O Estado de S. Paulo
Ao conquistar os líderes do Centrão, um a um, risco de Lula é ressuscitar a Lava Jato
Ao colecionar troféus do Centrão, o
presidente Lula ganha palanques e tempo de TV na eleição, aumenta as chances de
converter o fim da escala 6x1 em votos e já constrói base no Congresso e
governabilidade, em caso de vitória. Não custa lembrar que foi assim que
mensalão, petrolão e os escândalos de Lula 1 e 2 começaram.
Hoje favorito, mas com margem mínima, Lula
jogou a rede para Ciro Nogueira, ex-chefe da Casa Civil de Jair Bolsonaro, Davi
Alcolumbre, presidente do Senado, e Hugo Motta, da Câmara. Certamente não pelo
Brasil, ideologia, direitos, igualdade social, PIB, ajuste fiscal e ataques de
Donald Trump...
Os ajustes regionais pesam, como para Nogueira e Motta, que são do Nordeste, bolsão petista do País, mas isso é só parte da história. A partir daí, voltamos a mensalão, petrolão e à defunta Lava Jato, que começaram quando Lula se jogou nos braços de adversários pragmáticos, para compensar a fragilidade do PT e da esquerda no Congresso. Isso tem custo, e alto.
Quem paga é o País e, em nome da
governabilidade, para salvar a própria pele, o mandato e seu nome nas futuras
urnas, Lula abriu os cofres e deu a Petrobras, em forma de bolo fatiado, para
os neo-aliados, que poderiam, e podem, ir para um lado ou para outro, à custa
de uma falsa “neutralidade”.
Manteve o mandato e o apoio no Congresso, mas
quase implodiu a Petrobras, maior, mais rica e mais simbólica empresa estatal
do Brasil e, em consequência, feriu sua biografia, o PT, a esquerda e amargou
580 dias na prisão.
Veio daí a eleição de Jair Bolsonaro para a
Presidência e ele foi bem mais cirúrgico do que Lula na relação com o
Congresso: deu o “coração” do governo para Ciro Nogueira e liberou geral as
emendas, enquanto desfrutava do jet ski e divulgava cloroquina para covid.
Em favor de Lula, diga-se que o sistema não
deixa alternativas, ou o presidente faz maioria e dá ao Congresso o que ele
quer, ou cai. Simples assim. Petistas e aliados batem na tecla de que Lula não
roubou para si, nem enriqueceu com o petrolão, ele “entrou no jogo da sobrevivência”.
Em 2027, o Brasil vai enfrentar uma crise
fiscal asfixiante, inimiga de investimentos, políticas públicas e crescimento,
e a ameaça de Trump de intervir na América do Sul. A pergunta é: como reagir à
crise interna e à ameaça externa, com polarização política, Supremo jogando a
credibilidade pela janela e... sem maioria no Congresso?
Para conquistar essa maioria, é preciso
entregar os anéis e os dedos para o Centrão. Tomara que não a Petrobras, ainda
mais com a descoberta de petróleo na Margem Equatorial. •

Artigo esclarecedor.
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