quarta-feira, 13 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Cúpula entre Xi e Trump terá na IA um tema estratégico

Por O Globo

Não há discussão sobre Taiwan ou terras-raras que possa passar ao largo do futuro da tecnologia

Quando os líderes das duas superpotências globais se reúnem, todo o planeta é afetado. Na agenda do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping na China a partir de amanhã, estarão temas inescapáveis, como o tarifaço americano ou a reabertura do Estreito de Ormuz no Oriente Médio. Qualquer consenso em torno dessas pautas teria efeitos econômicos benéficos, em especial o arrefecimento das pressões inflacionárias mundiais. Há também temas de interesse específico para o Brasil, como a possibilidade de, em troca de alívio tarifário, os chineses comprarem mais soja e carne dos americanos, em prejuízo dos brasileiros. E há, por fim, temas estratégicos, com impacto talvez menor no presente imediato, mas relevância maior num futuro não tão distante. É o caso da inteligência artificial (IA).

O exemplo Lula, por Cristovam Buarque*

Correio Braziliense

Lula tem sido um raro exemplo de líder que tenta defender ao mesmo tempo os desejos e valores específicos do Brasil sem ignorar os compromissos humanistas com o mundo inteiro

O mapa-múndi não é mais a soma de países independentes, cada um com a própria cor; a globalização transformou cada país em um pedaço do mundo, com interesses entrelaçados. Mas a política continua por país. Os líderes ficam perplexos porque seus países são pedaços do mundo, seus habitantes vivem problemas globais, mas seus eleitores continuam nacionais na defesa dos interesses do seu país no presente. Embora estejam entrelaçados pela crise ecológica, pressão demográfica e drama social, seus líderes não têm propostas que atendam aos interesses específicos de seus eleitores e ofereçam solução para os problemas globais. Diferentemente do que ocorria até algumas décadas atrás, a democracia nacional hoje se opõe ao humanismo planetário. A Europa se adaptou ampliando suas fronteiras formando a Comunidade Econômica Europeia, mas tratando os habitantes dos demais países como imigrantes indesejáveis, como se fossem invasores. Ao unirem-se, isolaram-se para atender aos desejos dos eleitores europeus, em detrimento dos seres humanos do restante do mundo. 

Alcolumbre não vai a anúncio do plano de segurança e frustra Lula, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O litígio entre os dois se acirrou com a rejeição do nome de Jorge Messias para uma vaga no STF, articulação liderada pelo próprio presidente do Senado

A ausência do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), no lançamento do programa “Brasil Contra o Crime Organizado”, no Palácio do Planalto, frustrou as expectativas do presidente Luiz Inácio da Silva de que pode haver uma agenda de colaboração entre o Palácio do Planalto e o Senado, que cicatrize as feridas da rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Essa foi a maior derrota Lula no Congresso.

Durante o lançamento, ao lado do presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), Lula não deixou por menos: “O dia que o Senado aprovar a PEC da Segurança, nos próximos dias, nós criaremos Ministério da Segurança Pública neste país”, afirmou. Lula mencionou, também, que sempre se opôs à criação de um Ministério da Segurança Pública sem que antes fosse definido o papel do governo federal na área.

Lula acelera medidas de última hora, por Vera Magalhães

O Globo

Presidente atira para todos os lados em busca de popularidade, mas pacote improvisado terá de vencer cansaço mais profundo demonstrado pelo eleitor

Com a água subindo perigosamente ao casco do navio, Lula resolveu acelerar ideias que estavam tempo demais em gestação para turbinar simultaneamente a avaliação de seu governo e suas chances eleitorais. No curso de pouco mais de uma semana, saíram o novo Desenrola, um plano de combate ao crime organizado com injeção de R$ 11 bilhões e, como bônus, o fim da “taxa das blusinhas”.

São medidas que apontam para todo lado, diferentemente do receituário de última hora adotado por Jair Bolsonaro em 2022. Este apostou quase unicamente em iniciativas populistas de repasse de renda e concessão de benefícios tributários, furando o teto de gastos e contrariando até vedações da lei eleitoral (que proíbe alguns repasses em período de campanha) — depois, trechos da PEC Kamikaze, que aprovou a derrama com votos até da esquerda, foram considerados inconstitucionais.

Bactéria no gargalo, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Políticos atacam Anvisa e fazem discurso anticiência em busca de engajamento e voto

O vídeo circula desde domingo, impulsionado por perfis de extrema direita. Um homem de boné e camiseta bebe um frasco de detergente até a última gota. Suga o líquido com vontade, como se matasse a sede após atravessar o deserto. Em seguida, vira-se para a câmera e faz um gesto obsceno. “Aqui para você, petista”, provoca, exibindo o dedo médio.

O detergente é da marca Ypê, que teve a fabricação suspensa na semana passada. A decisão foi da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que apontou risco de contaminação num lote inteiro de produtos de limpeza. Para os bolsonaristas, tudo não passou de um complô. O objetivo seria prejudicar a empresa, cujos donos doaram R$ 1,5 milhão à campanha do capitão em 2022.

Atritos no início da reforma tributária, por Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Penduricalhos inseridos na regulamentação pós-reforma inviabiliza o drawback, regime que vinha funcionando bem desde 1961

O mundo dos tributaristas, contadores e administradores tributários ferve após a publicação dos regulamentos dos novos tributos sobre o consumo, o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), no fim de abril. Pelo menos dois pontos de preocupação já emergiram: drawback suspensão e utilização dos créditos tributários. Além disso, já há decisões judiciais colocando em xeque pontos da legislação do novo sistema.

A âncora das contas externas, por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

A melhora das contas externas virou um diferencial da economia do País em meio à guerra no Irã

As contas externas passaram a ser uma das principais âncoras da economia brasileira desde que a guerra no Irã aumentou a tensão nos mercados globais, fazendo disparar os preços do petróleo e de outras matérias primas. Com uma das taxas de juros mais elevadas e um dos mais baixos déficits em conta corrente entre os países emergentes, o Brasil atraiu um grande fluxo do capital estrangeiro em busca de refúgio, em meio à turbulência geopolítica, levando à valorização do câmbio.

Sobre política e politicagem, por Roberto DaMatta*

O Estado de S. Paulo

Quero novamente ressaltar o dilema do formalismo bacharelesco que marca o campo político brasileiro; tal como ele é conceituado pela IA, em sua capacidade extracorpórea de ser uma excepcional máquina pensante.

A inteligência artificial define política como “o conjunto de práticas, decisões e ações utilizadas para organizar, governar e administrar sociedades, visando ao bem comum, a mediação de conflitos e a distribuição de poder. Originada do grego polis (cidade), refere-se à gestão da vida coletiva, elaboração de leis e definição de rumos para a comunidade”. Beleza, mas a sua prática – a nossa conhecida politicagem – é qualificada por dois malditos apêndices: crise e corrupção.

Como o detergente e a inflação afetam as campanhas eleitorais de Lula e Trump, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Preços comem os salários nos EUA e ameaçam maioria dos republicanos no Congresso

Preferências políticas por vezes delirantes afetam modo de enxergar a situação da economia

O salário médio nos Estados Unidos perdeu para a inflação nos últimos 12 meses, o que não acontecia desde meados de 2023. Quer dizer, o poder de compra diminuiu.

Em novembro, haverá eleição nos EUA. Em outubro, no Brasil. Os preços aumentam também por aqui. O salário médio, no entanto, cresce 5% mais do que a inflação, ao ano. Mesmo assim, a situação de Lula 4 é periclitante. Está evidente desde o segundo ano de Lula 3 que as melhoras econômicas não influenciam o voto de muita gente ou são relativas.

Clamor por CPI do Master tem intenções ocultas, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

É de se desconfiar do súbito empenho suprapartidário para levar as investigações para o palco do Parlamento

Quanto mais se espalha a lama na arena política, menor a chance de um campo ideológico ficar no prejuízo

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) é o mais graúdo, mas não deve ser o único peixe do Congresso a cair na rede da Polícia Federal na investigação do caso Master. O próprio Daniel Vorcaro confirmou em depoimentos e mensagens no celular como era ampla sua influência no mundo político.

Questão de tempo, portanto, que apareçam outros a criar embaraços partidários. E, talvez, suprapartidários. Quanto mais gente estiver envolvida, quanto mais ideologicamente ecumênico for o alcance dos atingidos, menor a chance de que esse ou aquele campo político em disputa arque com o prejuízo na eleição.

A alforria do olhar a partir das favelas do Rio, por Denise Mota

Folha de S. Paulo

Experiências e projetos em comunidades cariocas ocupam papel central na revista aMARÉlo

Combate a estereótipos pontua série sobre Carlinhos Brown e seu Candeal em Salvador

Eu não sabia que há quase 15 anos um homem pedala pelas ruas da Maré levando cinema para crianças em vários rincões da favela —a partir de um projetor doado e de potes de óleo de cozinha usados que ele recicla para vender e manter o projeto.

Eu também não conhecia a obra de Albarte, jovem e instigante artista plástico que mora em Guadalupe, na Zona Norte do Rio, e que tece sua criação em consonância com o território que habita. Eu não sabia. Eu não conhecia. Estava fora do radar.

Em meio ao barulho permanente das redes sociais que parecem falar sempre das mesmas coisas —de comentários vazios sobre reality shows a análises catastrofistas do noticiário ou métodos milagrosos para rejuvenescer, emagrecer ou ascender espiritualmente em suaves prestações—, voltar a maravilhar-se com histórias reais e diversas não é pouca coisa.

História e Memória; Sociedade e Estado, por Ivan Alves Filho*

Minha visão sobre alguns episódios centrais da vida brasileira do século XX se formou a partir de uma série de contatos e encontros que mantive com determinadas pessoas e isso se deu quase sempre por intermédio de laços familiares, ao menos no início da minha vida. Mais uma vez, a experiência é fundamental, e tudo que fazemos depois, como o ato de escrever, parte dela. “Saber sentir, saber ver, saber dizer”, destacou certa vez Monteiro Lobato.