domingo, 8 de julho de 2012

PIB fraco afeta de investimentos a empregos

País pode crescer abaixo de 2% este ano, atingindo até o salário mínimo de 2014. Especialista recomenda privatizações

Henrique Gomes Batista

A cada divulgação de dados oficiais fica mais nítido que a economia brasileira patina pelo segundo ano consecutivo. Neste cenário, analistas dizem que, se o Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) crescer 2% em 2012, já pode ser considerado um bom resultado, isso poque aumentam as apostas entre 1,5% e 1,8%. E o ritmo fraco do PIB começa a ser sentido na vida dos brasileiros, que estão mais receosos e temem que a crise se agrave, o que pode esfriar ainda mais a economia.

Mas o que significa para o Brasil crescer 2% ou menos este ano? Economistas ouvidos pelo GLOBO acreditam que os problemas tendem a ser cada vez mais sentidos pelas pessoas no seu cotidiano e pelas empresas. Uma forte redução dos investimentos causados pela frustração dos empresários, que esperavam crescimento na faixa de 4%, deve dificultar ainda mais a criação de empregos. Além disso, a renda per capita no país pode ter uma variação muito baixa e o salário mínimo deverá ter um crescimento fraco em 2014 - a atual regra faz com que o salário básico da economia seja reajustado levando em conta a inflação do ano anterior e o PIB de dois anos antes.

- Nossa projeção de crescimento é de 1,8% este ano e, depois dos últimos dados da produção industrial, está cada vez mais fácil que o crescimento fique perto de 1,5% do que de 2%. Apesar das medidas, como o corte de juros, não está garantido que a economia se aqueça no segundo semestre. E, se essa perspectiva não mudar, os problemas serão cada vez mais sentidos - afirma Armando Castelar, coordenador de Pesquisas Aplicadas do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Para o professor, a criação de empregos fica mais prejudicada. Ele lembra que um fenômeno pouco usual fez com que, nos últimos anos, o emprego e a renda se mantivessem crescendo acima da economia: as vagas foram abertas em setores muito específicos e intensos em mão de obra, como comércio, construção civil e bancos, além de parte dos dados representar uma formalização do mercado de trabalho:

- A geração de empregos é uma preocupação crescente agora. O fraco desempenho da economia nacional é fruto do baixo investimento. E o investimento tende a continuar baixo com isso, é um círculo vicioso - diz Castelar, que defende uma política agressiva para aumentar a infraestrutura, inclusive com a privatização de estradas, aeroportos e portos, para atrair mais investimentos e aumentar as expectativas.

Para o professor Reinaldo Gonçalves, da UFRJ, o baixo crescimento, cerca da metade da média histórica do país como República (4,5%), chega às pessoas:

- Uma das consequências será um baixo crescimento do salário mínimo e geração de empregos medíocre - avalia, acrescentando que a culpa pelo atual resultado é, indiretamente, da própria presidente Dilma Rousseff. Para ele, o governo fez política eleitoreira em 2010, quando a economia cresceu 7,5% facilitando a eleição da presidente.

Apesar da redução do emprego, ele ainda deve crescer este ano em um volume maior que a expansão da População Economicamente Ativa (PEA). Para o economista Alex Agostini, da Austin Rating, o avanço da PEA é igual ao crescimento populacional, de 1,3% ao ano, enquanto o emprego formal deve crescer este ano 3,5%. Ele prevê uma alta do PIB de 1,9% este ano.

FONTE: O GLOBO

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