terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Na praia com Serra

DEU EM O GLOBO

Em projeto com deficientes, governador entra de roupa no mar

Wagner Gomes

PRAIA GRANDE. O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), mostrou que, em véspera de período eleitoral, vale tudo, até entrar no mar de tênis, calça jeans e camiseta. Ao lançar ontem, na Praia Grande, uma das mais populares do litoral paulista, um programa para ajudar o acesso de deficientes físicos ao mar, Serra teve dia de candidato, com as pessoas chamando-o de "presidente". Mas ele negou que estivesse em campanha eleitoral.

- Sempre sou bem recebido nos lugares em que vou - disse Serra, desconversando sobre a clima de campanha na praia lotada.

O programa ""Praia Acessível" facilitará o acesso de pessoas com deficiência às praias de São Paulo com o uso de cadeiras de rodas adaptadas, que não afundam na areia e flutuam na água. Serra foi breve no discurso, mas não hesitou em caminhar até o mar empurrando algumas cadeiras especiais. Com água na cintura, ele brincou com banhistas, tirou fotos e abraçou crianças.

Como tudo foi de improviso, Serra não encontrou toalha para se enxugar e voltou para o carro do governo encharcado e aparentemente cansado. O programa vai funcionar em Praia Grande, Ilha Bela e Santos. Na primeira fase estão sendo entregues cem cadeiras de rodas, mas a ideia é chegar a mil ainda nesta temporada.

- É mais um aspecto da batalha que estamos fazendo em São Paulo para dar a pessoas com deficiência uma condição melhor de vida e de cidadania - disse o governador.

O serviço ficará disponível de terça-feira a domingo, das 9h às 17h, até o fim de março. Após a temporada, os cadeirantes poderão utilizar o serviço durante nos fins de semana. Para usar as cadeiras, é necessário apresentar os documentos do usuário e acompanhante, além de preencher um termo de responsabilidade. O equipamento só pode ser utilizado com acompanhamento facilitador ou acompanhante, independentemente da condição física do usuário. O país tem hoje 24,5 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência. Esse número representa 14,5% da população brasileira. Em São Paulo, segundo o governador, 4 milhões de pessoas têm algum problema de mobilidade.

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