O Globo
Ministros que não se ressentem de elogiar a
ética dos mafiosos diante das câmeras de televisão e no plenário do Supremo são
contra o Código de Ética proposto por Edson Fachin e Cármem Lúcia
Todos já vimos filmes ou séries sobre grupos criminosos, estrangeiros ou brasileiros, em que as cenas mais perversas surgem com naturalidade. Parece coisa inventada, tamanhos os absurdos narrados. Quem acreditaria que um ministro do Supremo recebe dinheiro para dar sentenças favoráveis ou contrárias, dependendo do cliente? Quem imagina uma prostituta recusando sair com um ministro do STF porque precisaria de um michê dez vezes maior para servir a ele? Quem poderia acreditar que um ministro do Supremo receberia dinheiro através de terceiras pessoas, como um cunhado,, ou um filho, ou uma esposa? Ministro do STF tem dinheiro para ser proprietário de um resort no Paraná?
Nunca o adágio popular “uma imagem vale mais
do que mil palavras” teve tanto sentido quanto a foto descoberta no celular do
banqueiro-bandido Daniel Vorcaro bebendo uísque e fumando charuto ao lado do
Procurador-Geral da República Paulo Gonet em um restaurante em Londres. O ar
satisfeito de Gonet, o peito estufado de orgulho, exibindo um Cohiba, reflete
não apenas a alegria de usufruir essas mordomias, mas uma proximidade com o
banqueiro que ele renega. Junte-se a foto com os recados que ele mandou para
Vorcaro através de um advogado, temos a confirmação inegável de que houve mais
que um “encontro banal” entre o Procurador-Geral da República e o banqueiro
preso.
Sem contar o fato de que Gonet decretou nulo
o relatório da Polícia Federal que o implicava, assim como o ministro Dias
Toffoli avocou a si o inquérito do Banco Master e o colocou sob o mais alto
grau de sigilo, para que não viéssemos a saber de suas relações com Vorcaro.
Quando soube-se, através de vazamentos do inquérito e demais informações em
decorrência, que a família do ministro do Supremo havia vendido para um grupo
ligado a Vorcaro, por R$ 35 milhões, uma parte do resort Tayayá, entendeu-se
porque nível tão alto de sigilo.
Também nesse caso vale a assertiva do adágio,
pois a imagem de Toffoli, com um copo na mão, recebendo no resort Tayayá o
banqueiro André Esteves, já mostrava que era ele o dono do pedaço. Outra foto
icônica, de Brenno Carvalho do GLOBO, que reflete esses “annus horribilis” que
vivemos no país é a que mostra os ministros rindo às gargalhadas nos
bastidores. Não importa se a piada era boa, se não tinha nada a ver com o fato
em si. Não era hora de cair na gargalhada quando o país estava de luto diante
da desfaçatez daqueles togados.
O presidente do colegiado, ministro Edson
Facchin, pediu na abertura daquela sessão que seus colegas não entregassem à
sociedade um Supremo Tribunal Federal (STF) menor do que receberam, mas foi
inútil o apelo. O que se viu naquele dia foi a decadência moral de um grupo que
se recusa a acatar um código de ética porque perderiam a condição de advogar em
causa própria através de filhos e parentes, de aceitar ou ofertar mordomias de
viagens e presentes, estariam proibidos de frequentar convescotes no exterior
com uísque Macallan e charutos cubanos.
Ministros que não se ressentem de elogiar a
ética dos mafiosos diante das câmeras de televisão e no plenário do Supremo são
contra o Código de Ética proposto por Edson Fachin e Cármem Lúcia. A “ormetá”,
que vem do latim “humildade”, é a famosa lei do silêncio que define um código
de honra de organizações mafiosas do Sul da Itália e impede qualquer
colaboração com a polícia ou autoridades judiciais. Um detalhe dessa
tragicomédia que vivemos é que ministros do Supremo já estavam negociando no
Congresso, antes desses escândalos todos, um aumento da idade limite para se
aposentar no STF. Passaria a 80 anos através de outra PEC. A que aumentou de 70
para 75 anos foi chamada “PEC da Bengala”. A de agora, natimorta, seria “PEC do
andador”.

A única categoria a querer aumentar a idade de se aposentar,deve ser,sei lá,rs.
ResponderExcluirEstão contabilizando a vitória do Flávio Bolsonaro que vai indicar no mínimo quatro talvez cinco ministros do Supremo esse é o medo deles além de querer ficar mais tempo usufruindo das mordomias imperiais que serve a corte
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