As políticas de juros dos bancos centrais
estão no cerne dos mercados financeiros. Movem preços de todos os ativos,
provocam ganhos e perdas, transferem riqueza, estimulam ou desestimulam a
economia. Não surpreende que estejam submetidas a todo tipo de pressões
políticas.
Depois de dois anos de duras críticas à
política de juros do Banco Central, Lula indicou Gabriel Galípolo para a sua
diretoria em 2023. Houve quem achasse que poderia haver uma inflexão na
política do BC. No entanto, nada mudou. Nas primeiras reuniões do comitê de
política monetária, o Copom, a decisão foi sempre por manter ou até mesmo
elevar os juros. Galípolo era apenas uma voz entre os nove diretores membros do
comitê — nada poderia fazer para rever a política em curso, alegaram os que contavam
com ele para reduzir os juros.
Alçado à presidência do BC no início de 2025, esperava-se que Galípolo tivesse autoridade para finalmente dar início a uma queda consistente até uma taxa compatível com as internacionais. Mais uma vez, não foi o que ocorreu. Ao contrário, com Galípolo na presidência, o BC continuou a elevar os juros. A taxa real de juros é da ordem de 10% ao ano, insustentável quando a economia cresce a menos de um terço disso. Lula, e também Haddad no Ministério da Fazenda, não deixaram de demonstrar discordância em relação aos juros excessivos, mas nunca fizeram críticas abertas a Galípolo na presidência do BC.
