terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Tangos, milongas e tesouras:: Eliane Cantanhêde

A perspectiva de crescimento baixou de 5,5% para 5%, a inflação de janeiro foi de 0,83%, a maior desde 2005, os juros continuam com tendência de alta e a conta da campanha de Lula, ops!, de Dilma está chegando.

A presidente, pois, não tinha outra saída senão anunciar um corte recorde de R$ 50 bi no Orçamento para tentar manter o trem nos trilhos. Mas isso não é indolor.

Não é minimamente justo nem politicamente correto meter a tesoura em Saúde, Educação e área social em geral. Não convém descaracterizar as obras de infraestrutura, que renderam à candidata o título de "mãe do PAC". E seria pura burrice (com esses apagões todos) cortar na área de energia, que catapultou Dilma para a Casa Civil e enfim para a Presidência.

Adivinha que área (entre outras) será retalhada? Defesa. É esperar para ver. Os caças da FAB não decolam, navios-patrulha da Marinha ficaram à deriva, recrutas e botinas do Exército estão ameaçados.

Na sexta-feira, o ministro Nelson Jobim se reuniu por mais de uma hora com Dilma e com a eminência parda Antonio Palocci. Para desanuviar, deu de presente para a chefe o CD "Tangos & Milongas", com versos de Borges musicados por Piazzolla. Depois, desandaram a falar gauchês e contar "causos".

Foi um aquecimento para o duelo de verdade, que ficou para hoje, quando Jobim senta com Guido Mantega e Miriam Belchior para atirar no Orçamento da Defesa, mas sem estraçalhá-lo. Assim como os demais colegas de ministério, ele está disposto a sofrer calado.

Bem... pelo menos neste primeiro momento, em que o fundamental é o teste de Dilma no Congresso: os cortes das emendas parlamentares e seus efeitos na votação do salário mínimo amanhã e na correção da tabela do IR depois.

Mas, em algum momento, Jobim vai ter que dar satisfação para o seu público interno também. Aí, disco de Piazzolla não cola.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

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