quinta-feira, 7 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Supremo tornou-se comitê de acerto de contas políticas

Por Folha de S. Paulo

Ação contra Malafaia se soma a outras e mostra que qualquer crítico pode cair na teia repressiva da corte

Ao perseguir quem os questiona, alguns ministros flexibilizam garantias constitucionais como direito à expressão e ao juiz natural

Houve um tempo em que os brasileiros podiam contar com a ortodoxia do Supremo Tribunal Federal na defesa de direitos básicos, como o de livre expressão e crítica e o de não ser submetido a arbitrariedades por agentes do Estado.

As barbaridades de analfabetismo constitucional vinham de outros lugares, mas eram corrigidas na corte. Agora, extravagâncias partem do próprio tribunal.

O julgamento que converteu o pastor Silas Malafaia em réu, sob a acusação de injuriar os generais do Alto Comando do Exército, é apenas o exemplo mais recente de que as garantias civis podem ser flexibilizadas quando a motivação é acertar contas com adversários políticos de ministros.

A crise é séria, mas não institucional, por Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Eleitor vota em presidente de esquerda, mas no Legislativo escolhe a direita

Esquerdas sempre foram minoritárias nas duas casas legislativas federais

Na semana passada, o Senado rejeitou a indicação do presidente Lula para uma vaga no Supremo Tribunal Federal; no dia seguinte, o Congresso derrubou os vetos do Planalto ao PL da Dosimetria. Esses dois fatos, somados à erosão do prestígio da corte e à crispação pré-eleitoral, avivaram o perene debate sobre as instituições da República e a necessidade de reformá-las.

O trabalho infantil do Zema, por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Ex-governador de Minas ajuda Flávio Bolsonaro a parecer mais palatável ao eleitorado

Zema já criticou restrições ao trabalho infantil e chamou beneficiários do Bolsa Família de imprestáveis

O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) está fazendo um ótimo trabalho para que Flavio, o outro presidenciável que já foi denunciado por rachadinha e elogiou milicianos como um "novo tipo de policiamento", pareça palatável quando não o é. Zema tem defendido posições extremistas em sua pré-candidatura à presidência que fazem qualquer Delfim Moreira, presidente entre 1918-1919 que tinha fama de ter alucinações, parecer um político são e equilibrado.

Advogados da União querem permissão para fazer bico no setor privado, Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Carreiras jurídicas federais poderão advogar no setor privado caso projeto avance no Congresso

Querem o melhor dos mundos, com mais privilégios

Um abre alas geral e institucionalizado para o popular bico no trabalho. É o que querem os advogados da União, procuradores da Fazenda Nacional, procuradores federais e procuradores do Banco Central.

Os servidores dessas carreiras jurídicas federais poderão advogar no setor privado, fora das suas atribuições funcionais, caso a tramitação de um projeto, aprovado nesta semana na Comissão de Constituição e Justiça, avance no Congresso.

Querem o melhor dos mundos dos setores privado e público.

Não se irrite; fale do seu, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Essas frases não são minhas, quisera eu: são de Arthur Mühlenberg, grande torcedor do Flamengo

Mühlenberg nos deixou em abril; ficará sem ver o que o Flamengo ainda nos reserva pela eternidade

Esta coluna se compõe de frases sobre o Flamengo. Se você for Flamengo, vai adorar. Se não for, não se irrite atacando-o —em vez disso, fale das maravilhas do seu clube.

"A vida é aquilo que acontece entre dois jogos do Flamengo." "Gosto de pensar que a célula rubro-negra original já estava presente quando eu era apenas um homozigoto. Mas me lembro vagamente de algumas emoções flamengas enquanto eu ainda boiava em semiconsciência no líquido amniótico no útero da mamãe." "A grandeza do Flamengo transcende meros patrimônios imobiliários. O Flamengo tem o Maracanã, do qual ocupa 80% de sua capacidade há décadas, a Inter de Milão e o Milan não têm estádios próprios. Já o Chievo e o Siena têm. Você acha que alguém em Milão se preocupa com isso?"