domingo, 25 de março de 2012

PT decide neste domingo se repetirá a aliança de 2008 na prefeitura da capital

Depois de um longo período de articulações e intrigas, Partido dos Trabalhadores vai escolher se lançará candidato próprio à Prefeitura de BH

Bertha Maakaroun 

Com resultados difíceis de serem previstos, 500 delegados do PT se reúnem hoje no Encontro de Tática Eleitoral para decidir o destino político da legenda na sucessão à Prefeitura de Belo Horizonte. Embora a proposta de candidatura própria seja minoritária e a maioria dos delegados eleitos na semana passada aprove a aliança em torno da reeleição do prefeito Marcio Lacerda (PSB), um elemento espinhoso poderá ser introduzido no debate: a proposta de veto à participação do PSDB na ampla coligação que se forma em torno de Marcio Lacerda.

Os delegados do PT estão rachados em relação a esse tema, que já foi classificado pelo presidente nacional do PT, Rui Falcão, como "perturbador", mas não fundamental no debate. A direção nacional do partido já se manifestou favoravelmente à reedição da aliança com Lacerda, ainda que o PSDB esteja formalizado na coligação. Pelo entendimento firmado em encontro nacional, o PT não poderá fazer aliança quando o PSDB, o PPS ou o DEM estiverem na chapa majoritária. "Chapa é prefeito ou vice", tem reiterado Rui Falcão, em referência ao fato de que, em tese, não existe nenhuma proibição nas normas do PT para a coligação com os tucanos, desde que eles não participem da chapa, como é o caso de Belo Horizonte.

O interesse da executiva nacional no apoio ao PSB, de Lacerda, se deve, sobretudo, porque o PT tem aliança nacional estratégica com os socialistas, que estão na base do governo Dilma Rousseff (PT). Além disso, em várias cidades, como em Fortaleza, o PT nacional trabalha para manter o apoio do PSB, do governador Cid Gomes, considerado fundamental para que o partido vença pela terceira vez consecutiva as eleições na capital cearense. Em João Pessoa, as conversas entre petistas e socialistas já azedaram. A tendência é de que o PT lance candidatura própria à prefeitura, em oposição à socialista Estelizabel Bezerra, apoiada pelo governador Ricardo Coutinho (PSB).

Em Belo Horizonte, nem tudo são flores na relação entre o PT e o PSB, conturbada sobretudo pelos atritos entre o vice-prefeito Roberto Carvalho, que também é presidente municipal do PT, e Marcio Lacerda. Com a interlocução rompida com o prefeito, coube a Carvalho deflagrar o movimento da candidatura própria. Se no domingo passado, os filiados do PT de Belo Horizonte elegeram majoritariamente delegados ligados a chapas que apoiam a aliança com o PSB, ao longo da semana, Roberto Carvalho conquistou um novo tento. Tirou o apoio ao PSB do centro do debate, ali colocando a temática de mais difícil digestão às bases petistas: a presença do PSDB.

Nas eleições de domingo passado, obtiveram juntos 60% dos votos em defesa do apoio à aliança as chapas lançadas pelos deputados federais Miguel Corrêa Júnior e Reginaldo Lopes, pelo deputado estadual Paulo Lamac, pelo ex-deputado federal Virgílio Guimarães e pelo ex-ministro Patrus Ananias. Cada um deles apresentou condicionantes diferentes para o apoio a Lacerda. Outros 40% votaram nas chapas de Roberto Carvalho e do vereador Arnaldo Godói, que defenderam a candidatura própria.

Provocação A vitória do apoio a Lacerda, entretanto, voltou à berlinda à medida que ganha terreno a discussão da presença do PSDB na aliança. Interessado em afastar o “rival” aliado da chapa de Lacerda, os líderes do PSDB não têm poupado, em seus pronunciamentos mais recentes, provocações para atiçar os ânimos até dos petistas menos radicais. Alguns grupos endureceram o discurso contra a presença dos tucanos ao ponto de, neste momento, nenhum dos dois lados estar certo dos resultados do encontro de hoje. Poderá ser aprovada a aliança com Lacerda sem restrições ao PSDB, ou com no máximo uma recomendação ao PSB para que o apoio dos tucanos não seja formal, como poderá passar o apoio a Lacerda com o veto ao PSDB. A disputa será apertada e a diferença pequena entre as duas posições políticas.

FONTE: O ESTADO DE MINAS

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