terça-feira, 5 de junho de 2012

PR anuncia apoio a Serra em SP e dá troco no PT

Alfredo Nascimento, que deixou o Ministério dos Transportes após denúncias de corrupção, participa de solenidade

Silvia Amorim, Sérgio Roxo

SÃO PAULO . Com as relações com o PT estremecidas, o PR anunciou ontem apoio ao pré-candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, José Serra. Ao lado do senador Alfredo Nascimento (AM), que deixou o Ministério dos Transportes após denúncias de corrupção, e do deputado Tiririca (SP), Serra fez um discurso em defesa da ética na política.

- Todos me conhecem bastante. Todos sabem do meu estilo, da forma que eu escolhi na vida pública para trabalhar. Todos que estão escolhendo nos apoiar estão se somando a isso. Temos um programa para a cidade.

Até a semana passada, o comando da campanha do petista Fernando Haddad ainda tinha esperança de fechar aliança com o PR, que pertence à base aliada da presidente Dilma Rousseff. O acordo esteve muito próximo em março, mas a turbulência nas relações do partido com Dilma emperrou as conversas. Haddad ainda não anunciou alianças. Restam o PSB e o PCdoB.

Nascimento negou que a aliança com o PSDB no maior colégio eleitoral do país seja uma retaliação ao PT por não ter entregue, até agora, um ministério ao partido, que perdeu os Transportes em 2011. O PR esteve, no ano passado, no centro de denúncias sobre um suposto esquema de cobrança de propina na gestão de Nascimento nos Transportes. Ele deixou o cargo em julho.

- A decisão foi regional e estou aqui como presidente nacional para homologar a decisão. Eu não tenho nenhum ressentimento nem do Lula nem da presidenta Dilma. Política é muito dinâmica. É assim que funciona. Da forma como eu estou homologando aqui uma decisão da regional de São Paulo vou homologar em outros estados acordos com o PT.

A sigla é considerada estratégica pelos tucanos por ter um minuto e meio de tempo de TV no horário eleitoral e uma bancada de bons puxadores de voto.

Perguntado se o fato do PR ter um dirigente - o secretário-geral, Valdemar Costa Neto - como réu no processo do mensalão não fragilizaria o discurso do PSDB na política nacional, Serra disse que faz aliança com o partido e não com pessoas.

- Estou fazendo uma aliança com o partido, não com pessoas. E, se for proibido (fazer coligação) com partidos que têm pessoas que estão no processo, o PT não poderia nem disputar a eleição porque foi ele quem coordenou e comandou a organização desse chamado mensalão.

O PR é o quarto a compor a coligação tucana, que reúne PV, DEM e PSD. Em São Paulo, o PR apoia o prefeito Gilberto Kassab (PSD) e integra a base do governo Geraldo Alckmin (PSDB).

Mentor da candidatura de Haddad, o ex-presidente Lula criticou a união PR-PSDB.

- Decepcionado não estou porque os partidos agem de acordo com as conveniências políticas. É, no mínimo, um pouco estranho porque o PR está no governo federal.

Lula disse que o acordo exigirá que os petistas "trabalhem um pouco mais", mas colocou em dúvida a adesão completa do PR.

- O fato de a direção do PR ter feito o acordo com o PSDB não significa que muitos vereadores ou militantes vão trabalhar para eles.

FONTE: O GLOBO

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