terça-feira, 6 de abril de 2010

PSDB cobra de Dilma biografia de tesoureiro

DEU EM O ESTADO DE S. PAULO

O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), aceitou desafio feito pela pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff em entrevista ao Estado -, de trazer o debate ético para a campanha eleitoral. Guerra cobrou da ex-ministra que começasse esclarecendo o "dossiê dos aloprados" e a biografia do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, ligado à Bancoop.

Presidente do PSDB reage a Dilma e cobra "biografia do tesoureiro do PT"

Christiane Samarco, Eugênia Lopes

BRASÍLIA - O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), aceitou desafio da pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, de trazer o debate ético para a campanha eleitoral. Ele cobrou da ex-ministra que começasse esclarecendo o "dossiê dos aloprados", o mensalão do PT e a biografia do tesoureiro do partido, João Vaccari Neto.

O caso dos "aloprados" - conforme a definição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - está ligado ao falso dossiê de corrupção que seria usado contra candidatos tucanos nas eleições de 2006. O PSDB também quer explicações sobre o caso Bancoop, a cooperativa habitacional que deu calote em vários associados e que era dirigida por Vaccari.

Em entrevista publicada ontem no Estado, a ex-ministra disse que o PT não se assusta com a discussão ética proposta feita pelo pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, ao fazer balanço de sua gestão em São Paulo. "Esse debate é muito bom para a gente", afirmou a petista.

Cheque. "Temos que conhecer melhor a biografia do Vaccari, que, na condição de tesoureiro do PT, assina o cheque para pagar o aluguel da casa da candidata", afirmou Guerra. "Esse discurso de desonestidade intelectual é marca registrada deles", reagiu o deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP).

Como Dilma questionou a competência de Serra à frente do Ministério do Planejamento, no primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso, os tucanos saíram em defesa de seu pré-candidato. Para o PSDB, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é versão piorada do Avança Brasil, que começou a ser desenvolvido na gestão de Serra, batizado de Brasil em Ação.
"Esse conceito, completamente correto e estratégico, foi abandonado pelo populismo eleitoral do PAC da ministra, que não tem nem cronograma nem realização; só tem propaganda", disse Guerra.

A oposição entende que "a mãe do PAC" deve explicações sobre as "graves irregularidades" apontadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em várias obras do PAC, como a refinaria Abreu e Lima. Para o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), o PAC não é bem planejado, uma vez que sua execução é baixa. Ele afirmou que o Planejamento não é atividade-fim, diferentemente da Saúde onde a gestão Serra apresentou resultados concretos.

Planalto. Após a primeira reunião do presidente Lula com os dez novos ministros, o governo deu uma demonstração de que não vai deixar sem resposta os ataques da oposição. O escalado para isso foi o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, que saiu do encontro repetindo o discurso de Dilma.

"O PSDB e o DEM não têm moral para vir falar sobre tema ético do governo do presidente Lula. Temos o que mostrar sobre a aliança PSDB e DEM". Padilha acrescentou: "Se os tucanos quiserem fazer o debate ético, é ótimo. Queremos enfrentar esse debate sobre a ética. Temos o que mostrar, o que o nosso governo fez no combate à corrupção, na Controladoria-Geral da União, na Polícia Federal, e o que foi feito pelos governos anteriores."

A primeira parte da reunião ministerial foi aberta para que o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, apresentasse a cartilha sobre como todos devem se comportar nas eleições para evitar problemas com a Justiça. Lula aproveitou para determinar que a AGU mantenha um canal aberto para que ministros possam consultá-la caso tenham dúvidas.

Depois de Adams, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, em tom professoral, lembrando sua experiência no Tribunal Superior Eleitoral, advertiu os colegas sobre os cuidados que devem ter neste período por causa da falta de clareza da legislação, que permite cada juiz interpretá-la à sua maneira. A advertência de Jobim foi tão forte que o vice-presidente José Alencar, com seu jeito mineiro, reconheceu que "é preciso ter cautela". Mas Alencar avisou aos novos ministros, tentando tranquilizá-los, que não podem ter medo: "Tem de enfrentar a campanha porque, se ficar com medo, não tem campanha."

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