Folha de S. Paulo
Não há no debate eleitoral uma abordagem
consistente sobre o uso abusivo do Orçamento da União
Do jeito que vai, o Congresso acaba
capturando a totalidade dos recursos disponíveis para as despesas do país
A escrita corrente na política reza que o
marco inaugural do avanço desmedido no uso das emendas
parlamentares deu-se na presidência de Eduardo Cunha (Republicanos)
e se consolidou na gestão de Arthur Lira (PP)
no comando da Câmara dos
Deputados.
A história, contudo, traz registro mais antigo. Data do ano 2000 e tem a paternidade do então poderoso e já falecido senador Antônio Carlos Magalhães (PFL), autor de proposta para tornar todo Orçamento da União impositivo.
O presidente que não executasse todas as
despesas conforme o determinado incorreria no crime de responsabilidade. De tão
radical, a coisa não prosperou, mas estabeleceu-se como a gênese seminal da
grave distorção entre as funções executivas e legislativas que hoje se vê.
A despeito dessa evidência, não há no debate
eleitoral, por parte dos candidatos, uma abordagem realista sobre como o futuro
presidente pretende lidar com o avanço desmedido das emendas parlamentares em
relação ao dinheiro disponível no Orçamento.
Há críticas contundentes, promessas de
correção, mas nada que sustente a credibilidade das boas intenções. Flávio
Bolsonaro (PL) nem a esse trabalho se
dá; defende as emendas como essenciais aos municípios e ignora a degeneração
progressiva no manejo dos recursos.
Os demais integrantes da lista dos mais bem
posicionados até agora nas pesquisas prometem fechar as torneiras . Valentes
nas palavras, Luiz Inácio
da Silva (PT), Ronaldo
Caiado (PSD), Renan Santos (Missão)
e Romeu Zema (Novo)
ainda não conseguiram desenvolver o tema de modo convincente.
Nenhum deles vai além das inconsistências de
generalidades decorrentes da óbvia constatação de que a apropriação indevida
feita pelo Congresso carece de urgente correção.
Ou há um freio ou aquela proposta de ACM,
submetendo ao risco de impeachment o presidente que não ordenar despesas
exatamente como manda o Congresso, acabará ressuscitada. Um despropósito
pensar? Ora, pensemos num absurdo e veremos que já convivemos com vários deles.

É bem isto! Um grande problema, certamente. E para o qual não ouviremos solução por parte dos nossos candidatos!
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