sábado, 3 de outubro de 2009

2016, o ano que já começou

Copenhague
DEU EM O GLOBO

Agora só faltam 7 para:

Fazer uma estação de metrô por ano

Duplicar as vagas da rede hoteleira

Despoluir a Baía e as lagoas da Barra

Construir e reformar 33 instalações esportivas


Foi uma decisão histórica e emocionante, que levou às lágrimas o presidente Lula e as mais de 30 mil pessoas que foram à Praia de Copacabana e comemoraram em clima de Copa do Mundo a conquista do Rio. Pela primeira vez, os Jogos Olímpicos serão na América do Sul, e o Brasil se juntará a EUA, Alemanha e México no restrito grupo de países que fizeram uma Copa do Mundo e uma Olimpíada em apenas dois anos. Agora os governos municipal, estadual e federal terão que trabalhar muito para tirar do papel as promessas feitas ao COI. São apenas sete anos para fazer o que não se fez em 50: renovar o caótico sistema de transportes (foram apenas duas novas estações de metrô nos últimos oito anos), duplicar para 48 mil as vagas em hotéis, modernizar a infraestrutura de segurança, despoluir a Baía de Guanabara e as lagoas da Barra, e construir e reformar 33 instalações esportivas, inclusive a Vila Olímpica. Pelé e João Havelange foram decisivos na vitória, que se mostrou até fácil: 66 votos contra 32 de Madri. Chicago foi eliminada de cara. O mercado financeiro festejou.

Depois do início difícil, uma vitória por goleada

Rio herda maioria dos votos de Chicago e de Tóquio, cidades eliminadas nas duas primeiras rodadas

Numa semana marcada por metáforas sobre o equilíbrio na disputa puta pelas Olimpíadas de 2016, ninguém imaginava que o dia terminaria com o Rio recebendo um número de votos duas vezes superior ao da segunda colocada (66 a 32) e ganhando 20 votos a cada rodada. Muito menos que essa cidade seria Madri.

Não só porque as bolsas de apostas ao redor do mundo previam uma corrida particular entre Rio e Chicago, mas também porque a lógica olímpica colocava a capital espanhola numa posição incômoda — as Olimpíadas de 2012 serão realizadas em Londres e há mais de 50 anos o COI não realiza duas edições consecutivas num mesmo continente.

O dia começou em meio à expectativa provocada pela decisão do presidente dos EUA, Barack Obama, de ir a Copenhague, o que, segundo a mídia internacional, poderia dar a Chicago um empurrão decisivo. Na apresentação de Chicago 2016, porém, o que se viu foi uma tentativa de usar o carisma de Obama e da primeira-dama, Michelle, junto aos delegados do COI.

Já na sessão de perguntas ficava claro que o COI tinha reservas em relação a pontos fundamentais do projeto de Chicago, como a decisão de realizar as provas de ciclismo a 55 km do centro nervoso dos Jogos.

Rio levou tropa de choque para Copenhague Na sabatina, nem mesmo Obama conseguiu dar uma resposta convincente a uma indagação do príncipe de Mônaco, Albert II, sobre o legado de uma quinta Olimpíada de Verão americana. O presidente dos EUA concentrou demais sua resposta na questão geopolítica, o que, nos corredores do Bella Center — o centro de convenções que serve como base do COI na Dinamarca — desagradou a alguns delegados.

Tóquio fez sua apresentação em seguida, marcada muito mais pelas tentativas japonesa de injetar paixão a seu projeto olímpico após críticas feitas pelo COI durante a avaliação das candidaturas.

O Rio levou uma tropa de choque que, diferentemente das outras candidaturas, não se limitou a atletas famosos ou dirigentes.

Da abertura feita pelo expresidente da Fifa João Havelange, aos discursos de autoridades como o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, a candidatura equilibrou paixão com um minucioso desfile de informações, tocando em pontos considerados problemáticos, como a questão da violência e dos desafios logísticos para a realização da Copa de 2014.

Filme-surpresa do Rio emociona a plateia Pareceres técnicos alternaramse com depoimentos emocionados, como o da velejadora Isabel Swan e da velocista Barbara Leôncio. Bárbara também marcaria presença no emocionante filme-surpresa que mostrava a representação humana dos anéis olímpicos nas areias de Copacabana.

O pronunciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi centrado na maturidade do Brasil e na ausência de uma edição sul-americana dos Jogos Olímpicos.

— Somos a décima economia do mundo e ainda não sediamos os Jogos Olímpicos. Para os outros, será apenas mais uma Olimpíada. Para nós, será algo inédito. Está na hora de o COI corrigir essa injustiça — disse Lula, que, diferentemente dos outros participantes, que se expressaram em inglês, francês e espanhol, fez seu discurso em português.

Se o favoritismo do Rio era esperado, a eliminação de Chicago na primeira votação (com 18 votos, contra 28 de Madri; 26 do Rio e 22 de Tóquio) foi a surpresa do dia. A esperada queda de Tóquio na segunda rodada (com 20 votos, contra 46 do Rio e 29 de Madri) gerou apreensão, pois colocaria os cariocas frente a frente com Madri, que, para 2012, por muito pouco havia ficado fora da disputa, além de contar com a bênção de Juan Antonio Samaranch, que, de 1980 a 2001, foi o homem forte do COI . A apresentação dos espanhóis, ainda que não tão celebrada como a brasileira, foi bastante aplaudida.

Representantes da candidatura de Madri andavam sorridentes pelos corredores do Bella Center. No fim, porém, assistiram à chegada de uma nova ordem no movimento olímpico. Se os soldados madrilenhos desapareceram após o anúncio da vitória do Rio, um dos comandantes do projeto, o primeiro-ministro Jose Luiz Zapatero, fez questão de ser gracioso na derrota: — Madri esteve muito perto, mas o Rio finalmente conseguiu vencer. Parabenizo os brasileiros.

Diferentemente do que sugere a vitória por ampla vantagem, o caminho até a Olimpo foi marcado por tensão e muitas orações. Antes de entrar no auditório do Bella Center, todos os integrantes da comitiva brasileira deram as mãos e rezaram.

Numa antessala, minutos antes da apresentação, Pelé e João Havelange puxaram um coro de “Cidade Maravilhosa”.

Com exceção do presidente Lula, todos permaneceram no Bella Center. Lula almoçou com o primeiro-ministro da Dinamarca e foi para o hotel acompanhar a apuração. De início, não voltaria ao centro, mas mudou de ideia e chegou ao Bella Center cerca de dez minutos antes da abertura dos envelopes.

No intervalo antes da divulgação da cidade vencedora, o prefeito Eduardo Paes foi até o comitê de imprensa e cantarolou “Cidade Maravilhosa”.

Mais tarde, na saída da sala de reuniões do Bella Center, a Bandeira do Brasil era exibida por integrantes da delegação do Rio. O hino da Cidade seria repetido no auditório do centro de convenções, puxado pelo presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, e por Paes

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