sexta-feira, 12 de junho de 2009

FMI e Bird: economia só melhora em 2010

Washington, Santiago e Londres
DEU EM O GLOBO

As medidas de estímulo à economia adotadas por diversos países desde o agravamento da crise financeira, em setembro do ano passado, farão o mundo crescer mais em 2010. O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou sua estimativa de expansão global para o próximo ano, de 1,9% para 2,4%. Mas, para este ano, as previsões não são animadoras: o Banco Mundial anunciou ontem que espera recuo de 3% na economia mundial, enquanto a previsão anterior era de -1,75%.

Fôlego após o baque

FMI prevê expansão maior da economia global em 2010, mas Bird eleva projeção de recuo a 3% este ano

Estimativas de dois organismos internacionais mostram que o ano de 2009 está perdido, mas que o mundo voltará a suspirar em 2010. O Banco Mundial divulgou ontem uma projeção mais pessimista para a economia internacional este ano: contração de 3%, ante previsão anterior de 1,75% anunciada em março. Já o Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para cima sua estimativa de crescimento para o próximo ano, de 1,9% para 2,4%. A maior rapidez na recuperação, segundo o Fundo, deve-se às medidas de estímulo fiscal adotadas por diversos países desde o agravamento da crise financeira, em setembro passado.

Os novos prognósticos vêm à tona um dia antes da cúpula dos ministros de Finanças do G-8 (que reúne os sete países mais ricos do mundo mais a Rússia), que acontece até domingo em Lecce, na Itália, e que vai discutir os rumos da economia mundial.

No comunicado divulgado ontem pelo presidente do Banco Mundial (Bird), Robert Zoellick, não há detalhes das razões que levaram a instituição a rever estimativas. É ressaltado apenas que os países pobres e emergentes vêm sendo os mais atingidos pela crise global. "Embora a previsão seja de retomada do crescimento ao longo de 2010, o ritmo é incerto, e os pobres em muitos países em desenvolvimento vão continuar a ser castigados", disse Zoellick na nota. Ele disse ainda que esses países enfrentarão perspectivas cada vez mais sombrias, a não ser que a queda em exportações, remessas e investimentos estrangeiros diretos seja invertida até o fim de 2010.

Menos 1 milhão de empregos na AL
Um dos sinais do forte impacto da crise sobre os países menos desenvolvidos tem sido a retração do mercado de trabalho. Ontem, a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) apresentaram relatório em que mostram o crescimento da taxa de desemprego urbano em nove países da região para 8,5% no primeiro trimestre de 2009. O índice estava em 7,9% um ano antes. Isso significa que mais de um milhão de vagas foi fechado em apenas três meses. De acordo com o boletim, a taxa média anual de desemprego na região subirá para uma faixa de 8,7% a 9,1%.

No mundo desenvolvido, o panorama não é menos desanimador. Ontem, o Japão confirmou que enfrenta sua pior recessão desde a Segunda Guerra Mundial. O Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos) japonês recuou 3,8% no primeiro trimestre, ligeiramente inferior à leitura preliminar de 4%. Anualizada, a queda foi de 14,2%, ante o percentual de 15,2% anunciado mês passado.

Apesar do cenário sombrio para 2009, o FMI já está apostando em uma recuperação mais forte em 2010, segundo uma fonte da agência de notícias Reuters que teve acesso a um relatório com números atualizados. O documento - no qual o crescimento da economia mundial foi revisado de 1,9% para 2,4% - foi elaborado para a cúpula do G-8. "Para 2010, os dados do FMI sugerem uma melhora dos EUA, ao lado de um pequeno aumento da estimativa para a Europa", disse a fonte. Em abril, o FMI previa que o PIB dos EUA teria crescimento nulo ano que vem e o da Europa, contração de 0,4%. Para 2009, o FMI manteve sua previsão de queda de 1,3% da economia mundial.

Um dos indícios de que o rumo da economia começa a mudar de direção é que a Agência Internacional de Energia revisou para cima, pela primeira vez em dez meses, sua projeção de demanda global de petróleo para este ano, embora tenha mantido perspectiva de queda em relação a 2008: o recuo de 2,47 milhões de barris por dia ante a anterior de 2,56 milhões. A notícia fez o barril de petróleo leve americano subir 1,89% na Bolsa de Nova York, para US$72,68.

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