a ordem jurídica fundamental de uma sociedade em um determinado momento histórico. Por isso, ela é contemporânea à realidade. Existe a Constituição do Brasil, hoje, aqui e agora. Não a de 1988. Quem escreveu o texto não é o mesmo que o interpreta e o aplica agora."

Candidatos rejeitam união sugerida em carta de Fernando Henrique

Para Ciro, ex-presidente tenta ‘ressuscitar’ campanha tucana; Alckmin elogia o aliado, mas descarta procurar apoio de rivais

Catarina Alencastro, Cristiane Jungblut, Dimitrius Dantas, Regina Bochicchio | O Globo

APARECIDA (SP), BRASÍLIA E SALVADOR - Fato político novo numa semana em que as pesquisas de intenção de voto confirmaram a tendência de alta de Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), a carta aos eleitores divulgada na noite de quinta-feira pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso encontrou resistência entre os candidatos que precisam crescer. Até mesmo por parte de seu correligionário tucano, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB).

Na sua carta, Fernando Henrique sugeriu que candidatos de centro unissem esforços contra a polarização protagonizada pelo PT e pelo ex-capitão, a fim de evitar o que seria, em sua visão, um segundo turno de extremos. Depois, o ex-presidente ratificou sua preferência de que esse nome de consenso fosse o de Alckmin. 

Terceiro colocado nas pesquisas, Ciro Gomes (PDT) não é considerado por FH um dos candidatos de centro, mas foi quem teve a reação de discordância mais forte à carta. —O Fernando Henrique é um encantador de serpentes. Ele está querendo ver se cria alguma forma de ressuscitação da candidatura do PSDB — provocou, após caminhada em Pindamonhangaba, sua cidade natal, no interior de São Paulo.

‘BOI VOAR DE COSTAS’
Depois, em Brasília, o pedetista afirmou que Fernando Henrique está se preparando para votar em Fernando Haddad no segundo turno, referindo-se à boa relação que o petista tem com o ex-presidente tucano.

— É muito mais fácil um boi voar de costas (do que ocorrer uma união de candidaturas). O FHC não percebe que ele já passou. A minha sugestão para ele, que ele merece, é que troque aquele pijama de bolinhas que está meio estranho por um pijama de estrelinhas. Porque, na verdade, ele está preparando o voto no Haddad. Ele só respeita seu próprio ego, e mais nada — disse aos jornalistas. Possível beneficiário da adesão de rivais proposta por Fernando Henrique, Alckmin elogiou o pensamento do ex-presidente, mas descartou procurar adversários.

—A carta é uma boa reflexão, concordo plenamente com a carta. Ela é uma reflexão sobre o momento político, dizendo que os extremismos não vão ajudar o Brasil a sair da crise. Não vou procurar candidatos, porque a ideia é uma reflexão junto ao eleitorado – disse o tucano em Recife, capital pernambucana, onde procurou mostrar ânimo apesar da baixa pontuação nas pesquisas. — (A carta) Ajuda porque temos uma eleição em dois turnos. O segundo turno é uma nova eleição.

O candidato Bolsonaro não tem a menor condição, numa situação dessas que estamos vivendo. Os últimos 15 dias são decisivos. Então, estamos animados, estamos no bloco de 9% e 10%, e podemos crescer. Em São Paulo, a gente já percebe isso – disse Alckmin.

Em queda nas pesquisas, Marina lança vídeo para conter desânimo

Candidata da Rede caiu de 2º para 5º lugar desde as primeiras sondagens

Maria Lima | O Globo

A campanha da candidata da Rede à Presidência, Marina Silva, divulgou nas redes sociais um vídeo em que tenta motivar seu eleitorado a não votar com “ódio” na eleição e a continuar acreditando que as coisas “podem mudar”. Depois de cair de segundo para o quinto lugar nas pesquisas de intenção de voto — Marina tem 6%, segundo o último Datafolha — ,a candidata da Rede precisa reverter o clima de desânimo que tem contaminado seus apoiadores nos últimos dias.

Realizado por Jorge Brivilati e André Castilho, que atuam como voluntários na campanha, o filme é marcado pelo tom emocional e tenta convencer o eleitor a insurgir-se contra a polarização retratada nas pesquisas entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), mostrando que, a despeito das pesquisas, nada está resolvido.

— Quem foi que disse que as coisas são como são e não podem mudar? — diz um ator em determinado momento do vídeo, que tem 2 minutos e 30 segundos.

A peça mostra um homem negro, vestido como se fosse um missionário que prega dentro do ônibus com um grande livro debaixo do braço, alusão à Bíblia, mas, na verdade, é a Constituição.

Segundo o coordenador-geral da campanha, Lourenço Bustani, o objetivo é que a propaganda tenha um grande impacto visual e emocional no eleitor desenganado com as pesquisas e a polarização entre o antipetismo de Bolsonaro e o radicalismo da esquerda lulista.

— Alguns começam a achar que o Brasil terá que escolher entre a mentira e o autoritarismo. É uma visão míope e fracassada do nosso momento. Mais do que nunca é hora de votar com a consciência, a esperança e amor no coração — afirma Lourenço Bustani.

FHC se reuniu com Alckmin antes de carta em que pede união do centro

Aliados afirmam que texto do ex-presidente sobrepõe 'biografia' a questões eleitorais

Marina Dias | Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - Um dia antes de divulgar a carta em que pediu união do centro contra o radicalismo que vê na disputa de outubro, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso teve um encontro reservado com Geraldo Alckmin, candidato do PSDB ao Planalto.

Os dois se reuniram na casa de FHC, em São Paulo, na quarta-feira (19), e discutiram estratégias que deveriam ser implementadas na campanha tucana, estagnada nas pesquisas abaixo dos 10% das intenções de voto.

Segundo aliados, o ex-presidente tem demonstrado preocupação com o cenário político, que acredita ter se polarizado entre a extrema direita, representada por Jair Bolsonaro (PSL), e o petismo de Fernando Haddad, e queria dar uma "contribuição mais ampla" para o quadro eleitoral.

No domingo (16), FHC conversou com pessoas próximas sobre um conjunto de iniciativas que, na sua avaliação, precisava ser tomado para tentar mudar o ritmo da campanha.

A solução encontrada foi elaborar uma carta que, segundo ele, poderia provocar uma reflexão nos eleitores. Antes de divulgá-la, porém, afirmou que procuraria Alckmin.

Parte da equipe do presidenciável tucano resiste em usar a imagem de FHC de forma explícita na campanha. De acordo com pesquisas internas, o ex-presidente não soma voto.

Na carta, o ex-presidente não cita o nome do candidato de seu partido e pede apoio a quem "melhores condições de êxito eleitoral tiver". Caso contrário, diz FHC, "a crise tenderá certamente a se agravar".

Pouco depois de divulgar o texto, o ex-presidente publicou no Twitter que quem veste esse figurino é Alckmin.

Quem conversou com FHC esta semana, porém, diz que sua ideia de divulgar a carta compreende muito mais questões biográficas do que eleitorais e que, por isso, o ex-presidente não citou diretamente Alckmin.

Candidatos recusam proposta de FHC e descartam abrir mão de campanha

Alckmin nega negociações com adversários; Serra defende proposta

Thais Bilenky , Joelmir Tavares , Isabel Fleck e Gustavo Uribe | Folha de S. Paulo

SÃO PAULO E BRASÍLIA - A carta emendada por uma publicação nas redes sociais em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) pede união dos candidatos de centro em torno de Geraldo Alckmin (PSDB) foi rebatida pelos adversários do tucano.

Marina Silva (Rede), Alvaro Dias (Podemos), Henrique Meirelles (MDB) e Ciro Gomes (PDT) descartaram de pronto abrir mão de suas campanhas em favor da de Alckmin, que, por sua vez, negou que vá procurá-los para negociar.

"Não vou procurar, porque é legítimo que eles sejam candidatos. Mas a ideia é uma reflexão do conjunto do eleitorado", disse nesta sexta (21) em Recife.

O próprio FHC, ao jornal O Globo, mostrou-se cético. "Talvez seja tarde, mas a gente tem que fazer algum esforço."

O senador José Serra (PSDB) saiu em defesa do pleito --sem erguer a bandeira do correligionário, porém. "É fundamental que as candidaturas que não apostam na radicalização convirjam", urgiu. "Creio que esse entendimento apontaria para o Alckmin, mas devemos começar a negociação sem impor nomes."

Os intelectuais tucanos Eliana Cardoso e Bolívar Lamounier também endossaram a ideia. E mais: foram explícitos no apoio a Alckmin.

Em sua carta, sem citar o candidato de seu partido, Fernando Henrique fez um apelo contra os radicalismos, referindo-se a Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

Essa narrativa, que coloca os líderes das pesquisas como extremos opostos, tornou-se a pilastra da campanha de Alckmin, que batalha para chegar aos dois dígitos --marcou 9% no último Datafolha.

‘Amarre o cinto, pois vai trepidar’, diz FHC sobre atual momento político

Tucano afirmou que principal desafio político é recuperar a confiança da sociedade: 'Houve quebra de confiança nos homens que governam país'

Por Redação | Veja

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse nesta sexta-feira que o atual momento político é difícil e por isso é preciso saber quem são os candidatos que têm planos de voo. “Sem plano de voo não se chega a lugar nenhum”, disse. “Amarre o cinto, vai trepidar”, falou ao participar de painel ao lado do ex-presidente americano Bill Clinton no congresso Expert 2018, promovido pela XP Investimentos.

Questionado sobre o principal desafio dos políticos de hoje, ele respondeu que é recuperar a confiança da sociedade. FHC afirmou que os casos de corrupção desvendados pela Lava Jato causaram uma quebra de confiança.

“Houve quebra de confiança nos homens que governam o país e ninguém ganha confiança sem transmitir a esperança de um futuro melhor”, afirmou o tucano.

Segundo ele, quase tudo melhorou no país desde o Plano Real, exceto a política. “Tudo melhorou no Brasil, menos a política. É só olhar a mortalidade infantil, o analfabetismo. Mas as pessoas olham e não veem. Elas se preocupam com o futuro do emprego delas. Com a educação dos filhos e se essa educação vai servir para alguma coisa.”

No entanto, ele disse que alguns problemas do Brasil ainda causam constrangimento, caso da desigualdade social, desemprego e falta de brilho econômico.

FHC afirmou que uma das características da democracia é convencer o outro, mesmo quando ele não quer escutar. Ele defendeu o que chama de “utopia viável”.

Questionando sobre o risco de baixa renovação do Congresso nas próximas eleições, FHC citou uma frase de Uysses Guimarães: “Você acha que esse é ruim? Espera para ver o próximo”.

O tucano disse que o Congresso atual representa melhor as várias fatias da sociedade, como sindicalistas, religiosos e empresários. Em detrimento dessa melhor representação, transformou-se em um Congresso menos elitista e menos estudado.

‘Eleição não trará o fim da crise no País’, diz Ricupero

Entrevista com Rubens Ricupero, diplomata e ex-ministro da Fazenda

Diplomata e ex-ministro afirma ter ‘pouca esperança’ nas eleições 2018, mas acredita que imagem negativa do País é reversível

Paulo Beraldo | O Estado de S.Paulo

As eleições 2018 para presidente da República tendem a ser uma etapa a mais na crise brasileira. Essa é a avaliação do diplomata Rubens Ricupero, diretor da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e ex-ministro de Meio Ambiente (1993-1994) e da Fazenda (1994) no governo de Itamar Franco.

Segundo Ricupero, os maiores desafios do próximo presidente serão fazer o ajuste fiscal para equilibrar as contas públicas e liderar uma pacificação nacional. Nesta entrevista ao Estado, o ex-embaixador do Brasil nos EUA e na Itália fala ainda sobre as regras que dificultam a entrada de novos nomes no setor político, critica o funcionamento das instituições e relativiza a imagem negativa do País no exterior.

• O que as eleições 2018 representam para o País?

Acho a equação política e econômica complicada e vejo pouca esperança na eleição. Há ilusão em pensar que as eleições forneceriam uma saída da crise brasileira, porque ela é muito profunda. Ela começa a se manifestar com as grandes manifestações de 2013, que revelaram o mal-estar que existia. Depois, se agrava com o fracasso do segundo governo Dilma, que teve a recessão, o desemprego e o impeachment. Além disso, tivemos revelações espantosas de corrupção sistêmica, o agravamento da criminalidade, do número de homicídios e revoltas em presídios. Até o momento, a escolha dos candidatos e o decorrer da campanha não permitem muita esperança. O provável é que essa eleição seja apenas uma etapa no desenvolvimento da crise brasileira.

• Quais os principais desafios para o próximo governo?

O quadro atual é preocupante por várias razões. No debate eleitoral, não se verifica consciência da premência desses problemas e do pouco ou nenhum espaço de manobra que o governo terá. O segundo problema é que estamos com uma polarização e uma radicalização muito grandes. A prisão do Lula compõe um quadro que, do ponto de vista jurídico, é legal. Mas isso não significa que politicamente não haja a percepção de que um candidato importante está excluído. Vai ser preciso apoio da maioria das correntes para normalizar o País, porque hoje em dia não é um país normal.

Alckmin busca voto de rivais ‘inviáveis’ nas eleições 2018

Campanha do presidenciável tucano no rádio tenta atrair eleitor de Marina Silva, Henrique Meirelles. Alvaro Dias e João Amoêdo

Pedro Venceslau, Marianna Holanda e Kleber Nunes | O Estado de S.Paulo

Um dia depois de o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso divulgar uma carta nas redes sociais na qual voltou a defender uma união de candidatos à Presidência contra aqueles que apostam em “soluções extremas”, o ex-governador Geraldo Alckmin, presidenciável do PSDB nas eleições 2018, elogiou a iniciativa, mas disse que não pretende procurar seus adversários.

Enquanto FHC fala em unificar o centro, a campanha de Alckmin reforçou a narrativa do voto útil e passou a pregar que Marina Silva (Rede), Henrique Meirelles (MDB) e João Amoêdo (Novo) não tem viabilidade eleitoral.

Em um comercial de rádio da coligação do PSDB exibido nos últimos dias, a senadora Ana Amélia (PP-RS), candidata a vice de Alckmin, fez um apelo aos eleitores.

“O que é o voto útil? É você apostar em um candidato que tenha viabilidade. Junte aqueles que não conseguiram deslanchar até agora e coloque naquele que pode representar melhor a opção correta para impedir a radicalização que leve o País ao caos. Todos aqueles candidatos que estão no finalzinho das pesquisas, com 3%, 2% ou 1%, demonstraram que não conseguiram vencer etapas importantes. Voto útil é Geraldo agora”, disse a senadora.

Ferreira Gullar: Evocação de silêncios

O silêncio habitava
o corredor de entrada
de uma meia morada
na rua das Hortas

o silêncio era frio
no chão de ladrilhos
e branco de cal
nas paredes altas

enquanto lá fora
o sol escaldava

Para além da porta
na sala nos quartos
o silêncio cheirava
àquela família

e na cristaleira
(onde a luz
se excedia)
cintilava extremo:

quase se partia

Mas era macio
nas folhas caladas
do quintal
vazio

e
negro
no poço
negro

que tudo sugava:
vozes luzes
tatalar de asa

o que
circulava
no quintal da casa

O mesmo silêncio
voava em zoada
nas copas
nas palmas
por sobre telhados
até uma caldeira
que enferrujava
na areia da praia
do Jenipapeiro

e ali se deitava:
uma nesga dágua

um susto no chão

fragmento talvez
de água primeira

água brasileira

Era também açúcar
o silêncio
dentro do depósito
(na quitanda
de tarde)

o cheiro
queimando sob a tampa
no escuro

energia solar
que vendíamos
aos quilos

Que rumor era
esse ? barulho
que de tão oculto
só o olfato
o escuta ?

que silêncio
era esse
tão gritado
de vozes
(todas elas)
queimadas
em fogo alto ?

(na usina)

alarido
das tardes
das manhãs

agora em tumulto
dentro do açúcar

um estampido
(um clarão)
se se abre a tampa.