quarta-feira, 15 de maio de 2013

Marina, Kassab e a esfinge Eduardo

Após reuniões separadas com o governador, ex-ministra e dirigente nacional do PSD demonstraram não saber se Eduardo será mesmo candidato ao Planalto

Carolina Albuquerque

Freando as viagens pelo País, o governador e presidenciável Eduardo Campos (PSB) tem recebido lideranças políticas no seu próprio gabinete. Ontem, foram logo duas. Primeiro, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, a quem prestou ajuda fundamental para viabilização do PSD, em 2011. Por último, a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que está no Recife para divulgar o seu novo partido, o Rede de Sustentabilidade. Após o encontro, os dois saíram com impressões semelhantes acerca do vôo nacional do governador. "Não sei necessariamente se ele já se lançou (candidato)", confessou Marina. Após os dois encontros, Eduardo não se pronunciou.

A entrevista aconteceu na entrada da sede provisória do governo do Estado, no Centro de Convenções, logo após o encontro com o governador, que durou uns 50 minutos. Ao final, Marina exibiu a ficha de apoio ao Rede, assinada por Eduardo. Refutando a especulação de que a conversa tenha sido norteada por 2014, Marina criticou a aprovação, na Câmara Federal, do projeto que restringe o tempo de TV e rádio para novos partidos, chamado-o de antidemocrático e casuísticos.

"Isso só aumentou a solidariedade da população. As pessoas veem dois pesos e duas medidas. Para o partido do Kassab, não foram criados esses obstáculos e para o Rede está sendo criado", alfinetou.

Embora revele que não vê a postulação à presidência de Eduardo, Marina disse ser legítima. "Sou da filosofia de que quanto mais estrelas no céu, mais claro é o caminho", poetizou a ex-ministra. Porém, sacramentou que os dois percorrem "percursos diferentes". Em pleno ano pré-eleitoral, quando as articulações políticas começam a se formar visando, principalmente, palanques e tempo de TV, ela criticou o alinhamento pragmático. "É preciso que se tenha em vista o programa, a identidade programática, em vez de fazer a junção de água com óleo, visando tempo de TV e o poder pelo poder", disse.

Perguntada se havia alguma semelhança programática entre o PSB de Eduardo e o Rede, saiu-se com essa: "Já perguntou a ele isso?". Colocando o Rede na seara da renovação, Marina criticou a forma como se dá o financiamento de campanha. "O Rede está antecipando aspectos da reforma política. Em vez de ficar só fazendo a critica à falta de financiamento público de campanha, estamos implementando o financiamento popular de campanha", frisou.

Depois de uma bem-sucedida campanha em 2010 a presidente da República, Marina não nega que seja candidata em 2014. "Que é uma possibilidade, é, para quem teve mais de 20 milhões de votos". Porém, esquivou-se de perguntas eleitorais. "Só interessa (a antecipação eleitoral) ao governo, porque, aí, você fica no ruído eleitoral e não discute o que interesse para o País na agenda da economia, da saúde, do desenvolvimento sustentável, da educação. As pessoas querem ver agora os prefeitos trabalhando. Vamos deixar a eleição de 2014 em 2014", desconversou.

Fonte: Jornal do Commercio (PE)

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