domingo, 29 de abril de 2012

Em Recife, obra levou risco a moradores

Leticia Lins

RECIFE. O contrato mais antigo firmado pela Delta com o governo do estado de Pernambuco, de 17 de novembro de 2006, é emblemático. A empreiteira assumiu o serviço de abastecimento, saneamento e drenagem da comunidade do Passarinho, em Olinda. Inicialmente, o valor era de R$ 9,8 milhões.

Depois de três aditivos, chegou a R$ 14,9 milhões. O serviço, no entanto, não foi concluído.

Segundo a Secretaria das Cidades do estado, a obra foi retomada por causa de um "vazamento na caixa d"água". O GLOBO esteve no local, no Alto da Bondade, e constatou que o problema é muito mais grave: — A rua todinha foi desocupada porque a caixa ameaçava desabar em cima da gente. Era tanta água que parecia um dilúvio — lembrou Telma Maria da Silva, uma das que tiveram que deixar a casa sob o risco de desabamento do cogumelo de concreto. Ela só voltou depois que o reservatório, que é muito alto, foi esvaziado.

— Parecia um chuveirão, era menino, cavalo, cachorro, todo mundo tomando banho em baixo. Eu tinha medo de que tudo desabasse e matasse muita gente — lembrou o pequeno comerciante Severino Gomes da Silva, mostrando os defeitos do serviço.

O governador Eduardo Campos (PSB) determinou auditorias em todos os contratos da Delta no estado. As obras estão em atraso. Foi dado um prazo de 30 dias para o levantamento.

A prefeitura de Recife tem quatro contratos, no valor de R$ 117,5 milhões com a Delta.

Assinados entre março de 2007 e junho de 2008, eles são marcados por aditivos, que aumentam os preços dos serviços prestados em cerca de 20%. As entregas também registram longos atrasos: a execução de obras de urbanização do canal do Jacarezinho, no bairro de Campina do Barreto, em contrato firmado em 2007, com conclusão prevista para um ano depois, vai ser entregue com quatro anos de atraso.

Na rua que margeia o canal, a Manoel Silva, a população reclama da falta de esgotamento.

Poucos homens usando uniforme da Delta ainda trabalhavam no local na última quinta-feira.

Uma "rescisão amigável" para "ajuste técnico" do contrato para obras de saneamento na Zona Norte de Recife, prevista inicialmente para R$ 45,7 milhões, chegou agora a R$ 115 milhões.

FONTE: O GLOBO

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