domingo, 2 de agosto de 2009

Antigo Campo Majoritário volta com força no PT

Soraya Aggege
DEU EM O GLOBO

Grupo que articulou eleição de Lula é maioria na disputa interna

SÃO PAULO. As forças políticas que comandaram o PT às vésperas da primeira eleição do presidente Lula, em 2001, sob o comando do ex-ministro José Dirceu, se reagruparam para tentar fechar uma aliança nacional com o PMDB, mesmo às custas de sacrifícios nos estados, e eleger a ministra Dilma Rousseff.

Esse grupo, conhecido como Campo Majoritário, reagregou mais de 52% das forças do PT.

Por isso, o processo de eleições internas, previsto para novembro, pode não deixar margem a um segundo turno, apesar dos cinco concorrentes.

Não atropelar o PT nas alianças regionais e garantir a Dilma um plano de gestão mais voltado à esquerda é o desejo da maioria dos candidatos. Mas no programa da corrente CNB (Construindo um Novo Brasil), antiga Unidade na Luta que coordenava o Campo Majoritário, a idéia é priorizar o PMDB, fazer sacrifícios regionais e aprofundar a gestão Lula.

Não será o presidente do PT quem tomará essas decisões, mas o 4oCongresso Nacional do partido, previsto para fevereiro.

Porém, as eleições de novembro decidirão também quais forças terão mais delegados. Ou seja: o grupo do Campo já fechou maioria nesse sentido.

— Vamos dialogar com as outras forças. Agora, é importante compor maioria no PT para dar governabilidade e garantir unidade para Dilma continuar o projeto do Lula — disse um dos articuladores do grupo.

Um dos coordenadores da CNB, Francisco Rocha da Silva, nega a rearticulação: — Na verdade, estamos muito maiores, o espectro foi ampliado por parte do movimento popular. Nada a ver com 2001.

Ele diz que Dirceu é quem decidirá se assumirá um cargo de direção, caso a chapa vença: — Ele nunca deixou de ser uma grande liderança nossa.

O desejo geral é que ele volte, mas a decisão é dele.
O candidato a presidente pela CNB, o presidente da BR Distribuidora e ex-senador José Eduardo Dutra, não atendeu o GLOBO. Disse que só poderá falar do partido depois que deixar seu cargo, em duas semanas.

O segundo grupo, com cerca de 20% das forças, Mensagem ao Partido, do deputado José Eduardo Cardozo (atual secretáriogeral), defende maior protagonismo do PT no governo: — Todo governo é a síntese das forças que o sustentam. O PT tem que retomar o papel das propostas políticas. Apoiar um governo não é só aplaudi-lo.

O terceiro bloco, Articulação de Esquerda, da deputada Iriny Lopes (ES), com cerca de 15% do poder interno, prega alianças à esquerda e novo programa: — A próxima gestão deve concluir a transição, eliminar a herança neoliberal, avançar nas reformas tributária, agrária, urbana, política e da mídia — disse Iriny.

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