O Estado de S. Paulo
Os ventos são contra Lula, mas ele parece não entender que o problema não é Flávio, é a onda da direita
A onda é a favor de Flávio Bolsonaro e contra
Lula, que encontra condições de tempo e temperatura bastante desfavoráveis para
atravessar o segundo turno com chance de vitória. Hoje, já se pode fazer o que
não foi possível no fim do primeiro turno: apontar um favorito, que é Flávio.
A Flávio, basta não cometer erros. Para Lula ter chance de mais um mandato, é preciso acertar nas estratégias e nos aliados e alvos num ambiente hostil – e com o tempo correndo contra. Imagine-se o clima na campanha de Lula, envolvida em decepção, desânimo e troca de acusações.
Não é lenda, é real que nenhum candidato que
chegou em segundo lugar no primeiro turno conseguiu uma reviravolta espetacular
no segundo e vencer. Lula seria o único a conseguir a façanha desde a
redemocratização, mas nada indica que tenha o que sacar da cartola a tempo de
mudar o jogo até o dia 25.
Flávio tem um ambiente nacional e
internacional favorável à direita (não a liberal, mas a extrema) e, além dos
ventos a seu favor no segundo turno, já tem condições bem melhores do que Lula
para governar e impor sua visão de mundo e de país.
Cercado por derrotados, inclusive na fala
após o primeiro turno, em que todos fingiam estar leves e felizes (felizes com
o quê?), Lula vai para a guerra do segundo turno contra um exército cheio de
gás: cinco governadores e 121 deputados eleitos pelo PL, mais a futura bancada
de 28 senadores do partido, todos embalados pelo cansaço do PT.
A votação em Estados e municípios já foi
desoladora para Lula e o PT. A tendência natural dos eleitores dos derrotados
não é Lula. O mundo financeiro já deu seu recado, com a disparada da Bolsa e a
queda do dólar com Flávio à frente. E a direita internacional, em ascensão na
Europa, EUA e América Latina, está em festa.
No domingo, Lula confirmou que não está
entendendo nada, ao repetir seus méritos na área social, bem conhecidos, e os
envolvimentos de Flávio com milícias, Vorcaro e “outras cositas más”, também já
sobejamente conhecidos. Se nada disso afetou 47% dos eleitores até agora, por
que afetaria em três semanas?
Lula não preparou um sucessor, não criou
horizontes para o PT nem mesmo arejou sua marca, suas ideias, seu time, suas
falas. Como José Dirceu, Gleisi Hoffmann, Benedita da Silva e a própria Marina
Silva, um ícone brasileiro no exterior, virou passado.
A derrota de Flávio no dia 25 será dele, mas
o bolsonarismo é forte e se articula para dominar Executivo, Legislativo e
Judiciário. Já a derrota de Lula será não só dele, mas do PT, da esquerda, de
princípios e avanços civilizatórios conquistados com muito custo. Ou seja, de
uma era.

o choro é livre Eliane O Chororó já começou
ResponderExcluirAgora o jornalistas vão começar , os esquerdista é claro, a ser oposição ao Flávio
Vai ser divertido ver vocês pulando que nem pipoca no fogo quente