sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Vinicius Torres Freire:: Desigualdades, de FHC a Lula

DEU NA FOLHA DE S. PAULO

Desigualdade econômica regional caiu mais sob FHC, mas mudança não é efeito direto de ações de governo

A DESIGUALDADE econômica entre Estados e regiões diminuiu mais nos anos FHC do que nos anos Lula, segundo dados divulgados nesta semana pelo IBGE.

Decerto não foi intenção de nenhum dos dois puxar a sardinha econômica para esta ou aquela região. Nem a mudança é efeito direto da ação de governos. Políticas públicas têm efeito lento e retardado na alteração das diferenças econômicas regionais, se tanto, quando não têm consequências inesperadas. Além do mais, certos fatores que influenciam o destino de regiões estão fora do alcance de governos, como as andanças da economia mundial.

Nos anos Lula, houve grande alarido sobre o progresso econômico do Nordeste. Mas, a julgar pelos dados do PIB, a região andou apenas um tico mais rápido que o "Sul rico" entre 2003 e 2007. Os dados recentes e o recálculo do PIB desde 1995 reforçam a impressão de que algumas mudanças ocorridas entre 1990 e 1995 é que deram origem a alguns deslocamentos produtivos no país ao longo da década seguinte.

O PIB per capita no Nordeste equivalia a 42,3% do PIB per capita nacional em 1995, 46,44% em 2002 e ainda estava quase por aí em 2007 (46,66%). O do Sul foi de 108,6% em 1995 para 114,76% em 2002 e também quase estacionou: equivalia a 114,51% da média nacional em 2007.

De 1995 a 2002 foi a região Sudeste que "cedeu" participação no PIB. As mudanças maiores, essas e outras, ocorreram entre meados dos 90 até os anos da retomada do crescimento do país, no governo Lula.

A abertura comercial de 1990 (Collor) a 1994 (Itamar & FHC) e o real forte de FHC 1 avariaram alguns setores industriais e obrigaram outros a partir de centros como São Paulo.

Sujeitas à competição do importado de melhor qualidade e/ou mais barato, as empresas tiveram de se mexer. Algumas se mudavam à procura de salários menores, sindicatos fracos ou inexistentes, subsídios estaduais, impostos menores ("guerra fiscal") e de outras reduções de custo -em alguns setores, a confusão metropolitana é um custo.

Outras empresas procuravam ficar mais próximas de centros de fornecimento de matérias-primas ou se mudaram com seus fornecedores, caso de indústrias de alimentos que migraram para o Centro-Oeste.

Trata-se aqui da indústria de transformação ("fábricas") e não da indústria total, que inclui a indústria extrativa (como petróleo). Costuma-se ouvir que a indústria paulista perdeu bastante participação na produção nacional. Nem tanto. Na indústria total, São Paulo tinha 44,5% do valor da produção em 1995; em 2007, 35,4%. Mas, no caso da indústria de transformação, a "queda" foi de 48,7% para 44,4%.

"Queda", entre aspas, pois na verdade houve um grande crescimento da indústria extrativa, em especial no Rio de Janeiro (petróleo).

O Nordeste ganhou uma fatia magra da indústria -foi de 7,94% para 8,84% do total nacional. Mas 95% desse incremento ficou na Bahia, que tem sua petroquímica e implantou uma indústria de automóveis.

Claro que não é só de indústria que se faz um país. O Centro-Oeste, por exemplo, no período cresceu quase o dobro do Sudeste -enriquece com a agropecuária. Mas é preciso achar um norte para o Nordeste.

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