terça-feira, 17 de agosto de 2010

PT quer voto útil para vencer no 1º turno :: Raymundo Costa

DEU NO VALOR ECONÔMICO

Os votos de Marina Silva, candidata a presidente do PV, entraram na alça de mira do PT. O partido de Dilma Rousseff acredita que pode retirar do balaio verde o que falta para a vitória de sua candidata no primeiro turno da eleição.

Marina está com 10% das intenções de voto, segundo o Datafolha. O PT e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acham que seu tamanho real será de pouco mais de 6% dos votos válidos. O bastante para a liquidação da fatura em 3 de outubro, mantidas as tendências registradas pelas últimas pesquisas.

O curioso é que a campanha do PSDB também aposta na candidatura de Marina Silva, mas em outra perspectiva: se a candidata do PV crescer no Rio de Janeiro, o terceiro maior colégio eleitoral do país, por exemplo, até o patamar alcançado no Estado por Heloisa Helena (PSOL), em 2006, será mais fácil evitar que a sucessão de Lula seja decidida no primeiro turno.

A três pontos de vencer no primeiro turno, de acordo com os números do Datafolha, a campanha de Dilma sente-se confortável o suficiente para tentar administrar a situação eleitoral. Marina é alvo entre outras coisas porque o PT acha que a pregação do "voto útil" terá muitas chances de pegar entre os eleitores do PV.

"Desidratar a Marina pelo voto útil, para ganhar no primeiro turno", diz um dirigente petista, ainda entusiasmado com as últimas pesquisas.

Por outro lado, seria possível tirar de São Paulo, o principal reduto tucano, uma parte dos votos que faltam para antecipar o final da eleição.

Dilma, segundo petistas, vai intensificar a campanha em São Paulo com o objetivo de diminuir um pouco os números de Geraldo Alckmin, candidato a governador do PSDB, outro pouco de José Serra e aumentar um pouquinho os índices de Aloizio Mercadante. Nestes dois dias ela tem agenda com os movimentos sociais e com movimentos de mulheres.

Ninguém no PT acredita que o candidato do partido ao governo estadual ficará estacionado nos 16% atuais. Espera-se que Mercadante tenha pelo menos 30% dos votos dos paulistas - e é inegável que, se isso de fato acontecer, Dilma deve ficar com boa parte do crescimento do senador petista.

A interlocutores, Lula também falou em "desidratação" da candidatura Marina Silva. A campanha de Dilma deve avançar com cuidado, porque não quer hostilizar o eleitor da candidata do Partido Verde. Mas o discurso já tem sido expressado, entre outros, pelos irmãos Viana - Tião, candidato ao governo do Acre, e Jorge, ex-governador e agora candidato ao Senado. É o mesmo do manifesto governista, segundo o qual Marina Silva acha que a Amazônia é um santuário a ser preservado.

Debita-se na conta de Marina atrasos no PAC, em todas as áreas, das usinas hidrelétricas do rio Madeira a obras do projeto de transposição das águas do rio São Francisco. Mas, por enquanto, o PT nem sequer precisou se expor: o candidato do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio, é quem está nos calcanhares da candidata verde. Embora o natural seja que o quarto colocado nas pesquisas queira alcançar o primeiro, o empenho e entusiasmo de Plínio deixaram os verdes desconfiados.

Desde o debate na TV Bandeirantes, a campanha de Marina monitora os movimentos de Plínio de Arruda e avalia que ele decididamente saiu no seu encalço. O candidato do PSOL não investiu contra Dilma Rousseff e limitou-se a fazer uma gracinha sobre o fato de José Serra, o candidato tucano, ser hipocondríaco.

Plínio de Arruda, de fato, bateu forte: chamou Marina de "Poliana" e de "ecocapitalista". Na hora, a candidata saiu com uma resposta asséptica. "O empresário precisa de água limpa, a criança pobre também". Dias depois, a seu jeito, subiu o tom: "Eu sempre brinco quando fazem perguntas desse tipo e digo que cada um vê nos outros aquilo que tem dentro de si".

Em outra ocasião, Marina sentiu-se pessoalmente atingida por Plínio de Arruda em evento eleitoral no Rio: "Com todo respeito, os senadores não servem para nada. Eles só servem para manter as oligarquias tipo (José) Sarney". Marina, como se sabe, é senadora.

O que mais chateou a campanha de Marina, no entanto, foi Plínio de Arruda ter afirmado que não se lembrava de Marina ter ficado constrangida com o mensalão, o escândalo da compra de votos no Congresso, uma crise política que abalou o governo Lula em 2005.

Ministra do Meio Ambiente, a atual candidata do PV preferiu ficar no governo, costurar "por dentro", como ela mesma diz, num momento de comoção partidária em que alguns integrantes do PT deixaram o partido, a exemplo de Plínio.

"Ele parece mais petista que a Dilma", afirma integrante da campanha de Marina. "Se não é combinado, a Dilma agradece".

O curioso é que sobre a campanha de Marina também já pairou a suspeita de ter se associado ao PT. Aos 52 anos, seria o suicídio político da senadora verde Marina Silva, segundo acreditam seus mais fiéis aliados.

As perspectivas do governador Antonio Anastasia às eleições em Minas Gerais já não são as mesmas. Pela segunda rodada consecutiva, ele permaneceu parado na faixa dos 16% das intenções de voto, segundo o Datafolha. Ainda há confiança na capacidade do ex-governador Aécio Neves de transferir votos para o vice que deixou em seu lugar no Palácio da Liberdade. Mas já se tem como certo que a eleição mineira não será o passeio aecista que chegou a ser previsto por analistas.

O principal erro de Aécio teria sido a parceria com Itamar Franco (PPS) que está na frente para o Senado mas não dá voto para Anastasia. Talvez melhor fosse reeditar a aliança com o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT). Com a decisão de Hélio Costa e Patrus Ananias de dividirem a chapa e as responsabilidades - "Dois nomes, um só governo" -, o PT em massa estaria se movendo na direção da chapa PMDB-PT, que abjurava.


Raymundo Costa é repórter especial de Política, em Brasília. Escreve às terças-feiras

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