sábado, 16 de maio de 2009

“A sociedade não deseja esse debate”, insiste o governador

Gilvan Oliveira
DEU NO JORNAL DO COMMERCIO (PE)

PT X PT

Mesmo em tom mais diplomático, após a nota do PSB, Eduardo, em mais um recado aos petista, reafirma que só trata de 2010 em 2010

Pelo menos em público, o governador Eduardo Campos (PSB) ignora a turbulência interna do PT em Pernambuco, que ameaça contagiar sua base política. Ontem, em Porto de Galinhas, onde participou de um debate sobre a formação de novos quadros políticos, evento apoiado pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Eduardo reafirmou que vai manter a estratégia de discutir a sucessão estadual só em 2010. “Não vou alimentar um debate que a sociedade não deseja”, desconversou. E mesmo não tratando do assunto abertamente, ele aproveitou para deixar um recado velado aos aliados. “A estratégia que adotamos é a correta, tem dado certo até aqui e vai continuar dando certo. Vamos tratar 2010 em 2010. Minha tarefa agora é ganhar 2009 para Pernambuco”, comentou.

O tom diplomático de Eduardo contrasta com a nota do PSB e as declarações do presidente da Agência Reguladora de Pernambuco (Arpe), Ranílson Ramos, anteontem. De forma dura, ambos enfatizaram a posição de Eduardo como condutor da sucessão estadual, uma clara tentativa de estancar a celeuma iniciada no PT. “Se alguma liderança política quiser a esse fato se contrapor, abrir agora o debate e exigir a antecipação de nomes à vice-governadoria ou às vagas ao Senado, que vá em frente. Mas é conveniente que também tenha um nome ao governo do Estado para apresentar, porque o governador não entra nesse jogo e não alimentará a ansiedade de quem quer que seja”, afirma a nota do PSB.

A mais recente crise interna do PT atingiu o ápice na última terça-feira. Incomodado com a suposta falta de respaldo ao seu projeto eleitoral, o ex-prefeito do Recife João Paulo (PT) anunciou a retirada de sua postulação a candidato a senador na chapa encabeçada por Eduardo, candidato natural a reeleição. João Paulo queixou-se do partido que, em vez de defender já seu nome ao Senado, abria um debate “extemporâneo” sobre uma possível troca do candidato a vice-governador, de João Lyra (PDT) por um petista. O fato foi cogitado pelo presidente estadual do PT, Jorge Perez, ligado ao secretário estadual das Cidades, Humberto Costa.

Antes de qualquer indicação por candidatura, o epicentro desta crise está na briga de correntes internas do PT pela hegemonia no partido: um grupo resiste ao avanço do outro. De um lado, a ala Construindo Um Novo Brasil (antiga Unidade na Luta), liderada por Humberto Costa, do outro, a Articulação de Esquerda, ligada a João Paulo. Enquanto o ex-prefeito busca consolidar-se já como candidato ao Senado, integrantes da corrente interna ligada a Humberto resistem à antecipação desse projeto e tencionam encaixar um petista como vice de Eduardo, o que inviabilizaria as pretensões de João Paulo.

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