terça-feira, 15 de setembro de 2026

A 20 dias da eleição, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

STF e inversão nas pesquisas se somam numa pergunta: qual seria o Brasil de Flávio?

A sessão do Supremo hoje, sobre abrir ou não investigação sobre Alexandre de Moraes, ocorre quando Flávio Bolsonaro, apesar do empate técnico, passa a frente numericamente do presidente Lula e assume a dianteira na eleição presidencial. Logo, o dia 14 de setembro de 2026 pode se transformar no marco de uma reviravolta histórica.

Somadas as duas hipóteses, de vitória de Flávio e de derrota da justiça e da realidade na decisão do Supremo, o Brasil pode dar uma cambalhota atordoante em 2027, anulando os movimentos pró-democracia, liderado pelo STF, e pró-soberania, capitaneado por Lula, para cair numa incógnita.

Como seria, ou será, um governo do filho 01 de Jair Bolsonaro, classificado como o “mais moderado da família” pelos aliados e “o pior dos Bolsonaro” pela campanha de Lula? Como Flávio, a exemplo dos demais candidatos, não discutiu programas e não se comprometeu com quase nada, é caso para suposições.

Pelo pai, madrastas, irmãos e histórico político, pode-se imaginar que Flávio vá dobrar a aposta bolsonarista na área de costumes, ampliar a desenvoltura do Congresso no manejo das emendas, partir para cima do Supremo e conceder indulto, não apenas para o próprio pai, mas para os generais, financiadores e pausmandados da trama golpista.

Até aqui, o STF estava em alta, comemorado como o salvador da Pátria, e os golpistas estavam em baixa, atrás das grades ou fugitivos no exterior. A partir de agora, tudo isso pode se inverter. Vai depender de Flávio, sim, mas também do próprio Supremo.

A questão hoje não é se Moraes encarna a candidatura de Lula, e André Mendonça, a de Flávio, mas se a decisão – caso não haja pedido de vista – é a favor do STF e da Justiça, ou corporativista e em causa própria. “E se eu for o Xandão amanhã?” Esse medo tende a favorecer o crescimento de Flávio.

Já era previsto, mas o fato de Flávio ultrapassar Lula numericamente no segundo turno é mais importante do que um dado em si, ou do que dois pontos porcentuais a mais. É que o cruzamento das curvas ocorre a apenas três semanas da eleição.

Eleição é “onda” e Flávio entra na reta final como “novidade” e com os ventos a favor de atrair os eleitores independentes, indecisos, que não aguentam mais tantas notícias ruins.

Como já dito aqui, não é Flávio quem avança, é Lula quem o empurra para redutos eleitorais de vida ou morte: Sudeste, mulheres, católicos, baixa renda... Com consequências não só na eleição, mas no futuro do País.

A primeira medida de Flávio, se subir a rampa, será abrir portas, riquezas e autonomia do Brasil para Donald Trump. As bandeiras dos EUA e de Israel nos seus comícios não deixam dúvidas.

 

4 comentários:

  1. Foi muito bom saber disso Eliane, obrigado por me abrir os olhos. Não somos palestinos e.
    jamais. . seremos outra GAZA

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  2. Não sou vira folha, mas consciência do eminente perigo.

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  3. IMiNENTE (ufa!)

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