quarta-feira, 29 de julho de 2009

PSDB denuncia Sarney, e PMDB ameaça retaliar

Isabel Braga e Maria Lima
DEU EM O GLOBO

Tucanos entram com representações no Conselho de Ética contra presidente do Senado; peemedebistas atacarão Virgílio

BRASÍLIA. O PSDB entrou ontem com três representações no Conselho de Ética do Senado contra o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), pedindo a investigação de denúncias como desvios de verbas da Fundação Sarney e sua atuação para empregar parentes e amigos. A medida abriu uma guerra, e o PMDB contra-atacou, ameaçando também ir ao Conselho de Ética contra os tucanos, especialmente contra o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), sob a acusação de manter no gabinete um funcionário fantasma.

— Comuniquei ao Sérgio Guerra (presidente do PSDB) que, se o PSDB partidarizar, entrar com representação, não há como o PMDB não fazer o mesmo.

É uma questão de reciprocidade, sobretudo em relação ao senador Arthur Virgílio. Ele confessou — disse o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL).

Até o final do dia a ação do PMDB não foi formalizada. Renan justificou: — O PMDB já decidiu. É a reciprocidade, se eles entrassem, entraríamos. Mas está todo mundo viajando.

Na véspera, Renan telefonara a Guerra e disse que é um político de conciliação. Mas ontem negou ter feito qualquer proposta de acordo. Segundo Guerra, Renan disse que queria conversar.

O tucano negou que Renan tenha ameaçado o PSDB: — Renan nunca me fez ameaça, e nem eu fiz a ele. Respeitamos o PMDB, o Senado, temos o direito de representar. Ameaça não vale nada. Não vejo outra saída a não ser o Conselho funcionar, sem tropa de choque.

A presidente em exercício do PMDB, deputada Iris de Araújo (GO), confirmou que o partido estuda ir ao Conselho, mas aguardava orientação: — Já conversei com o presidente Michel Temer hoje, e estamos avaliando. Se o PSDB entrar com as representações, e o presidente Sarney fizer uma solicitação nesse sentido, a gente tem que ouvir os integrantes do partido para decidir o que fazer.

Guerra disse que a decisão de dividir em três as representações contra Sarney levou em conta que isso permitirá, pelo rodízio, que uma das relatorias seja dada à oposição.

Virgílio já admitiu que, durante um ano, pagou os salários de Carlos Alberto Nina Neto, quando ele estudava no exterior. O tucano disse que depositou ontem, em conta do Tesouro Nacional, a primeira parcela de R$ 61 mil dos R$ 211 mil que o Senado pagou ao funcionário fantasma.

Disse ter vendido um terreno e que fará um empréstimo pessoal para quitar a dívida: — Quero que deixem de hipocrisia e venham mesmo! Estão me visando porque estou batendo.

Todo mundo que roubou! Eu não roubei, mandei um menino estudar. Agora, quem roubou vai ter que devolver carros, mansões, aviões.

O presidente do Conselho de Ética, Paulo Duque (PMDB-RJ), que já afirmou que arquivaria as representações contra Sarney, está de férias e não atende aos pedidos de entrevista.

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