O Globo
Casos de corrupção no Brasil repetem
comportamentos anteriores de outros casos, como o mensalão, o petrolão,
relatados na Operação Lava-Jato e, agora, nesse escândalo do banco Master.
Sempre me causou espanto os casos de criminosos que guardam provas contra si que acabam sendo descobertas pela Polícia, algumas antigas que resolvem questões atuais. Refiro-me especialmente aos casos de corrupção no Brasil, que repetem comportamentos anteriores de outros casos, como o mensalão, o petrolão, relatados na Operação Lava-Jato e, agora, nesse escândalo do banco Master. Mesmo sem a abrangência dos casos de repercussão nacional, os acontecidos recentemente no Rio de Janeiro são provas disso. Foi encontrada na mesinha de cabeceira de um bicheiro a lista de políticos que ele subornava, com as quantias devidas.
As malas de dinheiro guardadas em um
apartamento de Salvador, a quantidade de dólares e euros achadas nos endereços
do senador Jaques Wagner em Brasília, sua coleção de relógios de luxo que já
haviam sido encontrados em outra batida policial, lá estavam no mesmo lugar,
para a Polícia Federal achar. O máximo que o senador conseguiu explicar foi que
tinha mania de colecionar cópias chinesas dos relógios, como se fosse
impossível determinar um falso de um verdadeiro. O ex-banqueiro Daniel Vorcaro
não se deu nem mesmo ao trabalho de apagar as conversas comprometedoras de seus
celulares, eles próprios valiosos como a delação premiada que ele não quer fazer.
Evidentemente, especialmente entre nós, há a
certeza da impunidade que faz com que senadores, deputados, ministros do
Supremo continuem a vida normal sem temer as consequências. Há também o
instinto de bandido, aquele que guarda as provas para incriminar os que
porventura pensem em incriminá-lo. A mãe do ex-deputado Geddel Vieira Lima, o
das malas de dinheiro, intuitivamente tentou defender seu filho dizendo que ele
“não é um criminoso, é um doente”. Mas há também o que Freud definia como
“criminosos por sentimento de culpa”. O psiquiatra Joel Birman destaca que,
nesses casos, “ o criminoso faz um crime para ser castigado e, em função de uma
culpa anterior, mantém os rastros dos crimes. A psicanálise pode esclarecer
certos casos. Outros, não são resolvíveis, pois o criminoso não quer se
corrigir”.
Ele adverte, porém, que no Brasil, “há sempre
um fator predominante, a impunidade. Uma certa onipotência, acreditar que podem
enfrentar o sistema, que controlam”, através de subornos, contratos
advocatícios ilimitados, participação em investimentos turísticos. Segundo
Freud, em alguns casos, a culpa inconsciente existe antes do crime e pode levar
a pessoa a cometer um delito ou a deixar rastros que facilitem sua descoberta.
No ensaio “Some Character-Types Met with in Psycho-Analytic Work”, de 1906,
Freud descreve os chamados “criminosos por sentimento de culpa” (criminals from
a sense of guilt). Segundo ele, algumas pessoas carregariam um sentimento
difuso e inconsciente de culpa, sem saber exatamente sua origem, sentimento
psicologicamente difícil de suportar.
A prática de um crime forneceria uma causa concreta para essa culpa, ser descoberto e punido poderia trazer um certo alívio psíquico, pois a punição daria uma justificativa objetiva para o sofrimento que a pessoa já sentia. Dentro dessa lógica, alguns criminosos poderiam cometer erros evitáveis; não apagar evidências; confessar mais facilmente do que seria esperado; ou até retornar ao local do crime. Para Freud, esses comportamentos poderiam representar uma busca inconsciente por punição. Posteriormente, outros psicanalistas associaram essa ideia ao conflito entre o ego e o superego, sendo este último entendido como uma instância psíquica que exerce julgamento moral e pode exigir punição quando o indivíduo experimenta culpa excessiva. Hoje, essa teoria é vista como uma hipótese clínica, e não como uma explicação geral da criminalidade. A ideia freudiana, portanto, é que em alguns indivíduos a culpa inconsciente pode favorecer comportamentos autossabotadores que aumentam a probabilidade de punição.

As leis morais de Deus estão inscritas na nossa ''consciência-espiritual'',o superego freudiano nada mais é que a lei do carma em ação.Amo a doutrina espírita,está tudo lá.
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