quinta-feira, 7 de março de 2013

Presidente rebate crítica de Aécio ao governo na frente de tucanos

Dilma diz que não se faz Bolsa Família 'na canetada'; senador reage

Fernanda Odilla, Breno Costa e Gabriela Guerreiro

BRASÍLIA - Na frente de três governadores do PSDB no Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff voltou a rebater e criticar os tucanos, principais adversários políticos do PT.

Em discurso ontem após reunião em que anunciou a governadores e prefeitos obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), a presidente afirmou, sem citar nominalmente a legenda adversária, que "todo mundo acha que o Bolsa Família a gente faz na canetada".

Foi uma crítica e resposta ao senador Aécio Neves (PSDB-MG), potencial candidato à presidente, que esta semana disse que o governo combate a miséria "por decreto".

"O Bolsa Família precisou de arte e de engenho, precisou de vontade política. Isso não é milagre, não é malabarismo. Só uma experiência de dez anos permitiu que nós olhássemos e víssemos que dava para tirar [as pessoas da miséria]", disse a presidente.

A plateia tinha os governadores tucanos Geraldo Alckmin (SP), Antonio Anastasia (MG) e Marconi Perillo (GO).

A meta de erradicar a extrema pobreza é uma das principais promessas de campanha de Dilma, e já começa a se converter em bandeira para as eleições, diante do tímido crescimento econômico.

Em fevereiro, começaram a ser veiculadas peças publicitárias, em rádio e TV, nas quais o governo diz que o "fim da miséria é só o começo".

O discurso de ontem representou a terceira defesa de Dilma, em uma semana, dos programas sociais, alvos constantes de ataques da oposição.

A grande polêmica reside na paternidade da iniciativa. Dilma tem repetido que o Bolsa Família é do PT. Os tucanos lembram que o cadastro único foi criado em 2001, na gestão FHC, e dizem que a petista se esquece da herança que hoje lhe rende popularidade.

Na semana passada, Dilma afirmou que foi na gestão petista que o cadastro do Bolsa Família foi criado. "Criamos um cadastro, porque não existia cadastro. É conversa que tinha cadastro", disse ela na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão.

Alckmin preferiu evitar um confronto direto com Dilma e se limitou a dizer que o discurso dela foi "federativo".

A governadores tucanos ontem em Brasília, o senador Aécio Neves respondeu à fala de Dilma. Ele disse que a petista precisa "respeitar o passado" e que viu "uma insistência em dizer que o Bolsa Família não foi feito em uma canetada".

"Certamente não foi em uma canetada. Foi um decreto presidencial, e não custa aqui refrescar a memória dos brasileiros, decreto assinado pelo presidente Lula, que, na verdade, incorporava os programas criados pelo presidente Fernando Henrique."

Aécio comentou outra frase de Dilma, que nesta semana disse que "podemos fazer o diabo" na eleição, mas não no exercício do mandato. "Lamento a declaração e espero que isso não venha sinalizar para uma ação delituosa dos seus aliados", disse o senador.

PAC 2

Em um gesto político, a presidente anunciou no evento de ontem recursos já previstos desde 2010 no PAC 2.

A novidade foi a definição dos projetos que receberão os recursos nas áreas de saneamento, pavimentação e mobilidade. Em janeiro, Dilma havia prometido R$ 66,8 bilhões a prefeitos como se os recursos fossem novos.

O anúncio de ontem refere-se à metade desse valor (R$ 33 bilhões).

Fonte: Folha de S. Paulo

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