O Globo
Candidato do PSOL usa crise para carimbar prefeito como fraco e omisso; pesquisas dirão se ofensiva ainda pode reabrir a disputa
Na semana passada, aliados de Guilherme
Boulos admitiam que só um fato novo seria capaz de ameaçar a reeleição de
Ricardo Nunes em São Paulo. O imponderável pode ter dado as caras na noite de
sexta, quando um temporal deixou a cidade às escuras.
A chuvarada durou menos de uma hora, mas causou transtornos prolongados. No pico do apagão, 2,1 milhões de imóveis ficaram sem luz. O blecaute se estendeu pelo fim de semana, prejudicando centenas de milhares de paulistanos. Era inevitável que o tema dominasse o primeiro debate do segundo turno, marcado para segunda-feira.
“Fiquei sem luz na minha casa até ontem”,
iniciou Boulos. “Esse apagão tem dois grandes responsáveis”, prosseguiu. “A
cidade está refém dessas duas incompetências: a Enel e o prefeito”, arrematou.
Nunes começou desconversando sobre “a questão das mudanças climáticas”. Depois
classificou o blecaute como “algo muito triste, que deixa a gente profundamente
magoado”. Finalmente, tentou empurrar a responsabilidade para o governo
federal.
“Você não faz poda de árvore e o culpado é o
Lula?”, reagiu o candidato do PSOL. A discussão se esticou por 22 minutos, no
horário de maior audiência do debate. Boulos buscou carimbar Nunes como um
político fraco e vacilante, que se omite os momentos de crise. O prefeito ficou
na defensiva e se escorou atrás do púlpito, enquanto o rival caminhava com
desenvoltura pelo palco da Band.
Os dois só concordaram nas críticas à Enel,
que se apresenta na internet como uma empresa “inovadora e sustentável”,
empenhada em “levar progresso às pessoas”. Esse blá-blá-blá corporativo não
livrou a maior cidade do país de sofrer três grandes apagões num intervalo de
apenas 11 meses. Na sexta, havia mais gente sem luz em São Paulo do que na
Flórida pós-furacão Milton.
As próximas pesquisas dirão se o blecaute
pode alterar os rumos de uma eleição que já parecia decidida. Na dúvida, Nunes
tem obedecido aos manuais de gestão de crise: vestiu um colete laranja da
Defesa Civil e passou a dar plantão permanente nas ruas. Sempre na mira de uma
câmera para abastecer as redes sociais.
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