quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Jungmann classifica ação de criminosos no Rio como "atos terroristas"

DEU NO PORTAL DO PPS

Por: Diógenes Botelho

"O que estamos vendo acontecer hoje no Rio de Janeiro pode ser qualificado como ações terroristas de grupos criminosos", afirmou nesta quarta-feira o ex-presidente da Comissão de Segurança Pública da Câmara, deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE). Para ele, a ação terrorista foi arquitetada por dois motivos principais: Em primeiro lugar, pelo fato de que visa não o crime diretamente, mas fazer com que a estrutura de Estado e o dispositivo de segurança se condicionem aos desejos do crime organizado do Rio de Janeiro. Em segundo lugar - e de acordo com os qualificativos que a ONU usa para definir ação terrorista, estamos vendo ações planejadas com incêndios e agressões que visam amedrontar, coagir e constranger a população do Rio de Janeiro.

Jungmann avalia ainda que hoje ocorrem 3 crises simultâneas no Rio de Janeiro. "Em primeiro lugar, temos as chamadas UPPs (Unidades de Polícia Pacificadoras) que vêm retirando dos criminosos o controle territorial de algumas áreas. Isso tem, por exemplo, encurralado o Comando Vermelho no Morro do Alemão. A partir daí, os criminosos partem para ações fora do complexo que visam coagir a população e ganhar a queda de braço com o governo para que ele enfraqueça a ação do Estado", analisa o deputado.

Outro problema gravíssimo, afirma Jungmann, atinge os presídios de segurança máxima, que, no Rio de Janeiro, podem ser chamados de "presídios de comunicação máxima". "Eles se transformaram em quartel general do crime organizado, ou seja, é de dentro do presídio de segurança máxima que partem os ordens para as ações que hoje ocorrem no estado. Urge reconhecer que algo está muito errado nesse projeto", alerta o deputado.

Em terceiro e último lugar, destaca o deputado, está a questão das milícias."É preciso uma reforma das polícias, porque a polícia que está fazendo uma política que tem o seu sucesso relativo, caso das UPPs, é a mesma, ainda que minoritária, que serve os quadros para a milícia. Enquanto não reformarmos essa polícia, e uma reforma que efetivamente signifique o seu resgate, a sua melhoria de condições operacionais, de carreira, de atuação enquanto inteligência, de equipamento e de expurgo de maus policiais, com o funcionamento das corregedorias de modo adequado, nós não vamos ter a sustentabilidade dessas operações", defende o parlamentar.

Jungmann alerta ainda que o que ocorre no Rio de Janeiro pode se alastrar país afora. E, justamente, num período em que a antiga capital federal vai sediar eventos fundamentais para o Brasil como as Olimpíadas e a Copa do Mundo. "Ressalto a necessidade de uma intervenção política coordenada, porque neste instante somos todos cariocas", afirmou.

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