Valor Econômico
A perspectiva de investigação de ministro por seus colegas é inédita no STF
A manifestação do procurador-geral da
República, Paulo Gonet, para que seja anulada a petição do ministro André
Mendonça para a investigação do ministro Alexandre de Moraes ante a gravidade
dos fatos trazidos pelo relatório da Polícia Federal sobre o Master aumenta as
expectativas sobre a sessão da tarde desta quarta no Supremo Tribunal Federal.
A expectativa, no gabinete no ministro Edson Fachin até o início da noite desta terça, era de que a sessão poderia vir a ser poupada da explicitação do conflito pelo prazo concedido à PGR. Gonet, tinha cinco dias, mas respondeu antes que o pedido de Mendonça completasse 12 horas. Não se deu por impedido, a despeito de terem sido transcritas mensagens que trocou com um advogado de Daniel Vorcaro e com o próprio ex-banqueiro.
Gonet defendeu a nulidade da investigação
argumentando que esta deveria ter sido deliberada pelo plenário e não por
decisão monocrática do relator. O PGR desacredita, em sua manifestação, que
Mendonça desconhecia os alvos a serem revelados quando determinou a
identificação das pessoas que participaram e foram mencionadas nas mensagens
reproduzidas nas investigações. Gonet sugere que o relator agiu premeditamente para
alvejar Moraes.
A manifestação aumenta a responsabilidade do
presidente da Corte sobre os desdobramentos do impasse. É à PGR que cabe
oferecer a denúncia que propiciaria a abertura de inquérito a ser decidida pelo
plenário do STF. Se a manifestação foi pela nulidade, o caminho parece ter se
estreitado para Mendonça seguir com a investigação.
Há, porém, o precedente estabelecido pelo
inquérito das fake news, aberto de ofício, ou seja, sem provocação da PGR, pelo
então presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, que entregou a relatoria a
Moraes. O inquérito ruma para completar oito anos e pode servir de munição para
André Mendonça resistir ao arquivamento. No despacho desta segunda, o ministro
tanto solicita a manifestação da PGR quanto a deliberação do plenário da Corte.
Sua inclusão na pauta de deliberações depende de Fachin, que está diante de uma
situação inédita. A investigação de um dos seus sequer tem um rito estabelecido
na Corte.
PF expõe atuação de Moraes no Master e STF
enfrenta tensão inédita
O presidente do STF recebeu, na tarde desta
terça, o ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, e o ministro da
Justiça, Wellington Lima e Silva. A princípio, a pauta da reunião era a análise
de um veto presidencial a uma lei, aprovada pelo Congresso, que aumenta as
custas dos processos judiciais. A relação da dupla com Moraes e com o
diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, já foi melhor.
Se prevalecerem os interesses corporativos
dos ministros - há pelo menos três outros envolvidos com o Master, em maior
(Dias Toffoli) ou menor grau (Nunes Marques e Luiz Fux) - o plenário negará a
investigação.
Antes de tomar a decisão de levantar o sigilo
do relatório da PF, Mendonça defendeu, durante um seminário no STF na manhã
desta terça, a adoção de um código de conduta, pauta prioritária de Fachin,
como única maneira de preservar a relação de confiança nos tribunais com o
estabelecimento de padrões de prevenção contra o risco de rompimento desta
relação.
As mensagens, antecipadas pelo Estadão e depois
confirmadas pelo levantamento do sigilo do relatório, revelam não apenas a
natureza do contrato firmado pelo escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa
do ministro, como a participação de Moraes em sua elaboração e execução. As
investigações do inquérito relatado pelo ministro André Mendonça revelarão se
há procedência nos indícios de prevaricação, obstrução de justiça, tráfico de
influência e corrupção passiva.
Os indícios, até aqui, de que esses crimes
possam ter sido cometidos derivam da mensagem em que Vorcaro indaga Moraes se
deveria sair do país, dois dias antes de, efetivamente, tentar fazê-lo, dos
pedidos para que o PGR e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues,
o protejam, que não se sabe se foram acatados. Vorcaro pede ainda que o
ministro interceda junto ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para
que sejam autorizadas transações para salvar o Master de uma liquidação.
O levantamento do sigilo do relatório da
Polícia Federal inviabiliza uma trégua e coloca a disputa entre as alas do
Supremo Tribunal Federal num patamar inédito de tensão a pouco mais de um mês
do primeiro turno das eleições presidenciais.
O documento da PF trouxe a participação do
ex-ministro das Comunicações do governo Jair Bolsonaro, Fábio Faria, na
aproximação entre Vorcaro e Moraes. No governo e na campanha do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, porém, não houve comemoração. Foi na casa de Moraes, há
menos de um mês, que Lula celebrou o pacto com o presidente do Senado, pela
votação das PECs do fim da jornada 6x1 e da segurança, cruciais à sua
reeleição.

😏😏😏
ResponderExcluir