domingo, 25 de outubro de 2026

Só à noite vai se saber o nome, por Elio Gaspari

O Globo

Continua de pé a previsão do banqueiro André Esteves: 'A eleição será 51% a 49%, só não sabemos para quem'

Debate civilizado como o da TV Globo tem algo de monótono. Tanto é assim que o momento mais eletrizante foi o último bloco, quando eles passaram a se insultar. Isso não foi consequência de uma preferência pelo baixo nível, mas resultado de um segundo debate sem ideias novas.

Esse segundo debate pode definir votos de quem não ia votar ou virar votos em branco ou nulos, mas virar de Bolsonaro para Lula (ou vice-versa), a chance é mínima.

Uma eleição esquisita, parecida com o rei Luís XVII da França, cujo reinado não houve.

Lula tratou a verdade com mais carinho do que Flávio Bolsonaro, fez muito bem em dispensar o terno de enterro do debate da Band e pareceu mais jovem. Quando sua assessoria diz que ele é teimoso, conta uma verdade. Pelo menos dez vezes ele listou realizações do seu governo, todas inúteis, salvo aquelas em que expunha a atitude anticientífica e debochada de Jair Bolsonaro durante a pandemia (700 mil mortos).

Terminado o ciclo de pesquisas e debates, o resultado da eleição é imprevisível, e o eleitor sabe o que não quer, como sabia em 1989. Então, não queria Lula. Noves fora o desastre da pandemia, Flávio Bolsonaro subscreve as políticas do governo de seu pai.

Passada quase uma década, os ponteiros estão no mesmo lugar, como se o tempo estivesse congelado. A direita refinou-se, mas é a mesma, a começar pelo sobrenome. Basta dizer que Flávio Bolsonaro aceita a escala 5x2, enquanto em 2018 o candidato a vice da chapa do capitão atacava o 13º salário. Afora esse detalhe, a eleição de 2026 é como se não tivesse existido. Um candidato é o mesmo e o outro é o filho do derrotado que tentou dar um golpe e acabou preso.

Previsão eleitoral

Na tarde da última quinta-feira saiu mais uma pesquisa do Datafolha. Deu 50% x 50%.

Continua de pé a previsão do banqueiro André Esteves: “A eleição será 51% a 49%, só não sabemos para quem.”

O derrotado

O grande derrotado da campanha eleitoral foi o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com suas decisões monocráticas escalafobéticas.

Fica ressalvado o papel do corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, que evitou maiores desastres.

Duas bolas de ferro

Contados os votos, Lula e Flávio se deram conta de que, para um, a blindagem de Lulinha e, para outro, o estilo debochado usado no debate da Band foram más ideias, produzidas pela onipotência.

A vida na Wikipédia

Saiu nos Estados Unidos “The Last Best Place on the Internet: A Human History of Wikipedia” (”O Último Melhor Lugar da Internet: Uma História Humana da Wikipédia”), do jornalista Richard Cooke. Conta a história do sucesso da enciclopédia eletrônica Wikipédia, uma ideia improvável que entrou na internet em 2001 e se transformou num dos maiores acervos de informações do planeta.

Uma enciclopédia grátis, que viria a ser editada em 300 idiomas, alimentada por voluntários. Sem patrocinadores, parecia ser coisa de algum doido, intoxicado pelas leituras da escritora libertária russo-americana Ayn Rand (1905-1982).

A Wikipédia tornou-se a maior enciclopédia produzida pelo gênero humano, com 7,2 milhões de artigos e 278 mil editores. Lê-los levaria 20 anos, sem uma hora de sono. Seu site recebe 508 milhões de visitas por dia. É o triunfo do caos produzido por uma coletividade.

As enciclopédias apareceram no século XVIII, mas em 1945 o cientista americano Vannevar Bush, um visionário da sociedade digital, imaginou uma cápsula do tamanho de uma caixa de fósforos, vendida ao preço de um jornal, com o conteúdo da Encyclopaedia Britannica. Em 1990, a Britannica vendeu 100 mil edições nos Estados Unidos. Seis anos depois, vendeu seis mil. Ela mantém sua relevância na rede, de graça, como a Wiki.

A Wikipédia não foi a primeira enciclopédia eletrônica, também não teve um pai perfeitamente identificável, nem produziu bilionários. Ela saiu do caos, de graça. Cooke ensina que um fenômeno como a Wikipédia nasceu da fertilidade do terreno da cultura dos Estados Unidos.

Recordar é viver

Passados seis anos, o trabalho de três repórteres (João Batista Jr., Ana Clara Costa e Breno Pires) mostrou as alavancas que moviam as mutretas das compras de vacinas para a Covid.

Em julho de 2020 morria uma pessoa por minuto. No dia 17 daquele mês, os empresários Danilo Berndt Trento e Francisco Maximiano, diretor institucional e dono da Precisa Medicamentos, saíram com o senador Flávio Bolsonaro num passeio de lancha pelo lago Paranoá, em Brasília. Os dois diziam representar o laboratório indiano Bharat Biotech, responsável pelo desenvolvimento da vacina Covaxin, e queriam fechar um acordo com o governo de Jair Bolsonaro para produzir vacinas para o Brasil. Para enfeitar o passeio, incluíram três garotas de programa e mimaram o senador com um Rolex em tom prateado.

O passeio não parece ter rendido contratos. Só em janeiro o governo se interessou pelas vacinas da Precisa, e a indiana Bharat Biotech voltou ao radar.

Nesse momento, reaparece o senador Flávio Bolsonaro e desponta o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

A transação ganhou um novo formato, com novos personagens. As vacinas seriam 33 milhões, da Oxford/AstraZeneca, cacifadas por 12 grandes empresas. Metade iria para os funcionários dos patrocinadores e metade para o SUS.

Nove integrantes do consórcio saíram do grupo logo que ele foi anunciado. Pudera, cada vacina custaria US$ 23,79, quatro vezes superior aos US$ 5,25 do mercado, a conta não fazia sentido, nem era explicada.

Essa foi a única operação de compra de vacinas prontamente apoiada pelo presidente Jair Bolsonaro.

Havia gato naquela tuba e não se falou mais no assunto. A essa altura os mortos eram 226 mil.

Sensacional

Defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro chamou de “sensacionalismo” o noticiário que tratou da contratação de mulheres para as festas que ele organizava. Nelas, os convidados não podiam entrar com celulares.

A Polícia Federal (PF) já pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o assunto seja investigado.

Passada a campanha eleitoral, será difícil segurar o tema.

Afinal, são conhecidos os nomes dos encarregados do recrutamento das senhoras, e o próprio Vorcaro admitiu que se valia do encanto feminino para amolecer poderosos corações: “Esse é meu business”.

Eremildo, o idiota

Eremildo é um idiota, acredita em todas as promessas dos candidatos e nas suas declarações de bens.

Um comentário:

  1. o povo já não aguenta mais bye bye PT a mudança está chegando só não enxerga quem não quer até a Datafolha teve que se curvar a realidade Flávio 52 Lula 48 e vai ser muito mais do que isso , sabemos todos nós que no final as pesquisas puxam sempre pro lado da esquerda , do Lula

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