sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Serra e Aécio ainda divergem sobre quando anunciar nome

DEU EM O ESTADO DE S. PAULO

Em resposta aos diretórios estaduais do PSDB, que querem antecipar a escolha do candidato a presidente para janeiro de 2010, o governador de São Paulo, José Serra, afirmou ontem que não vai se envolver em campanha até as vésperas do prazo de desincompatibilização, que será em abril do ano que vem. Na contramão de Serra, o outro presidenciável do partido, o governador mineiro, Aécio Neves, aproveitou a cobrança dos dirigentes para voltar a pedir a antecipação do processo.

Reunidos em Brasília anteontem, os presidentes de diretórios regionais cobraram uma definição rápida sobre o candidato a presidente. A cúpula do PSDB não é contra a escolha ocorrer no máximo até janeiro, mas conta com a resistência de Serra, que não quer antecipar o debate eleitoral. Para os diretórios estaduais, a definição ajudaria a articular alianças para montar palanque dos candidatos a governador nos Estados.

"Não há necessidade de estarmos discutindo uma data", disse Serra, em Curitiba. Segundo ele, neste ano houve antecipação muito grande da campanha. "No que se refere a mim, particularmente, estou concentrado na minha ação como governador, que é um trabalho bastante complexo."

Aécio, por sua vez, aproveitou a cobrança dos diretórios para afirmar que percebe "certa ansiedade" entre os aliados nas viagens que tem feito pelo País. Para ele, a questão deve ser resolvida até janeiro. "Os entendimentos regionais, estaduais, dependem de alguma forma de uma palavra do eventual futuro presidente da República, pelo menos na expectativa dos companheiros. E, portanto, isso tem feito falta", declarou o governador de Minas, em Juiz de Fora, onde visitou o ex-presidente Itamar Franco (PPS).

O tucano mineiro não considerou vitória pessoal a avaliação dos dirigentes regionais. Frisou que respeita a decisão de Serra, mas voltou a afirmar que, após o prazo que estabeleceu, caso não consiga se viabilizar como candidato, se dedicará "muito e profundamente" à sua sucessão em Minas.

"Não sou um ser isolado na política. Eu represento um conjunto de forças. Tenho buscado apresentar alternativas ao meu partido. Alternativas de uma candidatura que pode, eventualmente, acoplar algumas outras forças políticas para o embate que não será fácil", ressaltou.

Nesta semana, Aécio cumpriu agenda em Belo Horizonte com o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), também pré-candidato ao Planalto e desafeto declarado de Serra. Esse encontro gerou muito descontentamento em setores do PSDB.

Questionado ontem sobre o encontro com Ciro, que disse abrir mão de sua candidatura para apoiar Aécio, Serra afirmou não ver problema. "A questão fundamental é que nós estamos unidos, nossa relação é de amizade, é de paz e de unidade."

CONVÊNIO

Serra esteve em Curitiba para assinar um convênio de cooperação para troca de informações técnicas em programas habitacionais e participou do lançamento de um programa de atendimento à saúde da mulher. Saudado pelo prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), como "o melhor ministro da Saúde do mundo", Serra discursou para aproximadamente 2 mil pessoas, falando do que fez quando presidiu a pasta.

Richa negou que fosse um evento de campanha. "Serra esteve várias vezes em Curitiba, esteve com o governador do Estado há uns dois meses e agora está conosco, sempre neste tratado de cooperação, anunciando parcerias, trazendo boas novas para Curitiba e o Paraná."

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