O Globo
Até aqui, pesquisas mostram que aproximação entre petista e Flávio Bolsonaro se dá mais por desgaste do candidato do PL na margem de erro
Os jovens tomaram as ruas, os influenciadores
de esquerda tomaram as redes, o presidente e o vice aprenderam a fazer vídeo
selfie, a caneta sem tinta foi trocada por um carregamento de outras novinhas
em folha do primeiro para o segundo turno, mas Lula pouco ou nada se moveu nas
pesquisas.
A aproximação registrada da semana passada para esta se deveu, antes à perda de fôlego de Flávio Bolsonaro, na margem de erro, que a uma lufada de otimismo com o governo e com a perspectiva de um quarto mandato para o petista, e esses são aspectos cruciais para a virada inédita que ele precisa alcançar.
Cientistas políticos e especialistas em
destrinchar pesquisas são unânimes em apontar, desde o início desta atribulada
corrida eleitoral, a excentricidade de um incumbente conseguir permanecer no
cargo se o saldo entre aprovação e rejeição a seu governo for negativo.
Quaest e Datafolha desta semana atestam que,
entra medida, sai medida, Lula mantém o ponteiro dessa equação no vermelho, num
sinal bastante tangível de cansaço sistêmico e não atacável na base de anúncios
cada vez mais aleatórios e claramente eleitoreiros.
A aproximação entre ele e Flávio parece
resultar, neste momento, mais do temor com a avalanche de direita que saiu das
urnas no dia 4 e com o que ela pode significar em termos de poder nas mãos da
família Bolsonaro — com seu conhecido histórico de tentar fazer passar a boiada
em áreas como meio ambiente, cultura, direitos civis, liberdade de imprensa e
limites democráticos — do que de uma percepção tardia de que o governo é bom,
mas a população não sabia valorizar.
Nenhum dos dois levantamentos conseguiu captar
a tempo um potencial efeito da aprovação do fim da escala de trabalho de seis
dias por um de descanso, conjugado à redução da jornada de trabalho semanal
para 40 horas, mas é preciso frisar que outras políticas públicas, mesmo
voltadas a um público maior, como a reforma do Imposto de Renda, não foram
capazes de produzir efeito duradouro numa aprovação de governo que oscila em
patamares abaixo de 50% há mais de um ano.
A rejeição a Lula segue colossal, em patamar
de igualdade com a de Flávio, é verdade, mas quem tem a iniciativa da agenda
neste momento, justamente por estar na cadeira, é o presidente, e esse excesso
de movimentação, além de evidenciar a completa abolição de limites no recurso
ao cargo e aos cofres para reverter a desvantagem eleitoral, não parece
devolver ao petista aquilo que ele foi perdendo ao longo dos últimos quatro
anos: a capacidade de acenar a certos grupos da população com um projeto claro
de futuro para o país.
Nada disso significa que a eleição esteja
definida, e que a vitória no Senado não possa significar, finalmente, a
percepção de que Lula tem mais condições históricas e políticas de promover
mudanças incrementais de fundo na vida dos trabalhadores. Isso pode ser
facilitado se Lula e o PT souberem contar de forma didática a lamentável
desfaçatez de Flávio e seus aliados, que deram um cavalo de pau em tudo o que
diziam sobre o fim da escala 6x1 enquanto prometiam ao pé do ouvido dos
empregadores que era tudo teatrinho e depois reverteriam a mudança.
Mas, como se sabe, o tempo do segundo turno é
curto, e, numa disputa em que o eleitor todo dia tem de fazer uni, duni, tê
para escolher quem é o menos pior, qualquer lance pode ser decisivo. As
entrevistas iniciadas ontem na TV Globo e os debates da emissora, na
antevéspera do pleito, e da Band, domingo agora, tendem a funcionar como
tira-teima para que o eleitor faça essa que parece cada vez mais uma escolha de
Sofia.
Será a chance de Lula galvanizar a
experiência, a lufada de energia que recebeu dos jovens, o legado e o temor com
a volta dos Bolsonaros ao poder para sair do lugar em que está estacionado, a
despeito de tanta energia despendida, e vencer por pouco, contrariando uma
escrita de todas as eleições disputadas em segundo turno desde a
redemocratização.

Esse vale tudo do lula do pt se exitosa terá consequências drásticas no plano fiscal a curto prazo e na democracia a longo prazo. Luiz Roberto
ResponderExcluirTudo que o Tariflávio tem é seu sobrenome... Mas este será também o motivo da sua derrota! Tariflávio + GENOCIDA = rejeição pelo eleitor!
ResponderExcluirO presidente Fernandez da Argentina fez exatamente o contrário do brasil na pandemia e jogou a população numa pobreza enorme, ficou um ano mendigando $ ao lula do pt, não concorreu a reeleição ee depois descobriu que batia na mulher. Lembrando Lewandowski dando canetada mandando comprar vacina russa do Putin? Luiz Roberto
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