segunda-feira, 14 de março de 2011

Dividido, DEM escolhe novo comando e espera Kassab

Prefeito de São Paulo prepara criação de novo partido

Maria Lima, Diana Fernandes e Leila Suwwan

BRASÍLIA e SÃO PAULO. Em mais uma tentativa de renovação, depois de um longo período de disputas internas e sob ameaça de grande debandada, o DEM elege amanhã um novo comando nacional na expectativa de se manter como o segundo maior partido de oposição ao governo. Com a presidência do DEM garantida na convenção de amanhã, o senador Agripino Maia (RN) reconhece que sua principal tarefa será harmonizar e reorganizar a legenda - que, dividida, deverá perder, nos próximos dias, sua maior estrela com mandato, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.

O partido aguarda, até a convenção de amanhã, a resposta oficial de Kassab, para legitimar ou não a presença de pessoas de seu grupo na nova composição da Executiva Nacional. O prefeito paulistano pretende criar o PDB (Partido da Democracia Brasileira), mas deve ficar no DEM até que o novo partido seja legitimado pela Justiça Eleitoral.

Kassab se encontrará com líderes do DEM amanhã

Responsável pela criação jurídica do PDB, o advogado Alberto Rollo afirma que falta apenas a decisão política para marcar a data do evento de fundação e início da coleta de assinaturas. Segundo ele, Kassab deve decidir a questão na segunda quinzena deste mês.

Kassab negou ontem o empenho nos últimos tempos na manobra política. O prefeito não confirmou sua participação na convenção do DEM, mas disse que irá se encontrar com líderes do partido amanhã.

- Ele me parece determinado e animado. O que falta é a decisão do Kassab. É a parte política: se o nome do partido será mesmo esse, qual será a ideologia. Após o retorno dele, devemos tomar as providências, entre 15 e 30 de março. É provável que o evento seja em Brasília, inclusive com o início da coleta de assinaturas - disse Alberto Rollo.

Kassab tentou negar a iminência da criação do novo partido e afirmou que nos últimos tempos suas prioridades foram administrativas, não políticas.

- Todos sabem que não tive nenhuma movimentação político-partidária nos últimos meses, até porque aguardo a convenção do meu partido - disse Kassab ontem, durante inspeção de serviços na região da Marginal Tietê, na capital paulista.

Após um evento inicial de fundação de associação, há necessidade de coleta de quase 500 mil assinaturas de eleitores, para registrar o novo partido no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A respeito da possibilidade de eventual fusão com o PSB, o advogado diz ter sugerido ao prefeito uma possibilidade flexível, de coligação eleitoral.

Kassab espera levar para a nova legenda um maior número de colegas do DEM, inclusive aqueles que teriam dificuldade de compor um partido governista e, principalmente, de esquerda, como a senadora Katia Abreu (TO), presidente da Confederação Nacional da Agricultura.

- O partido fez todas as gestões que deveria para que o Kassab permanecesse no DEM. Ele tem um compromisso conosco de, até o dia da convenção nacional, dizer se fica ou se sai. Ele se deu esse prazo - disse Agripino, ontem.

Sobre sequelas que ficarão da disputa do grupo do atual presidente Rodrigo Maia (RJ) com o de Jorge Bornhaunsen (SC), Agripino disse que sua tarefa será administrar diferenças:

- A partir de terça-feira, essa será minha tarefa. Tem divergências? Tem. Mas não há divergências em torno das ideias liberais do partido.

FONTE: O GLOBO

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