quinta-feira, 5 de julho de 2012

Lacerda e Patrus já têm os vices em BH

O deputado estadual Délio Malheiros (PV) surgiu como surpresa na chapa de Marcio Lacerda (PSB), na véspera do último dia para registro de candidaturas à prefeitura. Patrus Ananias (PT) terá como companheiro o ex-presidente da Eletrobrás Aloisio Vasconcelos (PMDB). Prestigiado pelo PT, o atual vice, Roberto Carvalho, assume a função de coordenador da campanha. Lacerda terá apoio do senador Aécio Neves e do governador Antonio Anastasia, ambos do PSDB. Patrus conta com a retaguarda de Lula e Dilma Rousseff. Com esses perfis, as duas chapas devem polarizar a eleição na capital.

Times escalados em BH

Prefeito Marcio Lacerda tentará a reeleição tendo como vice Délio Malheiros (PV). Depois de longa articulação, Patrus Ananias formará chapa com o peemedebista Aloísio Vasconcelos

Juliana Cipriani, Daniel Camargos e Marcelo da Fonseca

O rascunho do que seriam as eleições de outubro foi alterado completamente ontem, na véspera do registro das candidaturas, e levou a um quadro de polarização na definição das chapas que disputam a Prefeitura de Belo Horizonte. A briga ficará concentrada entre o prefeito Marcio Lacerda (PSB) e o ex-ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome Patrus Ananias (PT), o que pode levar a um resultado em apenas um turno. Os dois vices, fruto das reviravoltas que ocorreram até a noite de ontem, serão respectivamente o deputado estadual Délio Malheiros (PV) e o ex-presidente da Eletrobrás, Aloísio Vasconcelos (PMDB). No embate de forças, o socialista terá o apoio do governador Antonio Anastasia e do senador Aécio Neves, do PSDB, e o petista terá na sua retaguarda a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT.

A maior surpresa foi a escolha do vice na chapa de Lacerda, que até ontem era seu ex-secretário de governo Josué Valadão (PP), e foi substituído por Délio Malheiros. O parlamentar do PV, que até então se colocava como alternativa ao governo do socialista e se apresentava com discurso ácido de oposição a Lacerda, retirou seu nome para se unir ao prefeito. O deputado federal Eros Biondini (PTB), da renovação carismática da Igreja Católica, também desistiu da candidatura para apoiar Lacerda.

Do outro lado, o PMDB desistiu, em favor do PT, da candidatura do deputado federal Leonardo Quintão, que em 2008 deu trabalho a Lacerda levando o pleito para um segundo turno acirrado. A ideia inicial era que Quintão fosse vice na disputa, mas o parlamentar se recusou e tentou emplacar o nome do pedetista Mario Heringer, que seria seu companheiro de chapa caso continuasse com a candidatura a prefeito. Os deputados federais João Magalhães, Mauro Lopes e Saraiva Felipe não concordaram com a indicação de um nome de fora do partido. "A campanha de BH, infelizmente, nacionalizou. Outros candidatos retiraram a candidatura e vão apoiar Marcio Lacerda. Como somos parceiros nacionais do PT, não temos outra opção a não ser caminhar unidos", analisa Andrade. Com a decisão, o PDT deve apoiar Lacerda.

A decisão por Aloísio foi tomada em reunião em Brasília entre o vice-presidente da República, Michel Temer, o presidente estadual do PMDB, deputado federal Antônio Andrade, o presidente nacional da legenda, senador Valdir Raupp (RO), e parte da bancada mineira. Aloísio sempre foi um dos principais articuladores políticos nos bastidores do PMDB mineiro. Engenheiro de formação, também foi deputado federal na década de 1980 e participou da promulgação da Constituição de 1988.

Irmãos Patrus Ananias, que havia sido escolhido na terça-feira pela Executiva Nacional para concorrer pelo PT, sacramentou a troca de candidatura em um encontro reservado à tarde com o vice-prefeito Roberto Carvalho. Vencedor na convenção do PT que decidiu romper com Lacerda, Carvalho havia registrado sua candidatura no Tribunal Regional Eleitoral e só com sua renúncia o quadro poderia ser mudado. Em clima de amizade, os dois selaram a aliança no fim da tarde no apartamento de Patrus. Carvalho passa a ser coordenador da campanha petista.

Patrus não quis se pronunciar. Carvalho disse que foi uma conversa de irmãos que têm uma amizade de 40 anos. "Vou comunicar às 15h de amanhã (hoje) essa decisão. É um posicionamento em defesa da unidade do PT e considero o nome de Patrus como se fosse o meu", afirmou. O vice, que desde o início do processo eleitoral defendeu a candidatura própria e se colocou como candidato, disse não ter feito qualquer reivindicação para retirar seu nome. "Na medida em que considero Patrus como se fosse eu, me sinto contemplado." Na noite de ontem, Carvalho recebeu muitos cumprimentos em encontro com a militância no diretório municipal, quando reafirmou o apoio a Patrus e convocou os petistas a participarem ativamente da campanha. Segundo ele, o ex-presidente Lula prometeu empenho na campanha em BH.

FONTE: ESTADO DE MINAS

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