segunda-feira, 25 de junho de 2012

Na festa de Serra, ataques a Haddad, Lula e PT

Na convenção que oficializou candidatura tucana em São Paulo, rival petista é chamado de inexperiente e mau gestor

Gustavo Uribe

SÃO PAULO . Com críticas exaltadas ao PT, sobretudo ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-governador José Serra foi oficializado ontem, em convenção municipal do PSDB, candidato à sucessão da prefeitura de São Paulo. Nos discursos aos cerca de três mil militantes, os líderes tucanos atacaram a gestão do governo federal na área da educação, a "falta de experiência" do pré-candidato petista, Fernando Haddad, ex-ministro da Educação e novato em campanhas eleitorais, e o que chamaram de "apetite avassalador" do PT, que, segundo eles, "obedece cegamente à vontade de seu dono", referência a Lula.

A cerimônia tucana teve as participações do governador Geraldo Alckmin (PSDB), do prefeito Gilberto Kassab (PSD) e dos senadores Aloysio Nunes Ferreira (SP) e Álvaro Dias (PR), além de dirigentes de PSD, PV, PR e DEM, siglas que compõem a coligação com o PSDB.

Em discurso duro, no qual elegeu a educação como tema principal, o candidato do PSDB defendeu a administração do atual prefeito e atacou o que chamou de "método gogó" das gestões petistas. Segundo ele, o governo federal prometeu, em 2007, construir 6,4 mil creches, mas, até fevereiro deste ano, entregou 221, "nenhuma em São Paulo". Serra disse ainda que, quando era prefeito, em vez de criar impostos, acabou com a taxa do lixo, criada na gestão da petista Marta Suplicy.

- Nesta campanha, vocês vão ouvir adversários falarem mal de São Paulo, que sequer a conhecem bem, que fizeram pouco ou nada por ela. Mas não passarão. Não estou aqui para brincar de governar, para experimentar ou para tentar fazer. Eu estou aqui para levar São Paulo pra frente - afirmou Serra.

As críticas ao pré-candidato do PT, um dos principais alvos dos ataques, foram capitaneadas pelo senador Aloysio Nunes Ferreira. Sem citar nomes, o parlamentar tucano chamou Haddad de um "candidato artificial", que "passeia como se fosse um urso amestrado, levado pela coleira". Segundo ele, para viabilizar a candidatura do PT, Lula "atropela" a democracia interna do partido e "não hesita em dilacerar as entranhas" da sigla.

As alfinetadas do parlamentar tucano sobraram também para a postura do PT às vésperas do julgamento do mensalão:

- Trata-se, em São Paulo, de barrar o apetite avassalador do PT, que não respeita nenhuma barreira, que não hesita em macular o Congresso Nacional com o mensalão. Não titubeia em tentar intimidar os ministros do Supremo Tribunal Federal. E se utiliza do Congresso Nacional, na CPI, para perseguir adversários políticos - disse Ferreira.

No mesmo tom, Álvaro Dias criticou a atuação de Haddad à frente do Ministério da Educação, que, segundo ele, deixa um legado de "mentira" e de "incompetência". O parlamentar tucano atacou a gestão dos recursos para as universidades federais e, no final de seu discurso, cometeu uma gafe. No papel de representante da direção nacional tucana, o senador paranaense trocou a sigla do PSDB pelo PMDB, que, no mesmo horário, realizava a sua convenção municipal na capital paulista. Alckmin também criticou Haddad, ao dizer que a capital paulista não é para "candidato do bolso de colete".

- São Paulo não é terra da rendição, mas terra da resistência. São Paulo não é terra do mandonismo, é terra da liberdade. São Paulo não é terra para candidato do bolso de colete, é terra do povo. José Serra é o candidato do povo - afirmou.

Esperado pela cúpula tucana, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não compareceu ao evento, que contou com a participação do vereador Antonio Carlos Rodrigues (PR-SP), suplente da ex-prefeita Marta Suplicy no Senado. Ele discursou a favor de Serra. O PR, que integra a base do governo federal, anunciou no início do mês apoio ao PSDB na disputa paulistana.
- José Serra fez a maior revolução tributária na história da prefeitura de São Paulo. O PR não está aqui de graça, mas porque você é o melhor candidato que temos hoje - ressaltou o suplente de Marta.

O PSDB promoveu a sua convenção municipal ainda sem definição sobre o posto de vice. O presidente municipal do partido, Julio Semeghini, disse que o partido definirá um nome antes de sábado, data-limite para homologar as candidaturas. Os mais cotados são Alexandre Schneider (PSD) e Andrea Matarazzo (PSDB). Na cerimônia, o PSDB também divulgou o jingle da campanha de José Serra: uma versão do hit sertanejo "Eu quero tchu, eu quero tchá", da dupla João Lucas e Marcelo, cujo refrão é "eu quero Serra, eu quero é já!".

FONTE: O GLOBO

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