O Globo
O Caso Master é uma bomba cujos fragmentos
atingiram diversas instituições da República. O STF tem agora que investigar os
próprios erros
A semana começou com notícias e imagens com potencial impacto nas campanhas. O vídeo de Alexandre de Moraes saindo do avião de Daniel Vorcaro, com sua mulher Viviane, é eloquente demais para ser ignorado pelo ministro. Ele se soma às 52 mensagens entre Moraes e o ex-banqueiro e ao contrato entre Vorcaro e o escritório Barci de Moraes. Outros casos estão surgindo, como os que mostram o julgamento favorável às usinas de cana-de-açúcar na segunda turma em processo conduzido pelo ministro Kassio Nunes Marques. A União perdeu uma causa na qual tinha completa razão.
A imagem do voo do ministro foi dada pelo
colunista Lauro Jardim, do GLOBO, depois de mais uma negativa de Moraes de que
usou aeronaves de Daniel Vorcaro. Os trechos de arquivo da Polícia Federal
divulgados pelo Metrópoles levantam dúvidas sobre um julgamento que deu enorme
prejuízo aos cofres públicos. Há trocas de mensagens revelando que Daniel
Vorcaro chamava de “a turma do KN”, que seria o ministro Kassio Nunes, e se
referindo ao pagamento de “R$ 427 milhões”.
Vorcaro era detentor de precatórios de usinas
de cana-de-açúcar que reclamavam direito à indenização bilionária por parte do
Tesouro alegando prejuízo com o congelamento ocorrido nos anos 1980. Os preços
foram de fato controlados nos planos econômicos anteriores ao Plano Real. Mas
foram todos os preços, inclusive os dos insumos das usinas. E essas empresas
foram também subsidiadas. Na raiz, a reclamação dos usineiros nunca fez
sentido.
Na segunda turma, Kassio Nunes, Dias Toffoli
e Edson Fachin
votaram por reconhecer o débito da União com os usineiros. Como Vorcaro era
detentor de precatórios, a medida o beneficiou. Há trechos de diálogos entre
intermediários narrando um pedido de desconto que teria sido feito pelo
ministro em hospedagem no Hotel Fasano. Vorcaro, no diálogo com o escritório
que defendeu a causa dos precatórios, afirmou que pagaria pela diária.
O Caso Master virou uma Caixa de Pandora da
qual estão saindo indícios contra vários ministros, e o STF permanece como o
centro do debate eleitoral, com o tema sendo usado para todo o tipo de
manipulação. O candidato Flávio Bolsonaro acusou Alexandre de Moraes de ter
“implodido a democracia” no Brasil. Quem tentou fazer isso foi o pai do
candidato do PL. O ministro foi o relator do processo que puniu os
responsáveis.
A extrema direita acusa Alexandre pelo que
ele fez corretamente, que foi condenar os que atentaram contra a democracia. O
ministro Alexandre de Moraes acha que não deve explicações ao país mesmo diante
de todas as evidências de relações impróprias com um banqueiro, cujo negócio só
ficaria de pé com favores e vantagens dadas por poderosos.
De vez em quando há pequenos avanços. No
domingo, o ministro Flávio Dino
determinou o prazo de 90 dias para que o governo apresente uma revisão da
regulação dos fundos de investimento fiscalizados pela Comissão de Valores
Mobiliários. A ação do Partido Novo, que tem a Transparência Internacional como
amicus curiae, questiona as mudanças na regulação que aconteceram no governo
Bolsonaro, em 2021 e 2022, e que permitiram manobras que estão no cerne do Caso
Master. A regulação flexibilizada deu margem à criação daquele emaranhado de
fundos, como o Reag, em que um fundo aplicava em outro. Essa cascata de ativos
servia para lavar dinheiro e esconder o investidor. Segundo Dino, houve uma “permissividade
sistêmica”.
A ordem do ministro é para que o Ministério
da Fazenda coordene essa revisão da regulação da CVM,
com outros órgãos, para enfrentar as “fragilidades relevantes nos mecanismos de
controle interno”. O que torna o caso mais delicado é que o presidente da CVM,
Otto Lobo, era diretor do órgão em 2022 quando foram aprovadas essas mudanças
regulatórias. Assumiu interinamente a presidência em 2025 e contra a orientação
da Fazenda foi confirmado no cargo.
Eu já escrevi aqui que o Caso Master é uma
bomba de fragmentação que estourou distribuindo tarefas. Para evitar novos
casos assim, há muito a ser feito em várias instâncias e órgãos. Mas o mais
importante trabalho terá que ser realizado pelo Supremo Tribunal Federal. O STF
tem que investigar seus próprios erros e criar um Código de Ética que evite a
repetição de fatos que estão minando a confiança na democracia brasileira.

Vorcaro veio ao mundo para comprovar a tese de que todo homem tem seu preço.Eu não tenho,eu sou um Santo... Sei.
ResponderExcluirO Brasil sempre foi um faz de conta jurídico . Quando tentou criar estrutura social ou mesmo textualizacoes veridicas sobre a absurda e mais atrasada configuração social do Ocidente que é a brasileira , como no caso de Euclides da Cunha, vem a milícia matar o denunciante. Quando pessoas como Brizola, jango ou Lula interferiram no cenário social de forma justa e democrática vem a bandidagem norte americana comprar a elite branca e nojenta do Brasil
ResponderExcluirComo sempre a Casa Grande, síntese das nossas elites jurídicas e econômicas, impõem seu modo atuante. O projeto "Volta Brasil Colônia" está bem próximo de se concretizar.
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